HOMILIA
A Vigília da Eternidade
O Evangelho nos convida a permanecer vigilantes, pois o Senhor chega na hora em que não pensamos. Este chamado não é apenas para o futuro distante, mas para cada instante em que a vida se abre como mistério e revelação. Vigiar é despertar para a profundidade do ser, reconhecendo que a liberdade não é um peso, mas a capacidade de orientar nossa existência para o bem maior.
O servo fiel é aquele que, consciente de sua dignidade, assume a responsabilidade de transformar o tempo em espaço de plenitude. Ele não espera passivamente, mas constrói o presente como semente do eterno, sustentado pelo alimento invisível da esperança. A vigilância é, portanto, exercício de liberdade criadora, movimento contínuo em direção à comunhão com o Divino.
Quando a alma se torna atenta, cada gesto é iluminado pela eternidade, e a vinda do Senhor deixa de ser ameaça para revelar-se como promessa de plenitude. O vigiar torna-se celebração da vida interior, onde a luz não se apaga e o coração encontra repouso no Infinito.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
“Vigiai, pois não sabeis em que hora virá o vosso Senhor” (Mt 24,42)
O Chamado à Consciência Desperta
O convite de Cristo não é mera advertência moral, mas uma convocação à consciência desperta. Vigiar significa manter o espírito acordado diante do mistério do tempo e da eternidade. O homem, muitas vezes adormecido na rotina, é convidado a perceber que a vida é passagem contínua e que cada instante pode ser o limiar da revelação divina.
O Mistério da Hora Desconhecida
A hora oculta não é apenas o fim último, mas a irrupção do Eterno em meio ao efêmero. O desconhecido guarda em si a pedagogia da liberdade: não sabendo o momento, o homem é chamado a viver em estado de presença, sem adiar a fidelidade ao Bem. O tempo torna-se, assim, sacramento da espera vigilante.
A Liberdade como Vigilância Criadora
Vigiar é exercício de liberdade. Não se trata de vigília ansiosa, mas de consciência ativa que transforma cada gesto em ato de eternidade. A liberdade humana encontra sua grandeza quando assume o tempo como dom, escolhendo em cada instante ser cooperadora da obra divina.
A Dignidade da Pessoa no Horizonte da Eternidade
A vigilância revela a dignidade do ser humano, pois coloca a existência em diálogo direto com o Absoluto. O homem, servo fiel, não vive como engrenagem, mas como participante da criação, responsável por nutrir o mundo com o alimento da justiça, da esperança e do amor.
A Vinda Contínua do Senhor
O versículo não aponta apenas para o evento final, mas para a vinda constante de Cristo em cada momento de abertura interior. O Senhor chega em cada encontro verdadeiro, em cada gesto de bondade, em cada silêncio fecundo onde o coração desperto reconhece a presença do Infinito.
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