sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Homilia Diária e Explicação Teológica - 18.01.2026

 


HOMILIA

O Cordeiro e o Eixo do Ser

Ao apontar para o Cordeiro, João não indica apenas uma pessoa no horizonte visível, mas revela um princípio que atravessa toda a existência. O que se manifesta ali não nasce do encadeamento dos instantes, pois já estava antes de todo começo. Há uma origem que sustém cada passo humano e que não se mede pela sucessão dos dias, mas pela profundidade com que o ser se deixa alinhar ao que permanece.

O testemunho não surge do acúmulo de palavras, mas da visão interior que reconhece quando o Espírito repousa. Esse repouso não é inércia, é permanência ativa, fundamento silencioso onde a vida encontra direção sem coerção. A dignidade da pessoa floresce quando ela consente em viver a partir desse centro, onde agir e ser coincidem.

A família, como célula mater da existência humana, torna-se o primeiro espaço onde essa permanência se aprende. Não como estrutura externa, mas como lugar de transmissão do sentido, da fidelidade ao que é essencial e da responsabilidade que nasce do reconhecimento da origem.

Assim, seguir o Cordeiro é deixar que a própria vida se torne testemunho. Não por imposição, mas por adesão consciente à verdade que sustém o real. Quando isso acontece, cada gesto simples participa da ordem mais alta, e o humano amadurece na serenidade de quem caminha a partir do eterno que habita o agora.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Eis aquele que assume em si o peso do desvio humano, não como condenação, mas como retorno da ordem ao seu princípio invisível. (Jo 1,29)

O sentido do Cordeiro

Ao indicar o Cordeiro, o Evangelho revela mais do que uma função redentora ligada ao erro. Revela um princípio de reintegração. O desvio humano não é tratado como falha isolada, mas como afastamento do centro que sustém o ser. Aquele que vem não aponta o erro como destino, mas como possibilidade de retorno à harmonia original.

A origem que permanece

O que João contempla não surge dentro da sequência dos acontecimentos. Trata-se de uma presença que antecede e sustenta toda manifestação. Por isso, o reconhecimento não ocorre pelo acúmulo de experiências, mas pela percepção interior de algo que sempre esteve. O eterno não se opõe ao agora, habita-o como fundamento silencioso.

Assumir para ordenar

Assumir o peso do desvio não significa absorver culpa, mas restaurar direção. Aquele que assume o humano o faz reconduzindo-o à sua medida justa. A ordem não é imposta de fora, mas restabelecida a partir do interior do ser, onde verdade e existência se encontram.

O testemunho como alinhamento

João não apenas vê, ele consente. O testemunho nasce quando a consciência se ajusta ao que reconhece como verdadeiro. Assim, a fé deixa de ser reação a eventos e torna-se posicionamento interior estável, capaz de orientar cada gesto segundo o princípio que não passa.

O agora sustentado pelo eterno

Nesse reconhecimento, o tempo deixa de ser mera sucessão e torna-se profundidade. Cada instante é sustentado por aquilo que não se move. Viver a partir desse eixo confere serenidade, responsabilidade e inteireza ao agir humano, fazendo da existência uma resposta contínua ao chamado da origem.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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