quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Homilia Diária e Explicação Teológica - 21.02.2026


 HOMILIA

Chamados do Instante à Plenitude

O Evangelho nos apresenta o olhar de Cristo que alcança Levi no exercício comum de sua vida. Não é apenas um encontro exterior, mas uma convocação que atravessa a superfície dos dias e toca o núcleo do ser. Quando o Senhor diz segue-me, Ele não propõe simples mudança de atividade, mas uma reordenação interior pela qual a pessoa reencontra sua origem e seu fim.

Levi levanta-se e deixa tudo. Este gesto revela a capacidade humana de decidir segundo um bem mais alto que as circunstâncias. Há no coração uma potência de autodeterminação que permite ao homem superar condicionamentos e orientar-se ao que é verdadeiro. Assim se manifesta a dignidade da pessoa, criada para responder conscientemente ao chamado que a transcende.

O banquete oferecido em sua casa manifesta que a conversão autêntica não isola, mas irradia. A casa torna-se lugar de comunhão e restauração. A família, célula mater da vida humana, é o primeiro espaço onde o chamado divino ressoa e encontra acolhida. Quando o coração se ordena, a convivência se harmoniza; quando o interior se ilumina, o lar participa dessa claridade.

Os que murmuram permanecem na superfície das aparências. Medem a justiça por critérios externos e não percebem que o Médico desce ao íntimo das feridas para restaurar a integridade do ser. Cristo revela que a verdadeira saúde não é ausência de falhas visíveis, mas conformidade interior ao Bem que sustenta todas as coisas.

Não vim chamar justos, mas pecadores à penitência. Esta palavra não é acusação, mas abertura. A penitência é retorno ao princípio, movimento pelo qual a consciência se reorienta à Fonte. Cada instante torna-se então lugar de decisão eterna, onde o homem pode renascer na Verdade.

Somos convidados a permitir que o olhar de Cristo nos encontre onde estamos. Ao acolher sua voz, elevamo-nos acima do fluxo disperso dos acontecimentos e descobrimos um centro estável. Nele, a vontade se fortalece, a razão se esclarece e a vida familiar se consolida como espaço de transmissão do bem. Assim, do encontro com o Senhor nasce uma existência unificada, capaz de refletir, no tempo, a plenitude que não passa.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O Chamado que Desvela o Ser

Não vim chamar os que se julgam justos, mas aqueles que reconhecem sua incompletude e se dispõem ao retorno interior Lc 5,32

A palavra do Senhor revela que a justiça autossuficiente fecha o homem em si mesmo, enquanto o reconhecimento da própria limitação abre espaço para a ação transformadora de Deus. A incompletude não é negação da dignidade humana, mas sinal de sua condição criada. O ser humano possui grandeza porque procede do Altíssimo, mas carrega também a marca da contingência. Ao admitir essa verdade, a alma se torna receptiva à plenitude que a excede.

O Instante que se Abre ao Eterno

O chamado divino não se restringe à sequência cronológica dos dias. Ele toca o ponto mais profundo da existência, onde cada decisão assume densidade definitiva. Há no interior do homem um lugar onde o agora não é apenas passagem, mas encontro com Aquele que é. Quando Cristo chama, o momento presente se ilumina e se torna espaço de adesão ao Bem supremo. Assim, a história pessoal deixa de ser mera sucessão e passa a participar de um horizonte que a sustenta desde dentro.

Conversão como Retorno ao Princípio

A conversão é movimento da consciência que se volta ao seu fundamento. Não se trata apenas de corrigir atos externos, mas de reordenar o centro da pessoa. Ao retornar ao Princípio, a inteligência reencontra a verdade e a vontade se orienta ao bem autêntico. Essa dinâmica manifesta a nobreza da criatura racional, capaz de reconhecer a luz e escolher conformar-se a ela. O arrependimento torna-se então caminho de restauração ontológica, no qual o ser fragmentado recupera sua unidade.

Renascimento na Luz Originária

Cada apelo do Senhor oferece ocasião de renascimento. A luz que procede de Deus não apenas esclarece, mas recria interiormente. Tocada por essa presença, a alma descobre que sempre foi sustentada por um chamado anterior a suas quedas e hesitações. A plenitude não é conquista autônoma, mas participação na vida daquele que é fonte de todo bem. Assim, a resposta humana se converte em cooperação consciente com a graça que eleva, cura e conduz ao cumprimento da vocação mais alta.

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