HOMILIA
A Claridade que Forma o Ser
A família é o primeiro espaço onde a verdade se transmite como presença e não como imposição.
A palavra proclamada no Evangelho recorda que a luz não nasce para ser retida, mas para revelar a ordem interior que sustenta o existir. Quando o coração acolhe essa claridade, o tempo deixa de ser apenas sucessão e torna-se espaço de amadurecimento, onde cada instante participa de uma plenitude que não se esgota. Assim, ouvir não é acumular sons, mas permitir que o sentido transforme o modo de ver, pensar e agir.
O crescimento interior acontece na medida em que a consciência se dispõe a responder ao dom recebido. Aquilo que é acolhido com atenção se amplia, enquanto o que é negligenciado se dispersa. A pessoa humana encontra aí sua dignidade mais profunda, pois é chamada a tornar visível, pela própria vida, aquilo que foi aceso no íntimo do ser.
Nesse mesmo horizonte, a família surge como o primeiro lugar onde a luz é sustentada e transmitida. Nela, o sentido é cultivado como herança viva, formando consciências capazes de reconhecer o valor do outro e a responsabilidade do próprio caminho. Desse modo, o Reino se manifesta sem ruído, como claridade que permanece e orienta, fazendo da existência um testemunho silencioso da verdade que ilumina todas as coisas.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Não há realidade velada que não seja chamada à revelação, pois o que nasce no silêncio do ser é conduzido à clareza quando o instante se abre à plenitude que o sustenta (Mc 4,22)
A Revelação como Movimento do Ser
O ensinamento do Evangelho indica que a revelação não é um evento exterior imposto ao mundo, mas um desdobramento que acontece quando o ser alcança maturidade interior. Aquilo que permanece oculto não o faz por negação, mas por espera. Existe um ritmo próprio no qual o sentido se manifesta, respeitando a capacidade de acolhimento da consciência e a fidelidade do coração ao que lhe foi confiado.
O Silêncio como Espaço Gerador
O silêncio mencionado não é ausência, mas profundidade. É nele que o sentido se forma antes de ganhar expressão. Quando a pessoa consente em habitar esse recolhimento interior, o que é verdadeiro começa a emergir sem esforço, conduzido por uma ordem que não depende da sucessão dos instantes, mas de uma presença contínua que sustenta tudo o que existe.
A Clareza que Não Se Impõe
A clareza evocada pelo versículo não se confunde com exposição forçada. Ela surge como fruto de fidelidade interior e atenção perseverante. O que se revela o faz porque encontrou espaço para permanecer, e não porque foi arrancado da sombra. Assim, a verdade ilumina sem ferir e orienta sem constranger.
A Plenitude que Sustenta o Instante
Quando o instante se abre à plenitude, o tempo deixa de ser apenas passagem e torna-se lugar de encontro. Cada momento carrega em si a possibilidade de comunhão com aquilo que não se esgota. Nesse horizonte, a vida se ordena, a dignidade se aprofunda e o caminho do ser encontra direção, permanecendo fiel à luz que o chama à revelação.
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