HOMILIA
Autoridade que nasce da Origem
A consciência amadurece ao alinhar-se com o princípio que sustenta o ser, não com a sucessão dos fatos.
No início do ensinamento em Cafarnaum, o Evangelho revela algo que ultrapassa o relato de um acontecimento. O que se manifesta ali é uma presença que não depende da sucessão dos dias, mas toca o fundo do agora. Jesus não fala como quem transmite um acúmulo de fórmulas. Sua palavra emerge de um centro estável, anterior às mudanças, e por isso alcança imediatamente a consciência. O espanto dos ouvintes nasce desse encontro com uma voz que não negocia com a dispersão interior.
Quando o espírito desordenado se agita, não é por provocação externa, mas porque a verdade expõe aquilo que estava oculto. A ordem pronunciada por Jesus não violenta, mas recoloca cada coisa em seu lugar próprio. Assim se revela o caminho da evolução interior, não como conquista exterior, mas como alinhamento com o princípio que sustenta o ser. A dignidade da pessoa floresce quando a mente e o agir se harmonizam com essa fonte.
A família, como célula mater da existência, participa desse mesmo mistério. Ela não se reduz a estrutura funcional, mas é espaço onde o ser aprende a escutar, a responder e a permanecer. Quando esse eixo é preservado, a vida se organiza sem coerção, e a fama do bem se propaga não por propaganda, mas por irradiação silenciosa. Nesse ensino, o instante se abre para o eterno e o humano reencontra sua verdadeira estatura.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Apresentação do versículo
E o assombro nasce porque sua palavra não repete o passado, mas emerge de uma fonte que sustenta todo instante. (Mc 1,22)
A origem da autoridade do Verbo
O assombro mencionado pelo evangelista não se explica por novidade retórica, mas pelo reconhecimento interior de uma palavra que procede da origem do ser. Jesus não transmite um saber acumulado, pois fala a partir daquele princípio que dá consistência a tudo o que existe. Sua autoridade não depende de mediações históricas, mas da comunhão imediata com o Pai, onde verdade e ser coincidem.
O instante sustentado
A palavra pronunciada não se esgota no momento em que é ouvida. Ela toca um nível onde todos os instantes permanecem presentes e ordenados. Por isso, não envelhece nem se repete. Cada escuta verdadeira é um encontro atual com a mesma fonte, capaz de reorientar a consciência sem violência e sem ruptura.
Consciência e retidão interior
Quando a palavra emerge dessa profundidade, ela desperta a consciência para agir de modo íntegro. Não impõe por força externa, mas convoca à retidão interior. Assim se forma o ser humano capaz de permanecer firme, governando a si mesmo e reconhecendo sua dignidade como reflexo da ordem primeira.
Harmonia com a vida transmitida
Essa autoridade que nasce da origem sustenta também o espaço onde a vida é acolhida e formada. No núcleo familiar, a palavra verdadeira encontra terreno para se enraizar, transmitindo não apenas ensinamentos, mas uma forma de estar no mundo orientada pelo sentido, pela permanência e pela fidelidade ao que não passa.
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