HOMILIA
O Servir que Transfigura o Ser
No coração do gesto mais simples se esconde a mais alta elevação. Jesus, ao falar do servo que não é maior que seu Senhor, não impõe uma hierarquia de dominação, mas revela a simetria sagrada da missão. O enviado participa da substância do Enviador. Aquele que serve, não se anula; pelo contrário, expande-se na direção do Todo.
Nesta passagem, a liberdade não é um privilégio isolado, mas uma resposta consciente ao chamado de amar e agir com sentido. O “Eu Sou” que Jesus afirma é a presença que sustenta todos os que se deixam conduzir por um amor que não se impõe, mas transforma.
Receber o outro como enviado é reconhecer que toda vida é ponte para o Infinito. Não se trata apenas de fé no invisível, mas de escuta profunda ao Mistério que pulsa em cada rosto. A felicidade não está em saber, mas em viver coerentemente com o que se sabe. Assim, aquele que serve, manifesta a origem; e aquele que acolhe, se une à Fonte.
Cristo não nos deixa fora da Obra: Ele nos faz partícipes. E neste fluxo de envio e acolhimento, o universo interior se ordena. O Amor, ao tocar o mundo, revela que servir é crescer em direção à Luz.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
João 13:20 - "Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou."
Este versículo é uma chave para entender o vínculo espiritual que une o Cristo, o Pai e os discípulos. Ele revela uma relação dinâmica e interdependente entre Jesus e seus seguidores, o enviado e o Enviador. Jesus não é um simples mensageiro, mas a manifestação visível e tangível de Deus na Terra. O ato de receber os enviados de Cristo, portanto, não é apenas uma ação humana de hospitalidade, mas uma aceitação da presença divina que se manifesta através deles.
Interpretação teológica:
A Unificação entre o Enviado e o Enviador:
Ao afirmar que "quem me recebe, recebe aquele que me enviou", Jesus coloca a sua missão dentro de uma continuidade divina. Ele é a encarnação do Pai e, por meio d'Ele, o Pai se revela. Aceitar Jesus é aceitar Deus. Não há separação entre a autoridade de Jesus e a autoridade do Pai; em Cristo, o Pai se faz presente de maneira plena e visível. Quando alguém acolhe o Filho, está, na verdade, acolhendo o próprio Deus que o enviou.A Missão dos Enviados:
Quando Jesus fala "quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe", Ele está falando dos seus apóstolos e, por extensão, de todos aqueles que seriam enviados em Seu nome. O termo "enviado" implica um ato de autoridade derivada diretamente de Cristo. Portanto, ao receber o mensageiro de Cristo, o crente não recebe apenas o portador da mensagem, mas a própria mensagem de Cristo e, consequentemente, a presença de Cristo.A Relação entre o Servo e o Senhor:
Este versículo também deve ser visto à luz do contexto imediato do Evangelho, que trata da humildade e do serviço. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, se coloca na posição de servo, apesar de ser Senhor. A missão dos apóstolos e dos mensageiros é, assim, uma continuação desse serviço humilde. Receber esses mensageiros é aceitar a disposição de servir que Cristo personificou. Portanto, a receptividade ao enviado é um reflexo de nossa disposição em servir aos outros, em um movimento de humildade e amor.O Processo de Conformação ao Amor Divino:
Em um nível mais profundo, a ação de receber o enviado de Cristo e a Cristo em si mesmo revela o processo de conformação ao amor divino. Não é apenas uma questão de aceitação externa, mas de transformação interna. Ao aceitar aquele que Cristo envia, o crente se abre para o amor que transcende a individualidade humana e se alinha com o plano divino. Essa recepção é uma via de crescimento espiritual, onde o ser humano se une ao propósito eterno de Deus.A Trindade e a Unidade de Propósito:
Finalmente, esse versículo também reforça a doutrina da Trindade, onde o Pai, o Filho e o Espírito Santo são unidos num só propósito de salvação e revelação. A obra de Cristo na Terra não é um esforço isolado, mas uma manifestação contínua da ação trinitária, onde o Filho faz presente o Pai, e a Igreja, por meio dos enviados, perpetua essa presença no mundo.
Conclusão:
Este versículo é profundamente teológico porque ele revela a unidade intrínseca entre o Cristo e o Pai, e também entre os enviados e o próprio Cristo. Ao acolher o mensageiro de Cristo, acolhe-se o próprio Cristo e, por conseguinte, Deus. Assim, a recepção de Cristo não é apenas um ato de acolhimento humano, mas uma comunhão espiritual profunda, onde o crente é convidado a participar da dinâmica de amor e missão que une o Pai, o Filho e todos os que são enviados em Seu nome.
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