HOMILIA
A Mão Restaurada no Centro do Ser
A dignidade se revela quando o agir coincide com a verdade interior e não com o medo.
O Evangelho apresenta um homem cuja mão seca revela mais do que uma limitação física. Ela manifesta uma contração interior que surge quando o agir se afasta da fonte. Cristo entra no lugar da lei não para negá la mas para reconduzi la ao seu núcleo vivo. Ao chamar o homem para o centro Ele não cria um espetáculo mas revela onde o ser recupera unidade.
O gesto de estender a mão não acontece por concessão externa. Ele nasce quando a pessoa consente em alinhar se com o sentido que sustenta a vida. Nesse ponto o tempo não se acumula nem se mede. Tudo se decide no agora que permanece. A rigidez dos observadores mostra o risco de viver apenas na superfície das normas sem escutar o que as atravessa.
A dignidade humana se afirma quando o agir brota de dentro e não do medo. A família nasce dessa mesma fonte como espaço onde a vida é acolhida antes de ser julgada. Quando o coração se mantém íntegro a obra se completa sem violência. E o ser humano reencontra sua forma verdadeira não por ruptura mas por fidelidade ao que o habita.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
E ele os coloca diante do instante decisivo, onde o bem não espera ocasião nem calendário, e a preservação do ser acontece no agora que não passa, enquanto o silêncio revela a incapacidade de permanecer nesse ponto essencial. (Mc 3,4)
O instante que revela o eterno
O ensinamento de Cristo conduz a atenção para um ponto onde o agir não depende da sucessão dos dias. O bem não se posterga nem se submete a cálculos. Ele se manifesta quando o ser reconhece a origem que o sustenta e consente em agir a partir dela. Nesse ponto o tempo deixa de ser acúmulo e se torna presença.
A lei reconduzida à sua fonte
A pergunta de Jesus não relativiza a lei, mas a devolve ao seu princípio vivo. Quando a norma se afasta da vida, ela se torna rígida. Quando retorna à fonte, ela protege e restaura. A fidelidade verdadeira não está na repetição exterior, mas na adesão interior ao sentido que a gerou.
O silêncio que denuncia a ruptura interior
O silêncio dos ouvintes não é reverência. Ele revela a dificuldade de permanecer onde a verdade exige decisão. Calar diante do essencial é sinal de um coração dividido, incapaz de sustentar a unidade entre o que se conhece e o que se vive.
A preservação do ser como critério do agir
Salvar não é apenas evitar a perda visível, mas manter íntegra a forma interior da pessoa. O agir justo preserva essa inteireza e impede que o medo determine a ação. Assim o ser permanece alinhado com aquilo que o chama à plenitude.
A escolha que não admite adiamento
O ensinamento culmina na clareza de que o bem não espera circunstâncias ideais. Ele se realiza quando o ser responde no instante presente. Permanecer nesse ponto exige maturidade interior e confiança na ordem que sustenta a vida.
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