domingo, 19 de outubro de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 20.10.2025

 


HOMILIA

A Riqueza Invisível da Alma

O Evangelho revela o contraste entre o que é perecível e o que permanece. Quando o homem se ilude com a posse, esquece que a existência é passagem, e que nada do que se acumula pode deter o movimento silencioso do tempo. O verdadeiro tesouro não se encontra nas mãos, mas na consciência desperta que reconhece o valor do instante.

O Cristo, ao advertir sobre a avareza, convida à liberdade interior: não ser escravo do que se tem, nem daquilo que se deseja. A alma, quando liberta da necessidade de possuir, descobre que a vida não é medida pela quantidade, mas pela profundidade do ser. Assim, a abundância torna-se virtude quando é instrumento de comunhão e serviço.

A evolução espiritual nasce da compreensão de que tudo quanto recebemos é parte do fluxo divino. O homem sábio não retém, permite que o bem circule, pois sabe que a verdadeira segurança está no que não pode ser roubado: a integridade da alma, a serenidade diante do efêmero, a dignidade de viver conforme a verdade interior.

O chamado de Cristo é, portanto, ao equilíbrio: possuir sem ser possuído, agir sem se corromper, viver sem perder o sentido. O que é do mundo se dissolve, mas o que é do espírito permanece. O homem que compreende isso já não teme a perda, pois reconhece que tudo o conduz à plenitude do Eterno.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O Sentido Verdadeiro da Existência
“E disse-lhes: Vede e guardai-vos de toda avareza, porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui.” (Lc 12,15)

1. O Chamado à Vigilância Interior

As palavras de Cristo não são apenas uma advertência moral, mas um convite à lucidez. “Vede e guardai-vos” é o apelo à consciência desperta, à atenção plena diante das ilusões que obscurecem o espírito. O apego aos bens não é somente apego à matéria, mas ao desejo de controle, de permanência, de domínio sobre o que, por natureza, é transitório. O Mestre convida o homem a reconhecer que toda posse é provisória, e que a verdadeira vigilância nasce do discernimento entre o que é passageiro e o que é eterno.

2. A Armadilha da Falsa Segurança

O homem que confia no acúmulo busca, inconscientemente, proteção contra a incerteza da vida. Contudo, quanto mais acumula, mais teme perder. Assim, o acúmulo torna-se prisão. O Cristo revela que a segurança real não provém da posse, mas da compreensão de que a vida é dom, não propriedade. Quando a alma deposita sua confiança no invisível que sustenta o visível, o medo cede lugar à serenidade, e a ansiedade se transforma em confiança. O desapego não é renúncia cega, mas o reconhecimento de que a plenitude nasce da comunhão e não da retenção.

3. A Vida que Não se Mede

“A vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui.” Essa sentença dissolve o erro fundamental da existência materialista: confundir o ter com o ser. A essência humana não se revela na acumulação, mas na capacidade de amar, servir e compreender. O valor da vida não está em suas posses, mas na expansão da consciência, na sabedoria de transformar cada experiência em aprendizado. O homem que compreende isso vive em harmonia, pois encontra em cada instante o reflexo da eternidade.

4. A Dignidade do Ser Livre

A verdadeira liberdade não é ausência de vínculos, mas libertação das dependências que escravizam o espírito. O que é livre usa o que possui sem ser usado por isso; possui sem se tornar prisioneiro da posse. A dignidade humana floresce quando o homem se reconhece instrumento do bem, cooperador da ordem divina, guardião da justiça e da harmonia.

5. A Riqueza que Permanece

Tudo o que se acumula fora do espírito é pó que o tempo dispersa. Somente o que se acumula no interior — a verdade, a serenidade, o amor, a sabedoria — é imperecível. A riqueza verdadeira é silenciosa, não se exibe, mas sustenta. É ela que confere ao homem a nobreza de viver com propósito e a coragem de oferecer sem esperar retorno.

Quando Cristo diz “guardai-vos de toda avareza”, Ele chama à reintegração da alma com o sentido da eternidade. Aquele que compreende isso não teme a perda, pois já encontrou o tesouro que não pode ser tomado: a vida em Deus.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

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