HOMILIA
A Oferta que Eleva o Ser
A vida alcança sua plenitude quando, sustentada pela família e guiada pela luz interior, aprende a oferecer-se ao eterno com consciência, dignidade e serenidade.
O Evangelho de Lucas 2,22 35 conduz o espírito ao limiar onde o tempo humano toca o eterno. O gesto de levar o Menino ao templo revela que a vida não se possui plenamente quando é retida, mas quando é oferecida. A família torna se aqui o primeiro espaço de ordenação interior, célula mater onde a existência aprende a harmonizar liberdade e obediência, cuidado e transcendência. Maria e José não afirmam a si mesmos, consentem com um desígnio que os ultrapassa e por isso os eleva.
Simeão representa a maturidade da alma que atravessou a espera sem endurecer o coração. Ele não busca dominar o sentido da história, apenas reconhecê lo quando se manifesta. Sua paz nasce do acordo interior com a verdade contemplada. A luz que ele proclama não dissolve os limites do mundo, mas revela sua forma profunda. Ver é aceitar. Aceitar é ordenar o próprio ser.
A profecia da espada indica que toda evolução interior passa pela tensão. A dignidade da pessoa não consiste em escapar do sofrimento, mas em atravessá lo sem perder a integridade da consciência. Assim a vida se cumpre quando cada etapa é acolhida como parte de uma sabedoria maior, e a existência humana se torna lugar de manifestação silenciosa do eterno.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Luz que revela o sentido do existir
Luz para iluminar as nações e glória do vosso povo Israel Lc 2,32
Este versículo exprime a manifestação do Verbo como princípio de inteligibilidade da realidade. A luz aqui não é mero símbolo moral, mas presença que torna o ser compreensível a si mesmo. Iluminar significa permitir que cada criatura reconheça sua origem, sua ordem e seu fim. A revelação não força adesão, mas desperta a consciência para aquilo que sempre esteve oculto no interior do real.
Universalidade sem dissolução da identidade
Luz para iluminar as nações e glória do vosso povo Israel Lc 2,32
A abertura às nações não anula a eleição de Israel. Ao contrário, confirma que a fidelidade gera expansão. O particular não é negado quando o universal se manifesta. A história concreta torna se o lugar onde o eterno se deixa perceber. Assim, a verdade não se dilui para alcançar todos, mas permanece íntegra enquanto se oferece à contemplação de cada povo e de cada pessoa.
Glória como plenitude interior
Luz para iluminar as nações e glória do vosso povo Israel Lc 2,32
A glória não é exaltação externa, mas realização interior daquilo que foi prometido. Ela nasce quando o ser humano reconhece a ordem que o sustenta e consente em viver segundo essa luz. A dignidade não vem do reconhecimento do mundo, mas da conformidade silenciosa com a verdade revelada. Nesse consentimento, a existência alcança estabilidade, clareza e sentido duradouro.
Leia também:
#LiturgiaDaPalavra
#EvangelhoDoDia
#ReflexãoDoEvangelho
#IgrejaCatólica
#Homilia
#Orações
#Santo do dia

Nenhum comentário:
Postar um comentário