sábado, 22 de fevereiro de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 24.02.2025

 


HOMILIA

A Fé que Desperta a Plenitude do Ser

Amados irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje (Marcos 9,14-29) nos apresenta uma cena profundamente atual. Vemos um pai aflito, trazendo seu filho a Jesus, após ter experimentado a impotência dos discípulos diante do sofrimento do menino. Diante dessa dor, Jesus nos entrega uma das mais luminosas verdades: "Se podes crer, tudo é possível ao que crê" (Mc 9,23).

Nos dias de hoje, vivemos um paradoxo semelhante. A humanidade alcançou avanços extraordinários na ciência, na comunicação e no conhecimento, mas ainda tropeça em suas próprias incertezas. Somos como o pai daquele menino: queremos acreditar, mas carregamos a hesitação da dúvida. "Creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade!" (Mc 9,24) – esse grito ecoa no coração de muitos que buscam sentido em meio ao caos das inquietações modernas.

Jesus nos ensina que a fé não é uma fuga do real, mas a força que o transforma. O mundo de hoje nos convida a confiar apenas no visível, no que pode ser medido e calculado. No entanto, a verdadeira elevação do ser humano não ocorre apenas pelo acúmulo de conhecimento ou progresso técnico, mas pela sua capacidade de transcender, de tocar aquilo que não se limita ao imediato. O que impede nossa plenitude não são apenas os desafios externos, mas a cegueira interior que nos faz esquecer o essencial.

A resposta de Jesus aos discípulos revela a chave para essa transformação: "Este tipo não pode sair senão pela oração e pelo jejum" (Mc 9,29). A oração é a abertura do coração para a realidade maior que nos habita e nos chama. O jejum é o esvaziamento do supérfluo, o desapego das ilusões que nos impedem de ver com clareza. Somente quando cultivamos essa vigilância interior nos tornamos verdadeiramente livres para viver em plenitude.

O mundo precisa de homens e mulheres que tenham coragem de acreditar, não como quem ignora as dificuldades, mas como aqueles que sabem que a luz pode atravessar as trevas. Se hoje enfrentamos crises de sentido, divisões e angústias, é porque esquecemos que a fé não se resume a palavras, mas à transformação real do nosso olhar sobre o mundo e sobre nós mesmos. Quem crê não espera passivamente, mas age com a convicção de que a verdade se impõe por sua própria força.

Que possamos, como aquele pai, reconhecer nossas fragilidades sem nos rendermos a elas. Que nossa oração e nosso compromisso nos conduzam a uma fé viva, capaz de mover as montanhas da dúvida e abrir caminhos para uma humanidade reconciliada consigo mesma e com sua origem. Pois aquele que crê já participa da aurora de um mundo novo, onde tudo é possível.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A Força da Fé e a Plenitude da Possibilidade

A afirmação de Jesus em Marcos 9,23 — "Se podes crer, tudo é possível ao que crê." — carrega em si uma profundidade teológica que transcende a mera confiança subjetiva. Ele revela uma dinâmica espiritual em que a fé não é apenas um ato psicológico, mas uma participação ativa na própria realidade divina.

1. A Fé como Abertura à Graça

A fé, na perspectiva bíblica, não é um esforço humano isolado, mas uma resposta à iniciativa de Deus. Quando Jesus diz "Se podes crer", Ele não impõe uma condição arbitrária, mas convida o homem a alinhar sua consciência com a ordem superior da graça. O Pai, aflito pelo sofrimento de seu filho, oscila entre a dúvida e a esperança. Jesus não apenas exige fé, mas também suscita nela sua realização. A resposta imediata — "Creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade!" (Mc 9,24) — demonstra que a fé autêntica nasce da humildade daquele que reconhece sua insuficiência e se entrega à ação de Deus.

2. A Possibilidade como Participação no Poder Divino

A frase "tudo é possível ao que crê" não sugere um poder absoluto conferido ao homem, mas uma abertura do ser humano ao dinamismo divino. No contexto da teologia cristã, Deus é o fundamento de todas as possibilidades, pois n’Ele subsiste a plenitude do ser. Quando alguém crê verdadeiramente, ele se torna receptáculo da ação divina, permitindo que a realidade visível seja permeada por essa força. O milagre não é uma suspensão arbitrária das leis naturais, mas a manifestação da ordem mais profunda do ser, onde a criação responde à voz do Criador.

3. A Fé como Transformação do Olhar

A impossibilidade, do ponto de vista humano, é frequentemente uma limitação imposta pelo olhar fragmentado da existência. A fé, no entanto, expande essa percepção, tornando visível o que antes parecia inacessível. O apóstolo Paulo expressa essa ideia ao afirmar: "Andamos por fé, não por vista." (2Cor 5,7). Assim, a frase de Jesus não significa que a fé cria possibilidades inexistentes, mas que ela revela o potencial oculto na própria ordem da criação. O homem que crê não se limita ao imediato, mas enxerga além do véu das aparências.

4. A Convergência entre Fé e Obediência

A fé verdadeira implica uma adesão incondicional à vontade divina. Não se trata apenas de acreditar na possibilidade dos milagres, mas de conformar-se ao desígnio de Deus. A resposta de Jesus, portanto, deve ser lida à luz de sua própria entrega ao Pai: "Tudo é possível para ti, afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas o que tu queres." (Mc 14,36). A fé autêntica não busca apenas modificar a realidade conforme os desejos humanos, mas submeter-se à Verdade última, confiando que o impossível se realiza dentro da lógica do amor divino.

5. A Fé e a Redenção da Humanidade

O episódio de Marcos 9 ocorre antes da Paixão de Cristo, mas já aponta para o mistério redentor. O que significa "tudo é possível ao que crê" diante do sofrimento, da morte e do mal? Significa que, na fé, até mesmo a cruz se transforma em caminho de vitória. O Cristo que declara essa verdade é o mesmo que, pela fé perfeita no Pai, vence o pecado e a morte. Assim, a promessa de que "tudo é possível" se cumpre plenamente na Ressurreição, onde a impotência da humanidade é absorvida pelo poder da vida divina.

Conclusão: O Chamado à Fé Plena

O ensinamento de Jesus em Marcos 9,23 não é um mero convite ao otimismo, mas uma revelação do nexo profundo entre fé e realidade. Aquele que crê não se limita às contingências da existência, mas entra na dinâmica do Reino, onde tudo se ordena segundo o desígnio divino. Se tudo é possível ao que crê, não porque o homem se torna onipotente, mas porque, pela fé, ele já participa da plenitude daquele que é a própria Verdade.

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA

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