HOMILIA
A Vontade Cumprida no Silêncio do Ato
A liberdade revela sua nobreza quando a consciência assume a responsabilidade de transformar a escolha em ação concreta.
O Evangelho apresenta dois filhos e, neles, duas formas de relação com a verdade. Um resiste na palavra, mas converte-se no gesto. Outro consente no discurso, mas nega-se na prática. Nesse contraste revela-se uma lei profunda do ser. A realidade não se estrutura pelo que é dito, mas pelo que se realiza. O interior humano amadurece quando a decisão atravessa a hesitação e assume forma concreta no tempo.
A evolução interior não é linear nem isenta de quedas. O primeiro filho carrega a marca da liberdade autêntica. Ele enfrenta o conflito, reconhece o erro e retorna ao caminho. Essa conversão silenciosa honra a dignidade da pessoa, pois afirma que ninguém está aprisionado ao instante inicial. A consciência pode reordenar-se quando aceita a verdade que a interpela.
O segundo filho preserva a aparência da obediência, mas recusa a responsabilidade do agir. Aqui se manifesta a fragilidade de uma liberdade que se satisfaz no consentimento verbal. Quando a palavra não encontra o corpo do ato, a interioridade fragmenta-se. A família e a comunidade sofrem quando a confiança repousa apenas em promessas desvinculadas da ação.
A vinha simboliza o espaço da cooperação com a ordem do mundo. Trabalhar nela é participar do desdobramento do bem no cotidiano. Cada gesto justo fortalece a estrutura invisível que sustenta a convivência humana. A dignidade floresce quando o indivíduo assume seu lugar nessa trama, não por imposição, mas por adesão consciente.
Assim, o Evangelho ensina que a verdadeira fidelidade nasce da união entre liberdade e responsabilidade. A pessoa cresce quando permite que a verdade transforme sua prática. A família e a sociedade encontram estabilidade quando a palavra é confirmada pela ação. Nesse caminho discreto, a luz se estabelece e a vontade é cumprida.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Qual dos dois fez a vontade do pai Eles responderam O primeiro Disse-lhes Jesus Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus (Mt 21,31)
A pergunta que revela o critério divino
A interrogação de Jesus não busca informação mas desvela um princípio eterno. A vontade do Pai não se identifica com a forma externa da obediência mas com a adesão real do ser ao bem. O Reino manifesta-se onde a decisão interior se traduz em ação verdadeira. A resposta correta nasce do reconhecimento de que a verdade se comprova no agir e não na aparência.
A primazia do ato sobre a palavra
O primeiro filho representa a consciência que resiste mas depois se deixa corrigir pela verdade. Há nele liberdade real pois é capaz de rever-se. O segundo filho ilustra a palavra vazia que não se encarna. A ordem divina não se sustenta em promessas mas em atos que confirmam a escolha do bem no tempo.
Conversão como restauração da dignidade
A precedência dos publicanos e das prostitutas não exalta o erro mas a capacidade de transformação. A dignidade humana não se perde definitivamente. Quando a consciência reconhece a verdade e a assume no agir ela se realinha à ordem do Reino. A justiça divina eleva quem responde com sinceridade e responsabilidade.
O Reino como adesão interior
Entrar no Reino não é resultado de posição social nem de discurso correto. É fruto da conformação interior à vontade do Pai. Onde há liberdade responsável verdade vivida e retidão prática ali o Reino já começa a manifestar-se silenciosamente.
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