HOMILIA
A Plenitude do Amor que Transcende a Medida Humana
O amor que supera a medida comum revela a alma reconciliada com sua origem eterna.
O Evangelho segundo Mateus nos conduz a uma altura espiritual onde o amor deixa de ser mera resposta afetiva e se torna participação consciente na própria vida divina. Amar os que nos favorecem é movimento natural; amar aqueles que nos contrariam é sinal de maturidade do espírito. Nesse chamado, o Senhor nos eleva acima da reação instintiva e nos introduz na ordem superior onde cada ato nasce do princípio eterno que sustenta todas as coisas.
Quando Cristo convida a amar os inimigos e a rezar pelos que perseguem, Ele revela uma lei interior inscrita na própria estrutura do ser. O coração humano foi criado para refletir a inteireza do Pai. O sol que ilumina justos e injustos manifesta essa fonte inesgotável de bondade que não se fragmenta segundo critérios passageiros. Assim também a alma é chamada a superar divisões interiores e a reencontrar sua unidade na origem que a gerou.
A perfeição proposta não é rigor inflexível, mas plenitude harmoniosa. Ser perfeito como o Pai é permitir que a vontade seja iluminada por uma consciência elevada, capaz de escolher o bem não por imposição externa, mas por adesão lúcida ao que é verdadeiro. Nesse nível, a pessoa descobre sua dignidade mais profunda, pois reconhece que foi criada à imagem de uma realidade que é pura doação.
Tal caminho não se percorre isoladamente. A família, como célula mater da vida humana, torna-se o primeiro espaço onde essa caridade se aprende e se exercita. É no convívio diário, na paciência silenciosa e no perdão renovado, que o amor amadurece e se purifica. Quando o lar se orienta por esse princípio superior, torna-se escola de grandeza interior e santuário de formação do caráter.
O ensinamento do Senhor também nos chama à soberania do espírito sobre as paixões desordenadas. Não se trata de negar os sentimentos, mas de ordená-los segundo uma razão iluminada. Aquele que domina a si mesmo não é escravo das circunstâncias. Sua ação brota de um centro estável, onde o bem é escolhido com firmeza e serenidade.
Assim, o amor aos inimigos não é fraqueza, mas expressão de força interior. Ele manifesta que a alma já não está aprisionada às reações imediatas, mas participa de uma dimensão mais alta da realidade. Cada gesto de benevolência rompe cadeias invisíveis e restaura a integridade do ser.
Cristo nos chama à perfeição porque conhece a vocação inscrita em nós desde a origem. Somos destinados à plenitude. Quando acolhemos esse chamado, cada instante torna-se ocasião de elevação. O cotidiano, iluminado por essa presença silenciosa e permanente, transforma-se em espaço sagrado onde o coração aprende a amar com a medida do Céu.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste Mt 5,48
A perfeição como vocação ontológica
O mandato do Senhor ultrapassa a esfera de um simples aperfeiçoamento moral. Ele revela a vocação inscrita na própria estrutura do ser humano. Criado à imagem do Pai, o homem é chamado a refletir, de modo consciente e livre, a inteireza divina. A perfeição não consiste em rigor exterior, mas na conformidade interior com Aquele que é plenitude absoluta. Trata-se de uma correspondência entre origem e destino, na qual o ser encontra sua verdade ao participar da fonte que o gerou.
A presença do eterno no instante
Quando Cristo ordena que sejamos perfeitos como o Pai, Ele nos introduz na compreensão de que cada momento está sustentado por uma Presença que não passa. O eterno não se encontra distante, mas fundamenta silenciosamente cada ato e cada decisão. A perfeição, então, manifesta-se quando a vontade humana se harmoniza com essa realidade superior, permitindo que o agir cotidiano seja expressão da ordem divina que sustém o universo.
Unidade interior e superação da fragmentação
A condição humana frequentemente se dispersa em desejos contraditórios e intenções fragmentadas. O chamado do Evangelho conduz à reunificação interior. Ser perfeito como o Pai é integrar pensamento, vontade e ação sob a luz do Bem supremo. Nessa integração, o coração abandona duplicidades e reencontra estabilidade. A unidade não é uniformidade rígida, mas harmonia viva que espelha a simplicidade divina.
A elevação do coração à sua Fonte
A plenitude proposta por Cristo eleva o coração acima das medidas meramente humanas. Não se trata de alcançar um ideal inalcançável, mas de permitir que a graça restaure a forma original impressa na alma. Quando a vontade se orienta pelo Bem absoluto, cada gesto torna-se participação na própria vida divina. Assim, o ser humano reencontra sua medida na Fonte que o gera e o sustém, vivendo no mundo com os pés no tempo e o coração enraizado na eternidade.
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