HOMILIA
A Senda Interior que Conduz a Jerusalém
O Evangelho revela que Jesus, ao aproximar-se o tempo de sua elevação, firmou o rosto e decidiu caminhar para Jerusalém. Nesse gesto há um ensinamento profundo: a existência humana só encontra sentido quando reconhece que a vida é caminho e que cada passo exige determinação. A firmeza do olhar para o horizonte da missão mostra que a verdadeira liberdade não se encontra na fuga do destino, mas na aceitação consciente do chamado.
A rejeição dos samaritanos lembra que nem sempre a verdade será acolhida, e que o caminho do espírito se depara com resistências e incompreensões. Porém, a grandeza não se manifesta no desejo de destruição ou vingança, mas na serenidade que sabe calar a violência. Dominar a si mesmo é mais elevado que submeter outros; e a dignidade da pessoa nasce do equilíbrio entre coragem e compaixão.
Jerusalém simboliza a plenitude da consciência, o ponto em que o homem se eleva acima das paixões transitórias. Seguir para lá é movimento de ascensão interior, onde a liberdade se cumpre na adesão ao bem, e a evolução espiritual se realiza no silêncio da entrega. Assim, cada um, ao exemplo do Cristo, é chamado a fazer da própria vida um caminho firme, onde a justiça interior ilumina e sustenta o passo em direção ao mistério eterno.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
A Decisão como Marco da Existência
"Aconteceu que, completando-se os dias de sua elevação, ele firmou o rosto para ir a Jerusalém." (Lc 9,51)
Este versículo apresenta a firmeza de Jesus diante de sua missão. Não há hesitação, nem fuga, mas uma decisão consciente. A vida humana também encontra sentido quando é conduzida por escolhas claras e orientadas a um fim superior. O homem que evita decidir permanece prisioneiro da dispersão; já aquele que firma o rosto encontra direção e paz.
Jerusalém como Símbolo Interior
Jerusalém não é apenas lugar geográfico, mas figura da plenitude do espírito, ponto de convergência da história e da alma. Ir a Jerusalém é caminhar para o centro da própria existência, para a consumação do destino. Cada pessoa, em sua jornada, é chamada a enfrentar sua própria Jerusalém: o espaço onde se decide pela luz ou pela sombra, pela fidelidade ou pela fuga.
A Elevação como Transcendência
O texto fala dos dias da “elevação”, indicando não somente a morte, mas a glorificação que a ultrapassa. O destino humano não termina no sofrimento, mas se abre à superação. A elevação é a promessa de que toda cruz, assumida com coragem, se transforma em fonte de vida.
O Caminho da Liberdade Interior
Firmar o rosto é expressão da liberdade que nasce da convicção. Quem se conhece e se orienta para o bem não se deixa prender por rejeições ou incompreensões. A liberdade verdadeira não é ausência de obstáculos, mas a capacidade de caminhar mesmo quando o mundo se opõe.
A Dignidade da Escolha
A grandeza deste versículo repousa na dignidade do gesto: assumir a missão sem buscar aplausos, movido pela consciência da verdade. O homem se torna inteiro quando decide agir conforme aquilo que o transcende. Jerusalém, assim, não é apenas destino de Cristo, mas chamado de todo ser humano à fidelidade que liberta e dá sentido ao existir.
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