HOMILIA
Chamado que Reordena o Ser
O Evangelho nos apresenta um Cristo que caminha e chama enquanto passa. Esse passar não é deslocamento comum, mas manifestação de um eixo permanente onde o sentido não se perde no antes nem se projeta no depois. O olhar que encontra Levi não o define por sua função ou por sua história, mas o reconhece no ponto mais íntimo onde o ser ainda pode levantar-se. Ali, o convite não impõe força exterior. Ele desperta uma adesão interior que reorganiza a existência.
Sentar-se à mesa com aqueles considerados fragmentados revela que a cura não começa pelo comportamento, mas pela reintegração do centro. A casa torna-se imagem da interioridade restaurada, e a família, como célula mater, aparece como espaço onde o vínculo sustenta e educa o ser para a inteireza. A dignidade nasce quando a pessoa é reconduzida à sua origem e aprende a agir a partir dela.
Cristo não se dirige aos que se julgam completos. Ele se inclina àquilo que ainda está em processo, pois é no reconhecimento da própria fissura que a consciência se abre ao real. Viver assim é habitar cada instante como ponto pleno, onde a escolha não é reação, mas alinhamento com o Logos que sustenta tudo. Nesse caminho, a vida deixa de ser dispersão e torna-se percurso consciente em direção à unidade.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Ao ouvir, ele afirma que o cuidado se dirige ao que ainda não está inteiro, pois o chamado opera onde o ser precisa ser reunificado (Mc 2,17)
O chamado como movimento interior
O ensinamento de Cristo não se dirige a uma condição exterior, mas ao ponto íntimo onde a pessoa ainda não alcançou unidade. O cuidado mencionado no versículo não é reparo superficial, mas ação que toca o fundamento do ser. O chamado acontece no nível em que a existência pode ser reorganizada a partir de dentro, sem violência e sem imposição.
A inteireza como processo de alinhamento
Estar inteiro não significa ausência de limites, mas coerência interior. Quando Cristo afirma que vem ao encontro do que não está pleno, revela que a maturação do ser ocorre quando a consciência reconhece sua própria desordem e se dispõe a ser orientada por um princípio mais alto. A cura acontece como realinhamento e não como simples correção.
O instante que sustenta todos os instantes
O chamado não pertence a um momento isolado da história pessoal. Ele emerge de um plano onde passado e futuro não governam a decisão. A resposta verdadeira nasce quando a pessoa se posiciona nesse ponto profundo em que cada instante se torna pleno e portador de sentido.
A restauração da pessoa e do vínculo
Ao reunir o ser em seu centro, o cuidado divino restaura também a capacidade de relação. A pessoa reencontra sua dignidade e passa a habitar os vínculos fundamentais com presença e responsabilidade. Assim, a vida deixa de ser fragmentada e passa a expressar unidade, ordem e fidelidade ao Logos que a sustenta.
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