HOMILIA
Convém que Ele Cresça
O crescimento autêntico ocorre quando o centro interior se desloca do eu para o princípio que o sustenta.
O Evangelho segundo João apresenta um movimento silencioso e decisivo da alma. Jesus avança em sua missão enquanto João permanece fiel ao lugar que lhe foi confiado. Não há disputa nem apego, apenas reconhecimento da ordem que sustenta o real. Cada ser é chamado a cumprir sua medida, sem usurpar o espaço do outro, permitindo que o essencial se manifeste.
A evolução interior não acontece por acumulação, mas por consentimento. O coração amadurece quando aprende a ceder o centro, abrindo espaço para uma presença maior que orienta sem coagir. João ensina que a alegria verdadeira nasce da escuta atenta e do alinhamento com o que vem do alto.
A dignidade da pessoa se revela quando ela age a partir de sua origem e não da comparação. Do mesmo modo, a família como célula mater da existência humana floresce quando cada vínculo respeita a ordem do dom e do cuidado, tornando-se lugar de crescimento e transmissão da vida interior.
Quando o eu se recolhe, o ser se expande. Nesse movimento, a existência encontra seu equilíbrio, e a verdade torna-se morada estável do espírito.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
O Esvaziamento que Revela o Ser
O versículo orientador
O essencial se expande quando o ego se recolhe (Jo 3,30).
Essa afirmação expressa o eixo da revelação cristã como caminho de maturação interior. João reconhece que a verdade não se afirma por apropriação, mas por conformidade com a origem. O crescimento do Filho não diminui o homem, antes o situa corretamente na ordem do ser.
A ordem do dom
Tudo o que existe procede de uma fonte que antecede a vontade individual. Quando a pessoa reconhece essa precedência, sua ação deixa de ser reativa e passa a ser participativa. O recolhimento do ego não é negação da identidade, mas purificação do olhar que permite receber sem distorção aquilo que é dado do alto.
Cristo como medida interior
O crescimento de Cristo não é quantitativo, mas qualitativo. Ele se manifesta quando a consciência se alinha à verdade que a sustenta. Nesse alinhamento, a vida deixa de girar em torno da autoafirmação e passa a refletir a sabedoria que ordena todas as coisas com simplicidade e firmeza.
A maturidade da pessoa e da família
A pessoa alcança sua dignidade plena quando vive segundo sua vocação originária. A família, como célula mater da existência humana, torna-se espaço fecundo quando cada membro aprende a sair do centro e a servir à vida que se transmite. Assim se preserva a continuidade do ser e a harmonia entre as gerações.
A alegria do recolhimento
João declara que sua alegria está completa porque compreendeu seu lugar. Essa alegria não depende de reconhecimento externo, mas da fidelidade interior. Quando o ego se recolhe, o essencial encontra espaço para habitar, e a existência repousa na verdade que não passa.
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