domingo, 27 de julho de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 29.07.2025

 


HOMILIA

A Ressurreição como Despertar do Ser

No silêncio pungente de Betânia, onde a morte parecia haver selado sua palavra final, Jesus se aproxima como presença que desestabiliza o determinismo e reabre os caminhos da eternidade. Marta corre ao seu encontro, não apenas como irmã enlutada, mas como alma em busca de sentido, expressão viva da consciência humana que, mesmo ferida, pressente que há algo além da finitude. Em sua dor, ela professa uma esperança que toca o invisível: “Mesmo agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá”.

É nesse solo de confiança que a revelação acontece: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Não se trata apenas de uma promessa futura, mas de uma afirmação ontológica: a Vida verdadeira está presente, pulsa, transforma, irrompe. Crer em Cristo é despertar para essa Vida que não se reduz ao tempo nem ao corpo. É iniciar um processo interior de evolução, onde o ser humano se reconhece como mais do que matéria: ele é espírito em trânsito, chamado a participar da plenitude do Ser.

Esse trecho evangélico nos conduz a uma verdade fundamental: a dignidade da pessoa humana está enraizada no seu vínculo com a Fonte viva. Cada um é mais do que suas circunstâncias, mais do que suas perdas e limites — é portador de uma centelha eterna, capaz de atravessar a noite da morte e da dúvida para viver no dia luminoso da confiança.

A liberdade interior nasce quando o ser humano compreende que a morte não é o fim, mas uma passagem. Não mais escravizado ao medo, ele começa a viver como cocriador da realidade, unindo sua fé à ação de Deus no mundo. O milagre que se prepara, ainda invisível, já opera dentro de Marta: ela afirma — “Eu creio que tu és o Cristo” —, e essa confissão não é uma teoria, mas um salto do espírito rumo à luz.

A ressurreição, aqui, é mais do que um evento: é um estado de consciência, uma abertura radical ao eterno que habita o agora. É o chamado para que despertemos, como Marta, para a verdade de que a Vida, quando reconhecida, nos devolve a nós mesmos — íntegros, livres e destinados ao infinito.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Exploração Teológica e Metafísica de João 11,25
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá.”

1. “Eu sou”: A Revelação do Nome Eterno

A declaração “Ego sum” (Eu sou) remonta ao Nome revelado por Deus a Moisés na sarça ardente: “Ego sum qui sum” (Ex 3,14). Aqui, Jesus não apenas aponta para um atributo, mas manifesta a própria identidade divina. Ele não diz “Eu trago a ressurreição”, mas “Eu sou”. Isto significa que Nele habita a plenitude do Ser, a origem e a consumação de toda realidade. Essa afirmação é radicalmente metafísica: Jesus se apresenta como a própria Fonte do existir, Aquele que transcende o tempo, e que sustenta o ser de tudo o que vive.

2. “A Ressurreição e a Vida”: Unidade entre Princípio e Fim

No âmbito teológico, a ressurreição é a vitória sobre a morte; no plano metafísico, é a restituição do ser à sua integridade original. Ao unir os dois termos — ressurreição e vida — Jesus revela que Ele é simultaneamente o Princípio (arché) que anima e o Fim (telos) que plenifica. A vida verdadeira não está separada da ressurreição, pois ambas são expressões de uma mesma realidade: o dinamismo do Ser que se comunica sem cessar à criação. Em Cristo, vida e ressurreição são inseparáveis, porque Nele o viver já é um retornar à plenitude do Pai.

3. “Quem crê em mim”: A Fé como Ato Ontológico

Crer, no contexto deste versículo, não é meramente aderir a uma doutrina, mas lançar-se numa confiança absoluta ao Ser que se revela. A fé é, portanto, um movimento ontológico: um ato interior pelo qual a criatura reconhece sua origem, sua verdade e seu destino. Acreditar em Cristo é participar do seu próprio Ser, entrar em comunhão com a Vida que Ele é. Esta fé é libertadora, pois rompe com a ilusão da separação e integra o ser humano à realidade última, restaurando sua dignidade e vocação eterna.

4. “Ainda que morra, viverá”: A Morte Transfigurada

A morte, aqui, não é negada, mas transfigurada. O verbo “morrer” permanece, mas é imediatamente ressignificado pela promessa da vida. O morrer biológico não é mais o fim do ser, mas uma travessia para a consciência ampliada. Metafisicamente, a morte é a dissolução das formas transitórias para a emergência do que é essencial. Em Cristo, o morrer torna-se fecundo: é o desvelar do que estava oculto, o nascimento definitivo da pessoa para sua identidade divina.

5. Conclusão: A Vida como Participação na Eternidade

Este versículo é uma síntese da revelação cristã e uma afirmação metafísica da mais alta ordem. Ele ensina que a vida não é simplesmente a duração temporal de um organismo, mas a participação no Ser que não morre. Ressurreição não é apenas um evento futuro, mas uma realidade presente em Cristo, que pode ser experimentada já na fé. Assim, a existência se revela como vocação à eternidade, e cada ser humano, ao crer, transcende sua condição de finitude e passa a viver no coração do Mistério que tudo sustenta.

“Eu sou a ressurreição e a vida” é, pois, a palavra do Logos que desperta em nós a memória da origem e o chamado à plenitude. Crer n’Ele é despertar para o que sempre fomos no coração do Eterno: vivos, livres e destinados à luz.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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