HOMILIA
A Luz que Remove a Sombra
O Evangelho nos revela que não é possível conduzir o outro se caminhamos na escuridão de nossos próprios olhos. O cego que guia o cego não simboliza apenas a ignorância, mas a falta de interioridade. O Mestre nos ensina que a visão verdadeira não nasce do julgamento, mas da purificação do próprio coração.
A trave que obscurece nossa visão é a soma de nossas ilusões e resistências, que só podem ser vencidas quando escolhemos a verdade como horizonte. O discípulo só se torna semelhante ao mestre quando aprende a ver a si mesmo com sinceridade, e assim se abre para a liberdade que conduz ao amor.
Retirar a trave do próprio olho é um ato de dignidade, pois devolve ao ser humano sua clareza original, o dom de contemplar o outro não como objeto de correção, mas como reflexo da mesma luz divina. A evolução interior consiste em transformar a cegueira em visão, e essa passagem é fruto da graça unida ao esforço pessoal.
Somente quem aprende a caminhar em si, na paciência e na humildade, pode estender as mãos ao irmão e ajudar a remover o cisco que o fere. Assim, a comunhão não nasce do poder de julgar, mas da liberdade de amar e servir.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
1. O Olho como Símbolo da Consciência
O olho, nas Escrituras, não é apenas o órgão físico da visão, mas a expressão da consciência e do modo como percebemos a realidade. Um olho obscurecido é imagem de uma consciência deformada, incapaz de discernir o bem e a verdade. O Evangelho indica que, antes de olhar para o outro, é necessário purificar a própria visão.
2. A Trave e o Cisco: Desproporção da Visão Moral
A trave representa as grandes distorções interiores: orgulho, vaidade, fechamento ao divino. O cisco simboliza imperfeições menores presentes no próximo. O contraste revela a tendência humana de minimizar as próprias falhas e ampliar as do outro. Jesus denuncia a hipocrisia de julgar sem antes se purificar.
3. A Verdadeira Purificação Interior
O chamado não é apenas moral, mas espiritual: remover a trave é obra de conversão, de retorno à transparência original da alma. O ato de limpar o olhar é reconhecer a própria fragilidade, acolher a graça e libertar-se das correntes que impedem a clareza interior.
4. A Liberdade de Ver Claramente
“Então verás claramente” indica que a visão pura é fruto de um processo. A liberdade de perceber a realidade na luz da verdade não é dada de imediato, mas conquistada pela união da graça divina e da abertura do ser humano. O olhar limpo é a condição para agir com justiça.
5. A Dignidade do Outro
Somente após a purificação pessoal é possível olhar o outro sem julgamento destrutivo, mas com compaixão. A dignidade da pessoa não se reduz às suas falhas; ela é reflexo da imagem divina. A correção verdadeira, portanto, nasce do amor, e não da presunção.
6. O Caminho da Comunhão
Este versículo nos conduz a uma compreensão profunda: a comunhão só é possível quando cada ser humano assume a responsabilidade de trabalhar sua própria sombra. A luz que nasce dessa purificação não apenas ilumina o indivíduo, mas também torna possível um vínculo mais livre e verdadeiro com o próximo.
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