domingo, 23 de novembro de 2025

Homilia Diária e Explicação Teológica - 25.11.2025

 


HOMILIA

O Templo que Não se Abala: Homilia sobre Lucas 21,5-11

Amados, o Evangelho de hoje nos conduz diante de um cenário impressionante: homens admirando o esplendor do templo, e Cristo respondendo com palavras que atravessam séculos, palavras que desnudam a fragilidade das obras humanas e revelam o único alicerce que realmente sustenta a existência.

Quando o Senhor anuncia que “não ficará pedra sobre pedra”, Ele não está apenas descrevendo um fato histórico. Ele está apontando para a estrutura interior do ser humano, convidando-nos a libertar o coração da ilusão de que a segurança depende de ornamentações externas, sistemas humanos, discursos sedutores ou promessas de ordem fácil. Toda construção baseada no medo, na dependência excessiva de autoridades humanas ou na suposta solução totalizante de quem promete cuidar de tudo em nosso lugar está destinada a ruir.

Cristo chama cada pessoa, cada família, ao despertar da consciência. Nada pode substituir o trabalho interior, a coragem moral, a responsabilidade que nasce da dignidade dada por Deus. Quando Ele adverte: “Vede que não sejais enganados”, aponta para a tendência humana de seguir vozes que, oferecendo proteção, acabam amputando a liberdade e conduzindo ao servilismo espiritual e social. São vozes que prometem um mundo perfeito se apenas entregarmos nossa autonomia, nossa capacidade de discernir, nossa vigilância.

A verdadeira força não vem de regimes centralizadores que se apresentam como salvadores, mas da construção silenciosa e firme do caráter; não de discursos que cultivam ressentimentos, mas da família que educa para a lucidez; não de ideologias que sufocam a alma, mas da liberdade que brota de um coração que encontrou seu eixo em Cristo.

O Senhor nos adverte sobre guerras, conflitos e abalos. Não para que vivamos em medo, mas para que aprendamos a permanecer de pé quando tudo treme. O mundo pode se desmoronar, mas aquele que edificou a vida sobre a verdade não se dobra a manipulações, não se deixará seduzir por projetos que tratam a pessoa como massa, nem entregará a consciência a quem promete soluções fáceis em troca de submissão.

Cristo nos chama a ser templos vivos, não dependentes de ornamentos passageiros, mas sustentados pela clareza interior, pela liberdade que nasce da responsabilidade, pela dignidade que ninguém pode retirar. Que cada família, cada alma, reencontre nesse Evangelho a coragem de permanecer fiel ao que é eterno, recusando todo caminho que infantilize o espírito humano.

Pois o Templo verdadeiro, aquele que não se abala, é Cristo, e somente Nele encontramos a firmeza necessária para atravessar qualquer ruína do mundo.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A Impermanência das Obras Humanas

O versículo diz
O que vedes agora virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja destruída (Lc 21,6)
Nele, Cristo revela que nenhuma construção puramente exterior possui a solidez necessária para sustentar o sentido último da existência. As estruturas humanas, por mais grandiosas que pareçam, estão submetidas ao desgaste do tempo e ao movimento da história. A lição inicial é clara
não se deve fundamentar a esperança em realidades que inevitavelmente se desfazem.

O Chamado ao Discernimento Interior

Ao anunciar a ruína do que é visível, o Senhor convida o olhar humano a voltar-se para dentro. Não como fuga, mas como orientação para o que sustém a pessoa mesmo quando tudo ao redor desmorona. O discernimento nasce quando a alma aprende a diferenciar o que é transitório do que permanece, e assim deixa de se apoiar em dependências frágeis que prometem estabilidade, mas geram servidão espiritual e emocional.

A Firmeza que Não Depende das Circunstâncias

As pedras que caem simbolizam todas as falsas garantias que o mundo oferece. O ensinamento de Cristo aponta para uma fortaleza que não é feita de matéria nem depende de autoridades humanas. É a firmeza da consciência desperta e da liberdade que nasce da responsabilidade moral. A pessoa que se ancora nesta verdade não se abala com crises, mudanças sociais ou pressões externas, pois reconhece que a verdadeira sustentação não é concedida por estruturas decadentes.

A Edificação da Vida sobre o Eterno

O templo exterior pode desaparecer, mas o templo interior pode tornar-se cada vez mais sólido. A ruína anunciada são portas para nova construção. Cristo convida cada um a erguer a vida sobre fundamentos que nem o tempo nem o poder de outros podem destruir. A dignidade humana, a verdade que liberta e a retidão silenciosa constroem uma morada que permanece mesmo quando as pedras do mundo se tornam pó.

A Transformação Quebro Mesmo a Ilusão

A destruição mencionada por Jesus não é castigo, mas revelação. Mostra que tudo o que está apoiado na aparência deve ser desmontado para que o essencial venha à luz. Quando as ilusões caem, abre-se espaço para um modo mais elevado de existir. Não se trata de temer o colapso, mas de acolher a oportunidade de renascer com maior clareza, maturidade e liberdade interior.

Assim, este versículo não fala apenas da queda de um edifício físico. Ele descreve o processo necessário pelo qual cada ser humano atravessa para alcançar a plenitude que Deus deseja. A pedra sobre pedra que cai é o convite para que surja a pessoa nova, fundada no que nenhum tempo destrói.

]Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

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