quarta-feira, 4 de junho de 2025

Homilia diária e Explicação Teológica - 06.06.2025

 


HOMILIA

O Amor que Gera o Cosmos Interior

No silêncio que sucede a refeição à beira do lago, ressoa uma pergunta que ultrapassa os tempos: “Amas-me?” Não se trata de uma cobrança, mas de um convite a mergulhar no mais íntimo da consciência, onde repousa o centro vivo do ser. Pedro, chamado três vezes pelo nome e três vezes interpelado no amor, encontra-se diante de um limiar: não é mais o pescador impetuoso, mas o homem que deve aprender a transfigurar sua liberdade em serviço.

Jesus não pede admiração, nem devoção ritual; Ele pede amor — um amor que seja ato de criação. Amar é gerar, é fazer nascer. Quando Pedro diz “Tu sabes que te amo”, ele inaugura, em si mesmo, a possibilidade de tornar-se criador com o Criador: “Apascenta minhas ovelhas.” Eis a missão não como fardo, mas como florescimento da alma.

Cada ser humano carrega em si a potência de responder a esse mesmo chamado. Ser livre não é andar para onde se quer, mas descobrir, na própria entrega, a rota que conduz ao centro de todas as coisas. A maturidade do espírito se revela quando já não nos vestimos a nós mesmos com as vestes do ego, mas deixamos que outro nos cinga — o Amor maior — e nos conduza ao lugar onde não escolheríamos ir, mas onde tudo se plenifica.

Na pergunta de Cristo, ecoa o anseio da própria Criação: ser amada, cuidada, elevada. E na resposta de Pedro, habita o início de um novo mundo — um mundo onde a força já não está no domínio, mas na ternura que sustenta, no zelo que edifica, na liberdade que se oferta por amor.

Assim, a pergunta retorna a cada um: “Amas-me?” — E a resposta, se for verdadeira, há de transformar a existência em pastoreio do invisível, em comunhão com o eterno, em participação viva da obra que não cessa de nascer.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Explicação teológica profunda – João 21,17

"Dicit ei tertio: Simon Ioannis, amas me? Contristatus est Petrus, quia dixit ei tertio: Amas me? Et dixit ei: Domine, tu omnia scis: tu scis quia amo te. Dixit ei: Pasce oves meas."
— João 21,17

Este versículo constitui o ponto culminante do tríplice diálogo entre Jesus ressuscitado e Pedro. Sua densidade teológica está enraizada na reconciliação, na missão e na transformação do amor humano em resposta ao amor divino.

1. O tríplice "amas-me?" como cura da tríplice negação

A repetição por três vezes da pergunta de Jesus não é redundância, mas redenção. Cada "amas-me?" ecoa e cura cada negação de Pedro na noite da paixão (cf. Jo 18,17.25-27). O Cristo ressuscitado não repreende, mas convida Pedro a reentrar na verdade de si mesmo. A tristeza de Pedro revela essa ferida ainda aberta, mas também sua disposição de acolher o olhar restaurador do Senhor.

2. Da filia ao ágape: o amadurecimento do amor

No grego original, há uma sutileza teológica preciosa: nas duas primeiras perguntas, Jesus usa agapás me? (amor doação, amor incondicional), e Pedro responde com philô se (amor de amizade, afeto humano). Na terceira vez, Jesus adapta-se e pergunta com o mesmo termo que Pedro usava: philêis me? Jesus desce ao nível de Pedro, reconhecendo sua humanidade ferida e acolhendo seu amor imperfeito. Isso revela que Deus não exige o impossível, mas transforma o possível em sublime. O amor humano, mesmo limitado, quando ofertado com sinceridade, é assumido e transfigurado por Deus.

3. "Tu sabes tudo" — a entrega ao olhar onisciente de Cristo

Ao afirmar: "Senhor, tu sabes tudo", Pedro não apenas confirma sua fé na onisciência divina, mas entrega seu coração sem defesa, permitindo que Jesus conheça suas intenções mais íntimas. É uma confissão humilde e total, que consagra a confiança sobre o medo e a transparência sobre a força bruta.

4. "Apascenta as minhas ovelhas" — o amor que se faz missão

A resposta de Cristo sela uma missão. A prova do amor não está nas palavras, mas na capacidade de cuidar. Apascentar não é apenas ensinar ou liderar, mas nutrir, proteger, caminhar junto. Pedro é instituído como pastor, não por mérito próprio, mas porque seu coração, agora quebrantado e reerguido pelo amor, está apto a conduzir os outros com compaixão. O rebanho não é dele, é de Cristo: "apascenta as minhas ovelhas". Trata-se de uma missão recebida, não assumida por autoridade pessoal.

Conclusão

João 21,17 é um versículo onde o mistério da redenção pessoal encontra a vocação eclesial. Pedro, o homem frágil e arrependido, torna-se o pastor universal, não por força ou perfeição, mas porque amou e se deixou amar. A Igreja nasce deste amor restaurado, feito missão — um amor que, tocado pela graça, se torna capaz de cuidar do mundo em nome do Ressuscitado.

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA

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