HOMILIA
Vinho Novo e o Coração que se Expande
Toda forma existe para servir à vida que a atravessa, não para aprisioná-la.
O Evangelho nos conduz a um ponto decisivo da vida interior. A pergunta sobre o jejum não trata apenas de práticas, mas da capacidade humana de reconhecer quando o princípio vivo está presente. Onde Ele se manifesta, o tempo comum se suspende e o instante adquire densidade plena. Não se trata de abandonar formas, mas de compreender que toda forma existe para servir à vida que a atravessa.
Jesus revela que o espírito não cresce por acúmulo, mas por dilatação. Quando a consciência permanece rígida, tenta conter o novo dentro de estruturas que já cumpriram sua função. O resultado é ruptura interior. A maturidade espiritual nasce quando o ser aceita transformar-se para acolher o que é maior do que ele mesmo.
Essa dinâmica atinge a dignidade da pessoa e da família, célula originária onde a vida aprende ritmo, cuidado e fidelidade. A casa interior, como a casa humana, precisa estar preparada para receber o que renova. O que sustenta não é a repetição, mas a presença que reorganiza.
Assim, o Evangelho ensina que a verdadeira evolução não força nem rompe. Ela respeita o crescimento silencioso, alinha o interior ao que é essencial e permite que cada instante seja habitado como encontro real com o sentido último da existência.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Evangelho segundo Marcos 2,22
A irrupção do princípio vivo
O ensinamento expresso neste versículo revela que a ação divina não se acomoda a estruturas que perderam vitalidade interior. O que procede da origem não é repetição do passado, mas manifestação sempre atual do sentido. Quando esse princípio se faz presente, ele não destrói por oposição, mas evidencia os limites daquilo que já não consegue sustentar a plenitude do ser.
O encontro entre eternidade e instante
Há momentos em que o fluxo comum dos dias é atravessado por uma densidade diferente. O instante deixa de ser apenas sucessão e passa a conter peso de plenitude. Esse contato exige uma interioridade capaz de se expandir, pois não se trata de ajustar o eterno ao humano, mas de permitir que o humano seja elevado ao que o ultrapassa.
A consciência e suas formas
Quando a consciência se fixa exclusivamente no que já foi, transforma a forma em absoluto. Nesse fechamento, o excesso do real não encontra espaço e a ruptura se torna inevitável. Não porque o novo seja violento, mas porque a rigidez impede o acolhimento da vida que se renova.
A morada do novo
O ser que consente em abrir-se ao eixo profundo que sustenta o tempo descobre uma nova estabilidade. O agora torna-se lugar de permanência, não por imobilidade, mas por participação no que não se esgota. Assim, a vida não se dispersa nem se perde. Ela se cumpre ao encontrar um interior preparado para recebê-la.
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