terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Homilia - 20.02.2017

Ó GERAÇÃO INCRÉDULA Mc 9,14-29
HOMILIA

Na descida da montanha da Transfiguração, Jesus encontrou muita gente ao redor dos discípulos. Um pai estava desesperado, pois um espírito mudo tinha tomado conta do filho.

Marcos apresenta-nos hoje pedagógicamente a importância da fé e da oração para que o milagre da cura, da libertação e da salvação aconteça na vida da comunidade incrédula, que Jesus vai chamar de gente incrêdula. E então com muitos detalhes Marcos descreve a situação do menino possesso, a angústia do pai, a incapacidade dos discípulos e a reação de Jesus. O que mais chama atenção são duas coisas: de um lado, a confusão e a impotência do povo e dos discípulos diante do fenômeno da possessão e, do outro lado, o poder de Jesus e o poder da fé em Jesus diante do qual o demônio perde toda a sua influência. O pai tinha pedido aos discípulos para expulsar o demônio do menino, mas eles não foram capazes. Jesus ficou impaciente e disse: “Até quando vou agüentar esta geração sem fé! Tragam o menino aqui!”. Jesus pergunta a respeito da doença do menino. Pela resposta do pai, Jesus fica sabendo que o menino, “desde pequeno”, tinha uma doença grave que o colocava em perigo de vida. O pai pede: “Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha pena de nós!” A frase do pai expressa a situação bem real do povo. Ele estava com a fé abalada, sem condições de resolver os problemas, mas também tem muito boa vontade de acertar. Não é esta a situação minha e tua hoje?

Veja que o evangelista reúne neste texto várias passagem dos milagres de cura e libertação realizados pelo Mestre como fruto da fé tanto dos curados quanto dos que apresentavam os enfermos. É para ti e para mim que Jesus se dirige: Ó geração incrédula, acredite. Afaste-se as dúvidas e trevas do vosso coração.

Marcos nos faz ver o contraste entre a fé do pai da criança e a pouca fé dos discípulos, Por isso o Senhor lastima e sobretudo procura fortalecer os seus discípulos e a multidão. Em contrapartida, é admirável a oração simples e confiante do pai, que se apresenta como homem de pouca fé, mas que pede para ser nela fortalecido. Só a humildade e a confiança, como aquelas que inspiraram a oração daquele pai aflito, são caminho que leva à fé.

Feito o trabalho, libertado o garoto, o pai feliz da vida, é a hora de os discípulos amuados perguntarem ao Mestre: “Como explicar o nosso fracasso? Por que não pudemos expulsar o demônio?” E Jesus, curto e grosso: “Esta espécie de demônios com nada se pode expulsar, a não ser com oração e jejum.”

Pode ser que você esteja torcendo o nariz: “Jejum e oração?! Que coisa mais arcaica!” Ora, a água vegeto-mineral dos tempos da vovó pode ser um remédio arcaico, mas faz efeito ainda hoje. E os capetas do tempo de Jesus Cristo são os mesmos de nosso tempo, ainda que mais treinados e especializados. Tal como ontem ainda hoje Jesus continua realizando curas e libertações. Basta ter fé, confiança e esperança no Nome e Poder de Jesus.

Portanto, é urgente que como o pai daquela criança gritemos ante as diversas situações por que passamos: Eu tenho fé! Ajude-me a ter mais fé ainda!
Fonte http://homilia.cancaonova.com/


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Homilia - 19.02.2017

AMAR OS INIMIGOS Mt 5,38-48
HOMILIA

 Jesus quer que vençamos o mal com o bem. Quer um amor traduzido em gestos concretos. É espontânea a pergunta: como é que Jesus deu um mandamento como este? A realidade é que Ele quer que a nossa conduta tenha como modelo a mesma de Deus, seu Pai, que “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos”. (Mt 5,45) É isto. Não estamos sozinhos no mundo: temos um Pai e devemos nos assemelhar a ele. Não só, mas Deus tem direito a esse nosso comportamento porque, enquanto nós éramos seus inimigos, estávamos ainda no mal, Ele foi o primeiro a nos amar (cf. 1Jo 4,19), mandando-nos o seu Filho, que morreu daquela maneira terrível por nós, cada um de nós.
            Só pelo amor divino, podemos ser perfeitos como o Pai. Pois, é difícil viver este preceito: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus (…)” "Portanto,sede vós perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.” Além de nos pedir para amar nossos inimigos, Jesus nos pede para que rezemos pelos que nos perseguem. Parece algo impossível, principalmente, quando observamos algumas famílias onde os pais, mães, filhos e irmãos se tratam violentamente, uma convivência difícil, acontecem muitos casos de assassinato dentro da família. Se isso acontece com as famílias, que naturalmente deveriam se amar, como fazer para amar o meu inimigo? Quem é meu inimigo? Aquela pessoa que se sente bem sente prazer ao me prejudicar. Aquela pessoa que é capaz de despertar em mim os sentimentos ruins como a mágoa, angústia, o desprezo, a ira...
“Amai os vossos inimigos”. Isto, sim, é revolucionário! Isto, sim, produz uma reviravolta no nosso modo de pensar e faz com que todos dêem uma guinada Porque, sejamos sinceros, algum inimigo… pequeno, ou mesmo grande, todos nós temos. Está ali do outro lado da porta do apartamento vizinho, naquela senhora tão antipática e intrigante, que procuro sempre evitar toda vez que está para entrar. Está naquele meu parente que trinta anos atrás agiu mal com meu pai. Senta-se atrás de você na escola e nunca, nunca mais você olhou para a sua cara desde que ele o acusou para o professor...
É aquela menina que você namorava e que depois o trocou por outro… É aquele comerciante que o enganou… São aqueles que, do ponto de vista político, não pensam como nós e por isso declaramos nossos inimigos. E hoje há quem vê o Estado como inimigo, e pratica violência contra pessoas que podem representá-lo. Assim como existem, e sempre existiram, pessoas que consideram inimigos os sacerdotes e odeiam a Igreja. Pois bem, todos esses e uma infinidade de outros, que chamamos inimigos, devem ser amados. Devem ser amados? Sim, devem ser amados! E não nos iludamos de que podemos resolver o problema simplesmente mudando o sentimento de ódio por outro mais benévolo. É preciso algo mais. Ouça o que diz Jesus:  “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam”.
Somos humanos, imperfeitos e pecadores. Para alcançarmos a perfeição que Jesus nos pede, o amor deve prevalecer. Sabemos Deus não concorda com nossos erros e pecados, mas ele nos ama, e está sempre pronto a nos perdoar. É essa perfeição que Jesus quer que alcancemos, devemos e podemos agir como o Pai, e ser perfeitos como ele. Alcançaremos a perfeição amando nosso inimigo, orando por aqueles não desejam nosso bem, que nos perseguem. Sendo gentis, pacientes, não ser grosseiro, indiferente, frio, não deixando que pessoas de nossa convivência influenciem no nosso modo de agir, às vezes exigindo uma reação contra a quem nos prejudicou. Não é assim que deve agir um cristão. Jesus disse:... “Ele faz nascer o sol sobre os maus e bons e faz cair a chuva sobre os justos e injustos (...) se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis?” Devemos então amar sem distinção, para nos tornamos filhos do Pai do céu (v. 45).
Na cruz, Jesus pede ao Pai para que perdoe os seus perseguidores, os seus carrascos. Jesus perdoou aqueles que tiraram sua vida. Seremos perfeitos quando conseguirmos perdoar aqueles que tiram vidas, aqueles comentem violências terríveis contra inocentes, indefesos... Podemos começar rezando por eles. Pedir ao Espírito Santo que se faça presente em nossos corações, para que sejamos capazes de amar com o amor divino. Que sejamos capazes de fazer o bem a quem nos fez mal, de amar quem nos odeia, e perdoar aqueles que praticam o mal. No evangelho de hoje, Jesus nos ensina que pelo amor, pelo perdão, pela misericórdia, podemos viver em comunhão e fraternidade, contribuindo assim para um mundo melhor. “A cruz é, para os cristãos, um sinal evidente de que, de fato, é possível amar os próprios inimigos”
Espírito de perfeição dispõe meu coração a imitar o exemplo de Jesus que, na cruz, nos deu a maior prova de amor aos inimigos. Senhor ensina-nos a não amar somente os que são nossos, a não amar somente os que amamos. Ensina-nos a pensar: nos outros e a amar, em primeiro lugar, aqueles a quem ninguém ama.
Fonte PADRE BANTU MENDONÇA KATCHIPWI SAYLA


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Homilia - 18.02.2017

TU ÉS O MEU FILHO Mc 9,2-13
HOMILIA

A transfiguração de Jesus se encontra também em Mateus (17,1-8) e Lucas (9,28-36), mas cada evangelista trabalhou a seu modo a narrativa dentro dos objetivos específicos de cada um. Marcos a inseriu no início da segunda parte do seu evangelho. A partir de 8,31 temos como que um novo início e, daqui para frente, Jesus vai dedicar a maior parte do seu tempo ensinando aos discípulos o sentido profundo de seu messianismo. Responde-se, assim, à pergunta fundamental de Marcos: Quem é Jesus? E nesta se responde à uma outra pergunta, não menos importante que a primeira: Quem é o discípulo de Jesus? Todavia, o retrato dos discípulos, aqui, é lamentável.

Na primeira parte do Evangelho de Marcos, Jesus é incompreendido pelos “de fora”, acusado de blasfemar, de ser um possesso, louco e impuro. E os discípulos, o que pensam dele? Pedro, representando todos os que pretendem se unir ao Mestre, afirma que Jesus é o Messias. Mas Jesus proíbe severamente aos discípulos de falar alguma coisa a respeito dele. Marcos insere aqui o primeiro anúncio da paixão. E Pedro, representando mais uma vez os discípulos, se torna “Satanás”, porque pretende que o messianismo de Jesus se baseie nos moldes tradicionais.

E agora: a proposta messiânica de Jesus vai vencer? A transfiguração responde afirmativamente. Jesus vai vencer. Contudo, vale a pena recordar que a transfiguração olha mais para nós do que para Jesus. Em outras palavras, nós precisamos dela mais do que ele. Ela nos garante que em Jesus o projeto de Deus será vitorioso porque é garantido pelo Pai, que o declara seu Filho amado, pedindo que todos escutem o que ele diz. A transfiguração é, portanto, o sinal da vitória de Jesus e de seu projeto.

Jesus sobe a uma alta montanha com Pedro, Tiago e João, três dos quatro primeiros escolhidos. A cena recorda Ex 24, onde Moisés é convidado a subir à montanha de Deus em companhia de Aarão, Nadab, Abiú e setenta anciãos. Somente Moisés se aproximou de Deus e, ao descer do monte, contou ao povo tudo o que Deus lhe havia dito. A resposta do povo é uma só: “Faremos tudo o que Deus disse” (cf. Ex 24,1-3).

Marcos afirma que “as roupas de Jesus ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar”. Essa transformação aponta para a realidade da ressurreição de Jesus. Ninguém, nem mesmo a morte, poderá deter o projeto do Reino, pois o Mestre vai ressuscitar depois de três dias.

Moisés e Elias presentes e conversam com Jesus representam respectivamente a Lei e os Profetas, isto é, todo o Antigo Testamento. Moisés é o líder da libertação do Egito. O comparecimento deles vem dar testemunho de Jesus. Ele é o libertador definitivo, prometido e prefigurado nos líderes do passado. Elias é o restaurador do javismo no Reino do Norte no tempo do rei Acab, o profeta que libertou o povo da idolatria que gera opressão. O Antigo Testamento testemunha que Jesus veio para libertar mediante a entrega total de sua vida.

Nuvem, esplendor, personagens e, sobretudo, a voz que sai da nuvem são modos de indicar a presença de Deus no acontecimento. O próprio Pai garante que Jesus é seu Filho amado, ao qual é preciso dar adesão. Nesse versículo temos um dos pontos altos do Evangelho de Marcos. Desde o início afirma-se que Jesus é Filho de Deus (1,1) e, ao ser batizado, o Pai diz: “Tu és o meu Filho amado; em ti encontro o meu agrado” (1,11). O termo “filho” recorda o Salmo 2,7, onde um rei é declarado filho de Deus. Jesus é esse Rei, mas seu messianismo passa pela entrega da vida.

Pedro representa nós todos quando pretendemos viver a alegria da ressurreição sem passar pela entrega e pela morte. O julgamento que Marcos faz de Pedro e de todos os seguidores de Jesus é muito severo: “Ele não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo”. No fim de tudo, os discípulos se perguntam o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”. O tema da ignorância dos discípulos é muito forte no Evangelho de Marcos. É impossível saber quem é Jesus sem ir com Ele até a cruz, sem passar pela morte, sem voltar à Galiléia para anunciar aí, por meio de uma prática libertadora, que o Mestre está vivo. Pedro – e todos nós com ele – sofremos de ignorância crônica em relação a quem é Jesus. Por isso é que “escutar o que ele diz” significa ir com ele até o fim. E não nos assustemos. É preciso que com Marcos confessemos. Jesus é o Filho de Deus e o sigamos. E assim como os discípulos viram Moisés e Elias falando com Jesus também nós o veremos cheio de esplendor e glória. Ele é a única autoridade credenciada pelo Pai. Ele está conosco para sempre.
Fonte http://homilia.cancaonova.com/


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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Homilia - 17.02.2017

SEGUIR JESUS IMPLICA TOMAR A CRUZ Mc 8,34-9,1
HOMILIA

Nesta passagem do Evangelho Jesus indica o caminho para nossa felicidade terrena e eterna. Se alguém me quer seguir, tome sua cruz, renuncie a si mesmo e me siga. Com esse ensinamento podemos perceber que o sofrimento nem sempre causa a infelicidade. Sobretudo quando é visto como um completar na carne o que falta a Paixão de Cristo, como nos ensina São Paulo.

Seguir a Jesus significa vivenciar seus ensinamentos, tornar prática a fé que temos na sua pessoa, porém, tudo isso feito conscientemente e não levados apenas pelas circunstâncias e com resignação. Já que não tenho outra saída então que seja assim.

É necessário termos plena consciência de que Jesus não veio para organizar o mundo pelo exercício do poder, mas para transformar o mundo pela prática do amor humilde e solidário. Isto implica sacrifício, jejum, penitência, partilha e despojamento. Por isso, Jesus, retoma a instrução aos discípulos quanto ao despojamento de si mesmos e à disponibilidade a serem assumidos por eles.

Perder a vida por causa de Jesus é desprezar os sedutores projetos de sucesso de enriquecimento e consumismo, oferecidos pelos poderosos deste mundo. Perder sua vida é ser para o outro, estar a serviço dos mais necessitados e excluídos, como Jesus. É viver o amor, comprometendo-se com a luta em vista da restauração da vida e da conquista da Paz.

Senhor Jesus Cristo, muitas vezes eu e os da minha família estamos bem agarrados à nossa vida. Não queremos abandoná-la mas guardá-la totalmente para nós. Queremos possuí-la, não oferecê-la. Mas tu nos precedes e mostras-nos que é apenas dando a vida que a podemos tê-la em plenitude e eternamente. Tu nos ensinas: o caminho para que isto aconteça é a cruz.

Tu nos dizes que a cruz é a oferenda de nós mesmos. Todavia, isto nos pesa bastante. Dai-me a graça de entender que na Tua Via Sacra, tu levaste também a minha cruz e não a levaste apenas num momento qualquer do passado, uma vez que o Teu amor é contemporâneo à minha existência. Leva-la hoje, comigo e por mim, e, de maneira admirável, queres que também eu, hoje, como outrora Simão de Cirene, leve contigo a Tua cruz e, acompanhando-Te, me ponha contigo ao serviço da redenção do mundo.

Ajuda-me não só a acompanhar-Te com nobres pensamentos, mas a caminhar pelo Teu caminho com o coração, mais ainda com os passos concretos da vida do meu dia-a-dia. Liberta-me da vergonha, do medo da cruz, do medo diante do que as pessoas possam dizer de mim até mesmo os da minha casa, da minha família, da troça dos outros, do medo que a minha vida possa escapar-me se não aproveitar tudo o que ela me oferece.

Ajuda-me a desmascarar as tentações que me prometem a vida, mas cujas consequências me deixam, no fim, sem objectivo e desiludido.

Ajuda-me a não me fazer senhor da minha vida nem da dos outros. Pois a Ti pertence. Dai-me força e coragem para renuniciar-me a mim mesmo e a tomar a minha cruz todos os dias e Te serguir.

Acompanhando-Te pelo caminho do grão de trigo que cai na terra para dar muito fruto (Jo12,24), ajuda-me a encontrar, “perdendo a minha vida”, o caminho do amor, o caminho que me dá verdadeiramente a vida, a vida em abundância.
Fonte http://homilia.cancaonova.com/


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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Homilia - 16.02.2017

TU ÉS O CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO! Mc 8,27-33
HOMILIA

Jesus encerra o seu ministério entre os gentios. E decide dirigir-se para o sul a caminho de Jerusalém, pela Judéia, em um ambiente exclusivamente judaico, para ali fazer seu anúncio libertador. Depois de tudo o que falou e fez entre os gentios, agora quer colher a consciência popular sobre o que as pessoas dizem da sua pessoa: Quem o povo diz que eu sou? O mestre sabia das diversas imagens a respeito de sua personalidade. Mas Ele quer ouvir dos seus, o que têm escutado entre os ‘bastidores’, e pergunta sobre isso aproveitando a ocasião da viagem em direção às aldeias de Cesaréia de Felipe. Como era do conhecimento do mestre, as respostas são divergentes e até mesmo absurdas: Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros que é Elias; e outros que é um dos profetas. Estas, cheiram à reencarnação de João Baptista, ao retorno de Elias e até citam Jeremias, em Mateus.

Falar sobre o que os outros dizem sobre Jesus era tão fácil que todos levantaram para se pronunciarem. Só que, o que Jesus queria mesmo era ouvir os discípulos, a resposta deles. Sobre o que eles pensavam do mestre. Até porque Ele não estava interessado em saber o que o povo dizia. Ele já o sabia. Ele quer sim saber se no coração de seus discípulos já se delineara a certeza de sua essência. E então redireciona a pergunta: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Ante esta terrível pergunta, Pedro cheio do Espírito Santo, logo se apresenta para afirmar: Tu és o Cristo. Em Mateus aparece a profissão de fé mais contundente: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

A esta afirmação, Jesus adverte que ainda não era hora de tornar público toda a verdade, e que esperassem um pouco mais para começar a propagar que Deus se fizera carne e habitava entre nós. E então, percebeu que havia alcançado o seu objetivo entre os seus discípulos, e que este conhecimento os fortaleceria para pregarem a sua mensagem a todos os demais. Eis o segredo de um ministério vitorioso: Deixar bem claro na mente e no coração de todos a verdade, para que estes dêem continuidade à pregação com zelo, com certeza e com firmeza. Jesus começa a ensinar a seus discípulos o que o aguardava: O Filho do Homem terá de sofrer muito. Ele será rejeitado pelos líderes judeus, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da Lei. Será morto e, três dias depois, ressuscitará.

Esta parte era a mais dura de ouvir a ponto de constranger os discípulos, pois eles esperavam que seu líder fosse reconhecido e homenageado pelos príncipes e recebesse honrarias, e não o contrário. Isto pareceu fora de propósito. Foi por isso que Pedro chamou Jesus à parte e começou a reprová-lo. Mas Jesus chega a conclusão que até Pedro tinha dado ouvidos a satanás e então, virando-lhe as costas, volta-se em direção aos discípulos, e repreende com veemência ao espírito que falava pela boca de Pedro naquela hora: Saia da minha frente, Satanás! Você está pensando como um ser humano pensa e não como Deus pensa.

Este episódio nos demonstra que ainda não estavam suficientemente maduros e ainda permitiam que o inimigo se manifestasse no meio deles. Esta muitas vezes é a minha e a tua situação. Quando nós não vivemos a constante vigilância e oração: vigiai e orai para não cairdes em tentação. Ditraídos, o diabo pode  nos pegar de surpresa e nos derrubar em questão de segundos.

Graças a Deus o tempo do titubeio durou pouco, e logo os discípulos ficaram prontos para o Ministério da Salvação. Assim como eles, nós também precisamos pedir a Deus a graça do amadurecimento gradual da fé em nós e a revelação da verdadeira identidade de Jesus, servo fiel, cuja vida esteve totalmente entregue em tuas mãos.

Pai, revela-me a verdadeira identidade de Jesus, servo fiel, cuja vida esteve totalmente entregue em tuas mãos. E dá-me a graça de, como Ele, ser fiel a Ti.
Fonte http://homilia.cancaonova.com/

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Homilia - 15.02.2017

A LÍNGUA E A SALIVA QUE CURA Mc 8,22-26
HOMILIA

Na umidade interior da boca, a saliva é uma espécie de sêmen da palavra. Ela tem como a água, grande importância: une e dissolve os alimentos, pode curar ou corromper, suavizar ou insultar violentamente, como quando se transforma em cuspe. O órgão da saliva é a língua, como na relação entre a lágrima e os olhos. A língua, como um pequeno leme, governa nossa embarcação. A língua é fértil, seu semem é a saliva e seu fruto maduro e criativo é o Verbo, a palavra. Para despertar a palavra, para libertar o Verbo, Jesus empregará sua saliva sob a boca e os ouvidos do surdo-mudo. Para impedir a palavra e aniquilar o Verbo, cuspiram sobre o rosto de Jesus.

Língua e saliva. Como órgão do paladar e do gosto, a língua é símbolo do discernimento. Ela separa o bom do ruim; ela distingue, ela aparta e isola como um chicote, uma faca ou uma espada. Como órgão da palavra, a língua é criadora do Verbo e identifica-se com ele.

A língua é considerada como uma chama, cuja forma e mobilidade é como o fogo que destrói e purifica. Como instrumento da palavra, a língua edifica e arrasa. Comparada ao fiel de uma balança, a língua julga. Comparada a um pequeno leme, dirige o navio inteiro. A língua é como o fogo, o único animal que ninguém consegue dominar Tg 3,2-12. Na maioria das vezes o termo significa a própria palavra. Quando a palavra língua é empregada sem qualificativo, em geral designa a má língua. Como tens utilizada a tua língua?

Na Bíblia, a saliva evoca a vida, a cura e a salvação. Tocados pela saliva, os cegos vêem, surdos ouvem e mudos falam. Ao promover, com os dentes e a língua, uma intimização da pessoa com o alimento – por todos os critérios de reconhecimento derivados do paladar – a saliva fala do nosso desejo de alimentação espiritual, de alimentar-se do divino, de comer Deus. Na cavidade bucal, a saliva está associada às núpcias celestes, ao banquete celeste.

A saliva de Jesus é muito mais do que simplesmente um líquido transparente e insípido, segregado pelas glândulas salivares na base da língua que serve para fluidificar os alimentos, facilitar sua ingestão e digestão. A saliva de Jesus cura e liberta.

Associada aos alimentos, a saliva serve para uni-los e dissolvê-los, pode curar ou corromper, suavizar ou ofender. Ofender e insultar violentamente como quando cospe-se em alguém. Cuspir no rosto é um gesto grave em conseqüências, na tradição judaica. Quem cospe em alguém, não foi capaz de reter sua ira, seu ódio e transforma sua saliva luminosa em cuspe, em “não-luz”. Na Bíblia, cuspir no rosto de alguém é uma suprema vergonha, punida de lepra (Nm 12,14).

Falar de saliva é até certo ponto evocar a salivação que nos lembram sal e salvação. Elas falam do desejo de alimentação espiritual, de um saber que é sabor e sabedoria, de comer Deus, de alimentar-se do divino e saboreá-lo. A sabedoria leva a falar com sabor, com um sabor indestrutível como o do sal.

A saliva lembra a essência da purificação e da iluminação, o caminho terapêutico da intimidade com Deus, o banquete de núpcias, o encontro do Esposo com a esposa.

O tema da cegueira é bastante central na missão de Jesus. Não há dúvida que, entre as curas de Jesus, as mais relevantes devolveram a visão aos cegos. Na tradição judaica, abrir os olhos era a cura messiânica por excelência, o sinal para a identificação do verdadeiro messias, segundo a tradição profética. Ao apresentar-se na sinagoga de Nazaré, Jesus declara-se ungido – precisamente – para abrir os olhos aos cegos. Cristo vem abrir os olhos de todos para enxergarem o Invisível.

Como criaturas somos todos cegos de nascença. A matéria dela mesma não vê nada, não sabe nada. Nossa matéria só vê e sabe, se for tocada pela saliva e palavra de Jesus Cristo, pela fertilidade da água viva. Somos vitimados pelas mais diversas cegueiras. Não vemos sequer a maior das certezas, a realidade da morte fruto do pecado. E vivemos muitas vezes como se fossemos imortais. O mistério da vontade divina é o seu desejo de salvação para todos (Ef 1,9). Jesus vai em direção ao cego, sem distinção. E assim como na gênese do homem, Deus uniu sopro e saliva com o barro do terroso (Gn 2,7), assim Ele pega no barro e unta os olhos do cego. Os padres da Igreja já viam nesse barro feito por Jesus, um sinal da sua encarnação. Jesus usa e sacraliza a natureza, o pó da terra e a terapêutica saliva, para curar. E faz da cura física um sinal da cura espiritual.

Somos cegos e devemos aceitar nossa condição humana: não vemos a luz. Aceitar também, sem contestação, que o sopro e a palavra de Jesus que está por detrás da saliva habitem nosso pó, sinais da presença de Cristo, de nossa divinização e da fonte da nossa salvação. Jesus ao cuspir e passar a saliva nos olhos do homem, ao pôs a mão sobre ele e perguntar se ele via alguma coisa, nos convida a mergulharmos em nossa condição humana e suas racionalidades com uma nova consciência. Só n’Ele, por Ele e com Ele nós conseguimos enxergar o caminho que nos leva ao Pai.

Agora lavados com e pela salva de Jesus temos os nossos olhos abertos! Vemos, sabemos e conhecemos o que nos pode matar. E para tal já não podemos voltar para o povoado! Povoador quer dizer: voltar para a vida do pecado que gera a nossa morte e a dos nossos!
Fonte http://homilia.cancaonova.com/


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Homilia - 14.02.2017

O fermento estragado nos torna incrédulos à vontade de Deus
HOMILIA

Você sabe que o fermento é o que leveda e dá consistência à massa, se o fermento estiver estragado todo o pão vai ser estragado.

”Então Jesus os advertiu: ‘Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”’ (Mc 8, 15).




Meus queridos irmãos e irmãs, a Palavra que Deus hoje nos dirige é para tirarmos do nosso coração o fermento da maldade e o da incredulidade, que não nos deixam entender os sinais de Deus, a manifestação amorosa de Deus por nós.

Deixe-me dizer: Jesus já fez tantos sinais para Seus apóstolos. Quantos cegos, mudos, quantos aleijados, doentes e enfermos o Senhor curou. Quantas vezes o Senhor fez milagres, como o de multiplicar os pães, entre outros. Quantas vezes o Senhor manifestou o Seu poder, como na passagem da tempestade e em tantos lugares.

Se olharmos para a minha vida, para a sua vida e para a de cada um de nós, veremos os sinais do amor de Deus por nós. A não ser que nós sejamos incrédulos demais, a não ser que nós sejamos muito mal agradecidos, para não reconhecermos a mão poderosa de Deus em nossa vida.

É verdade que nós não temos bonança toda hora, é verdade que a vida de nenhum de nós é mil maravilhas. E ainda bem que não é assim, porque senão seríamos como crianças mal acostumadas! A pior criança, o pior filho, é aquele que tem tudo; tudo na mão, tudo pronto; ele não tem dificuldade e esforço nenhum na vida. E que mal acostumado vai ser esse filho! E Deus não nos quer filhos mal acostumados.

É impossível, mesmo para aquele mais sofredor, mesmo aquele que já nasceu sofrendo, ele não conseguir ver, quando ele tem os olhos puros, a bondade de Deus e a manifestação de Deus em sua vida.

Mas muitos dos fariseus não conseguiram de forma alguma enxergar a vontade de Deus; por isso Jesus está hoje nos dizendo para termos muito cuidado para não sermos contaminados por esse fermento. Porque você sabe que o fermento é o que leveda a massa, que dá consistência à massa, se o fermento estiver estragado todo o pão vai ser estragado. Se o fermento que está no meio de nós é um fermento azedo, é o fermento da ingratidão, é o fermento da murmuração contra Deus e contra a Sua Igreja e, assim por diante, deixe-me dizer: nós nos tornaremos cegos e incrédulos às manifestações de Deus em nossa vida.

Que o Senhor, hoje, pela Sua Palavra poderosa, que faz novas todas as coisas, purifique o nosso coração de todo fermento maldito, de todo fermento que entrou em nós e nos deixou pessoas azedas; pessoas que reclamam, murmuram e não sabem reconhecer a manifestação do Senhor no meio de nós.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
Fonte http://homilia.cancaonova.com/


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