segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Homilia Diária e Explicação Teológica - 04.02.2026

 


HOMILIA

O Mistério que Habita o Comum

O mistério não se ausenta quando não é reconhecido; ele apenas permanece em estado de espera no coração que ainda não se abriu.

Irmãos e irmãs, o Evangelho nos conduz hoje a um lugar conhecido, onde tudo parece já nomeado e explicado. É ali, no território do costume, que a Palavra se manifesta não como novidade ruidosa, mas como presença silenciosa. O Cristo retorna à origem visível para revelar que o essencial não se impõe pela surpresa, mas pela profundidade com que se oferece.

Quando o olhar permanece preso à forma exterior, o coração perde a capacidade de acolher o sentido. A sabedoria que sustém não se mede pela familiaridade, mas pela abertura interior. O ensinamento exige recolhimento, pois aquilo que transforma não chega por acumulação, mas por consentimento da vontade ao bem.

Na casa, na parentela, na trama primeira da vida, revela-se também a prova. O vínculo que deveria guardar o mistério pode, se fechado, tornar-se limite. Ainda assim, o chamado não se retira. Ele atravessa resistências e continua a ensinar, respeitando o ritmo do ser.

Celebrar este Evangelho é aprender a reconhecer o eterno que se oferece no instante, a crescer por dentro e a permanecer firmes na dignidade que nos foi confiada, para que a vida, em sua simplicidade, se torne lugar de revelação e fidelidade.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Verso proclamado
Disse-lhes Jesus que a verdade não carece de valor em si, mas encontra resistência onde o olhar se fixa no já conhecido. Quando o hábito domina a percepção, o eterno que se oferece no presente não é reconhecido. Assim, a palavra permanece íntegra, mesmo quando o instante não se abre para acolhê-la. (Mc 6,4)

A verdade que subsiste
A palavra pronunciada por Cristo não depende da recepção humana para conservar sua plenitude. Ela existe por si, enraizada no princípio que a sustém. Quando não é acolhida, não se enfraquece, apenas permanece suspensa diante de um coração ainda não disposto. A verdade não se adapta ao olhar fechado, mas aguarda em silêncio o momento da abertura interior.

O obstáculo do hábito
O costume, quando absolutizado, torna-se véu. Ele fixa a consciência no que já foi assimilado e impede o reconhecimento do que se oferece agora. Não é a proximidade que gera compreensão, mas a vigilância interior que permite perceber o sentido que se manifesta no instante pleno.

A permanência do chamado
Mesmo diante da recusa, a palavra continua operante. Ela não se retira nem se impõe. Permanece como presença fiel, respeitando o ritmo do ser. Assim, o ensinamento de Cristo revela que o caminho espiritual não se mede pela aceitação imediata, mas pela disposição gradual de deixar-se transformar por aquilo que é maior e sempre presente.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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