sábado, 25 de outubro de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 26.10.2025

 


HOMILIA

A Humildade que Revela o Absoluto

O Evangelho de hoje nos conduz ao templo interior, onde dois homens se colocam diante do Mistério. Um fala de si; o outro, fala com o Eterno. No silêncio entre suas palavras, o Espírito revela que a verdadeira oração não se mede pela forma, mas pela direção da alma. Aquele que se exalta fecha o horizonte da consciência em torno do próprio mérito; aquele que se humilha abre o coração ao infinito.

A evolução do ser não se dá pela superioridade moral, mas pelo reconhecimento sereno de que toda virtude é participação na Luz que sustenta o mundo. A liberdade espiritual floresce quando o homem abandona o orgulho de possuir a verdade e se entrega à verdade que o possui. A dignidade não nasce da aparência de justiça, mas da retidão silenciosa que se ergue do arrependimento e da consciência desperta.

Assim, o publicano é justificado não por negar o mal, mas por encará-lo com humildade. Ele não busca aprovação, busca comunhão. E nessa entrega, reencontra o sentido de existir — não como criatura que compete, mas como alma que retorna à Fonte. Aquele que se esvazia do próprio nome torna-se espelho da Presença. É nesse esvaziamento que o homem se eleva, não sobre os outros, mas acima de si mesmo, alcançando o lugar onde o orgulho se dissolve e a paz tem morada.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O Caminho da Justificação Interior
“Eu vos digo: este desceu justificado para sua casa, e não aquele; pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.” (Lc 18,14)

1. O Silêncio que Revela o Verdadeiro Culto

A parábola conduz o olhar para o centro da experiência espiritual: o encontro do homem consigo mesmo diante de Deus. Não há mérito exterior que substitua a pureza interior. O fariseu fala com as palavras do orgulho, o publicano fala com o silêncio do arrependimento. A diferença entre ambos é o estado de consciência — um busca afirmar-se, o outro permitir-se ser transformado. A oração autêntica nasce quando o ser humano reconhece que não há nada em si que não provenha da Fonte.

2. A Humilhação como Ascensão da Alma

A humilhação, na lógica divina, não é derrota, mas retorno à verdade. Quando o ego se curva, a alma se ergue. Aquele que se exalta erige um trono de areia; aquele que se humilha constrói sobre a rocha da eternidade. O movimento de descer é, portanto, o caminho da ascensão interior — a entrega da vontade pessoal à Vontade Suprema. Somente quem se reconhece pequeno pode ser elevado, pois o espaço do vazio é o lugar da plenitude.

3. A Justiça como Equilíbrio Interior

A justificação do publicano não é recompensa moral, mas manifestação da harmonia restabelecida. A justiça divina não mede feitos, mas intenções. É uma vibração de equilíbrio entre o humano e o eterno, o finito e o absoluto. Aquele que se mantém em humildade torna-se justo porque aceita a própria incompletude e se deixa ordenar pela sabedoria do Todo. Assim, a verdadeira justiça não é imposição, é integração com a ordem sagrada que rege o universo.

4. A Liberdade que Nasce do Reconhecimento

A liberdade espiritual não consiste em fazer o que se quer, mas em ser o que se é diante de Deus. O fariseu está preso ao reflexo de si mesmo; o publicano é livre porque reconhece a própria dependência. A confissão da fragilidade abre o ser à luz da misericórdia, e nessa abertura o homem torna-se senhor de suas paixões e servo da verdade. É esse paradoxo — humilhar-se para ser exaltado — que revela a dignidade mais alta: a liberdade conquistada pela entrega.

5. O Retorno à Casa Interior

“Desceu justificado para sua casa” — o Evangelho não fala apenas de um lugar físico, mas do retorno à morada da alma. A casa é o centro interior onde o homem reencontra o equilíbrio perdido. A justificação é a restauração da unidade entre o humano e o divino, a reconciliação do fragmento com o Todo. O publicano volta transformado, pois a humildade o reconduziu à essência. Ele não leva uma nova doutrina, mas um novo olhar: aquele que vê a si mesmo à luz do Amor que tudo sustenta.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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Primeira Leitura

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