quinta-feira, 15 de maio de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 17.05.2025

 


HOMILIA

Ver o Invisível, Agir no Invisível
Homilia sobre João 14,7–14

Amados,

Jesus nos diz: “Quem me vê, vê também o Pai.” Palavras que atravessam não apenas o tempo, mas a própria estrutura do ser. O Cristo não nos convida a um olhar religioso apenas, mas a uma visão que penetra além da aparência e contempla o eterno no transitório, o infinito no instante, o Todo em cada parte.

A existência não é fragmento isolado, mas uma caminhada contínua rumo à Plenitude. Cada consciência é chamada a participar deste movimento ascendente: não por imposição, mas por adesão livre à Verdade que, ao se revelar, não aprisiona, mas liberta.

“Quem crê em mim, fará também as obras que eu faço.” Eis o chamado: tornar-se cooperador da Criação, agente da Presença. Crer não é apenas aceitar, mas integrar-se ao fluxo divino que perpassa tudo e impele à transformação interior e exterior. Não somos meros espectadores; somos cocriadores, fecundados pela Palavra que é viva e eficaz.

Assim, a fé se faz ação, e a ação se faz comunhão. O Espírito do Filho que habita em nós deseja continuar a obra: curar, iluminar, reconciliar — não por força exterior, mas pela potência íntima de um amor que age em liberdade.

Na visão do Cristo, todas as coisas são atraídas ao centro unificador. Cada gesto, pensamento, escolha — quando enraizados nesse centro — tornam-se sementes de eternidade no campo do tempo.

Por isso, ao pedirmos algo em Seu nome, não é a magia de palavras que nos atende, mas a sintonia com o Coração do Universo. O nome de Jesus não é senha, é sintonia; não é fórmula, é vibração de unidade.

Quem vê o Filho com olhos do espírito, age no mundo como filho da Luz. Que essa visão nos transforme. Que essa liberdade nos mova. Que essa união nos consuma.

Amém.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Explicação Teológica Profunda de João 14,9

“Disse-lhe Jesus: Há tanto tempo estou convosco, e não me conheceste, Filipe? Quem me vê, vê também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai?”
(João 14,9)

Este versículo é uma das declarações mais elevadas da Cristologia joanina, onde Jesus revela, de modo direto e definitivo, Sua identidade como manifestação visível do Pai invisível. A afirmação não é apenas uma resposta a Filipe; é uma revelação ontológica, que une em um só ser o Filho e o Pai — distinção de pessoas, unidade de essência.

1. “Há tanto tempo estou convosco...”

Aqui, Jesus exprime uma dor divina: o fato de estar presente, próximo, encarnado, e ainda assim não ser plenamente reconhecido. Este lamento não é apenas pessoal, mas escatológico — revela a tensão entre o Verbo feito carne e a cegueira espiritual da humanidade, que mesmo diante da Verdade encarnada permanece buscando o transcendente como se estivesse ausente.

2. “...e não me conheceste, Filipe?”

O verbo conhecer (ginōskō, em grego) vai além do saber racional. É conhecer por comunhão, por íntima participação. Jesus acusa uma ausência de reconhecimento existencial, não intelectual. Filipe caminha com o Verbo, mas ainda O percebe apenas com os olhos da carne, não com os olhos do coração.

3. “Quem me vê, vê também o Pai.”

Esta frase é a pedra angular da teologia trinitária joanina. A visão aqui não é apenas física, mas espiritual. Ver Jesus é contemplar o Pai, porque Ele é a imagem perfeita do Pai (cf. Col 1,15; Hb 1,3). A glória de Deus — antes inacessível — agora se manifesta no Filho: na sua compaixão, nas suas palavras, nos seus gestos. Deus, que outrora falava por profetas, agora Se revela em pessoa (cf. Hb 1,1-2).

Jesus não é um mero portador da presença divina — Ele é a própria presença. Não é símbolo do Pai, mas Sua expressão substancial. Esta é a revelação plena: Deus se dá a ver e tocar em Jesus, sem deixar de ser transcendente.

4. “Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai?”

Essa pergunta final tem um tom amoroso e, ao mesmo tempo, provocativo. Filipe ainda projeta o Pai como uma entidade distante, separada. Mas Jesus revela que a plenitude do Pai está Nele — não de modo figurado, mas real. Ao pedir uma visão do Pai, Filipe rejeita, mesmo que inconscientemente, a suficiência da revelação em Cristo.

Conclusão:

Este versículo revela que em Jesus a transcendência se fez imanência sem perder sua divindade. Ele é a ponte entre o invisível e o visível, entre o eterno e o tempo. Conhecê-Lo é participar do mistério trinitário. A fé cristã não busca mais o Pai fora do Filho, mas contempla o Pai no rosto de Cristo. Aqui está a mais alta expressão da revelação: ver Jesus com o coração purificado é ver Deus. Não há outra via, nem outro rosto — pois o Pai habita no Filho, e o Filho é um com o Pai (Jo 10,30).

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA

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