HOMILIA
A Força Invisível da Fé
O Evangelho segundo Lucas (17,1-6) nos conduz ao núcleo do ser, onde a fé revela-se não como crença cega, mas como potência ordenadora do espírito. Cristo adverte sobre os escândalos, pois sabe que a queda alheia pode nascer da desatenção de quem perdeu o eixo da consciência. Cada palavra e gesto emanam uma vibração que toca a estrutura do mundo; por isso, o homem é chamado à vigilância interior.
A fé, comparada a um grão de mostarda, é o símbolo da origem invisível de toda transformação. Ela não se mede pelo tamanho, mas pela intensidade de presença. No mínimo ponto de luz habita a potência de mover o inamovível. Assim, o discípulo é convidado a cultivar a fé como quem cuida de um fogo interior: silencioso, firme, constante.
O escândalo e o perdão são faces de uma mesma lição espiritual. O primeiro revela a fragilidade humana; o segundo, a possibilidade da redenção pela liberdade consciente. Perdoar é libertar-se do ciclo da reatividade e ascender à ordem superior da alma. Somente o espírito que se domina é verdadeiramente livre.
Neste Evangelho, a liberdade não se opõe à obediência divina; ela floresce nela. Crer é escolher alinhar-se ao movimento eterno do Ser, reconhecer-se como parte viva da Criação. A fé torna-se então o exercício mais puro da dignidade humana: o retorno ao centro, onde o homem participa da força criadora de Deus.
A fé é o eixo invisível que sustenta o universo interior. Quando cultivada com serenidade, transforma o escândalo em aprendizado, o erro em caminho, e a limitação em convite à eternidade. Pois o grão de mostarda, em sua pequenez, guarda o mistério do infinito.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
A Potência Oculta do Grão
“E o Senhor respondeu: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e planta-te no mar; e ela vos obedecerá.” (Lc 17,6)
1. O Mistério do Grão
O ensinamento de Cristo repousa sobre uma imagem de simplicidade e profundidade infinitas. O grão de mostarda é quase imperceptível aos olhos, mas contém em si a força de uma árvore inteira. Assim é a fé: não depende da quantidade, mas da pureza de seu centro. No coração humano, há um ponto onde a vontade se une ao princípio divino. A fé é o despertar dessa união — o reconhecimento silencioso de que o poder de Deus já habita em nós, ainda que adormecido.
2. O Movimento do Espírito
“Arranca-te e planta-te no mar” é mais que uma metáfora de poder. É a expressão do domínio interior, da força que, sem violência, move o que parece impossível. O mar simboliza a imensidão do invisível; a árvore, as raízes do hábito e do medo. Quando o homem ordena ao que o prende que se transfira ao mistério do infinito, ele renasce. O verbo de fé não é ruído, é vibração silenciosa do ser em harmonia com o Eterno.
3. A Fé como Alinhamento Interior
A fé autêntica não é desejo nem fuga, mas concordância com a ordem divina. O homem que crê verdadeiramente não busca alterar o mundo segundo o seu querer; ele ajusta sua alma à medida do divino. Por isso, o poder da fé não está em controlar a natureza, mas em integrar-se a ela. Aquele que se alinha à Verdade deixa de lutar contra as marés da existência e passa a mover-se com elas, guiado pela confiança silenciosa no Bem maior.
4. A Dignidade da Alma Fiel
A fé é o ato supremo de liberdade. Crer é afirmar que nada, nem o escândalo nem a dor, tem domínio sobre o espírito que se sabe fundado na Luz. O homem que conserva a fé em meio às tempestades não é passivo; é senhor de si, porque descobriu que o verdadeiro poder não está fora, mas dentro. Sua dignidade nasce da harmonia entre o pensamento e o ser, entre o finito e o Eterno.
5. O Grão como Símbolo do Infinito
O grão de mostarda é o ponto onde o temporal toca o eterno. Nele, o Cristo nos revela que o absoluto se manifesta no ínfimo. Cada gesto de fé, cada ato silencioso de confiança, é semente de eternidade. Quando o homem cultiva esse grão dentro de si, ele se torna co-criador, colaborador da própria Criação. E o mundo, antes resistente, torna-se obediente à sua voz, pois esta já não é apenas humana — é o sopro do Espírito pronunciando o Verbo.
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