sábado, 18 de junho de 2022

Homilia Diária - 20.06.2022

 NÃO JULGUEIS E NÃO SEREIS JULGADOS Mt 7,1-5


HOMILIA


A partir do capítulo 7 de S. Mateus, que hoje começamos a ver, o discurso da montanha parece tomar uma nova profundidade, orientado mais em particular para os discípulos, isto é, para os membros da comunidade cristã de Mateus e de todos os tempos.


O contraste exagerado entre o cisco no olho alheio e a trave no próprio pode refletir um provérbio popular de então, a rápida observação das faltas dos outros, em contraste com a tolerância das faltas do próprio caráter, é tema comum em todos os povos e línguas. E por isso, os homens ao longo dos tempos foram compondo provérbios que iluminam claramente as suas culturas e tradições.


No provérbio de hoje Jesus pretende chamar a atenção dos seus discípulos para um perigo que os cerca: o perigo de se considerarem perfeitos e superiores e por isso se separarem dos outros, como fariseus. O significado da palavra fariseu é separado.


O sentido que tem aqui o verbo julgar não é simplesmente fazer-se uma opinião, algo que dificilmente poderemos evitar, mas julgar duramente, ou seja, condenar os outros, como se diz na passagem paralela de S. Lucas: Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados (6, 37).


O julgamento pertence a Deus e não a nós, porque só Deus conhece a fundo o coração do homem. Constituir-se em juiz dos outros é uma ousadia irresponsável, é tomar o lugar de Deus. Deus nos aceita e ama todos tal como somos, e olha-nos com amor de Pai que dissimula as faltas dos seus filhos, a quem vê através do seu próprio Filho, Cristo.


Se, anteriormente, ao longo do discurso da montanha, Jesus falou do perdão das ofensas e do amor inclusivamente ao inimigo, para tentar aproximar-nos ao menos um pouco da perfeição de Deus, agora está apontando à imitação da sua misericórdia. Como diz o livro da Sabedoria, Deus compadece-se de todos corrige os que caem para que se convertam e acreditem n’Ele.


À medida que usarmos com os outros, usá-la-ão conosco. Isso não quer dizer que Deus – a quem não se menciona no texto por respeito – nos julgará com a nossa medida injusta e impiedosa. Esse não é o seu modo de proceder. Certamente, quem age assim com os outros, expõe-se a um julgamento mais severo para si mesmo.


Deus teria, digamos, duas medidas para o seu julgamento: uma de justiça, outra de misericórdia. Ele medir-nos-á com aquela que nós utilizarmos, nesta vida, com os irmãos. É a mesma lição da parábola do devedor insolvente que é perdoado e não perdoa, ou a contida petição do Pai-nosso: perdoa as nossas ofensas… O que condena o irmão auto-exclui-se do perdão de Deus e cai sob a jurisdição da lei, que não deixará de acusá-lo e condenar como imperfeito que é.


Todos somos imperfeitos, tanto e mais que os outros, ainda que, julgando-os com superioridade, os desprezemos. Tal atitude, desprovida de amor, provém da nossa própria cegueira que nos impede de ver os nossos defeitos. Manter a conscientemente tal postura é hipocrisia astuta, cujo modelo no evangelho são escribas e fariseus.


É muito velho o costume de criticar os outros. Assim, pensamos justificar-nos a nós como melhores. Mas, a experiência demonstra que os mais críticos, os que julgam ser perfeitos, saber tudo e ter a melhor solução para qualquer problema, costumam ser os que menos fazem e levam aos outros.


Um olhar no espelho, uma vista de olhos à nossa pequenez e insignificância, à nossa “trave” no olho, minimizará sem dúvida as falhas dos outros, e far-nos-á mais tolerantes e acolhedores, pensando que os outros também têm que suportar-nos a nós. Conhecer as nossas próprias limitações, admiti-las e aceitá-las ensinar-nos-á, a saber, estar e viver com os outros. Assim, caminharemos em verdade e simplicidade, com ânimo de fraternidade, tolerância e compreensão para com os outros sem os condenar.


Se Deus é otimista a respeito do homem e o ama apesar de tudo, o discípulo de Cristo há-de fazer o mesmo em relação aos seus irmãos. Este é um caminho mais seguro para a realização e a felicidade pessoal do que o engano da presunção.


Meu irmão, minha irmã, nós não temos o direito de julgar, ao menos que tiremos primeiro a trave que está no nosso olho. Ou seja, se eu sou um exemplo, no caso tenho todo direito de julgar, mas através da Escritura, logo, se eu sou um homem integro diante de Deus no que concerne a alguma prática, seja ela confessional, doutrinária, ou moral, tenho duas ferramentas em mãos e que contribuem entre si para o julgamento Cristão; Primeiro: O fato que a Escritura Sagrada condena expressamente determinada prática, e em segundo, eu sou um homem que não pratico tais coisas, e assim, a trave do meu olho já foi tirada, e se eu tirei a trave do meu olho, tenho todo o argumento para tirar o argueiro do olho do meu irmão.


Pai, livra-me de julgar meus semelhantes de maneira severa e impiedosa. Que eu seja misericordioso com eles, assim como és misericordioso comigo.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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sexta-feira, 17 de junho de 2022

Homilia Diária - 19.06.2022

 PEDRO RECONHECE O MESSIAS Lc 9,18-22


HOMILIA


Lucas nos apresenta hoje a preocupação de Jesus sobre o conceito que as pessoas tem e fazem da Sua pessoa e então faz aos discípulos a inquietante pergunta: “Quem dizem as pessoas sobre quem é o Filho do Homem?” E o interessante disso tudo é que os discípulos escutavam os mesmos comentários que chegaram aos ouvidos de Herodes: que Jesus era ou João Batista, ou Elias, ou algum dos profetas antigos, que ressuscitou. Mas o que Jesus realmente queria saber era o que os seus discípulos pensavam a respeito dele. E nesse momento é Pedro quem toma a iniciativa da resposta e erguendo a voz diz: Tu és o Cristo de Deus!


A palavra Cristo vem do grego, é uma tradução literal de Messias, e significa ungido. Esta resposta de Pedro tem todo um significado, e é sobre isso que vamos refletir hoje.


Os livros proféticos do Antigo Testamento falam da vinda do Messias, o Salvador. E atribui a Ele o poder de curar os doentes, expulsar demônios, e trazer a paz ao povo. João Batista sabia disso. E é por isso que quando ele mandou seus discípulos perguntarem a Jesus se Ele era o Messias, Jesus pediu que os discípulos de João o acompanhassem durante aquela tarde enquanto Ele realizou a cura de cegos e aleijados. Depois disso, Jesus disse aos discípulos de João que voltassem para dizer o que tinham visto. Jesus não queria dizer, neste momento, que Ele era o Messias, pois muitas coisas ainda precisavam acontecer antes do seu martírio. João Batista, como conhecedor das Escrituras, sabia desses sinais. Se Jesus já afirmasse desde esse momento que era a Promessa de Deus, o alvoroço e a polêmica seriam ainda maiores do que este que já estava acontecendo. E isso poderia encurtar a sua trajetória no meio de nós.


Mas então as pessoas da época não sabiam que Ele era o Ungido de Deus? O Filho de Deus? Que não deveriam esperar que viesse outro? Pois é, não sabiam. Somente os discípulos sabiam disso. E foram severamente proibidos de comentar isso com alguém até que Ele passasse pelo martírio, morte e ressurreição.


Ainda hoje os judeus esperam a primeira vinda do Messias. Para eles, Jesus foi apenas mais um profeta, que teve a sua importância, mas que não libertou o povo, como eles esperavam. O entendimento deles não permite que vejam a libertação que Jesus veio trazer… A libertação da escravidão do pecado. Essa libertação vai muito além da libertação que eles esperavam, que era a libertação da servidão aos romanos da época, e depois a tantos outros povos ao longo da história. A libertação que Jesus veio trazer é de dentro para fora. Você pode estar acorrentado numa prisão, e ser livre. Você pode estar doente em um leito de hospital, rejeitado pelos seus pais e estar em um orfanato ou um asilo, pode ter perdido a saúde, a dignidade, o dinheiro, a liberdade de ir e vir… e ainda ser livre. Parece contraditório, mas é a Verdade. E a Verdade vos libertará. Nem a morte causa medo a quem tem essa liberdade. E essa é a maior prova de fé: não temer a morte.


Para Pedro, Jesus é Filho do Homem. É o Deus que se faz humano, convivendo no dia-a-dia comum entre as multidões e comunicando-lhes seu amor divino e eterno, que permanece para sempre, além da morte. E para ti quem é Jesus? A pergunta: E vós quem dizeis que Eu sou?, exige um comprometimento pessoal. Pedro corajosamente mostrou sua crescente lealdade, ao afirmar que Jesus era o Cristo de Deus. Nesta confissão Pedro quis dizer que Jesus era o único Deus, Filho ungido para seus propósitos. Quais propósitos? A maioria não tinha idéia, portanto Jesus não queria que seus discípulos divulgassem o que Pedro havia dito. Ao invés de um Rei ungido para sofrer e morrer por pecadores, a maioria dos judeus estavam à procura de um rei que trouxesse libertação política. Jesus então deixou claro o preço que teria que pagar para seguir a confissão de Pedro num mundo que não apenas estava confuso a seu respeito, como também era contra seu ministério. Concordar com a confissão de Pedro significa causar conflito entre os crentes e o mundo e os levaria a negar a si mesmos, ao carregarem a cruz do discipulado.


O discipulado de Cristo lá e aqui tem seu preço, seu custo. Dar a sua vida por amor aos seus irmãos. Esta é a mensagem para o dia de hoje. Peça e ore ao Senhor para que te ajude a abrir mão, se preciso for, da segurança, conforto e diversões deste mundo para O seguir. Que Ele te ensine a negar a ti mesmo, carregar a cruz e seguí-lo. Pois, sua promessa é: quem perder a vida por minha causa, este a salvará.


Por isso, peça a Deus esta graça. Pai, só tu podes revelar-me a identidade de teu Filho Jesus. Que eu a conheça de forma verdadeira para poder conformar com ela a minha vida.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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quinta-feira, 16 de junho de 2022

Homilia Diária - 18.06.2022

 Retiremos de nosso coração todas as preocupações


HOMILIA


Não precisamos ter preocupações vãs ou exageradas com nada, porque elas não resolvem os nossos problemas

“Não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir” (Mateus 6, 25).


É quase impossível viver essa vida sem nos preocuparmos com o que vamos comer, beber nem vestir. É mais difícil ainda quando temos sobre nossa custódia, sobre nossa responsabilidade, outros que também precisam comer, vestir-se ou beber. É difícil não viver preocupado e ocupado em garantir o sustento.


A Palavra de Deus vem, hoje, ao nosso encontro nos trazer o alento necessário para vivermos um dia de cada vez. Quem de nós não gostaria de estar garantido até o último dia da vida? Ter uma poupança, um rendimento somente para viver, gozar e aproveitar a vida sem se preocupar com nada?


A verdade é que não precisamos ter preocupações vãs ou exageradas com nada, porque elas não resolvem os nossos problemas; pelo contrário, gastam nossas energias, nossas forças, inibem nossa criatividade para que possamos buscar o pão onde ele se encontra, para que possamos ter forças necessárias para viver um dia de cada vez.


Não há nada errado em ser aquela pessoa previdente, disciplinada, sobretudo aquela pessoa que planeja a vida. O Evangelho não pode ser desculpa para sermos pessoas néscias, que esbanjam e gastam tudo, não calculam nem planejam a vida, e depois dizem: “Deus vai cuidar! O Deus que dá hoje, vai dar amanhã também!”. Dessa maneira, estamos sendo irresponsáveis; não podemos colocar Deus para cobrir nossas irresponsabilidades.


Precisamos ser aquelas pessoas que sabem cuidar da vida a cada dia, que tem visão; ao mesmo tempo, não podemos ser pessoas totalmente tensas, preocupadas, que não sabem viver ou saborear a vida a cada dia, porque vem sempre aquela pergunta: “E amanhã? E depois?”.


A Palavra de Deus é um convite para termos confiança no Seu amor e misericórdia, que cuida de nós como cuida dos pássaros do céu. É, na verdade, um enxerto para que não prendamos nosso coração aos bens deste mundo, para que não sejamos escravos do dinheiro, da posse e dos prazeres, mas para que sejamos humildes, modestos e saibamos viver um dia de cada vez.


Tudo aquilo que fizermos com responsabilidade e honestidade, a bênção do Senhor estará conosco, encaminhando-nos em cada uma de nossas situações. E se em algum momento de nossa vida a situação se apertar ou as coisas não andarem bem, não entreguemos nossa alma ao desespero nem à desconfiança, porque Deus nos dará inteligência, sabedoria e humildade necessárias para lidar com cada tempo!


Deus abençoe você!


Fonte Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. 

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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Homilia Diária - 17.06.2022

 Deus deve ser o tesouro da nossa vida


HOMILIA


“Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça e a ferrugem destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6,20-21).


 Se pararmos para fazer uma revisão de vida, vamos perceber que acumulamos coisas demais. Olha como está o nosso guarda-roupa, nossa cozinha, nossa casa. Às vezes, colecionamos, guardamos coisas que ninguém sabe para que serve ou quem vai usar.


Pessoas do Evangelho não podem ser pessoas do acúmulo, mas sim pessoas que distribuem, que têm apenas o essencial, o necessário. Às vezes, juntamos coisas demais, aqui na Terra, e até traças demais. Vamos juntando desde a mãe que coleciona pano de pratos, que ninguém sabe quando vai usar, até aquele que coleciona tantas coisas em demasia, que nem cabe no seu quarto, roupas que guardamos, mas que ninguém sabe quem vai usar tanta quantidade.


Quando a pessoa morre, é uma dificuldade distribuir tantas coisas que essa pessoa juntou. Não acumulemos nem juntemos coisas.


O Evangelho de hoje, inclusive, fala sobre tesouros. Tesouro é quando a pessoa, de fato, coloca nos bens materiais o sentido de toda a sua vida, quando a pessoa só pensa em dinheiro, só pensa em juntar e acumular.


O problema é a cobiça, pois o olho é a luz do corpo. Se o seu olho é cobiçoso, você será uma pessoa cobiçosa, vai viver da cobiça, do desejar, do ter mais, e nunca estará satisfeito com o que tem. Mas se o seu olho é sadio, o seu corpo e toda a sua vida será iluminada.


Se Deus é o tesouro da nossa vida, podemos até ter outros tesouros aqui na Terra, mas saberemos usá-los de forma justa

Eu sempre priorizo quem trabalha, quem faz as suas economias, quem junta o seu dinheiro para comprar a sua necessidade. Isso é muito bom, é necessário, importante e fundamental.


Não vamos ser aquelas pessoas sem juízo, pois não é isso que o Evangelho está provocando em nós. Vamos ser pessoas justas, que sabem viver a cada dia. Não vamos ser aquelas pessoas que simplesmente pegam o dinheiro, colocam-no debaixo do colchão e depois não serve para nada, porque, quando morre, o que a pessoa leva consigo?


De tudo que acumularmos, vivamos a generosidade do distribuir, do partilhar, do compartilhar e de ter uma vida correta, justa, ordenada e organizada. Nada de acúmulos desnecessários, nada de vivermos a cobiça desenfreada, nada de colocarmos o sentido da nossa vida nos bens materiais.


Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Se Deus é o tesouro da nossa vida, podemos até ter outros tesouros aqui na Terra, mas saberemos usá-los de uma forma justa, correta e evangélica.


Deus abençoe você!

Fonte Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. 

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Homilia Diária - 16.06.2022

 Para seguir a Jesus é preciso renunciar a si mesmo e abraçar a sua cruz


HOMILIA


Sigamos a Jesus com todo o nosso amor e de todo coração

“Jesus disse a todos: ‘Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-Me’” (Lucas 9,23).


 Jesus está dizendo para todos que quiserem seguir-Lo que é preciso entrar na disciplina do Evangelho. E seguir Jesus significa ir mesmo atrás d’Ele, tornar-se verdadeiramente Seu discípulo. E ser discípulo d’Ele é exigente, não basta dizer que foi batizado, ir à Missa aos domingos, carregar uma cruz no peito, ter uma medalha de Nossa Senhora, porque esses são apenas adereços.


Para seguir Jesus é preciso entrar na disciplina do Evangelho. A primeira é a capacidade de renunciar, mas renunciar a si mesmo. Porque somos muito cheios de nós: nossa vontade, nosso desejo, nosso orgulho e egoísmo. Geralmente é no singular “a minha” vontade; o que “eu” quero.


Os dissabores da vida humana, do relacionamento familiar, conjugal, entre amigos, dos relacionamentos na casa de Deus, acontecem por causa do dissabor do “eu”, por estar sempre à frente do nós.


Para seguir Jesus a escola não é só para um, a escola é para todos os filhos de Deus. Então, se não sou capaz de vencer o meu egoísmo, a minha tendência ao individualismo, não conseguirei seguir a Jesus de todo o meu coração.                           


“Quem quiser Me seguir, precisa tomar  a sua cruz a cada dia”. Jesus carregou a cruz d’Ele e nós carregamos a nossa . Eu carrego a minha cruz de cada dia, você carrega a sua de cada dia.


E a vida é uma cruz, uma via crucis, e precisamos purificar a compreensão do sentido da cruz. Cristo carregou a Sua cruz, o Seu madeiro que, para uns, representava a maldição, mas ela nos salvou. Abraçar a minha cruz de cada dia, é abraçar a minha salvação.


Tem horas que a cruz pesa e não temos força. Jesus teve ajuda para carregar a cruz e, também, precisamos de ajuda e de ajudar uns aos outros. O que não podemos é abandonar e renegar a nossa cruz, amaldiçoá-la.


Precisamos, muitas vezes, lidar com os nossos próprios limites da condição humana, da saúde, financeiros, limites de situações adversas. Lide com tudo isso e com espírito evangélico. Quando tiver pesado e não tiver dando conta, não se isole. Fique irmanado com Deus e com a graça d’Ele, como irmãos que precisam ajudar uns aos outros a carregarem a sua cruz de cada dia.


Mas siga a Jesus de todo coração e com todo amor. Não se deixe enganar por falsos caminhos, pois Ele é o nosso Mestre. Renunciando a nós, abraçando a nossa cruz, iremos atrás do nosso Divino Salvador.  


Deus abençoe você!                     

Fonte Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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segunda-feira, 13 de junho de 2022

Homilia Diária - 15.06.2022

CARIDADE, ORAÇÃO E JEJUM Mt 6,1-6.16-18


HOMILIA


O texto de hoje nos ajuda a fazer uma reflexão, uma introspecção. Estamos diante de um Evangelho que determina o nosso ser cristão. É, diria eu, o termômetro da nossa própria fé católica. E não poderia existir passagem melhor do que a do Evangelho de hoje.


A prática da justiça, no sentido religioso, significava a busca de justificação diante de Deus. As mais consagradas eram: a esmola, a oração e o jejum. Por esta prática o piedoso judeu julgava-se justo diante de Deus. Com atitude ostensiva, os líderes religiosos do templo e das sinagogas afirmavam seu prestígio e poder.


A penitência, muitas vezes vista como uma prática de sofrimento, na verdade tem o caráter modificador, que nos transforma que nos faz perceber que podemos viver sem certas coisas do mundo. Que mais forte é Deus que nos dá o suficiente para viver. Compreendemos que os sacrifícios feitos deverão, portanto, ser fonte de crescimento, de amadurecimento espiritual e não motivo de promoção pessoal. E por isso, não devem ser expostos ao mundo, pois é interioridade, é intimidade com Deus.


Isto vale para todos os nossos atos religiosos ou aparentemente humanitários. Não podem ser forma de se vangloriar de sua bondade, mas de promover sua espiritualidade e também o bem de outras pessoas.


Sê assíduo à oração e à meditação. Disseste-me que já tinhas começado. Isso é um enorme consolo para um Pai que te ama como Ele te ama! Continua, pois, a progredir nesse exercício de amor a Deus. Dá todos os dias um passo: de noite, à suave luz da lamparina, entre as fraquezas e na secura de espírito; ou de dia, na alegria e na luminosidade que deslumbra a alma.


Se conseguires, fala ao Senhor na oração, louva-o. Se não conseguires, por não teres ainda progredido o suficiente na vida espiritual, não te preocupes: fecha-te no teu quarto e põe-te na presença de Deus. Ele ver-te-á e apreciará a tua presença e o teu silêncio. Depois, pegar-te-á na mão, falará contigo, dará contigo cem passos pelas veredas do jardim que é a oração, onde encontrarás consolo. Permanecer na presença de Deus com o simples fito de manifestar a nossa vontade de nos reconhecermos como seus servidores é um excelente exercício espiritual, que nos faz progredir no caminho da perfeição.


Quando estiveres unido a Deus pela oração, examina quem és verdadeiramente; fala com Ele, se conseguires; se te for impossível, detém-te, permanece diante dele. Em nada mais te empenhes como nisso.


Não se trata de conceber a oração interior, livre de todas as formas tradicionais, como uma piedade simplesmente subjectiva, e de opô-la à liturgia, que seria a oração objectiva da Igreja; através de toda a verdadeira oração, alguma coisa se passa na Igreja e é a própria Igreja quem reza, porque é o Espírito Santo que vive nela que, em cada alma única, “intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rom 8, 26). E essa é, justamente, a verdadeira oração, porque “ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ senão por influência do Espírito Santo” (1Cor 12, 3). O que seria a oração da Igreja se não fosse a oferenda daqueles que, ardendo com grande amor, se entregam ao Deus que é amor?


O dom de si a Deus, por amor e sem limites, e o dom divino que se recebe em troca, a união plena e constante, é a mais alta elevação do coração que nos é acessível, o mais alto grau da oração. As almas que o atingiram são, na verdade, o coração da Igreja; nelas vive o amor de Jesus, Sumo-Sacerdote. Escondidas com Cristo em Deus (Col 3, 3), não podem deixar de fazer irradiar para outros corações o amor divino de que estão cheias, concorrendo assim para o cumprimento da unidade perfeita de todos em Deus, como era e continua a ser o grande desejo de Jesus.


Jesus nos mostra neste texto ao falar da oração, jejum e caridade de forma consciente o momento e o ato mais importante da nossa íntima união com Ele. E nos faz saber que estes atos devem ser livres e desimpedidos, desinteressados de reconhecimento. A partir do momento em que vivemos estas três lições de Cristo oração, jejum e penitência, em nossas vidas, tudo em nós será um eterno aleluia. Jesus terá verdadeiramente ressuscitado em nós.


Espírito de piedade ensina-me o modo de agir que realmente agrade ao Pai, e mereça a recompensa divina.

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Homilia Diária - 14.06.2022

 O AMOR PERFEITO Mt 5,43-48


HOMILIA


É assim que prefiro chamar o amor de Deus. Aquele que passa por cima do ódio que deveríamos sentir pelos nossos inimigos: «Vocês ouviram o que foi dito: “Ame os seus amigos e odeie os seus inimigos.” Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para que vocês se tornem filhos do Pai de vocês, que está no céu». Nestas palavras de Jesus está a perfeição do amor.


Jesus hoje nos exorta longamente para que respondamos ao ódio com amor. Este texto, aparecendo nessa situação, ajuda-nos a compreender, que Mateus vê no amor aos adversários, a característica específica dos discípulos de Cristo.


As palavras de Jesus indicam duas maneiras de viver:


A primeira é a dos que se comportam sem referência a Deus e sua Palavra. Esses agem em relação aos outros em função da maneira como eles os tratam, a sua reação é de fato uma reação. Dividem o mundo em dois grupos, os amigos e os que não o são, e fazem prova de bondade só em relação aos que são bons para eles.


A segunda forma de viver não põe em primeiro lugar um grupo de homens, mas sim o próprio Deus. Deus, por seu lado, não reage de acordo com a maneira como o tratam; pelo contrário, «Ele é bom até para os ingratos e os maus» (Lucas 6,35).


Jesus chama assim a atenção para a característica essencial do nosso Deus. Fonte transbordante de bondade, Deus não se deixa condicionar pela maldade de quem está à sua frente. Mesmo esquecido, mesmo injuriado, Deus continua fiel a si próprio, só pode amar. Isto é verdadeiro desde a primeira hora. Diferentemente dos homens, Deus está sempre pronto a perdoar: «Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos» (Isaías 55,7-8). O profeta Oseias, por seu lado, ouve o Senhor dizer-lhe: «Não desafogarei o furor da minha cólera… porque sou Deus e não um homem» (Oseias 11,9). Numa palavra, o nosso Deus é misericordioso (Êxodo 34,6; Salmo 86,15; 116,5 etc.), «não nos trata de acordo com os nossos pecados, nem nos castiga segundo as nossas culpas» (Salmo 103,10).


A grande novidade do Evangelho não é tanto o fato de que Deus é Fonte de bondade, mas que os homens podem e devem agir à imagem do seu Criador: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso!» (Lucas 6,36). Através da vinda do seu Filho até nós, esta Fonte de bondade está agora acessível. Tornamo-nos, por nosso lado, «filhos do Altíssimo» (Lucas 6,35), seres capazes de responder ao mal com o bem, ao ódio com amor. Vivendo uma compaixão universal, perdoando aos que nos fazem mal, damos testemunho de que o Deus de misericórdia está no coração de um mundo marcado pela recusa do outro, pelo desprezo em relação àquele que é diferente.


Impossível para os humanos entregues às suas próprias forças, o amor pelos inimigos testemunha a atividade do próprio Deus no meio de nós. Nenhuma ordem exterior o torna possível. Só a presença, nos nossos corações, do amor divino em pessoa, o Espírito Santo, permite amar assim. Este amor é uma conseqüência direta do Pentecostes. Não é em vão que Estêvão, «cheio do Espírito Santo» termine com estas palavras: «Senhor, não lhes atribuas este pecado.» (Actos 7,60)


Como Jesus, o verdadeiro discípulo faz com que a luz do amor divino brilhe no país sombrio da violência como é o nosso Brasil.


Este amor, longe de ser um simples sentimento, reconcilia as oposições e cria uma comunidade fraterna a partir dos mais diversos homens e mulheres, da vida desta comunidade sai uma força de atração que pode agitar os corações. É este o amor que eu chamo de perfeito, o amor que perdoa até aqueles que nos podem tirar a vida.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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