HOMILIA
O Cordeiro que Revela o Caminho Interior
O Evangelho apresenta João como aquele que vê antes de explicar. Seu olhar não procura provar mas reconhecer. Ao apontar o Cordeiro de Deus ele não descreve um conceito mas revela uma presença que atravessa o visível e alcança o centro do ser. O Cordeiro não se impõe pela força nem pelo discurso. Ele se oferece como princípio de reconciliação entre o que o ser humano é e aquilo que é chamado a tornar se.
Quando João afirma que o Espírito permanece sobre Ele revela uma lei profunda da vida interior. Aquilo que desce apenas como visita não transforma. O que permanece gera forma ordem e direção. A evolução interior nasce dessa permanência silenciosa que educa o coração para a fidelidade ao bem reconhecido. Não se trata de impulso mas de maturação. O Espírito que permanece forma o ser por dentro como o tempo forma a semente no escuro da terra.
O testemunho de João é expressão de uma dignidade que não depende de posição ou reconhecimento externo. Ele sabe quem não é para que o Outro se manifeste. Essa consciência reta preserva a integridade da pessoa e a protege da dispersão. Assim também a família entendida como célula mater da existência humana nasce desse mesmo princípio. Um espaço onde a presença permanece onde o cuidado é constante e onde o amor forma sem violentar.
O Cordeiro que tira o pecado do mundo não age por substituição exterior mas por transformação interior. Ele remove aquilo que desintegra a alma e devolve unidade ao ser. Esse movimento gera uma responsabilidade silenciosa. Quem reconhece passa a viver segundo o que viu. A vida então deixa de ser reação e torna se resposta consciente ao chamado que habita o mais íntimo.
João vê e testemunha. Não retém para si o que lhe foi mostrado. A maturidade espiritual conduz a esse ponto onde a verdade reconhecida pede coerência. O caminho revelado no Jordão continua em cada interior que aceita ser purificado não pela negação do mundo mas pela retificação do olhar. Assim o Filho de Deus continua a ser reconhecido onde o Espírito encontra lugar para permanecer.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Eis o Cordeiro de Deus
Eis aquele que remove o pecado do mundo
João 1,29
Reconhecimento que antecede o discurso
A palavra de João nasce de um ver interior que antecede qualquer elaboração racional. Ao dizer Eis o Cordeiro de Deus ele não constrói uma definição mas indica uma realidade que se impõe por evidência. O reconhecimento verdadeiro surge quando o espírito se torna capaz de perceber a ordem que sustenta o real. Antes de explicar é preciso acolher. Esse acolhimento é um ato profundo do ser que se abre ao que o ultrapassa sem perder sua integridade.
O Cordeiro como princípio de recondução
A imagem do Cordeiro aponta para uma forma de agir que não violenta a estrutura da criação. Ele remove o pecado não por confronto externo mas por restauração interior. O pecado é entendido como desvio de finalidade como ruptura da unidade do ser consigo mesmo e com sua origem. O Cordeiro reconduz ao eixo. Ele devolve direção àquilo que se dispersou e reordena a existência segundo o seu sentido primeiro.
Remover não substituir
O verbo remover indica um movimento de libertação interior sem uso de imposição. Não se trata de transferir uma culpa mas de dissolver aquilo que obscurece a consciência. Quando o desvio é retirado o ser reencontra sua capacidade de aderir ao bem. Esse processo exige consentimento interior e maturidade espiritual. Nada é forçado porque a verdade atua por atração e não por coerção.
A permanência como sinal de autenticidade
No contexto do testemunho de João o que autentica o Filho é a permanência do Espírito. O que permanece forma estrutura e identidade. O que apenas passa não edifica. A vida espiritual cresce quando aprende a permanecer no que é verdadeiro mesmo quando não há sinais exteriores. Essa permanência gera estabilidade interior e prepara o ser para agir com retidão sem depender de impulsos passageiros.
Unidade restaurada e dignidade preservada
Ao remover o pecado o Cordeiro restaura a unidade interior da pessoa. Dessa unidade brota a dignidade que não depende de função ou reconhecimento externo. A pessoa unificada torna se capaz de gerar e sustentar vínculos autênticos. Assim também o núcleo familiar se estabelece como espaço de formação do ser onde a presença constante educa e orienta. A ordem interior precede qualquer ordem exterior.
Conclusão contemplativa
Eis o Cordeiro de Deus não é apenas uma proclamação histórica mas uma chave de leitura da realidade. Onde o ser aceita ser reconduzido à sua origem o desvio perde força e a vida reencontra forma. O testemunho de João continua atual porque aponta para um caminho de clareza interior onde ver precede agir e onde a verdade reconhecida transforma silenciosamente toda a existência.
Leia também:
#LiturgiaDaPalavra
#EvangelhoDoDia
#ReflexãoDoEvangelho
#IgrejaCatólica
#Homilia
#Orações
#Santo do dia

Nenhum comentário:
Postar um comentário