HOMILIA
O Caminho da Liberdade que Perdoa
O diálogo entre Pedro e o Mestre, nas margens silenciosas da Galileia, revela mais que um ensinamento moral: é a abertura de um horizonte onde a alma humana se reconhece capaz de transcender suas limitações. O perdão, elevado à medida de setenta vezes sete, não é cálculo, mas estado de ser; não se mede pela contabilidade dos erros, mas pela amplidão do espírito que se liberta da prisão das ofensas.
No servo que suplica paciência, vemos o reflexo de nossa própria fragilidade e a súplica silenciosa que todos fazemos diante do Infinito. No senhor que perdoa, vislumbramos a força criadora que restaura, não por necessidade, mas por decisão livre de amar.
Quando o texto diz que Jesus “passou para além do Jordão”, abre-se uma metáfora do salto interior: cruzar as águas do hábito e do ressentimento para a margem onde a dignidade do outro se torna tão inviolável quanto a própria. Essa travessia não se impõe de fora, nasce no íntimo que compreende que perdoar não diminui, mas amplia; não subjuga, mas emancipa.
O Reino anunciado não se constrói apenas com leis ou ritos, mas com consciências que escolheram ser livres para amar e fortes para restaurar. Cada ato de perdão é um passo nessa evolução, uma semente que, plantada no coração humano, cresce em direção à luz sem fim.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Segue uma abordagem teológica e metafísica profunda sobre Mateus 18:22, estruturada em subtítulos para clareza e progressão de pensamento.
1. A Linguagem do Infinito
Quando Jesus diz a Pedro “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”, não apresenta uma fórmula matemática, mas um símbolo do ilimitado. O número, multiplicado sobre si mesmo, dissolve a medida e abre o horizonte do infinito. O perdão deixa de ser ato pontual para se tornar estado permanente do ser, revelando que a alma que ama não contabiliza, mas flui continuamente.
2. Perdão como Estado Ontológico
Teologicamente, o perdão aqui não é mera ação ética, mas expressão da própria natureza de Deus em nós. O discípulo é convidado a participar desse modo de existir divino, onde o amor não se esgota. A medida desmedida expressa que a graça não é um recurso finito, mas fonte eterna que jorra de quem está unido ao Criador.
3. A Libertação Interior do Julgo da Ofensa
No plano metafísico, perdoar ilimitadamente significa romper a cadeia que liga o ser à densidade do ressentimento. Cada não-perdão é uma prisão invisível, e cada ato de perdão é um rompimento das grades que a mente ergue. Jesus propõe uma libertação que começa dentro e irradia para fora, transformando a própria percepção do outro.
4. Evolução Espiritual e Expansão de Consciência
Este ensinamento revela que a evolução da alma não ocorre pela acumulação de saberes, mas pela dilatação da capacidade de amar. O perdão constante amplia o espaço interior, fazendo com que o indivíduo deixe de reagir a partir da ferida e passe a agir a partir da plenitude. Aqui, a dignidade humana é elevada, pois o ser se torna senhor de si, e não escravo das emoções passageiras.
5. A União entre Liberdade e Amor
Perdoar sem limites não é submissão ao erro do outro, mas escolha livre de manter a integridade do próprio espírito. O perdão é, assim, exercício supremo de liberdade: a decisão de não permitir que a sombra do outro governe a própria luz. Nesse ponto, dignidade e amor se encontram, pois a alma que perdoa permanece inteira e soberana.
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