HOMILIA
A Porta que se Abre no Interior do Ser
A maturidade espiritual nasce quando a vontade humana se harmoniza com a Fonte que a criou e a conduz.
Amados irmãos e irmãs, o Evangelho nos conduz ao mistério do pedir, do buscar e do bater. Essas palavras não descrevem apenas gestos exteriores, mas movimentos da alma que desperta para o Alto. Pedir é reconhecer que a existência não se basta a si mesma. Buscar é orientar a inteligência e o coração para o Bem que sustenta todas as coisas. Bater é perseverar até que a própria vontade seja purificada e ajustada à medida do eterno.
O Cristo revela que o Pai não responde segundo a lógica instável do mundo, mas segundo a plenitude do Amor que conhece a verdadeira necessidade do ser humano. O pão oferecido não é apenas alimento material, mas força interior que sustenta a consciência. O peixe não é apenas sustento do corpo, mas símbolo da vida que atravessa as águas do tempo sem se dissolver nelas. O dom do Pai é sempre aquilo que edifica, fortalece e eleva.
Existe um ponto silencioso no íntimo de cada pessoa onde o pedido já encontra escuta. Ali, antes que as palavras se formem, a Presença já conhece o anseio mais profundo. Quando o coração se recolhe nesse centro, compreende que a resposta divina não é mera concessão externa, mas transformação interior. O ser humano amadurece quando aprende a desejar o que é conforme ao Bem supremo.
O ensinamento que conclui o Evangelho revela a medida dessa maturidade. Fazer ao outro o que se deseja receber não é simples regra moral, mas participação na ordem eterna que sustenta a criação. Quem age assim reconhece no próximo uma dignidade que procede da mesma Fonte. A pessoa humana torna-se então guardiã do próprio agir, não movida por impulsos passageiros, mas por convicção iluminada.
A família, como célula mater da convivência humana, é o primeiro espaço onde esse princípio se encarna. No cuidado mútuo, no respeito, na responsabilidade silenciosa, aprende-se que amar é oferecer o melhor de si para que o outro floresça. Ali se forma o caráter, ali se exercita a fidelidade, ali se descobre que o verdadeiro crescimento nasce do dom sincero de si mesmo.
Pedir, buscar e bater tornam-se, portanto, caminhos de evolução interior. A alma que persevera nesse itinerário adquire firmeza, serenidade e retidão. Não depende das circunstâncias para permanecer íntegra, pois sua confiança está enraizada no Pai que concede bens verdadeiros.
Que ao nos aproximarmos do altar, possamos pedir com confiança, buscar com sinceridade e bater com perseverança, certos de que a Porta que se abre não conduz apenas a dons passageiros, mas à participação na Vida que não passa e que sustenta cada instante de nossa peregrinação.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Mateus 7,11
Se vós, ainda marcados pela fragilidade, sabeis oferecer dons bons aos vossos filhos, quanto mais o Pai que está nos céus concederá bens verdadeiros aos que a Ele se dirigem. No eterno Agora onde toda súplica é presença, o dom não é apenas algo concedido no tempo, mas participação na própria Fonte do Bem que antecede cada pedido e sustenta toda existência.
A paternidade divina como princípio do ser
A palavra do Senhor revela que toda experiência humana de paternidade é sinal de uma Realidade maior. Mesmo limitada, a capacidade de oferecer o bem manifesta uma estrutura inscrita no próprio ser. Deus não é Pai por analogia distante, mas é a origem da própria possibilidade de cuidar, nutrir e conduzir. Nele, o ato de dar não é reação, mas expressão contínua de sua plenitude.
O dom como participação e não mera concessão
Quando o texto afirma que o Pai concede bens verdadeiros, indica que o dom divino ultrapassa a satisfação imediata. O que Deus oferece é aquilo que aperfeiçoa a natureza humana segundo sua finalidade mais alta. O dom não é simples objeto recebido, mas inserção viva na ordem do Bem que sustenta o universo. Receber de Deus é ser elevado interiormente, é ter a própria vontade iluminada para desejar o que permanece.
A oração como encontro no eterno presente
A súplica dirigida ao Pai não percorre uma distância espacial, pois Deus não está sujeito às limitações do tempo sucessivo. Há um ponto profundo na alma onde o pedido já se encontra diante da Presença. Nesse nível, a oração não informa a Deus sobre nossas necessidades, mas conforma o coração à Sabedoria que tudo conhece. A resposta divina manifesta-se como transformação interior que antecede até mesmo a percepção exterior do dom.
A maturidade espiritual e a confiança filial
A confiança ensinada por Cristo conduz à maturidade do espírito. Quem reconhece Deus como Pai aprende a repousar na certeza de que nada do que é verdadeiramente bom lhe será negado. Essa confiança não é passividade, mas adesão consciente ao Bem supremo. A alma torna-se firme, ordenada e serena, pois compreende que sua existência está sustentada por uma Paternidade que jamais falha e cuja generosidade é infinita.
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