HOMILIA
A Realeza do Cristo no Interior do Ser
No cuidado fiel vivido no seio da família, o amor torna-se escola de elevação interior e preparação para a vida que não se extingue.
Amados, o Evangelho nos conduz à cena solene em que o Filho do Homem Se manifesta em Sua glória. Não se trata apenas de um acontecimento futuro, mas de uma revelação permanente que atravessa cada instante da existência. O trono do Rei não está somente além da história visível; ele se ergue no centro da consciência, onde cada decisão é pesada à luz do Bem eterno.
O juízo descrito por Cristo não é espetáculo externo, mas manifestação da verdade que cada alma constrói ao longo do caminho. Quando o Senhor separa as ovelhas dos cabritos, revela a distinção que já foi delineada no íntimo de cada ser. Toda escolha orientada pelo amor ordenado edifica interiormente; toda recusa do bem enfraquece a própria estrutura espiritual.
O Cristo identifica-Se com o menor. Essa palavra não nos remete primeiramente a uma categoria social, mas à dimensão vulnerável presente em cada pessoa. O menor é o espaço frágil do outro, é também a região delicada de nossa própria alma. Quando acolhemos, nutrimos, visitamos e revestimos, participamos da obra silenciosa pela qual o eterno toca o instante e o eleva.
A dignidade da pessoa humana nasce do fato de ser chamada a dialogar com o Absoluto. Cada homem e cada mulher carregam um núcleo inviolável onde ressoa a voz do Criador. Ao reconhecer essa grandeza no outro, honramos a origem comum e confirmamos nossa própria vocação à altura espiritual.
A família, célula mater da convivência humana, é o primeiro espaço onde essa verdade deve ser vivida. É ali que o amor se torna concreto, que o cuidado se aprende, que o perdão amadurece. No lar, o coração é educado para reconhecer a presença divina que se manifesta no cotidiano. Se o trono de Cristo se estabelece em algum lugar visível, ele começa no interior das casas onde se cultiva a fidelidade e a doação.
O Evangelho ensina que cada gesto possui peso eterno. Nada é pequeno quando realizado com reta intenção. O ser humano cresce quando governa a si mesmo segundo a razão iluminada pela graça. Essa maturidade interior permite que a vontade se alinhe ao Bem supremo, não por imposição externa, mas por adesão consciente.
Assim, a cena do juízo torna-se convite à transformação contínua. Somos chamados a viver de tal modo que, quando o Rei se manifeste plenamente, reconheçamos Sua voz como familiar. Quem aprende a servir no silêncio, a amar no oculto e a perseverar no bem já participa da vida que não se extingue.
Que nossos olhos se elevem ao Cristo glorioso e, ao mesmo tempo, O reconheçam no irmão, na família, na própria consciência. Então, quando Ele disser Vinde benditos de meu Pai, essa palavra não será surpresa, mas confirmação de uma comunhão cultivada ao longo de toda a jornada.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Em verdade vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos foi a mim que o fizestes Mt 25,40
A Presença do Rei no Centro do Ser
A palavra do Senhor revela que o encontro com Ele não se limita a uma expectativa futura, mas acontece na espessura do instante vivido. O Cristo identifica-Se com o menor porque Ele é o princípio que sustenta toda existência. Ao afirmar que o gesto dirigido ao pequeno é dirigido a Ele, manifesta que o fundamento último do ser está misteriosamente presente na realidade concreta. Assim, cada ato humano torna-se lugar de revelação e resposta ao chamado divino.
O Instante Iluminado pela Eternidade
Quando o coração age segundo o Bem, o tempo comum é atravessado por uma densidade que o ultrapassa. O ato justo não permanece encerrado na sucessão dos acontecimentos, mas participa da ordem que permanece. O que se realiza no agora é acolhido na plenitude divina, onde nada se perde e tudo encontra sentido. A ação reta torna-se, portanto, cooperação com a obra contínua do Criador.
A Dignidade do Pequeno e a Verdade da Pessoa
O menor mencionado por Cristo não é apenas aquele que carece de algo exterior, mas todo aquele que, em sua fragilidade, manifesta a condição humana. Reconhecer nele a presença do Senhor é reconhecer que cada pessoa possui um núcleo sagrado. Essa verdade funda a dignidade inviolável do ser humano e recorda que a grandeza espiritual se mede pela capacidade de ver além das aparências.
A Formação Interior e o Caminho da Maturidade
O ensinamento de Mt 25,40 orienta a consciência a uma constante vigilância interior. A alma amadurece quando aprende a governar seus impulsos e a ordenar seus afetos segundo a verdade. O gesto realizado com intenção pura molda o próprio caráter e configura o ser à imagem do Cristo. Não se trata de simples cumprimento externo, mas de transformação progressiva da pessoa inteira.
A Comunhão que Transcende as Horas
Cada ato de amor verdadeiro ecoa para além da cronologia humana. O Senhor acolhe o que foi feito no oculto e o insere na comunhão que não se dissolve. Assim, o fiel descobre que sua vida possui alcance eterno. Ao tocar o mais pequeno, toca o próprio Rei, e nesse encontro encontra também a própria plenitude.
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