HOMILIA
O Fiat que Abre os Céus
O Evangelho nos conduz ao mistério do encontro entre o Infinito e a fragilidade humana. O anjo, mensageiro da eternidade, visita Maria, cuja pureza interior se abre ao diálogo com Deus. Na saudação celestial, não se trata apenas da eleição de uma jovem em Nazaré, mas da revelação de que a liberdade humana é digna de ser habitada pela plenitude divina.
Maria não foi anulada pela grandeza do anúncio, mas elevada. Seu temor inicial não é sinal de fraqueza, mas testemunho da seriedade da escolha. A verdadeira liberdade não é ausência de vínculos, mas capacidade de consentir ao que dá sentido à existência. No “faça-se em mim segundo a tua palavra”, encontramos o ponto em que o humano se torna colaborador da obra eterna.
Cada pessoa é chamada a viver esse mesmo caminho. O Fiat não é apenas um instante passado, mas a matriz de todo progresso interior. É a afirmação da dignidade do ser que, em meio aos limites, se abre ao horizonte do ilimitado. O Espírito que repousou sobre Maria continua a gerar, no íntimo de cada coração, a possibilidade de uma vida transfigurada pela luz.
Assim, o anúncio a Maria é também anúncio a nós: não há palavra impossível para Deus. No silêncio fecundo do consentimento, a eternidade se encarna no tempo, e a criatura encontra sua mais alta vocação — ser ponte viva entre o finito e o eterno.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
O Fiat como Porta da Eternidade
O versículo de Lucas 1,38 revela o instante em que a liberdade humana se torna espaço do divino. Maria, ao proclamar “Eis a serva do Senhor”, não renuncia à sua dignidade, mas a plenifica. O serviço, aqui, não é submissão passiva, mas adesão consciente a um projeto que a transcende. No “faça-se”, o tempo humano se abre à eternidade, e a finitude acolhe a infinitude.
A Liberdade como Consentimento Criador
O sim de Maria é o arquétipo da liberdade autêntica. Não se trata de uma escolha entre possibilidades menores, mas da abertura ao absolutamente novo. A liberdade encontra sua grandeza quando reconhece que sua plenitude não está em si mesma, mas em consentir ao chamado que a eleva. Assim, Maria não perde sua autonomia, mas a transfigura em colaboração com o eterno.
O Mistério da Palavra que Se Encama
Ao dizer “segundo a tua palavra”, Maria torna-se morada do Verbo. O Logos eterno encontra nela a hospitalidade necessária para entrar na história. Este momento é teologicamente o ponto em que a criação, pela primeira vez, responde plenamente ao Criador. O ser humano, no seu silêncio humilde e lúcido, torna-se coautor do desígnio divino.
A Retirada do Anjo e a Presença Interior
O evangelista conclui dizendo: “E o anjo se retirou dela”. A ausência externa do mensageiro revela a presença interior da missão já assumida. O verdadeiro sinal não permanece fora, mas germina dentro. Maria, desde então, carrega no íntimo a realidade que antes era apenas anúncio. O anjo parte porque a eternidade já se enraizou no coração humano.
Conclusão: O Fiat como Caminho de Toda Alma
Cada ser humano é chamado a repetir, de modos diversos, o Fiat de Maria. É no consentimento livre ao chamado do eterno que a pessoa alcança sua verdadeira dignidade. O versículo não é apenas um relato histórico, mas a imagem de uma dinâmica perene: Deus oferece, o ser humano escolhe, e no encontro surge a plenitude da vida.
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