HOMILIA
O Silêncio que Conduz à Visão
O relato do sepulcro vazio não começa com uma afirmação, mas com um movimento interior. Há uma corrida, um impulso, uma busca que nasce da ausência. O túmulo aberto não fala de perda, mas de transição. A alma humana, ao perceber que o que sustentava suas certezas não está mais onde esperava, é convidada a amadurecer o olhar e a liberdade.
Pedro entra com firmeza, representando a coragem da razão que enfrenta o desconhecido. O outro discípulo inclina-se antes de entrar, sinal da interioridade que respeita o tempo do sentido. Ambos veem os sinais dispostos com ordem. Nada foi violado. Tudo indica uma ação que supera a força e revela intenção.
A fé nasce quando a consciência reconhece que o real possui uma lógica mais alta que o medo. Crer não é negar o mundo, mas compreendê-lo à luz de uma verdade que liberta sem constranger. Assim se forma a dignidade da pessoa e da família, quando cada um aprende a ver, discernir e consentir com aquilo que conduz à plenitude interior.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Viu e acreditou
Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, viu e acreditou (Jo 20,8)
O olhar que amadurece
Este versículo descreve o instante em que a percepção sensível se eleva ao entendimento interior. O discípulo não encontra uma prova material direta, mas reconhece uma ordem silenciosa que não pode ser fruto do acaso. O olhar atento não se detém na ausência do corpo, mas na coerência dos sinais. A fé nasce quando a razão aceita que o real possui uma profundidade que ultrapassa a aparência imediata.
A liberdade do assentimento
Crer aqui não é submissão cega, mas adesão consciente. O discípulo entra por decisão própria, vê por si mesmo e acredita sem imposição externa. Esse movimento revela a dignidade da consciência humana, chamada a responder livremente à verdade quando ela se manifesta com clareza interior.
A vitória do sentido sobre o medo
O sepulcro vazio deixa de ser ameaça e torna-se anúncio. O medo da perda cede lugar à confiança na continuidade do sentido. A crença afirma que a vida não está sujeita ao caos, mas inscrita numa ordem superior que sustenta a existência e orienta a esperança.
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