quarta-feira, 11 de junho de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 13.06.2025


 HOMILIA

O Fogo Interior e a Construção da Unidade

No silêncio entre o olhar e o gesto, onde nasce a intenção, habita o mistério da verdadeira liberdade. O Cristo, ao dizer “todo aquele que olhar para uma mulher com desejo, já cometeu adultério com ela em seu coração”, não condena o impulso natural da existência sensível, mas ilumina a origem de nossas escolhas: o centro espiritual onde a vontade se encontra com o amor.

Este Evangelho não é um convite ao medo, mas à elevação. Ele nos convida a purificar o olhar, não por repressão, mas pela transfiguração do desejo em reverência. Cada vínculo humano deve ser expressão de uma liberdade madura, aquela que não rompe, mas que une; que não consome, mas oferece.

A união verdadeira — conjugal, social, espiritual — só floresce onde há responsabilidade pelo outro. A separação sem causa justa, a instrumentalização dos afetos, são feridas que nascem da dispersão interior. Quando não estamos unificados dentro de nós, fragmentamos tudo ao redor.

Arrancar o olho ou cortar a mão é imagem da renúncia aos apegos que deformam a liberdade. Não se trata de mutilar o ser, mas de libertá-lo do que o desintegra. A plenitude é construída onde a liberdade encontra o limite no amor e a verdade é vivida com fidelidade.

Neste chamado à integridade, somos convidados a participar da construção de um mundo mais luminoso — não pela imposição de normas, mas pela irradiação de uma consciência que vê no outro um prolongamento sagrado de si mesmo. E assim, no fogo interior da escolha verdadeira, o Reino se faz presente.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Análise Teológica Profunda de Mateus 5,28

“Eu, porém, vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com desejo, já cometeu adultério com ela em seu coração.” (Mt 5,28)

1. Contexto do Sermão

Este ensinamento faz parte do Sermão da Montanha, no qual Jesus não apenas repete a Lei mosaica, mas a profundiza, revelando sua raiz espiritual. Quando Ele interpõe “Eu porém vos digo” sobre o mandamento “Não cometerás adultério” (Ex 20,14), indica que a verdadeira justiça do Reino exige mais do que a mera observância externa: exige transformação interior.

2. A dimensão interior do pecado

– Intenção versus ato: Na moral judaico-cristã, o pecado não se reduz ao gesto visível; nasce primeiro na vontade e na fantasia. Ao apontar o olhar concupiscente como já adulterante, Cristo mostra que o pecado do coração — a concupiscência — é gravíssimo e precisa ser purificado.
– Concupiscência e liberdade: A tentação não é necessariamente culpa — é oferecimento de um ato ao desejo — mas o olhar desejante sem controle é escolha livre de permitir que o coração desvie-se do amor ordenado.

3. Fundamento bíblico mais amplo

  • Jó 31,1: “Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, contemplaria eu uma virgem?” — mostra o ideal veterotestamentário de guardar o olhar.

  • Prov 4,25–27: recomenda fixar o olhar no caminho reto e evitar ver o mal: a pureza começa ao rejeitar mentalmente o estímulo desordenado.

4. Ensinamentos dos Padres da Igreja

  • Santo Agostinho: ensina que o desejo desordenado é raiz de todo pecado, pois contamina o coração e escraviza a vontade. Para ele, a luta interior por castidade é essencial à vida cristã.

  • Santo Tomás de Aquino: na Summa Theologiae (II-II, q. 151–154), sistematiza os vícios contra a castidade, ensinando que o pensamento impuro já é ato voluntário quando cultivado.

5. Implicações morais e espirituais

  1. Pureza de coração: não basta reprimir o olhar; é preciso cultivar virtudes interiores — humildade, gratidão, autocontrole — para que o desejo seja transfigurado em veneração.

  2. Discernimento e conversão: reconhecer a presença do desejo impuro é o primeiro passo para a metanoia, a volta sincera ao amor de Deus.

  3. A ética do outro: o ensinamento reforça que toda relação humana exige respeito à dignidade alheia; olhar-se com desejo egoísta fere a plena reciprocidade do amor responsável.

6. Caminho de purificação

  • Oração e vigilância: cultivar a oração do coração (cf. Lc 21,36) para manter a mente e o coração orientados para o Bem.

  • Exame de consciência: revisar interiormente as motivações e disposições afetivas, pedindo ao Espírito Santo a graça de um olhar santo.

  • Prática da virtude: empenhar-se em atos concretos de caridade, que elevam o desejo desordenado e o convertem em serviço ao próximo.

Conclusão
O versículo Mt 5,28 nos conduz a uma conversão radical: não apenas ao respeito às leis exteriores, mas à vigilância do centro de nossa seriedade moral, o coração. É no íntimo, na escolha consciente de nossos pensamentos e desejos, que se decide nossa comunhão com Deus e com o outro. A justiça do Reino, portanto, exige um coração puro, capaz de amar sem ferir, de desejar sem possuir, e de ver no outro um convite ao encontro verdadeiro com o Divino.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

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Oração Diária

Mensagens de Fé

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