quinta-feira, 22 de maio de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 24.05.2025

 


HOMILIA

O Chamado da Luz no Coração do Mundo

Há em cada ser humano uma centelha que não pertence ao mundo, mas o atravessa. É essa luz interior — sutil, firme e silenciosa — que desperta o ser para uma fidelidade que ultrapassa convenções, expectativas e consensos. Não é fuga, mas presença elevada; não é negação do mundo, mas sua transfiguração desde dentro.

O Cristo, Verbo encarnado, não rejeitou a matéria: caminhou sobre a terra, tocou os corpos, partilhou o pão. No entanto, não se deixou absorver por nenhuma estrutura que obscurecesse o amor. Por isso, foi odiado. A liberdade que Ele manifesta perturba os sistemas que exigem obediência cega; ela inspira cada um a ouvir o chamado silencioso da consciência — lugar onde a verdade e a responsabilidade se unem.

Hoje, os que se deixam conduzir por esse mesmo Espírito são convidados a uma tensão criadora: pertencer ao mundo como fermento, mas não como massa; ser presença viva sem perder a integridade do ser. O ódio que nasce contra os que permanecem fiéis à luz é o reflexo da resistência ao que liberta. Mas essa rejeição não é sinal de fracasso, é confirmação da escolha.

Porque o Cristo escolheu os seus — não pela força, mas pela vibração do amor — cada um é livre para responder. E é nesse sim interior, muitas vezes solitário, que o mundo começa a ser transformado. Não pela imposição, mas pela irradiação. A verdade não precisa de defesa violenta: ela cresce onde há integridade, e resplandece onde há coragem de permanecer.

Si me persecuti sunt, et vos persequentur...
Se me perseguiram a mim, também vos perseguirão... (Jo 15,20)

Mas ainda assim, avancemos. Pois a luz que se acende no íntimo de um só coração já é promessa de aurora para o todo.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Explicação teologicamente profunda de João 15,19:

“Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que é seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos odeia.”
(João 15,19)

Este versículo contém uma das afirmações mais densas e espiritualmente exigentes do discurso de despedida de Jesus, revelando a tensão ontológica e escatológica entre o discípulo e o “mundo”.

1. O significado de “mundo” (gr. kosmos)

Na teologia joanina, “mundo” não se refere apenas ao planeta ou à humanidade em geral, mas a um sistema organizado segundo princípios contrários à verdade divina. É o conjunto de valores, estruturas e desejos que se opõem à luz, à liberdade interior e ao amor transcendente. O mundo é, nesse sentido, o campo onde a criatura tenta se fechar em si mesma, recusando o dom da graça.

2. “Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que é seu”

Aqui, Jesus afirma que a afinidade com o mundo gera aceitação. Quem partilha dos mesmos interesses egoicos, dos mesmos impulsos de dominação, prestígio e poder, é facilmente acolhido pelo mundo. O “amor do mundo” é, muitas vezes, cumplicidade com a superficialidade e com a recusa da transcendência. Há uma falsa paz, um reconhecimento baseado na conformidade, não na verdade.

3. “Mas, porque não sois do mundo...”

Jesus rompe com essa lógica ao afirmar a origem espiritual do discípulo: ele não pertence ao mundo. Isso não significa uma fuga da realidade, mas um deslocamento do centro de identidade — o discípulo está no mundo, mas enraizado no eterno. Essa pertença ao Reino de Deus redefine a existência: a verdade passa a orientar as escolhas, não a conveniência; o amor se torna critério, não o interesse.

4. “Antes eu vos escolhi do mundo”

A eleição do discípulo por Cristo é um ato de amor e convocação. Não é uma exclusão, mas uma consagração — Cristo separa, não para isolar, mas para enviar. Essa escolha indica que a vocação do discípulo é ser sinal de outro modo de viver, uma presença transformadora no mundo. A eleição é, portanto, responsabilidade: é viver segundo o Espírito, mesmo que isso contrarie as expectativas da ordem visível.

5. “Por isso o mundo vos odeia”

O ódio do mundo é consequência da liberdade do discípulo. Quem é livre incomoda; quem vive segundo a verdade confronta os sistemas de mentira e aparência. O ódio aqui não é pessoal, mas estrutural: o mundo rejeita o que ameaça sua autossuficiência. Como Cristo foi rejeitado, também os seus o serão — não por serem rebeldes, mas por serem fiéis.

Conclusão:

Este versículo revela a profundidade da identidade cristã: viver no mundo sem pertencer a ele. Ser escolhido por Cristo é ser chamado a uma liberdade radical, cuja raiz está no amor, e cuja missão é testemunhar a verdade em meio à resistência. O ódio do mundo, longe de ser motivo de desânimo, é sinal de autenticidade e de participação no caminho do próprio Cristo. O discípulo é, assim, uma presença profética: pacífica, mas firme; rejeitada, mas luminosa.

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA


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