segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 28.10.2025


HOMILIA

A Altura do Monte e a Força que Cura

O Evangelho nos conduz hoje ao monte, onde o Cristo se recolhe na noite silenciosa da oração. Nesse gesto está o mistério da ascensão interior, o chamado para elevar a consciência acima do rumor das paixões. O monte é o símbolo da alma que busca clareza. Quem sobe aprende que a verdadeira força nasce da quietude, e que a liberdade não consiste em fazer tudo, mas em escolher o que é conforme à ordem divina.

Quando o dia amanhece, Jesus chama e escolhe. A escolha não é privilégio, mas responsabilidade. O discípulo é aquele que aceita participar do movimento do Espírito, deixando para trás o ruído da vontade desordenada. No alto, o Mestre revela que toda vocação autêntica nasce do silêncio interior e do domínio de si.

Descendo do monte, Ele se mistura à multidão. O que fora contemplação torna-se ação. O que fora oração torna-se gesto que cura. Daquele que se uniu à Fonte, emana virtus — energia de harmonia que sana os corpos e os corações. Não há imposição nem espetáculo: há um fluxo sereno que restaura, porque procede de quem alcançou unidade interior.

A força que cura não vem do domínio sobre os outros, mas da fidelidade ao próprio centro. Quem encontra dentro de si a presença do Divino torna-se livre, e quem é livre irradia equilíbrio. A dignidade da pessoa floresce nesse ponto: quando o homem reconhece que sua verdadeira grandeza está em servir à Vida que o habita.

O Evangelho de hoje é, pois, o itinerário da alma: subir para ouvir, descer para agir, permanecer no meio dos homens sem perder o contato com o alto. Toda evolução espiritual se realiza nesse ritmo silencioso de ascensão e retorno, de recolhimento e serviço.

E quando, enfim, compreendemos que a “virtus” que saía de Cristo também pode fluir através de nós, entendemos que o Reino não se impõe por poder, mas se estabelece pela presença. O homem que ora no monte e desce em paz é aquele que já começou a curar o mundo dentro de si.


EXPLICAÇÃO TREOLÓGICA

“E toda a multidão procurava tocá-lo, porque dele saía uma força que curava a todos.” (Lc 6,19)

1. O Mistério da Força que Emana

A força que saía de Cristo não era um fenômeno sensível, mas a expressão de uma realidade espiritual superior. Era a irradiação de uma consciência plenamente unida à Vontade do Pai, uma energia de harmonia que atravessava o caos e o reorganizava em ordem. Essa força é a própria vida divina que se manifesta onde encontra receptividade. O Cristo não domina a natureza: Ele a restabelece em sua pureza original. Sua presença é cura porque é equilíbrio.

2. O Toque como Símbolo da Comunhão

A multidão que o buscava não representa apenas corpos enfermos, mas a humanidade que anseia pelo contato com o Absoluto. O toque é mais que gesto físico: é comunhão de essências. Quando a alma toca o Cristo — mesmo que em silêncio interior — ela reencontra o eixo de onde jamais deveria ter se afastado. Esse toque não exige proximidade material, mas abertura do ser. O toque é o reencontro entre o humano e o divino, entre a limitação e a plenitude.

3. A Liberdade Interior como Cura

A cura que o Evangelho descreve é, em última instância, libertação. Não apenas de males do corpo, mas das prisões invisíveis que o homem cria por ignorância de si. Cristo cura porque desperta. Ele revela que o sofrimento não é um castigo, mas um convite à consciência. A força que emana d’Ele penetra na alma e a reconduz à sua integridade, lembrando-lhe que a liberdade verdadeira é a serenidade diante de tudo o que não se pode controlar.

4. O Chamado à Dignidade do Ser

A multidão o toca porque reconhece, ainda que inconscientemente, a própria origem naquela luz. Cada cura é também um reconhecimento: o homem é mais que um fragmento do tempo, é portador do Eterno. Tocar o Cristo é aceitar essa dignidade esquecida. E quando o homem redescobre essa dignidade, já não busca o poder sobre os outros, mas o domínio sobre si mesmo. A verdadeira grandeza é interior; manifesta-se no equilíbrio, na retidão e na serenidade que sustentam toda ação justa.

5. A Força que Permanece

Essa virtus que curava a todos não cessou. Ela continua a fluir onde há corações dispostos a receber. Não depende do contato físico, mas da sintonia espiritual. Cada vez que o ser humano renuncia à dispersão e volta-se ao centro da alma, toca novamente essa força. E nela encontra a paz, a lucidez e a coragem para transformar o mundo, não pela imposição, mas pela presença que irradia vida e restaura o que foi ferido.

Assim, o versículo revela mais que um milagre: descreve a dinâmica eterna da comunhão entre o divino e o humano. O Cristo é a ponte viva. E quem o toca — com fé, silêncio e pureza de intenção — reencontra em si mesmo a fonte da cura e da liberdade.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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