HOMILIA
O Centro que Restaura
O ser alinhado ao princípio atravessa o tempo sem ser consumido por ele.
O relato apresenta mais do que um corpo imobilizado ele revela uma condição interior que perde contato com seu próprio eixo. A casa cheia indica a mente saturada de vozes onde o essencial mal encontra passagem. Ainda assim o alto é aberto pois todo retorno verdadeiro exige atravessar o teto do habitual.
A cura não começa no gesto visível mas na palavra que alcança a raiz. O perdão antecede o movimento porque reorganiza o ser a partir de dentro. Quando o centro é tocado o peso que prendia deixa de governar.
O homem se ergue não por fuga do mundo mas por reencontro com a ordem que sustém cada instante. Levantar-se é alinhar-se com aquilo que permanece enquanto tudo passa. O tempo já não empurra ele sustenta.
A família aparece como espaço primeiro dessa elevação silenciosa onde alguém carrega o outro quando já não consegue caminhar. Ali a dignidade é preservada não por discurso mas por presença fiel.
Quem atravessa esse caminho não se dispersa no exterior. Age com sobriedade firmeza e consentimento interior. E ao sair diante de todos não busca aplauso apenas manifesta que o ser reencontrou seu lugar no todo.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
A visão que reconhece o íntimo alcança além do gesto exterior. (Mc 2,5)
A visão que penetra o ser
No coração do relato evangélico está um olhar que não se limita à superfície dos fatos. Ver a confiança daqueles homens significa perceber uma disposição interior que antecede qualquer ação visível. Essa visão não reage ao instante fugaz mas alcança o ponto onde o ser se decide e se orienta. Trata-se de um reconhecimento que atravessa camadas e toca o fundamento da pessoa.
O primado do interior sobre o movimento
Antes que o corpo se levante há uma reordenação silenciosa. O dizer que absolve não é mero consolo mas um ato que reposiciona o ser diante de sua origem. O movimento exterior só se torna possível porque algo foi alinhado no nível mais profundo onde o tempo não se mede por sucessão mas por presença.
Autoridade que nasce da consonância
A palavra que restaura não se impõe por força. Ela possui autoridade porque está em acordo com o princípio que sustém tudo. Essa consonância confere solidez ao agir e desperta no outro a capacidade de responder. O homem se levanta porque reconhece essa ordem e consente em habitá-la.
A dignidade preservada no vínculo
O caminho até a cura passa pela fidelidade de outros que carregam e sustentam. A pessoa não é reduzida à sua limitação mas acolhida em sua totalidade. Assim também a família se revela como espaço primeiro onde o ser é guardado e elevado não por discursos mas por presença constante.
O sentido que atravessa o tempo
Quando o centro é reencontrado o instante deixa de oprimir. O agir passa a brotar de um ponto estável que permanece enquanto as circunstâncias mudam. Nesse horizonte a vida não é empurrada pelos acontecimentos mas sustentada por um eixo interior que dá sentido a cada passo.
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