HOMILIA
O Senhor do Sentido e do Tempo
O tempo deixa de ser medida quando o sentido se revela como presença que sustenta o instante.
O Evangelho nos conduz a um campo onde o gesto simples revela uma verdade silenciosa. Ao caminhar entre espigas colhidas sem alarde o Cristo mostra que a vida não se submete a esquemas rígidos quando o essencial está em jogo. A lei existe para proteger o florescimento do ser e não para sufocá lo. Quando se perde o contato com o sentido a norma deixa de servir e passa a dominar.
Há um modo de viver aprisionado à sucessão dos dias e outro que reconhece no instante uma abertura para o eterno. Jesus habita este segundo modo. Nele o tempo não oprime nem fragmenta mas se torna espaço de maturação interior. Por isso Ele afirma que o homem não foi criado para o sábado mas o sábado para o homem.
A dignidade da pessoa nasce dessa interioridade desperta que reconhece seu valor antes de qualquer função. E a família como célula mater da existência humana participa desse mistério quando se torna lugar de presença cuidado e transmissão do sentido. Não se sustenta por regras vazias mas por fidelidade ao que faz crescer.
Quem aprende a agir a partir desse centro não precisa justificar cada passo. Seu agir é sóbrio firme e pacificado. Assim o caminho se abre e o viver encontra sua justa medida no silêncio que sustenta todas as coisas.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Inspirado no ensinamento do Senhor em Mc 2,27 este texto aprofunda o sentido do tempo e do agir humano à luz da revelação
O tempo como dom e não como princípio
O tempo não possui existência própria nem autoridade sobre o ser. Ele surge como ordenação oferecida para que a vida se desenvolva com medida e discernimento. Quando compreendido corretamente ele serve ao crescimento interior e à fidelidade ao sentido da criação. O erro nasce quando o tempo é tratado como origem absoluta e passa a exigir submissão do homem ao seu ritmo exterior.
A consciência que confere sentido
A existência humana não é chamada a reagir mecanicamente à sucessão dos dias. É na interioridade desperta que o viver reconhece o valor do instante. O sentido não é imposto de fora mas reconhecido a partir de dentro quando a pessoa se alinha ao que a sustenta. Assim o tempo recebe significado porque é habitado com presença.
O instante como revelação
Quando o ser encontra sua justa orientação o instante deixa de ser limite e passa a ser passagem. Cada momento torna se portador de revelação pois não é mais vivido como pressão ou ameaça. O tempo deixa de aprisionar quando é acolhido como lugar de manifestação do eterno que sustenta todas as coisas.
O senhorio interior do homem
Ao afirmar que o homem não foi feito para o sábado o Evangelho revela que a maturidade espiritual conduz a um senhorio interior. Não se trata de domínio externo mas de harmonia entre agir e sentido. O homem desperto vive no tempo sem se dissolver nele pois sua referência não é o fluxo mas a fidelidade ao que permanece.
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