terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Homilia Diária - 19.01.2023

 JESUS CURA OUTROS DOENTES Mc 3,7-12


HOMILIA


Jesus está no auge de sua popularidade. Ele está andando por toda parte fazendo o bem e curando a todos. Mas ao mesmo tempo, as forças hostis se levantam contra Ele para matá-Lo. Jesus, então, retira-se, porque ainda tinha muitas lições a ensinar aos discípulos e ao povo. E também porque ainda não era o Seu tempo de morrer.


Jesus não se retirou das multidões necessitadas que o seguiam por toda parte, mas dos inimigos. Esse episódio da perseguição leva Jesus a romper completamente com a sinagoga judaica. Após o confronto em Marcos 3,1-6, Jesus retira-se do judaísmo oficial, simbolizado pela sinagoga. Ele volta-se para as pessoas até chegar ao templo em Jerusalém e conduz seu ministério em lares e ao ar livre.


Embora rejeitado pelos líderes religiosos e políticos, as multidões vinham de toda a Palestina e também da Fenícia para serem curadas por Jesus. Algumas pessoas vieram do Sul: Judéia e Jerusalém. Outras vieram do Norte: Tiro e Sidom. Outras vieram do Leste: Dalém do Jordão ou do Oeste: Galiléia. Estradas empoeiradas, desertos e rios profundos não mantiveram aquelas pessoas longe de Cristo. Nenhuma dificuldade, nenhum obstáculo impediu aquelas multidões de virem a Cristo.


As pessoas do tempo de Jesus eram carentes e necessitadas e nós pertencemos a essa família. Elas se lançavam aos pés de Cristo, queriam tocá-Lo. Eles queriam ser pessoas curadas, inteiras, salvas. Imagine se elas pensassem: “Não, nós só iremos a Cristo quando nossa vida estiver certa. Vamos dar mais um tempo.” Se assim fosse, elas não precisariam de Cristo e Cristo não seria necessário para elas.


Deixe o cego vir enquanto é cego, deixe o paralítico vir mesmo se arrastando, o leproso vir coberto de sua lepra, pois as pessoas devem vir como estão. Assim como os médicos vieram para os doentes , Cristo veio para os pecadores. Venha como você está: endividado, desonesto, bêbado, drogado, impuro. É Jesus quem vai curá-lo, perdoá-lo e salvá-lo. Você não pode fazer nada para a sua salvação. Jesus o recebe como você está. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Cante: “Eu venho como estou, eu venho como estou, porque Jesus por mim morreu. Eu venho como estou”.


De todos os que vieram a Cristo nenhum foi mandado embora. Aliás, desde que o mundo começou, nenhum pecador chegou a Deus, nenhuma alma foi a Cristo sem ser recebida. Jesus disse: “O que vem a mim, jamais lançarei fora”. Jesus Cristo jamais quebrou sua promessa. Desafiamos o céu, a terra e o inferno para levantar uma prova sequer de uma pessoa que tenha vindo a Cristo com seu coração quebrantado e que tenha sido rejeitada por Ele. É Ele mesmo quem convida: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados”. “Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”


Todas as pessoas que vieram a Cristo foram atendidas por Cristo. Os enfermos foram curados, os possessos foram libertos, os perdidos foram encontrados, os que estavam em trevas viram a luz, os que estavam aflitos foram consolados e os que estavam sem esperança receberam uma nova razão para viver.


As pessoas vieram a Cristo não apenas para ouvir os seus ensinos, serem curadas e libertas. Elas se lançaram aos pés de Jesus, tocaram n’Ele e se derramaram diante d’Ele. Hoje, eu convido você e vir a Jesus. Só Ele pode curar, libertar, perdoar e salvar você.


Mateus 12,15-21, o texto paralelo, afirma que Jesus não esmaga a cana quebrada nem apaga a torcida que fumega. Jesus alivia as pessoas do fardo que as oprime. Ele não esmaga aquele que já está caído. Foi assim que Jesus fez com a mulher apanhada em flagrante adultério. Ele não a apedrejou, antes, perdoou-a, restaurando-lhe a dignidade da vida.


Cada pessoa tocada, curada e salva por Jesus era mais uma testemunha d’Ele.


Imagine que duzentas pessoas que foram curadas estavam no meio daquela multidão. Eram mais duzentas testemunhas de Jesus a falar sobre Seu poder. O círculo daqueles que eram salvos aumentava, o número daqueles que testemunhavam crescia. Cada nova pessoa curada e salva era uma voz a mais a chamar as outras a virem a Jesus.


Hoje, depois de dois mil anos, milhões e milhões de vidas já foram tocadas, curadas e transformadas por Jesus. Você não pode desculpar-se. Cada nova vida salva por Jesus é um forte argumento para você de que Ele é suficiente para ser o seu salvador. Oh! amigo, há uma nuvem de testemunhas ao seu redor proclamando para você que Jesus é o único salvador, a única esperança para a sua alma. Venha a Ele agora mesmo.


Jesus não apenas cura os enfermos, mas prioriza o ensino. Este anseio descontrolado por cura (3:8,10), principalmente ou exclusivamente por cura, Jesus corrige com sua atitude (1:37s, Jo 6:26). Ele não quer ser apenas um curandeiro, por isso cria espaço para o ensino da verdade (4:1). Esse barco usado por Jesus tinha duas finalidades: proteção e maior alcance. Jesus tem para você palavras de vida eterna que satisfazem a sua mente, aquietam o seu coração e lhe dão segurança eterna, porque:


a) O próprio nome de Jesus convida você. Seu nome é Jesus Cristo, que significa Salvador. Você é pecador, mas Ee é o Salvador. Você tem sede, mas Ele é a água da vida. Você tem fome, mas Ele é o pão da vida. Você está perdido, mas Ele é o caminho. Você está morto, mas Ele é a ressurreição e a vida.


b) O poder de Jesus encoraja você a vir a Ele. Jesus tem todo o poder no céu e na terra. Os astros O obedecem, o vento escuta a Sua voz, as ondas do mar se acalmam diante da Sua palavra, a doença atende a Sua ordem, os demônios se rendem à Sua autoridade, os inimigos prostram-se diante dos Seus pés. Ele tem poder para libertar e salvar você. Portanto, venha a Ele agora mesmo.


c) O amor de Jesus encoraja você a vir a Ele. Cristo ama você e importa-se com você. Ele foi à cruz por você. Suas mãos foram rasgadas, seus pés foram pregados na cruz e Ele foi transpassado no madeiro por amor a você. Ele o ama com amor eterno. Por isso, venha a Ele.


d) O banquete da salvação já está preparado para receber você. Deus já fez tudo. A mesa já está preparada. Os céus estão prontos para festejar sua volta para Deus. Os anjos se alegram com a sua salvação. A noiva de Cristo, a igreja: convida você: Venha! O Espírito do Deus eterno, diz a você: “Se você tem sede, venha e beba, de graça, da água da vida”.


O Evangelho é uma mensagem urgente: amanhã pode ser tarde. Hoje é o tempo de Deus. A Palavra que você está ouvindo é a voz de Jesus. Venha a Ele. Aquelas pessoas não ficaram esperando até Jesus ir às suas cidades, elas foram até Ele, pois tinham pressa. Elas se arrojavam aos Seus pés para o tocá-Lo.


Não deixe que alguma dificuldade impeça você de vir a Cristo: família, amigos, prazeres, dinheiro, preconceito.


Venha a Cristo sem demora. Somente Ele pode perdoar os seus pecados, preencher o vazio da sua alma e satisfazer os anseios do seu coração. Ele pode tirar o seu coração endurecido e dar-lhe um coração sensível. Ele pode abrir os seus olhos para que você veja a glória de Deus. Ele pode tirar você do poço profundo em que você se encontra. Ele pode dar a você um novo nome, um novo coração, uma nova mente, uma nova esperança, uma nova vida.


Jesus já tem transformado vidas que estavam na sua mesma condição. Ele é o mesmo sempre. Seus braços não estão encolhidos para que não possam salvar nem seus ouvidos surdos que não possam ouvir o seu clamor. Portanto, venha a Jesus. Toque-O pela fé e serás tu também curado, curada.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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Homilia Diária - 18.01.2023

 JESUS E O HOMEM DA MÃO ALEIJADA Mc 3,1-6


HOMILIA


Ao mencionar que “outra vez, Jesus entrou na sinagoga”, Marcos relaciona este episódio com o do homem possuído de um espírito impuro, na sinagoga de Cafarnaum. Quando Jesus liberta o homem, os demônios lhe perguntam se ele queria “destruí-los”. Agora, quando Jesus cura o homem da mão seca, são os fariseus e os herodianos que decidem “destruir” Jesus.


Jesus, com sua prática provocadora, mostra que o serviço à vida não pode ser barrado por preceitos legais que atentam contra a própria vida. Uma religião de rígidos preceitos se presta ao favorecimento dos privilégios e do poder de suas elites.


Hoje vemos as maiores potências do mundo, que acumulam poder financeiro e militar, promoverem a guerra, para o que buscam um respaldo religioso. Os povos colocam a sua esperança em uma ética mundial para salvar a humanidade do caos e da destruição. Qualquer ética, seja religiosa ou secular, terá como fundamento o compromisso com a justiça e a fraternidade, levando a ações práticas de promoção da vida para todos.


Um dos grandes feitos de Jesus aconteceu quando Ele estava na sinagoga e encontrou ali um homem que tinha uma de suas mãos atrofiada. O Senhor se encontrava diante de um desafio, não em relação à cura e sim por causa da religiosidade.


A religiosidade deixa profundas marcas de derrota e fracasso. O que aquele homem estava fazendo dentro da sinagoga? A sinagoga era o lugar de adoração. Provavelmente aquele homem estava lá porque fazia parte do grupo. Mas não havia experimentado um milagre em sua vida, porque estava vivendo a religiosidade.


Isto acontece nos dias de hoje. Quantos vivem a religiosidade… Vivem debaixo de um jugo terrível. Aceitam viver a derrota, simplesmente porque ainda não conheceram Aquele que era, que é e que há de vir. A atrofia na mão daquele homem, talvez tenha se agravado com o decorrer dos tempos. Talvez nascera assim. Era um quadro de conformismo. O que eu posso fazer se minha vida não muda? O que posso mais fazer se meu marido não se converte? Hoje Deus vai curar mãos atrofiadas! Hoje o Senhor vai restaurar mãos infrutíferas! Uma mão atrofiada não encontra força para segurar um objeto, operar um equipamento… Satanás quer fazer com que sua mão fique sempre atrofiada para que você nunca consiga agarrar o milagre, mas neste momento levante sua mão para o alto e receba um milagre de cura! Deus vai te curar de todas as suas atrofias espirituais e físicas!


Existem em nosso meio muita gente com suas habilidades atrofiadas, seus talentos enterrados e sem esperança alguma. Mãos paralisadas pela decepção, pelo medo, pela mágoa, pela falta de perdão. Mãos que não mais produzem porque satanás conseguiu convencer que sua mão não prospera. Mas Deus te fala neste momento que em tudo o que você colocar a sua mão o Senhor prosperará! Mãos atrofiadas pertencem a religiosos fariseus que nunca experimentaram o milagre da ressurreição.Hoje Deus vai curar mãos atrofiadas! Aleluia! Hoje Deus vai restaurar!


Aquele homem estava numa posição lateral, porque Jesus o chamou para o meio. Vir para o meio significa abandonar a apostasia, a incredulidade, a indecisão. Vir para o meio significa deixar a religiosidade, as impossibilidades, os dogmas, os preceitos humanos.


Três coisas importantes o Senhor manda fazer antes de curar-nos da atrofia:


LEVANTE-SE, VEM PARA O MEIO E ESTENDE A TUA MÃO


Não existe nenhum registro na Bíblia de que Jesus tivesse curado alguém sem antes mandar que se levantasse. Até a menina de 12 anos que havia morrido, filha do centurião recebeu uma ordem expressa de Jesus: TALITA CUMI (Menina a ti te digo: LEVANTA-TE) Outro episódio: O homem que estava há 38 anos deitado no tanque de Betesda, esperando que alguém pudesse ajudá-lo, ao encontrá-lo Jesus disse: LEVANTA-TE TOMA A TUA CAMA E ANDA!


Você precisa levantar neste momento! Deus não fará nada se você não se levantar. Levante-se agora em nome de Jesus. O teu passado não pode te condenar porque nenhuma condenação há para os que estão em Cristo! A atrofia espiritual vai ser destruída agora porque o Senhor está mandando: LEVANTA-TE.


Uma das coisas que não acompanharam o ministério de Jesus foi à timidez. Quando Jesus estava presente na sinagoga perceba que Ele se encontrava numa posição centralizada. Ele disse ao homem: VEM PARA O MEIO. Vir para o meio implica em você ter que deixar de lado a timidez, o desânimo, à preguiça… O milagre acontece quando você se apresenta diante do Trono! O Senhor está mandando você se levantar e vir para o meio! Aleluia! Saia agora mesmo da marginalidade espiritual e venha para o meio! Não se incomode com o que as pessoas vão dizer. Não perca a benção! Venha para o meio agora em nome de Jesus!


Você precisa mostrar sua deformação pra Jesus. Mostre sua mão atrofiada. Mostre pra Ele tua dor, teu sofrimento. Quando aquele homem estendeu sua mão, aconteceu algo: ELE FOI CURADO! Hoje você vai apresentar ao Senhor suas angústias, suas decepções, as situações de atrofia e o Senhor vai restaurar tua visão. Na restauração você verá que há muito tempo o milagre estava na sua mão. Aleluia. Satanás que te deixou atrofiado faz de tudo para você continuar assim, porque sabe que se você assumir a cura, ele terá que abandonar sua casa, seu marido, sua família… Aleluia, em nome de Jesus estende a tua mão atrofiada e receba a cura HOJE!


Deus quer que sua situação de atrofia seja mudada agora mesmo! Não importa como as pessoas verão isto! Só sei que elas verão.


Neste momento está acontecendo neste lugar uma movimentação de anjos que já entraram aqui com você! Hoje o milagre visitará sua casa, sua família, sua vida, seu casamento, seus filhos, seu trabalho e toda atrofia vai sair em nome de Jesus. Aquele homem que antes estava com a mão atrofiada havia recobrado todas as suas habilidades e isto significa que Ele receberia tudo em dobro, porque uma pessoa com determinada deficiência, precisa se habilitar dentro de suas limitações a fazer coisas, para poderem viver o máximo que puderem independentes. Quero dizer que hoje Deus devolverá suas habilidades, seus dons, seu ministério, sua prosperidade em dobro! Receba agora em nome de Jesus! Não se aflija mais! Levante-se, vem para o meio e estende a tua mão e ela ficará curada por Jesus, o Médico dos médicos!

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Homilia Diária - 17.01.2023

O FILHO DO HOMEM É SENHOR DO SÁBADO Mc 2,23-28


HOMILIA


Marcos inicia seu Evangelho com o anúncio de João Batista que vem “preparar o caminho” de Jesus. Agora, os discípulos de Jesus começam a “abrir caminho”. Marcos, na primeira parte de seu Evangelho, coloca a “casa” como o lugar de formação e convívio das comunidades envolvidas pelo ministério de Jesus. Na segunda parte, quando vai se encerrando o ministério ao redor da Galiléia, o destaque é o “caminho” para Jerusalém, onde se dará o confronto final com os chefes do Templo.


Ao longo do ministério na Galiléia e vizinhanças, fica caracterizado o confronto com os chefes das sinagogas locais pelas infrações às regras de pureza, pela observância sabática, pelo jejum e pelo convívio social, bem como pela promulgação do perdão dos pecados. Jesus, por sua prática, revela que a necessidade está acima da Lei.


O que Jesus e os discípulos estavam fazendo em Marcos 2,23 seria perfeitamente lícito aos olhos dos fariseus se não fosse realizado no sábado (Deuteronômio 23,25). A Tradição oral determinava minuciosamente o que podia e não podia ser feito aos sábados. Havia até uma lista de 39 verbos (trabalhos) que não podiam ser feitos naquele dia. Quatro destes verbos (colher, debulhar, limpar e preparar) eram descrições de que os discípulos estavam fazendo ao comer.


Jesus combateu a tradição judaica muitas vezes, especialmente as tradições com respeito ao sétimo dia. Há uma grande quantidade de situações onde Jesus entrou em choque com os judeus nesta questão (Mc 3,1-6; Lc 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-9; 16-17; 7,22; 9,1-14). A seita dos chamados essênios, por exemplo, proibia claramente que um homem tirasse de uma cisterna ou fosso um animal que ali tivesse caído (Documento de Damasco, 11.13-14). Jesus, e até mesmo a maioria dos judeus, achava isto um absurdo (Mt 12.11; Lc 14,5, também 13,15).


O Mestre citou o exemplo de Davi em 1Sm 21,1-6 para chamar atenção dos seus opositores ao fato que nem tudo pode ser resumido ou explicado pela tradição rabínica. Davi comeu os pães da proposição (Lv. 24,5-9) numa situação de perigo de vida e não foi punido por isto. De fato, este evento ocorreu num sábado, dia no qual os pães eram retirados do tabernáculo, substituídos por outros e disponibilizados aos sacerdotes para seu alimento. Tal fato não prova que os pães da proposição podiam ser comidos por qualquer um; pelo contrário, a exceção prova a regra. Quebrar a lei de Deus quando houver necessidade não é o que Jesus ensina aqui. O que fica provado é que o modo rígido e legalista dos fariseus de interpretar a Lei não explicava tudo (Mc. 2,25 – 26).


De fato, Davi só comeu os pães da proposição impunemente por ter Deus concedido a ele esta prerrogativa naquele momento. De uma forma similar, Jesus tem prerrogativas e autoridade superiores às da Tradição e da própria Lei judaica. Jesus está dizendo: “Se Davi teve autorização para quebrar o protocolo, muito mais o Senhor de Davi pode fazê-lo”.


Mateus ainda menciona o caso dos sacerdotes judaicos que trabalham no templo em pleno sábado (Mt 12,5-7). Se o serviço no templo exige a suspensão da lei do sábado para alguns, a obra de Jesus exige a suspensão da mesma lei, pois Jesus é maior que o templo (Mt 12,6). Se o templo era maior que o sábado e se Jesus era maior que o templo, certamente era maior que o sábado, um dos grandes preceitos da Lei.


Em tudo isto, pode-se notar também que há prioridades dentro das prescrições da Lei e que há momentos em que um princípio maior supera outras regras menores. A citação de Os 6,6 aponta nesta direção. O ritual não é maior que a fidelidade; a Palavra do Cristo era maior que o ritual do sábado.


O provérbio “O sábado foi estabelecido (feito) por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” é peculiar a Marcos, não sendo retomada por Mateus e Lucas. É difícil saber o motivo da omissão da frase nestes dois Evangelhos. O interesse pode ser simplesmente o de resumir Marcos, gerando espaço para introduzir outros materiais. Este é o costume de Mateus e Lucas. Outro motivo seria o de eliminar qualquer ambigüidade ou mau uso da frase nas comunidades receptoras das obras, embora seja muito questionável e difícil imaginar quais seriam estes maus usos do provérbio.


Mateus e Lucas, ao omitirem o provérbio que estamos estudando, colocaram toda a ênfase do episódio na frase: “O Filho do Homem é Senhor do sábado” (Mt. 12,8 e Lc. 6,5). Lucas, inclusive, por não mencionar (como faz Mateus) a questão do serviço do templo, faz com que o leitor seja claramente induzido a entender a comparação que Jesus fez de si mesmo com Davi. Observe que Jesus, como Davi, era o ungido de Deus, que agia sob orientação divina e por causa disto tinha grande autoridade.


“O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” é uma clara alusão à criação. Jesus usa o verbo na chamada voz passiva (‘foi feito’) para designar a ação de Deus. o Senhor criou o homem no sexto dia e estabeleceu o sétimo como dia de repouso.


A própria ordem da criação indica que o homem era o alvo do benefício do repouso sabático. Contudo, o modo rabínico de interpretar o Velho Pato afastava o mandamento das intenções originais de Deus. O sábado, que era para ser um dom, um presente e um dia de refrigério, acabou sendo um dia de castigo, de opressão e de tensão devido à grande carga de mandamentos associados com ele e dos inúmeros preceitos reguladores. Esqueceram a função do sábado e ficaram apenas com a sua forma externa.


Este método de recorrer às origens e à criação para resolver questões é característico de Jesus. Na questão do divórcio, narrada em Mc 10,2-12, enquanto todos buscavam alguma “interpretação” que permitisse o divórcio, Jesus buscava a intenção original do Criador na instituição do primeiro casal (Mc 12,6-9).


Jesus arremata a questão dizendo: “De sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (Mc. 2,28). No Evangelho de Marcos esta frase aparece como conclusão do texto, mas apresenta uma verdade que é anterior à argumentação. De fato, o ensino que Jesus é o Senhor do sábado e de tudo mais permite que ele diga como que o mandamento do sábado deve ser obedecido. A razão para aceitar o ensino de Jesus é o fato d’Ele ser o Filho do Homem. Seu ensino não tem validade apenas por sua lógica ou por sua veracidade, mas sobretudo por causa de sua autoridade. O modo de Jesus interpretar a questão é importante, pois a norma é Ele mesmo. A era messiânica já havia começado, e o conhecimento de quem era o Messias traria compreensão para saber cumprir a vontade de Deus.


Somos chamados a abrir caminhos, rompendo as cercas ideológicas ou materiais armadas pelo sistema de poder, para que o pão seja farto na mesa de todos.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Homilia Diária - 16.01.2023

JESUS E O JEJUM Mc 2,18-22


HOMILIA


Nesta narrativa de Marcos, o destaque é a questão do jejum, uma das principais observâncias religiosas dos fariseus, que é mencionado seis vezes neste texto. Jesus, com seus discípulos, infringia esta prescrição legal, bem como a observância do sábado, conforme os evangelhos registram com freqüência. Em vez de aderir à tradicional doutrina da Lei que com seus preceitos oprimia e excluída o povo pobre e humilde, Jesus vem para libertá-los de todo jugo, civil ou religioso, e comunicar-lhes esperança, felicidade e vida.


O texto de hoje relata a terceira duma série de controvérsias com vários grupos judaicos, iniciada em Mc 2,1. Talvez surpreendentemente, a discussão de hoje se deu não somente com os fariseus, mas com os discípulos de João Batista. Marcos fala disso porque os discípulos de João formavam uma comunidade que sobreviveu à morte do Batista, sem dúvida até o segundo século da nossa era (cf. Jo 3,25). O motivo foi porque os discípulos de Jesus não davam grande importância ao jejum – uma prática que, ao lado da oração e da esmola era muita cara às tradições religiosas dos judeus. Alias, práticas também que continuavam – e continuam – a ter muito sentido para os cristãos de então, e de hoje, se bem com ênfases e expressões diferentes. O Sermão da Montanha, no sexto capítulo de Mateus (Mt 6,1-18), nos dá as orientações de Jesus sobre essas práticas, para evitar que caiam no formalismo e no vazio de serem somente práticas externas que não tocam no coração da pessoa humana. Atualmente na Sexta-feira Santa por exemplo, lotam-se os restaurantes de Curitiba para comer bacalhau caríssimo, uma vez que comer um bifezinho é proibido! E assim se cumpre a lei na letra mas não no espírito.


Mas no trecho de hoje, Jesus não se concentra sobre o jejum como tal, mas sobre o simbolismo de jejuar ou não no contexto das bodas, ou casamento. A imagem de banquete de casamento tinha conotações messiânicas e a referência a Jesus como o noivo tem esse sentido. Com a vinda de Jesus , chegou a hora do casamento, ou seja dum novo relacionamento entre Deus e as pessoas. Mas também neste texto, bem no meio das controvérsias, se faz uma alusão clara à Cruz, ao destino de Jesus, pois “vão chegar dias em que o noivo será tirado do meio deles. Nesse dia, eles vão jejuar”. A fidelidade à vontade do Pai, na pregação da novidade da chegada do Reino de Deus, levará inevitavelmente à morte, pois o velho sistema politico-religioso é incapaz de adaptar-se à grande novidade da Boa Noticia trazida por Jesus.


Por isso, Marcos termina o texto colocando duas frases sobre a relação entre o velho e o novo – o pano remendado e os barris de vinho. A Boa Noticia, com as suas conseqüências sociais e religiosas, é como um pano novo que não pode remendar roupas velhas, e como barril novo que preserva vinho novo. Para acolher Jesus e o seu projeto, é necessário acabar com estruturas arcaicas de dominação e de discriminação. Quem procurar salvaguardar esquemas antiquados e injustos não vai conseguir vivenciar a Boa Noticia. Jesus veio exigir mudança radical, tanto no nível individual como social. Não veio “remendar” mas trazer algo novo – um novo relacionamento entre as pessoas, com Deus, consigo mesmos e com a criação.


A presença de Jesus entre seus discípulos e no mundo é motivo de alegria. É o próprio Deus da vida e do amor presente entre nós, dispensando as práticas cultuais que são feitas em busca de um deus oculto e distante.


Com as sentenças sobre remendo novo em roupa velha e vinho novo em odres velhos fica afirmada a novidade do movimento de Jesus, que se diferencia fundamentalmente da antiga prática religiosa legalista.


O desafio continua hoje – como é tentadora “remendar”- somente fazer algumas mudanças que não atingem o cerne das estruturas de exploração, nem a sua raiz na nossa própria pecaminosidade. Por isso, a sociedade hegemônica, taxando-se muitas vezes de “cristã”, sempre procura cooptar o Evangelho e a Igreja, para que não tenha que mudar. Quando a cooptação e o suborno sutil não funcionam, parte para a perseguição – por isso Marcos desde já aponta para a Cruz. A sociedade moderna, com a sua grande arma nos Meios de Comunicação Social, continua essa cooptação, disseminando uma religião “água com açúcar” de “panos quentes”, dando espaço para movimentos religiosos intimistas e alienantes, enquanto cala a voz dos profetas, ignorando-os ou até matando-os, como o sangue dos mártires da América Latina muito bem testemunha. O Evangelho de hoje nos desafia para que façamos as mudanças radicais necessárias para acolher a Boa-Nova, para sermos contraculturais, com Jesus . “Vinho novo deve ser colocado em odres novos” que são os nossos corações.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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Homilia Diária - 15.01.2023

 O CORDEIRO DE DEUS Jo 1,29-34


HOMILIA


O ministério de Jesus tem início a partir do seu batismo por João Batista. O evangelho de Marcos se inicia com as narrativas sobre João Batista. Os evangelhos de Mateus e Lucas inserem, antes das narrativas do batismo de João Batista, as narrativas de infância de Jesus. Já o evangelho de João, o mais tardio, escrito provavelmente na década de 90, começa com o Prólogo do Verbo encarnado, para, em seguida, passar às narrativas sobre João Batista. Neste Prólogo, o nome de João (Baptista) já é mencionado como “um homem enviado por Deus”, que “veio como testemunha para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele” (Jo 1,6-8). Quando se iniciam as narrativas sobre João Baptista, Jesus é mencionado, sem maiores apresentações: “No dia seguinte, João viu que Jesus vinha ao seu encontro…”. Cabe ao leitor entender que este Jesus é o Verbo que se fez carne, anunciado no Prólogo. João evangelista não se preocupa com a origem humana de Jesus, mas sim com sua origem divina.


Um dos fatos mais impressionantes sobre o Cordeiro do Apocalipse é que ele é um guerreiro vitorioso. Apesar da imagem comum de cordeiros como animais mansos e inofensivos, o Cordeiro de Deus é um forte vencedor, garantindo a vitória dos fiéis que estejam com ele (17:14). Por outro lado, aqueles que rejeitam o Cordeiro são punidos diante dele (14:10). No final do livro, os discípulos são chamados às bodas do Cordeiro, quando ele recebe sua noiva (19:7-9; 21:9). O Cordeiro se torna a lâmpada que ilumina a cidade santa. Eis o Cordeiro de Deus!


A expressão pode ter um sentido simbólico relativo aos cordeiros que eram sacrificados em oferta pela remissão dos pecados do povo diante dos sacerdotes do Templo. O próprio Jesus, que dedicou sua vida na libertação dos oprimidos, foi sacrificado pela iniciativa dos chefes religiosos do Templo de Jerusalém. A tradição da Igreja associou também o “Cordeiro de Deus”, sacrificado para a salvação do povo, com o Servo Sofredor do livro de Isaías, que, por seus sofrimentos, traria a salvação a muitos.


O Espírito que desce do céu e permanece sobre Jesus, no qual podemos ver uma alusão a um texto de Isaías (61,1), dá a Jesus o caráter do profeta que anuncia e promove a libertação dos oprimidos. Exprime também a confirmação do homem Jesus como assumido na natureza divina. A encarnação do Verbo não é apenas o assumir a natureza humana individualizada em Jesus, mas é ato em que Deus assume a condição humana em toda sua extensão, em todos seus valores, em seus sonhos, projetos e realizações, em tudo aquilo que é justo, bom e verdadeiro.


João Batista, cuja missão era preparar o caminho até Cristo, identificou a Jesus como o Cordeiro de Deus por orientação divina:  “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse:  Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!  É este a favor de quem eu disse:  após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim.  E João testemunhou, dizendo:  Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele.  Eu não o conhecia; aquele, porém que me eviou a batizar com água me disse:  Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.  Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus.  No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse:  Eis o Cordeiro de Deus!” (João 1:29-36).


Através dos séculos, o cordeiro tem chamado a atenção por sua natureza mansa.  Em seu espírito de humildade, Jesus personifica o cordeiro.  Vinte e oito vezes no livro de Apocalipse, João usa a palavra que descreve Jesus como cordeirinho.  Se tivesse ficado com desejo de vingança, poderia ter mandado descer 12 legiões de anjos para destruírem seus inimigos (Mateus 26:53).  Mas “ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:23).


O cordeiro, notado pela mansidão, tipifica também a pureza.  O cordeiro oferecido em sacrifício não podia ter mancha nem defeito.  Quando Deus deu instruções referente à primeira Páscoa, a instrução foi:  “O cordeiro será sem defeito” (Êxodo 12:5).  Cristo, “o Cordeiro de Deus”, personifica maravilhosamente essa qualidade.  Pedro escreveu sobre o Cristo sem mácula S “Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1:18-19).


A vida mansa e pura de Cristo nos leva à sua terceira semelhança com o cordeiro.  O cordeiro nascia para passar pela morte sacrificial, sendo o primeiro animal identificado com o sacrifício.  Abel ofereceu as primícias do rebanho (Gênesis 4:2-4).  O jovem Isaque disse ao pai Abraão: “Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gênesis 22:7).  Sob a lei de Moisés, ofereciam-se cordeiros diariamente, e em muitas ocasiões especiais também (Números 28, 29).  E, ainda assim, os animais, mesmo quando ofertados pelos mais consagrados, não podiam limpar o pecado.  “Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hebreus 10:4).


Na plenitude dos tempos, Deus providenciou um sacrifício melhor, sem mancha, sem defeito.  Os que cravaram esse cordeiro na cruz e lançaram a lança em seu lado não perceberam que estavam liberando o sangue que poderia limpar todo homem do pecado. “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”


Deus, em sua infinita sabedoria, tornou possível que tivéssemos acesso ao sangue do Cordeiro, precioso e capaz de expiar pecados, voltando-nos para a cruz, para a sua morte e para a fonte redentora ininterrupta.  “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte” (Romanos 6:3).


Na terra, o homem submeteu o Cordeiro à morte agonizante da cruz.  Gloriando-se de sua crueldade triunfante, “assentados ali, o guardavam” (Mateus 27:36).  No céu, onde predominam a verdade e a justiça, aclama-se a glória do Cordeiro.


“Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando em grande voz:  Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (Apocalipse 5:11-12).


Aquele que foi desprezado pelas criaturas terrenas e adorado e louvado pelas celestes.  Aquele que foi visto pelas criaturas da terra como indigno da vida na terra, é visto pelas criaturas celestiais como o vencedor, o “Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Apocalipse 17:14).


Mas chegará o dia inevitável em que a graça de Deus dará lugar à justiça, quando os inimigos do Cordeiro clamarão para os montes e para as pedras:  “Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o Grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se” (Apocalipse 6:16-17).  O mesmo livro que identifica Cristo como o Cordeiro, também o identifica como o Leão (Apocalipse 5:5-6).


As advertências foram muitas.  “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4).  “Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).  Há uma diferença eterna entre:  “Vinde, benditos de meu Pai!” e:  “Apartai-vos de mim, malditos” (Mateus 25:34,41).


Nesta era, em que ainda persiste a graça, a sabedoria clama a todos os filhos de Adão para que vejam a Cristo e o adorem, como fez João: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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Homilia Diária - 14.01.2023

 Reconheçamos os nossos pecados


HOMILIA


“Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores” (Marcos 2,17).


Assim como é uma graça reconhecermos que somos pecadores, é importante que esse reconhecimento seja autêntico e verdadeiro, saber que o pecado está em nós. É muito importante também reconhecer que somos doentes, ainda que a nossa meta seja a santidade, ainda que a nossa meta seja sermos pessoas sadias.


Não seremos sadios nem santos, se não olharmos para a nossa condição do jeito que ela é. A nossa condição de pecador está aí, os nossos pecados estão à nossa frente; e não iremos vencer e combater nenhum pecado se não o reconhecermos.


Às vezes, fazemos vista grossa ao pecado, nós ignoramos ou nos conformamos com ele. E mais do que isso, você pode dizer: “Não cometo aqueles pecados que os outros cometem”, e entramos numa medida comparativa quando, na verdade, precisamos conhecer a nós mesmos, reconhecermos a nossa própria condição, reconhecermos que o pecado está à nossa frente.


Só aquilo que é reconhecido que pode ser tratado, só aquilo que é assumido que pode ser curado e liberto. Se me reconheço como pecador e reconheço o meu pecado, a graça de Deus já está para me libertar, me perdoar, me ajudar a vencer a força que o pecado exerce em mim. Mas se já me considero justo, se considero que meus pecados são pequenos, insignificantes e não têm importância alguma, eles começam a fazer parte de mim, se incorporam a minha vida e não saem porque não dou a devida importância a eles.


Os nossos pecados estão à nossa frente; e não iremos vencer e combater nenhum pecado, se não o reconhecermos

Com a nossa saúde é do mesmo jeito, infelizmente, muitas pessoas deixam para se reconhecerem doentes quando estão num grau elevado de enfermidade, quando a enfermidade já representa uma ameaça à vida da pessoa. Precisamos reconhecer as fragilidades em nossa saúde e comecemos pelas nossas fragilidades emocionais que são tantas.


Como somos frágeis, emocionalmente falando, e como nós precisamos de médico, de cuidado, precisamos dar atenção à nossa saúde como ninguém! Às vezes, olhamo-nos fisicamente no espelho e nos achamos aquela pessoa forte e bonita, nós nos enganos e nos iludimos e não olhamos que, por trás de tudo isso, há verdadeiras fragilidades, sobretudo emocionais, que precisam ser cuidadas e tratadas.


Cada um de nós, a começar por mim, como preciso ser cuidado, como preciso realmente cuidar da minha saúde física, emocional, psíquica, espiritual e psicológica. Se me reconheço doente e pecador, Deus está aqui para cuidar de mim, mas o primeiro passo para a cura é reconhecer a minha enfermidade; o primeiro passo para a graça da santificação é me reconhecer pecador.


Deus abençoe você!


Fonte Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. 

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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Homilia Diária - 13.01.2023

 OS TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS, VAI EM PAZ Mc 2,1-12


HOMILIA


Jesus está em casa, e novamente uma multidão lhe cerca. Multidão é o mundo que nos cerca hoje, com suas filosofias. Dentre ela estão aqueles que querem apenas ouvir, outros que querem ouvir para refutar, gente que está ali porque todo mundo também está. Enfim, existem pessoas que buscam Jesus pelos mais variados motivos.


Independente dos motivos, Jesus simplesmente os recebe, com sua simplicidade esmagadora, e apenas fala sobre o Reino de Deus. O que é o Reino de Deus pra Jesus senão o momento onde todos são incluídos, com suas diferenças, em uma só comunidade de aceitação. Jesus fala sempre de um Reino onde não há maior, menor, ou melhor, pois nele somos apenas um.


Naquele momento havia pessoas dos mais diferentes níveis, e que se viam diferentes uns dos outros. Em todo momento Jesus prega sobre um Reino onde todos são incluídos, e isso para pessoas que não se enxergavam como iguais.


Então entra o miserável paralítico. Seus amigos, que pelo simples fato de serem amigos de um doente já mostravam que não se viam melhores ou piores que o pobre paralítico. Apenas o levaram movidos por essa fé.


Mas não bastava apenas levar até a casa de Jesus, pois a casa estava cheia e o paralítico não podia entrar, assim como ele não podia ir ao templo, pois naquele “lugar santo” não havia espaço para sua “deficiência pecadora”.


Mas eles foram ousados. Não desistiram, acreditavam que Jesus era diferente, porque a mensagem dele era diferente, e aquele “pobre paralítico” tinha que ouvi-la. – “Então vamos fazer o impossível para que ele possa ouvir, pois esse Jesus é inigualável. A única saída é pelo teto, vamos correr o risco, pois esse Jesus é inigualável”.


Então esses homens passam o paralítico por uma brecha no telhado da casa de Jesus. Essa é a atitude de fé de quem entende que Jesus é único, inigualável e que aquele era um momento único na vida deles, principalmente na vida do paralítico.


Você queria motivo maior do que esse para que Jesus se admirasse da fé deles? A fé que faz com que Jesus se admire não é a fé no milagre da cura, mas a fé no milagre do Reino, a fé no milagre de que, no Reino, eu posso me aproximar com ousadia na presença de Deus sem intermediários. A fé que causa “espanto” em Cristo é a fé daqueles que entendem que a mensagem do Reino é inigualável, e quebra com todas as barreiras que separam. A fé que move a mão de Jesus é a fé de que no Reino todos são realmente próximos uns dos outros.


Por mais que naquele momento eles desejassem ver o amigo deles curado, a fé deles já os havia curado, pois eles entenderam a importância da mensagem do Reino. E então se preocupavam com a saúde, o bem estar de todos. Qual é a tua atitude ante aqueles que estão no pecado? De julgar e condenar? Ou de levar para Jesus afim de que Ele os cure e lhe perdoe os pecados?


A insistência sobre o tema do perdão dos pecados chama a atenção, na cena da cura do homem paralítico. Assim que Jesus o vê descer através de um buraco aberto no teto, declara que seus pecados estão perdoados. Esta declaração provoca alguns escribas que estavam por perto. Para eles, a palavra do Mestre soava como uma verdadeira usurpação de algo reservado exclusivamente a Deus. Portanto, Jesus era um blasfemo! A maneira como ele rebate a maledicência dos escribas é significativa: cura o paralítico para provar que “o Filho do Homem tem, na Terra, o poder de perdoar os pecados”. O gesto poderoso de cura parece insignificante diante do poder maior de perdoar os pecados. E Jesus, de certo modo, parece sentir-se mais feliz por perdoar os pecados do que por curar. Por quê?


O perdão dos pecados tem, também, uma função terapêutica. Trata-se da cura do ser humano na dimensão mais profunda de sua existência, ali onde acontece seu relacionamento com Deus. Sendo esta dimensão invisível aos olhos, as pessoas tendem a se preocupar mais com as dimensões aparentes de sua vida, buscando a cura quando algo não está bem no âmbito corporal. Jesus vê além, preocupando-se por libertar quem pena sob o peso do pecado, mais do que sob o peso da doença. O primeiro é muito mais grave. Permanecer no pecado significa viver afastado de Deus e correr o risco de ser condenado. Este é o motivo por que o Mestre, antes de qualquer coisa, quer ver o ser humano liberto de seus pecados.


Para os que diferenciam entre santos e pecadores, a atitude de Jesus no Evangelho de hoje era uma blasfêmia, já que aquele Jesus era um homem, e como homem não podia perdoar ninguém. – “Deus não pode aceitar esse paralítico de forma tão simples assim, isso é blasfêmia!”, pensavam os raivosos donos do poder religioso.


Todavia, na ótica do Jesus e na ótica do reino, nada havia sido tão simples assim, a aceitação de Deus vem da cura do coração, do arrependimento daqueles homens demonstrado pela fé nos princípios do Reino pregado por Jesus. A cura do arrependimento é mais séria e mais difícil que a cura do corpo.


Fazer o paralítico andar foi um sinal não para o paralítico, mas para todos nós que ainda não enxergamos a realidade do Reino. A cura física do paralítico era a representação terrena, carnal, física, daquilo que Deus, através da Sua palavra, haveria de fazer naqueles que com fé, esperança e confiança acreditam no Seu Filho muito amado.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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