HOMILIA
O Silêncio que Prepara o Cumprimento
O novo nasce quando a liberdade aprende a confiar no silêncio e a dignidade se consolida na fidelidade ao tempo que prepara o cumprimento.
O Evangelho apresenta um tempo em que a fidelidade discreta sustenta o mundo. Zacarias e Isabel vivem na justiça cotidiana, não como espetáculo, mas como constância. A esterilidade não é punição, é espaço. Onde falta o controle humano, amadurece a obra que não depende da pressa. Assim se revela uma pedagogia interior em que o sentido cresce no oculto e a promessa se move segundo um ritmo mais alto.
O anúncio irrompe no lugar do serviço. A liberdade nasce quando o dever é assumido com inteireza. O temor inicial não destrói a vocação, apenas mostra seus limites. A palavra recebida pede confiança e, quando ela vacila, o silêncio educa. O calar não humilha, purifica. Retira o excesso de explicações e devolve à consciência a escuta essencial.
A família surge como santuário da promessa. Não é idealizada, é chamada a cooperar. A dignidade se afirma no cuidado mútuo e na perseverança. O filho anunciado não pertence ao desejo, pertence a uma missão. Ele prepara caminhos porque nasce de uma espera responsável. Assim a evolução interior acontece quando a pessoa aceita ser instrumento sem se tornar centro.
Deus não força o tempo. Ele honra a liberdade, forma o caráter e conduz ao cumprimento. Quando a palavra retorna, ela retorna madura. E o louvor brota não da conquista, mas da harmonia entre obediência e confiança. É assim que o novo começa. Em silêncio, em fidelidade, em serviço.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Mas o anjo lhe disse Não temas Zacarias porque a tua súplica foi ouvida e tua esposa Isabel te dará um filho e lhe darás o nome de João Lc 1,13
A Palavra que atravessa o temor
O anúncio não começa com a promessa, mas com a restauração interior. O temor nasce quando a consciência se vê diante do que a supera. A palavra angélica não elimina o mistério, ordena o coração para recebê-lo. Ao afastar o medo, não suprime a responsabilidade, antes prepara a liberdade para cooperar com aquilo que não controla.
A súplica acolhida no tempo justo
A resposta não nega a longa espera, dá-lhe sentido. O pedido foi ouvido não no instante da ansiedade, mas no momento em que a vida estava madura para acolher o fruto. A escuta divina não se submete à pressa humana. Ela respeita o ritmo que forma o caráter e purifica a intenção.
A fecundidade que nasce da fidelidade
A esterilidade é apresentada como lugar de preparação. Onde cessam os recursos próprios, emerge a ação que não depende da força exterior. A fecundidade verdadeira nasce da constância silenciosa e do serviço perseverante, não da imposição da vontade.
O nome como vocação e destino
Dar o nome é participar da missão. João não é posse, é chamado. O nome recebido indica que a vida tem direção antes de ter voz. Assim se revela que toda existência encontra sua dignidade quando aceita ser resposta a um sentido maior, vivido com confiança e fidelidade.
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