quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Homilia Diária - 10.12.2022

ELIAS JÁ VEIO OU NÃO? Mt 17,10-13


HOMILIA


Elias já veio ou não?


Os discípulos, fracos e sedentos da verdade, querem ser bem informados de toda a doutrina obscura que diz respeito ao Mestre. Afinal, Elias já veio ou não? Apesar de tudo o que tinham visto, eles queriam tirar dúvidas e ter esclarecimento. A justificativa é simples: o diálogo entre os discípulos e Jesus se dá ao descerem a montanha, após a transfiguração dEste. Na transfiguração, Pedro, João e Tiago viram três homens: Moisés, Elias que falavam com Jesus sobre o Reino. Diante disso, ficam confusos quando se deparam com as passagens da Lei.


Agora, os discípulos querem ser esclarecidos sobre a vinda de Elias como precursor do Messias, conforme a doutrina que receberam dos escribas. Esta doutrina tradicional fundamenta-se no apêndice final do livro de Malaquias (Ml 3,23-24), segundo a qual Elias “fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais…”. Seria o estabelecimento da paz escatológica. Os escribas associavam Elias com o messias davídico glorioso que esperavam. Ante esta preocupação dos discípulos, Jesus retifica esta falsa expectativa.


E ao preparar seus seguidores para a missão que os espera, quer convencê-los de que Ele é, deveras, o Messias que esperavam. Os profetas falaram d’Ele e suas obras o atestam com extrema clareza “Não acreditais nas minhas palavras, acreditai apenas nas minhas obras, pois são elas que dão testemunho de mim”. Elias já veio na pessoa de João Batista, mas as elites religiosas do Templo, em parceria com Herodes, o ignoraram e o assassinaram. Este também será o futuro do Filho do Homem, como se autodenomina Jesus. Identificando-se com João em seus maus-tratos e sofrimentos, Jesus distingue-se do messias poderoso e glorioso. Essa previsão do sofrimento decorre do fato de que o poder opressor não admite nada que ameace sua estabilidade e reage com violência, empenhando-se na destruição daqueles que, colocando-se a serviço da vida, dedicam-se à libertação dos pobres e oprimidos. Por isso, não nos devemos escandalizar quando tais coisas acontecerem conosco.


O cristão é testemunha de Cristo, é aquele que O torna vivo no mundo de hoje, aquele que julga as coisas mundanas e os acontecimentos da vida, como Cristo os julga. Se o Filho do Homem se insere na linha dos profetas sofredores, o discípulo, por sua vez, põe-se em seguimento a Ele. Não é maior que o seu mestre e deve ser, portanto, a testemunha de uma glória que passa pelo sofrimento e transpõe a soleira da morte. Como poderia ser de outra forma, desde o momento em que aceita tomar parte em uma Eucaristia?


Quem comemora a Paixão e a ressurreição do Senhor? Jesus, convencendo os seus discípulos de que Elias já veio e os grandes não o reconheceram como o Messias esperado para salvar o mundo dos pecados, quer preparar-nos para a Missão. Esta deverá acarretar consigo sofrimentos, perseguições e até o próprio martírio. É urgente que, corajosos e firmes na fé, O tornemos conhecido e O levemos a todos os nossos irmãos e irmãos que ainda não O reconheceram como seu Salvador.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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Homilia Diária - 09.12.2022

 GERAÇÃO MÁ E INÍQUA Mt 11,16-19


HOMILIA


Depois de Jesus ter exaltado a pessoa de João Batista, agora Ele se volta para a multidão e lhes dirige uma pequena e rústica parábola das crianças nas praças. O Senhor reconhecia em João Batista um profeta que abria novos caminhos em face da rígida e opressora religião do Templo de Jerusalém e das sinagogas. Jesus se fez discípulo de João, recebendo seu batismo e, depois, Ele próprio, inicia seu ministério com o mesmo anúncio do Batista: “Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Na elementar parábola narrada por Jesus, um grupo de crianças tenta se comunicar com outro grupo, com brincadeiras de alegria ou tristeza, porém, o outro grupo os rejeita. Então, o próprio Jesus passa a explicá-la.


João Batista fez seu anúncio da conversão, de maneira austera, nas regiões desérticas do Jordão, e foi acusado de “ter um demônio”. Jesus, por sua vez, anunciando a chegada do Reino dos Céus de maneira simples e comum, no meio do povo, comendo com os pecadores e publicanos, é chamado de “comilão e beberrão”. Os chefes religiosos, que veem em João e em Jesus uma ameaça ao seu poder, procuram difamá-los diante do povo. Porém, o povo, excluído e oprimido, reconhece a sabedoria da mensagem de Jesus e a recebe com alegria e esperança.


Mas que gente difícil aquela, a quem Jesus fora enviado! Eles haviam recusado a sabedoria de Deus, que primeiro se apresentara no ascetismo de João e depois a condescendência de Jesus para com os pecadores e excluídos do seu tempo. Corremos o risco de dizer isto para os do tempo de Jesus. Não será que Jesus nos está dirigindo também a mesmíssima mensagem?


Vivemos tempos muito fortes em críticas, muitas vezes, infundadas; sem pés nem cabeça. E, como ontem, Jesus continua insistentemente dizendo: “Com quem vou comparar esta geração?” Ele se apresentou aos homens com uma nova mensagem: mensagem do amor, da paz, da justiça, da partilha, da solidariedade, da reconciliação e, sobretudo da misericórdia. Mas não foi compreendido e acolhido.


Só os simples, os humildes, os disponíveis, os amigos da verdade a Ele aderiram, reconhecendo n’Ele o ponto de chegada de toda a Lei e os Profetas. Os outros, principalmente os chefes do povo, puseram-se contra Ele e O rejeitaram. Todavia, por ser forte, soube compreender os fracos e os reerguer, dando-lhes uma nova dignidade de viver entre os irmãos. Se, enquanto fracos, condenavam os outros, agora, fortalecidos por Cristo e com Cristo, eles devem perdoar para que permaneçam sempre fortes. Já que os fracos condenam e os fortes perdoam.


Peçamos a Jesus que nos ensine a perdoar para sermos a geração dos fortes, a fim de suportarmos as fraquezas dos mais débeis como nos ensina São Paulo. E que São João da Cruz, cuja memória celebramos no dia de hoje, ajude-nos e interceda por nós para que saibamos suportar os sofrimentos e, neles, descubramos o mistério da cruz de Cristo, que é a fonte da nossa Salvação.

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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Homilia Diária - 08.12.2022

 EIS QUE A VIRGEM CONCEBERÁ Lc 1,26-38


HOMILIA


Lucas mostra, no texto da anunciação do anjo à Maria, o cumprimento da promessa feita por Deus a David. Além disso, com referência a Jacob, pretende-se ver em Jesus a realização de todas as promessas.


Mateus recorda-se de que Jesus está na linha davídica através de José, ao passo que, no diálogo entre Maria e o anjo, descobre-se o cumprimento pleno da profecia de Isaías: “Uma virgem, permanecendo intacta, dará à luz um filho” (7,14). A realização das promessas em Jesus Cristo é obra exclusiva de Deus, e não do homem.


A resposta pronta de Maria, “Eis a serva do Senhor”, revela a humildade da criatura humana diante da onipotência de Deus. É o humilde reconhecimento da verdade, da distância entre Criador e criatura, da vontade determinante que exige e cria em soberana liberdade e a vontade de uma pessoa humana, cuja liberdade consiste aqui em adaptar-se à santa vontade de Deus, para tudo conduzir na direção do Senhor.


Com o “Faça-se em mim”, Maria dá a resposta única e final no projeto divino-humano para que os projetos dos homens se tornem divinizados. Esta frase de Maria é, ao mesmo tempo, disposição passiva e adesão ativa. Dá-se, neste instante, a adesão singela e pura à vontade de Deus claramente conhecida. Exatamente nesta evidência é que está a grandeza. O que é determinante para Maria não é o seu próprio desejo, sua própria vontade, mas a Palavra de Deus. Como seria bom se todos nós cooperássemos com Ele neste projeto de fazer da vontade de Deus a nossa vontade, dos projetos d’Ele, os nossos projetos.


Acolhamos o convite de fazermos tudo para que o Senhor opere em nós o que quiser, afim de que cumpramos a vontade d’Ele todos os dias da nossa vida.


Peçamos: “Senhor, fazei conhecer os seus projetos sobre nós, porque queremos ser fiéis à sua vontade”.

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Homilia Diária - 07.12.2022

 UM CONVITE DE JESUS Mt 11,28-30


HOMILIA

Hoje o Senhor claramente nos convida a irmos a Ele: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos… E eu pergunto quantos de nós temos nos cansado durante o nosso dia a dia, pelas circunstâncias, seja uma insatisfação pessoal no trabalho, sejam as coisas que acontecem que não saem da forma como desejamos, ou seja, até mesmo o jeito como nós tratamos a quem amamos que, por muitas vezes, nem é o modo como queremos tratar, mas pela falta de paciência, pelo cansaço físico, mental ou espiritual nos deixamos levar pelas nossas fraquezas e não fazemos o bem que desejamos.

Hoje Jesus nos convida porque conhece o nosso coração e sabe que só n’Ele teremos descanso, pois Ele mesmo justifica isso quando diz: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendeis de mim, porque sou manso e humilde de coração. Pois o meu jugo é suave e meu fardo é leve.”

Jesus não nos convida até Ele para nos condenar, mas nos convida para tirar de nós tudo que não nos faz bem, inclusive nosso sentimento de culpa em relação aos nossos pecados e fraquezas. Ele anseia e deseja muito que O busquemos para nos dar o descanso necessário para uma boa caminhada.

Não importa se estás passando por esta crise, pensando que ninguém se importa, que ninguém se preocupa, o que eu quero dizer-te são Palavras do Mestre: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados de carregar as vossas pesadas cargas, e eu vos darei descanso.” Neste texto Jesus demonstra o seu amor para contigo. Ele se importa contigo e por isso te chama. Faz-te um convite. E este é para os que têm problemas, para os cansados e os oprimidos; os que estão com cargas tão pesadas e tão grandes que não dão conta de carregar sozinhos; os que perderam a esperança até mesmo para esperar; os que estão feridos e com traumas profundos; os que não têm mais caminho para caminhar; os que perderam o rumo da vida, para os que perderam a direção.

O convite é para ti que estás com o coração quebrado, arrebentado, porque há reabilitação, há cura; é para ti que desperdiçaste a tua vida no mal, pois ainda há possibilidade para fazer o bem; para ti que já não tens mais perspectiva na vida, expectativa de um novo começo; para ti que te sentes desesperado, desprezado; para ti que te sentes doente, perdido na vida; para ti que estás longe, e morto em delitos e pecados.

Talvez tu digas: “Minha vida não tem jeito, porque o pau que nasce torto, cresce torto e morre torto”. Mas te digo: Tem sim! Porque o pau que nasce torto, só é torto antes de chegar nas mãos do carpinteiro de Nazaré. Depois de passar pelas Suas mãos, sai um móvel precioso, raríssimo de encontrar! Ele te oferece uma nova oportunidade. Jesus é o Deus do impossível, é o Deus capaz de fazer: do vilão, um herói; do bandido, um santo; do perseguidor, um defensor do Evangelho.

Com as palavras “vinde a Mim”, Jesus nos chama a confiar n’Ele, a crer. Porque ninguém pode ir, e seguir, sem crer, sem confiar nele.

Ele te chama para que tu tomes sobre ti o jugo d’Ele: tomai sobre vós o meu jugo. Jesus não te engana. Ele não prometeu só mar de rosa, porque aqui o jugo quer dizer que tudo aquilo que Jesus passou tu terás de passar. Assim como Ele foi perseguido, sofreu, foi maltratado, caluniado, zombado, odiado, abandonado entre ladrões e morto na Cruz mas que três dias depois ressuscitou, assim também tu terás de passar pela mesma situação. Aliás, ao discípulo basta ser igual ao mestre. Se a Mim trataram assim, a vós também, disse o Senhor. Mas não tenhais medo. Eu venci o mundo!

Precisamos aprender d’Ele: e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. Chama-nos ao discipulado d’Ele, a sermos seus alunos. Ele quer que eu e você sejamos seus imitadores. Ele passará a ser o nosso modelo. Tu precisarás conhecer mais e mais o teu Senhor, as coisas d’Ele, até chegar ao pleno conhecimento. Mas isso só será possível se estiveres perto d’Ele. É por isso que também nos chama para estarmos perto d’Ele, junto d’Ele, para ter comunhão e intimidade com Ele. É urgente que tu contes tudo para Deus. Ele te dá este privilégio de abrir o peito, a alma, e o coração. E então: achareis descanso para as vossas almas.

Hoje Jesus quero Te louvar pelo meu trabalho, que tem me tirado muito dos nossos momentos de intimidade. Isso, na verdade, tem me feito valorizar cada minutinho que posso beber da graça que é ter Tua presença. Dá-me a graça de, durante todo o meu dia, conseguir parar, para escutar e discernir a Tua vontade para as minhas atitudes do dia. Dá-me a graça de ser manso e humilde assim como Tu és, Senhor.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

domingo, 4 de dezembro de 2022

Homilia Diária - 06.12.2022

 A OVELHA PERDIDA Mt 18,12-14


HOMILIA


Alegria do reencontro. Quem tem fé espera com alegria a vinda do Senhor. Nada poderá nos arrancar a alegria que brota da fé esperançosa n’Aquele que vem ao nosso encontro para nos resgatar das garras do encardido.


Mateus, no capítulo 18, reúne uma série de textos, sob a forma de sentenças e parábolas, com a finalidade de orientar as novas comunidades, que estão na origem da Igreja, para um convívio fraterno, pacífico, misericordioso e acolhedor. A Palavra de hoje integra este conjunto de textos e pode ser encontrada também no Evangelho de Lucas.


Porém, no contexto de Lucas, a parábola é dirigida aos fariseus e escribas que censuravam Jesus por receber e comer com os considerados pecadores. A ovelha perdida, e depois reencontrada com alegria e reintegrada no rebanho, exprime a missão de Jesus em acolher e restaurar o convívio comunitário daqueles excluídos e julgados pecadores pelo sistema religioso e social. Já aqui, no Evangelho de Mateus, a parábola é aplicada no sentido de acentuar que Deus não deseja a exclusão de ninguém da comunidade. Nele, vemos também o rosto do verdadeiro Deus, que é Pai e se alegra quando reúne junto d’Ele todos os filhos dispersos pelo mundo contra ou não à sua vontade?


A ovelha extraviada é um “pequeno”, algum membro da comunidade que se desviou e excluiu Deus da sua vida, ou abandonou a comunidade a qual pertence. Eu, você e a comunidade, em geral, somos convidados a apoiar qualquer irmão em crise. O que nos impele a proceder desta forma para com o irmão e a irmã que se extraviou é que o nosso Pai, que está nos céus, não deseja e nem quer a morte do pecador, mas que se converta e viva.


Deixe-se encontrar pelo Bom Pastor, com Ele você terá a vida em abundância. Não diga que tudo está perdido, que a sua vida já não tem solução. Deus está procurando por você, basta só se deixar amar por Ele e conhecerá o sentido e o sabor da sua vida.


Aliás, o plano de Deus é que todos os homens conheçam a verdade e, conhecendo-a, possam salvar-se. Portanto, para Jesus, quando a ovelha é reencontrada e reconduzida ao rebanho, a alegria que o dono sente é menor do que a de Deus ao ver o seu filho que estava perdida e foi encontrada, estava morta e agora vive.


O texto de hoje tem como escopo fundamental a alegria por encontrar a ovelha perdida, muito maior do que aquela pelas que estão juntas e presentes. É urgente o anúncio ardoroso e a dedicação ao Evangelho nos nossos dias, para que possamos descobrir e encontrar quem está à margem da comunidade e do Reino. Pois ela é o lugar da acolhida, do serviço, da valorização recíproca e do perdão com Deus e com os irmãos. Que o Tempo do Advento seja propício para mim e para você, no fervor evangélico.

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sábado, 3 de dezembro de 2022

Homilia Diária - 05.12.2022

 JESUS CURA UM PARALÍTICO Lc 5,17-26


HOMILIA


Jesus, achava-se um dia numa reunião com os escribas e fariseus em uma casa e, de repente, algo incrível começa a acontecer: ali, várias pessoas trouxeram um paralítico em cima de uma maca, para que Jesus o curasse. Não havendo condições de entrarem no recinto por estar completamente lotado, não existindo outra maneira para cumprirem a sua missão, os quatro homens, decididamente, subiram a maca para cima do telhado e, tirando as telhas, abriram um vão e passaram a maca, amarrada em cordas, descendo o paralítico à frente de Jesus dentro da casa. Jesus sensibilizou-se e foi dizendo ao homem: “Meu amigo, os teus pecados estão perdoados”. Os fariseus e escribas começaram a pensar: “Quem é este homem que profere tais blasfêmias?”. E Jesus, lendo os seus pensamentos lhes disse: “O que é mais fácil dizer, os teus pecados estão perdoados ou… Levanta-te e anda? Para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, disse para o paralítico: ‘Levanta-te, pega a tua maca e vai para a tua casa’ “. Imaginemos o que aconteceu, quando o povo viu o paralítico, que vivia há 40 anos numa cama, passar carregando a sua maca nas costas e, gritando sem parar, bendizendo ao Senhor? Claro que aos olhos daquela gente foi um fato muito grandioso e até incompreensível.


Como nós, em nossos dias, se procurarmos seguir os ensinamentos de Jesus, teremos a capacidade através da graça que recebemos desde o nosso batismo, de perceber a atuação do Espírito Santo de Deus, agindo no meio de nós, em momentos sublimes de sua ação, revelando-se através de acontecimentos iguais ou até maiores do que aquele da cura do paralítico. Este fato, narrado por Lucas, quer nos mostrar que a perseverança, alicerçada na fé nas palavras de Jesus, nos tornam capazes de presenciar milagres como aquele que os amigos do paralítico conseguiram provocar, não se intimidando com a dificuldade de introduzir a maca dentro do recinto em que Jesus estava. É essa a missão do cristão que tem fé, que crê em Jesus como filho de Deus, que desceu dos céus para nos salvar. Por isso, Ele nos diz: “Se tiverdes a fé do tamanho de um grão de mostarda, conseguireis fazer coisas maiores das que Eu faço”.


Hoje, temos liberdade de expressão e de culto religioso; ninguém pode nos impedir ou perseguir, por proclamarmos a nossa fé. Lá, naquele tempo, os cristãos eram perseguidos, presos e assassinados, pelos meios mais absurdos e dolorosos, a fim de desestimular os outros. Mesmo assim, eles permaneceram na fé do Salvador e, a Igreja, fundada por  Jesus Cristo, está mais viva do que nunca no mundo inteiro, graças à coragem daqueles que continuaram inspirados na luz do Espírito Santo. E muitas vezes achamos difícil seguir as palavras de Jesus, mesmo nada havendo que nos proíba; simplesmente somos impedidos pela nossa própria vontade, quando nos prendemos à uma existência fundamentada em princípios materialistas, visando as coisas criadas pelos homens, o conforto, o dinheiro, a diversão, a vida “boa”; tudo no sentido de satisfação pessoal, diferente daquela que Jesus nos ensina.


Jesus nos dá esta satisfação verdadeira que tem que ser capaz de atingir uma família, uma vila, um bairro, uma cidade, um Estado, um país… o mundo inteiro até! Jesus morreu por todos, não foi só por aquele povo com o qual conviveu. Foi para a humanidade inteira o Seu sacrifício como homem, para que pudesse sentir as dores atrozes e sofrer, como Deus, para redimir todos os pecados que poriam a perder todas as criaturas do Criador. Não podemos acomodar a nossa vida só às coisas que gostamos e que queremos; é preciso sabermos aceitar, também, aquilo que não gostamos e não queremos, porque não conseguiremos fazer a vontade do Pai se só quisermos a nossa vontade e não a de Deus nosso Pai!


Espírito que cura interiormente, toca o mais íntimo de meu ser, para que eu consiga superar o meu egoísmo e seja capaz de levar os benefícios de Deus a quem precisa de mim.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Homilia Diária - 04.12.2022

CONVERTEI-VOS Mt 3,1-12


HOMILIA


Estamos a celebrar o segundo domingo do Advento. A liturgia de hoje nos propõe o convite que João Baptista, aparecendo no deserto fez a beira do rio Jordão: Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus. Durante toda a sua vida ele pregou aos homens e mulheres o arrependimento, preparando assim o caminho do Senhor que estava por chegar, Aquele que vinha trazer a Salvação. Suas palavras ressoavam para romper todas as barreiras injustas e, sobretudo àquelas que nos impediam de enxergar o Cristo que nos faz verdadeiramente coherdeiros com Ele da glória do Céu.


Após as suas narrativas de infância de Jesus, com acentuado caráter teológico, Mateus apresenta João Batista com seu anúncio e seu batismo como marcos iniciais do ministério de Jesus. João Batista era filho de Zacarias, sacerdote do Templo de Jerusalém. Este sacerdócio era hereditário, porém João rompe com tal tradição. Ele se afasta de Jerusalém e do Templo e, como profeta, faz seu anúncio nas regiões desérticas da Judéia. Com sua pregação ele atrai a si o povo, esvaziando assim o Templo e o sacerdócio de Jerusalém. Aos líderes religiosos, saduceus e fariseus que vêm a ele para espioná-lo, adverte que não se sintam justificados por se considerarem filhos de Abraão.


A primeira leitura é tirada do livro de Isaías 11,1-10. É um pouco difícil datar este oráculo, mas a alusão ao tronco e à raiz de Jessé faz supor o estado de destruição da dinastia davídica. Nesse sentido, o oráculo assegura, na continuidade da dinastia, a fidelidade divina às promessas. O que Deus espera é os bons frutos, os frutos da justiça, é a restauração da primeira criação, onde a Paz reinará eternamente.


Já na segunda leitura, são os bons frutos que Paulo propõe a seus discípulos. As comunidades unidas em um só coração, no acolhimento, na compaixão e na misericórdia, são as sementes do projeto do mundo novo querido por Deus. Elas deverão eliminar do seu meio todas as barreiras discriminatórias no meio dela.


No Evangelho segundo Mt 3,4-12, Mateus apresenta João Batista como um dos antigos profetas e oferece estrutura ordenada, pedagógica e eclesial. Estabelece três etapas fundamentais do processo evangelizador: a pregação, a conversão e depois o baptismo.


Só o homem que perante a palavra pregada se converter, tomando a consciência da nova realidade dada pela presença do Reino e a faz sua pode ser batizado. Diante do Reino não há privilêncios de raça, porque a vinda do Senhor é também um juízo do mundo e cada um será julgado segundo tiver escutado acolhida a palavra de Deus. Os que a aceitam serão purificados com o espírito e o fogo. Os que não se convertem são destinados a um fogo exterminador.


A pregação de João continua a realizar-se nos dias de hoje em nossas comunidades, no mundo e em cada um de nós afim de que sejamos acolhedores da Redenção de Cristo. Diante dele precisamos tomar nossa decisão e para isso, é preciso à conversão.

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