HOMILIA
O Toque que Restaura
A dignidade não é concedida de fora, manifesta-se quando o ser se alinha à sua origem.
O encontro entre Cristo e o homem ferido revela uma dimensão onde a existência não se mede por sucessão, mas por presença plena. O leproso não pede um processo, pede um querer. Ao se ajoelhar, ele não se diminui, mas reconhece uma ordem mais alta que sustenta o ser. Nesse gesto interior, a dignidade não se perde, ela se manifesta.
Cristo estende a mão antes de qualquer explicação. O toque não negocia com a distância nem com o medo. Ao tocar, Ele confirma que nada do que foi criado está fora do alcance do sentido. A palavra pronunciada não inaugura um futuro, ela faz coincidir decisão e realização. O que estava fragmentado retorna à unidade.
A ordem dada ao homem curado protege o essencial. O silêncio preserva o centro, enquanto o excesso dispersa. A verdadeira maturidade nasce quando o agir não depende do olhar alheio. Assim se forma o interior humano, capaz de sustentar vínculos, gerar vida e honrar a família como origem e cuidado. Nesse caminho, o ser aprende a permanecer inteiro, mesmo quando o mundo se move.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
O gesto que revela a ordem do ser
Marcos 1,41
A primazia do querer que é ato
O evangelho afirma que Jesus estende a mão e toca, e somente então pronuncia a palavra. Esse gesto não responde a uma expectativa futura, mas manifesta uma realidade já plena. O querer não amadurece com o passar dos instantes, ele se apresenta como forma acabada. Por isso, a decisão não aguarda condições externas, pois nasce no mesmo plano em que o ser se sustenta.
O toque como superação da separação
Ao tocar aquele que estava excluído, Jesus não transgride uma ordem, mas revela sua profundidade. Onde parecia haver distância, havia apenas um véu. O toque não percorre caminhos, ele remove a ilusão da separação. Assim, a restauração acontece não por acréscimo, mas por revelação da inteireza original.
A cura como coincidência e não como processo
Quando Jesus diz quero sê purificado, não se inicia um percurso. A palavra coincide com o efeito porque procede do centro onde agir e ser não se distinguem. A cura não é um evento que se desenvolve, mas um estado que se manifesta quando o ser humano é reconduzido à sua posição justa diante da origem.
A autoridade que funda a dignidade
Esse gesto silencioso confirma que a dignidade não depende de reconhecimento exterior. Ela é fundada na relação direta com a fonte do sentido. Ao tocar, Jesus restitui ao homem não apenas a saúde, mas o lugar interior a partir do qual ele pode sustentar vínculos, responsabilidade e permanência. É nesse alinhamento que a existência encontra sua medida verdadeira.
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