terça-feira, 3 de junho de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 05.06.2025


 HOMILIA

O Fulgor da Unidade que Vem do Alto

Amados,

Há um ponto no tempo em que todas as palavras cessam, e resta apenas um sussurro: "Ut omnes unum sint." Que todos sejam um. Não como pedra que se desfaz no rio, perdendo-se, mas como centelhas distintas que, unidas, acendem uma só chama. Esta é a oração do Cristo — não uma súplica a um poder exterior, mas a revelação de um princípio que opera desde o princípio: a comunhão que respeita a diferença, a unidade que exalta a liberdade, a ordem que nasce do amor e não da imposição.

Cristo não ora por um rebanho uniforme, mas por consciências que, livres e iluminadas, saibam reconhecer-se no outro sem negar-se a si mesmas. A unidade do Pai e do Filho é um espelho do destino humano: não sermos cópias uns dos outros, mas expressões distintas de um mesmo centro — o Amor que sustenta tudo o que existe. Quando Ele diz: "Eu neles, e tu em mim" (v. 23), vemos o eixo silencioso que liga cada ser à Fonte, não como súditos, mas como co-participantes da criação, chamados a construir, não por imposição, mas por atração.

Vivemos entre polaridades, opiniões, formas, e todas clamam por sentido. Mas só há sentido quando se vê o outro como extensão do Mistério que nos habita. A verdadeira transformação do mundo não virá do silenciar das vozes, mas do afinar das consciências, até que juntas cantem em harmonia a liberdade comum que nasce do Amor. Pois a liberdade, separada do vínculo interior, se dispersa; e a ordem, sem respeito à singularidade, se corrompe.

A glória que Cristo nos dá não é um prêmio futuro, mas a possibilidade real de sermos co-criadores de um mundo onde a diversidade não fere, mas revela. Ele deseja que vejamos sua glória — “a que me deste porque me amaste antes da fundação do mundo” (v. 24) —, pois essa glória é o brilho do amor que precede toda forma, e que todas as formas podem manifestar.

Portanto, a oração de Jesus é mais que um pedido; é uma convocação interior, uma ascese da consciência. Cada gesto, cada escolha, cada encontro é uma chance de cumprir essa unidade viva, não fabricada, mas despertada no íntimo. Não há tarefa maior.

E então, como Ele mesmo conclui:
“Eu lhes dei a conhecer o teu nome... para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles” (v. 26).

Aqui está o fim e o início de todas as coisas: sermos portadores do Amor que nos gerou.

Amém.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Explicação Teológica Profunda de João 17,21
"Que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; que também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste."

Este versículo é o coração da oração sacerdotal de Cristo — uma súplica que revela, em profundidade, o mistério trinitário e o chamado escatológico da humanidade à comunhão no amor divino.

1. "Que todos sejam um" — A Unidade como vocação ontológica

A expressão "que todos sejam um" não se refere a uma fusão de identidades ou a uma uniformidade institucional, mas a uma unidade de comunhão interior, fundada na liberdade e no amor. Trata-se de uma unidade que nasce da participação no próprio ser de Deus, e não de estruturas humanas. É uma vocação ontológica: o ser humano é chamado, em sua essência, a viver em relação, espelhando a pericórese trinitária — a mútua interioridade sem confusão entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

2. "Assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti" — Revelação da Trindade como modelo

Aqui Jesus revela o modelo supremo dessa unidade: a relação entre o Pai e o Filho. Esta relação é eterna, recíproca, dinâmica e amorosa. A expressão "estar em" indica uma mútua inabitação: o Pai vive no Filho e o Filho no Pai, não como dois entes separados que colaboram, mas como uma única essência em comunhão perfeita. Cristo propõe que essa mesma relação — de entrega, reconhecimento e transparência — seja a forma da relação entre os seres humanos e entre estes e Deus.

3. "Que também eles estejam em nós" — Participação na vida divina

A oração de Jesus almeja que os discípulos não apenas se unam entre si, mas que sejam introduzidos na própria comunhão trinitária. Isso é mais do que imitação; é participação. A teologia da graça ensina que, por meio da fé, do amor e dos sacramentos, o ser humano é divinizado — não por natureza, mas por adoção. Assim, estar "em Deus" significa viver no fluxo da vida trinitária, onde cada pessoa humana é chamada a refletir, em liberdade e verdade, o Amor originário que a gera e sustenta.

4. "Para que o mundo creia que tu me enviaste" — A unidade como testemunho escatológico

A unidade dos discípulos não é apenas um bem eclesial, mas um sinal escatológico para o mundo. Ela torna visível, ao olhar do mundo, a autenticidade do envio do Filho. Em outras palavras, a credibilidade da missão de Cristo está vinculada à realização da unidade espiritual entre os seus. O mundo crê não apenas por palavras ou milagres, mas pela experiência viva de uma comunhão que transcende o ego e as divisões — uma comunhão que só pode ter origem na Fonte absoluta: Deus.

Conclusão

João 17,21 é ao mesmo tempo teologia e profecia. Ele revela a estrutura interna de Deus como relação de amor e convida a humanidade a participar dessa dança divina. A unidade proposta não é sociológica nem moral apenas; é mística, ontológica e escatológica. É o caminho pelo qual a humanidade encontra seu sentido mais alto: ser, livremente, em Deus e com Deus — em comunhão viva com todos os seres.

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