quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Homilia Diária - 08.10.2021

A FAVOR OU CONTRA JESUS Lc 11,15-26


HOMILIA


No Evangelho de hoje Jesus se revela, de forma categórica, como o novo Moisés, combatendo o mal na busca da libertação da pessoa e do mundo. Ele é Aquele que vem com o poder de Elias.


Com a expressão: se Eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, então o reino de Deus chegou até vós, Jesus quer dizer que Ele é o Filho de Deus, enviado pelo Pai. As suas obras manifestam que Ele trouxe ao mundo o reino de Deus; as suas obras não são obras do demônio, como queriam os seus inimigos. Mas sim a concretização da oração do Pai nosso que Ele mesmo ensinou aos discípulos. Assim, tudo o que se pede com fé, confiança e esperança, se realiza porque Ele está presente e operante entre os discípulos.


À nós que o recebemos como nosso salvador precisamos estar bem preparados: Quando um homem forte e bem armado guarda a sua própria casa, tudo o que ele tem está seguro. Mas, quando um homem mais forte o ataca e vence, leva todas as armas em que o outro confiava e reparte tudo o que tomou dele.


Não podemos nos deixar dividir porque assim estaremos trabalhando contra nós mesmos. Por isso, Jesus hoje nos adverte: “todo reino dividido contra si mesmo será destruído”. Por mais segurança que tenhamos na realização de um projeto, tudo poderá ruir se permitirmos que hajam divisões entre aqueles que o executam. Isto vale para todos os empreendimentos da nossa vida: familiares, sociais, espirituais. O homem foi feito para ter relacionamentos saudáveis. Aquele, que está em paz com os seus irmãos e irmãs está em paz com Deus e consigo mesmo.


Precisamos estar atentos às nossas ações para sabermos a quem estamos servindo. Podemos dizer que estamos fazendo alguma coisa em Nome de Deus e na realidade, estarmos servindo ao demônio. Tudo o que fizermos para o bem do próximo, de coração e por amor a Deus, com certeza, estaremos fazendo em função do Reino dos Céus. Mas, aquilo que fizermos em função de nós mesmos ou para atender apenas aos nossos interesses egoístas, estará passível de fracasso e corre o risco de que chegue alguém mais forte do que nós e apanhe o que possuímos para dividir com outros e assim o nosso reino estará destruído. O Reino de Deus chega para quem está com Jesus e segue os Seus ensinamentos.


O homem precisa ter o seu pensamento e a sua mente, ocupados com as coisas de Deus. Não podemos aceitar ficar vagando no nada, porque assim estaremos deixando a casa arrumada para que o mal se estabeleça. Jesus diz que quem acredita que é pelo dedo de Deus que Ele faz os milagres, esse tem fé e o Reino dos Céus chegou para ele. Estar com Jesus é deixar-se guiar completamente pelos Seus ensinamentos através do poder do Espírito e não permitir a intrusão de qualquer idéia ou pensamento que venha do inimigo.


Em nome de quem você tenta fazer as coisas? Você não tem se equivocado nos seus projetos pensando que é pelo dedo de Deus que você quer conseguir as coisas? Existe dentro de você algo que possa estar dividindo o seu modo de pensar com Deus ou com o inimigo de Deus? Você se sente interiormente preenchido pelo poder do Espírito Santo? Com o que você tem alimentado o seu espírito?


Pai, afasta de meu coração todos os preconceitos que me impedem de acolher Jesus Cristo como teu enviado para trazer ao mundo a salvação e a libertação.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Homilia Diária - 07.10.2021

 O SIM DE MARIA Lc 1,26-38


HOMILIA


No Evangelho de hoje três aspectos me chamaram a atenção: a Fé de Maria que não questiona a vontade de Deus transmitida pelo anjo, o conteúdo da mensagem do anjo e a obediência expressa na resposta: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.”


Maria recebeu o dom da divina maternidade porque teve fé e pela fé se torna felizarda. O nascimento de Jesus é obra da intervenção de Deus, pois Maria concebe sem conhecer homem algum. Aquele que vai iniciar nova história surge dentro da história de maneira totalmente inédita.


0 título Filho de Deus, associado à ostentação de poder, foi atribuído aos faraós e a outros chefes de nações ou impérios, além de ao próprio rei Davi.  Muitos discípulos de Jesus se inclinaram a essa interpretação. Jesus, contudo, sempre se colocou em relação de filiação com o Deus Pai, misericordioso e todo amoroso. Filho de uma jovem pobre e de um carpinteiro, Jesus revela-se como o Filho de Deus humilde e solidário com os pobres e excluídos, aos quais deseja comunicar a vida divina.


Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. Palavras muito simples mais que atraem responsabilidade. Pois doravante aquela pobre menina vai ser depositária dos desígnios de Deus. Deus entra no tempo por meio do sim de Maria que se coloca como escreva ao serviço do seu senhor 24 horas por dia.


Maria é um exemplo de humildade e obediência ao Pai. Devemos aprender com Maria a darmos sempre o sim a Deus acolhendo com humildade a Sua vontade sobre nós e nossas comunidades.         


Maria do Sim me ensina a dizer e viver o meu sim a Deus.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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terça-feira, 5 de outubro de 2021

Homilia Diária - 06.10.2021

 A oração é atitude de relação com Deus


HOMILIA


A oração começa pela vontade e pela decisão de orar, pela atitude de nos colocarmos em oração na presença de Deus

“Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: ‘Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos’” (Lucas 11,1).


 A súplica desse discípulo, pedindo ao Mestre Jesus que nos ensine como devemos orar, é a súplica do coração de cada um de nós e da nossa alma. Queremos nos relacionar com Deus, queremos falar com Ele, queremos escutá-Lo, mas, muitas vezes, não sabemos orar como convém e caímos numa prática que se tornou comum, simplesmente repetimos fórmulas, fazemos orações que já estão prontas. É claro que todas elas têm seu valor, sua importância, e são orações que nós aprendemos. Oração é, acima de tudo e antes de tudo, atitude de relação com Deus, é a decisão de um coração de um discípulo que quer falar com o Pai, que quer relacionar-se com Ele.


Os discípulos de Jesus viram como Ele se relacionava e falava com Seu Pai, como entrava em comunhão com Deus. Ele se dirigia ao Pai e o Pai a Ele. Os discípulos queriam aprender a fazer a mesma coisa! Nós, discípulos de Jesus, precisamos também querer buscar essa graça da oração, a graça de ter comunhão com Deus.


Podemos rezar e não fazer comunhão com Deus, porque, se na oração nos deixamos levar ou simplesmente cumprimos o que está escrito, os pensamentos não se elevam a Deus. É preciso, acima de tudo, deixar que o coração se eleve, que o coração saia das excitações do cotidiano, da vida presente, para colocar, diante do Sagrado, essa presença maravilhosa de Deus no meio de nós.


Toda oração começa dessa forma: “Pai, santificado seja o seu nome”. Na oração, santificamos Aquele que já é santo; elevamos, glorificamos e exaltamos, na nossa vida, o nome do Senhor Nosso Deus, glorificamos Aquele que é nosso Pai. A oração é, acima de tudo, uma atitude de deixar que Deus seja o primeiro, que Ele seja glorificado e exaltado na nossa vida e no nosso coração.


Chamar Deus de Pai é uma grande graça! Não é um título, mas, na verdade, a relação de um filho que se aproxima do seu pai e fala com Ele.


Irmãos e irmãs, oremos, peçamos ao Senhor a graça de nos dar um espírito orante, de comunhão com Deus, para que toda nossa vida seja direcionada na vontade de Deus, seja direcionada na relação com Ele. Não podemos ter outro caminho para nos relacionar com Deus a não ser pela oração.


A oração começa pela vontade e pela decisão de orar, pela atitude de nos colocar em oração na presença de Deus.


Cada vez que nos empenhamos em orar, mais a nossa comunhão com Deus cresce. Não há problema se não sabemos rezar, precisamos pedir a Jesus que nos ensine e, a cada dia, o Mestre nos coloca no caminho do Pai, no coração d’Ele, para nos relacionarmos com Ele.


Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. 

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segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Homilia Diária - 05.10.2021

A NECESSIDADE DE GASTAR TEMPO COM JESUS Lc 10,38-42


HOMILIA


As duas irmãs acolhem Jesus. Querem servir bem a Jesus. Só que de modos diferentes. Uma pela escuta atenta. Maria não se preocupa. Senta-se aos pés de Jesus como os discípulos no Oriente se sentam aos pés de seu mestre. Marta repreende Maria. Jesus a defende. Para ele basta pouca coisa. Marta passa a imagem daquela mulher trabalhadora, dona de casa, que tem prazer em receber as visitas e acolhê-las, desmanchando-se em cortesias. Ela é a típica mãezona das nossas cidades interioranas. As casas dessas senhoras são impecáveis em matéria de limpeza e organização. Os enfeites na geladeira, na estante da sala, nas paredes… A comida deliciosa, feita na hora e servida até a visita dizer que não agüenta mais comer. Só quem visita uma casa que tem uma “Marta” sabe o que é ser bem acolhido.


A alegria de mulheres assim é ver que a sua ilustre visita se sente bem em sua casa. Esse é o maior prazer que ela pode sentir. Mas esta atitude não basta para Jesus. Acabamos de ouvir como no Evangelho, quando Marta pede que Jesus mande sua irmã Maria ajudá-la. É bem provável que Jesus tenha dado aquele sorriso acolhedor para Marta, e as suas palavras devem ter sido bem mais amenas do que as escritas por Lucas. Jesus deve ter dito, com um sorriso: “Ô Marta, por que te preocupas tanto? Isso que você está fazendo é importante, mas vocês podem deixar para fazer noutra hora. Agora é o hora de perderes tempo comigo. Maria escolheu a melhor parte! Não a recrimine. Mais tarde ela vai lhe ajudar. Por enquanto, sente-se aqui conosco”. E Marta deve ter percebido que, de fato, estava deixando passar uma oportunidade rara de receber os ensinamentos do mestre Jesus, e deve ter se sentado para ouvi-lo.


Meu irmão, minha irmã!Todos os grandes homens e mulheres de Deus foram pessoas que dedicaram muito tempo para estar com o Senhor. Muitas vezes nos sobrecarregamos de serviço, vivemos o dia inteiro correndo, resolvendo problemas, e Deus nos diz: Pare meu filho! Gaste um pouco mais de tempo comigo. Quanto tempo você tem dedicado ao seu relacionamento com Deus? Devemos reservar alguns momentos do nosso dia para buscarmos ao Senhor, através da oração, jejum, leitura da palavra, etc. O Senhor precisa ocupar o primeiro lugar nas nossas vidas, esse princípio não pode ser quebrado jamais.


Deus conhece o mais profundo do nosso ser, os nossos pensamentos, pecados, desejos, vontades, temores, dúvidas, sonhos. Nada podemos ocultar do Senhor, pois os seus olhos estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons. A sinceridade é um dos requisitos para quem deseja manter um bom relacionamento com o Eterno. Os fariseus sempre foram censurados por Jesus, porque eles não possuíam essa virtude, viviam de aparência e substituíam a revelação divina por suas próprias idéias e interpretações.


Nós estamos no mundo, mas não somos do mundo, somos de Deus, cidadãos do céu, povo de propriedade exclusiva de Deus. Infelizmente existem muitas pessoas que ainda não conseguiram se libertar totalmente do sistema mundano e continuam sendo amigos do mundo. Tiago escreveu na sua epístola que a amizade do mundo é inimizade contra Deus.


Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Já o apóstolo João na sua primeira carta disse: Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele (1 Jo 2,15). A palavra “IGREJA” significa “chamados para fora”. Isso quer dizer que nós fomos chamados por Deus para fora do pecado e do mundo, para sermos santos e íntimos d’Ele.


Nós devemos ser vasos na mão do oleiro, precisamos ser moldados e transformados a cada dia pelo nosso Deus. A total transformação não acontece da noite para o dia, mas sim com o passar do tempo, através do arrependimento, renúncia, e muita força de vontade. Salomão escreveu em Provérbios 4,18: Porque a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Isso fala da transformação gradual que acontece na vida de todo aquele que confessa a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida.


O Senhor te chama para que você possa cultivar um relacionamento mais profundo com Ele, pois nada pode substituir o nosso relacionamento com Deus. Pai, que o meu agir não seja movido por um ativismo insensível à Palavra de Jesus. Antes, seja toda a minha ação decorrência da escuta atenta da Palavra do Teu Filho que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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domingo, 3 de outubro de 2021

Homilia Diária - 04.10.2021

 COMO AMAR Lc 10,25-37


HOMILIA


O homem perguntou: Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna? Usando a forma rabínica, Jesus respondeu com uma pergunta ou duas questões: O que está escrito na Lei? Como você a lê. Quando o perito na lei respondeu citando Deuteronômio


6.5 e Levíticos 19.18, Cristo disse: Você respondeu corretamente; e, então, citou Levíticos 18,5 e Ezequiel 20,11 para deixar claro aquilo de que o homem precisava:Faça isto; viverá. Em outras palavras, não era suficiente recitar a lei de Deus, mas vivê-la de maneira a agradar a Deus! Para isso, a pessoa tem que colocar em ação o que a lei de Deus requer, sendo a essência desta o amor: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, com todas as forças e de todo o entendimento, e ao próximo como a si mesmo.


Agora, se estivéssemos no lugar daquele homem, poderíamos ter deixado por isso mesmo. Afinal de contas, Jesus tinha dito na frente de todos os presentes, que ele havia respondido corretamente. Receber um 10, porém, não era suficiente para o doutor na lei. Ao invés disso, queria receber algum crédito extra. Lembre: ele planejara testar Cristo, e realmente ainda não havia feito isso! Assim, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Generosamente, até mesmo com compaixão, o Senhor Jesus contou-lhe uma parábola para ajudá-lo a entender o verdadeiro significado da lei do amor, considerando que amar é uma disposição interna, não uma qualificação externa. Uma história sobre compaixão


À medida que Jesus contava a história, os ouvintes puderam pintar vividamente a cena: A estrada rochosa, tortuosa, de Jerusalém para Jericó, tem sido notória, por todos os séculos, como um lugar onde os ladrões, muito freqüentemente, atacam os viajantes. Ela era uma descida íngreme por locais desolados. A distância era de, aproximadamente, vinte e seis quilômetros e a estrada descia um total de 1.040 metros. Era o tipo de caminho no qual os ladrões poderiam estar bem seguros. Jesus não disse que os salteadores da história roubaram o homem: isso seria subentendido. Ele concentrou-se no tratamento violento dispensado ao viajante. Eles deixaram-no quase morto.


Então, um a um, Cristo apresentou três homens; qualquer um deles poderia ter ajudado ao homem severamente ferido: O primeiro homem que, casualmente descia pelo mesmo caminho, era certo sacerdote. Ele ficou diante de um dilema ético: o único meio de saber se realmente o homem ainda estava vivo, e precisando de ajuda, era se aproximar e tocá-lo, mas, se já estivesse morto e ele tocasse no falecido, ficaria ritualmente imundo. Não apenas deixou de ajudar, como também foi para o outro lado da estrada. Ele evitou qualquer possibilidade de contato. Outros fatores podem ter pesado, como por exemplo, a possibilidade de os ladrões retornarem, a natureza dos negócios daquele homem moribundo, e assim por diante. Nós não temos conhecimento… Sabemos que o sacerdote deixou o homem onde ele estava sem se importar com o sofrimento e com as necessidades dele.


O segundo homem a entrar em cena era um levita. O que aconteceu no caso do sacerdote se repetiu… Nos tempos do Novo Testamento, os levitas estavam em posição de inferioridade em relação aos sacerdotes; não obstante, formavam um grupo privilegiado pela sociedade judaica. Eram responsáveis pela liturgia no templo e por manter a ordem no culto; Pode-se presumir que os mesmos motivos do sacerdote, para não ajudar, estavam na mente do levita.


O terceiro homem era samaritano, estando de viagem e, quando viu o homem ferido, moveu-se de íntima compaixão dele. Aquele sentimento de condolência levou-o a ajudar: ele foi até o homem machucado, enfaixou-lhe as feridas, derramando vinho e óleo. Depois, colocou-o sobre seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria na qual poderia se recuperar. Porque o viajante piedoso tinha que retomar sua jornada, deu ao hospedeiro o equivalente a duas diárias para que ele cuidasse do homem em sua ausência e prometeu pagar as despesas adicionais, se houvessem, quando retornasse de sua viagem.


Jesus selecionou cuidadosamente os detalhes para a história contada. Primeiro o sacerdote e, depois, um passou pelo homem ferido. Os que ouviam estavam prontos para o herói ser introduzido e, provavelmente, presumiam que seria um judeu leigo, como uma última condenação dos líderes religiosos, o clero, que havia passado para o outro lado da rua. Para surpresa deles, o herói era um samaritano!


Jesus tinha dado o papel de bom sujeito a um inimigo dos judeus, a uma pessoa cuja herança, há muito, repugnava-os.


Passados todos estes séculos, referimo-nos à história como a parábola do Bom Samaritano. Ao fazer isso, inconscientemente, estamos caindo no mesmo preconceito que era evidente na audiência de Jesus, porque estamos afirmando que tal samaritano era diferente dos outros samaritanos pelo fato de que era bom. Talvez, como os judeus, nós também precisemos de uma lição sobre compaixão, começando por mencionar novamente a história.


Em qualquer situação que nos encontrarmos, como necessitados ou como colaboradores somos convocados pelo Senhor a amar o nosso próximo como a nós mesmos. Às vezes nós ajudamos às pessoas e as socorremos por obrigação ou a contra gosto, porém a própria Palavra do Evangelho nos esclarece: o próximo “é aquele que usou de misericórdia para com ele”. A misericórdia, então, é o sinal para que nós sejamos “o próximo” de alguém. Agir com misericórdia é fazê-lo por amor a Deus e acolher a miséria do outro com o mesmo amor de Deus e não somente com o nosso amor imperfeito e interesseiro.


Como você costuma agir: como o sacerdote, como o levita, como o samaritano, como o hospedeiro? – Ou você sempre é aquele que desce de Jerusalém para Jericó, se mete em enrascadas e está sempre precisando que alguém se aproxime de você?- Você já experimentou ser aquele (a) que está necessitado (a) e espera o socorro de alguém?- Quando você ajuda alguma pessoa você o faz por amor a Deus e com o amor de Deus?


A narração de Jesus ensina que viver agora, e sempre, como povo de Deus, significa demonstrar compaixão, mesmo quando nos incomoda, mesmo quando isso faz nossa vida tornar-se impura, mesmo quando desafia nossa compreensão tradicional e, até mesmo, quando nos custa algo pessoalmente. Isso é o que Jesus está nos dizendo: Vá e faça o mesmo.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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sábado, 2 de outubro de 2021

Homilia Diária - 03.10.2021

O QUE DEUS UNIU O HOMEM NÃO SEPARE Mc 10,2-16


HOMILIA


Os fariseus procuram motivo de condenar Jesus em torno de questões da Lei. A Lei associava o casamento à posse de bens e reconhecia ao homem o direito de repudiar sua mulher, relegando esta a uma posição de submissão. No texto de hoje, Jesus continua a sua caminhada rumo a Jerusalém, onde o poder central religioso-político vai condená-lo à morte, no intuito de acabar não somente com a pessoa dele, mas com o seu ensinamento. O que vemos no Evangelho é Jesus, entrando primeiro em controvérsia com os fariseus, os guardiães da prática fiel da Lei. Grupo, que gozava de grande prestígio diante da população mais simples e que se outorgava o direito de ser o único intérprete autêntico da vontade de Deus. Por isso entram em conflito com Jesus, não querendo conhecer melhor a vontade do Pai, mas, como ressalta o texto “para tentá-lo“. O campo de batalha escolhido era o debate sobre o divórcio. O texto de referência para eles era Dt 24,1-4, onde não se trata da legitimidade do divórcio, mas dos critérios para que possa acontecer


O evangelho de Mateus, no Capítulo 19, deixa mais claro do que Marcos o sentido do debate (Mt 19,1-9). O pano de fundo era os critérios necessário para que um homem pudesse divorciar a sua mulher (nem se cogitava na Lei judaica que a mulher pudesse divorciar o marido, pois a mulher era considerada “objeto” que pertencia ao homem!). No tempo de Jesus havia duas tendências, simbolizadas pelas escolas rabínicas dos grandes fariseus. Uma escola ensinava que se podia divorciar a mulher por qualquer motivo, mesmo dos mais banais. E outra dizia que só era permitido o divórcio por motivos muito sérios. Por isso, em Mateus a pergunta se define melhor: “é permitido divorciar a mulher por qualquer motivo que seja?” (Mt 19,4).


Em ambos os evangelhos, Jesus se recusa a entrar no debate casuística que cercava a questão, e se limitava a reafirmar o projeto do Pai para o casamento: “Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar“. Aqui Jesus reafirma com toda firmeza o ideal do casamento cristão – uma união permanente, baseada no amor, e fortalecida pela graça do sacramento. Seria inútil buscar neste trecho uma teologia mais desenvolvida do casamento, muito menos orientações pastorais para os problemas práticos de casamentos malsucedidos, pois isso não foi a intenção do autor. Marcos simplesmente reafirma o princípio de que “o que Deus uniu, o homem não deve separar“. Deixa em aberto a questão de quando é que Deus realmente uniu o casal! Será que, só porque passaram por uma cerimônia validamente celebrada, um casal é necessariamente unido por Deus? Os problemas reais são muito mais complexos, angustiantes e difíceis de serem solucionados.


O trecho continua com a questão das crianças. A questão aqui não é a criança como símbolo da inocência, mas de dependência. As crianças e os que se assemelham com eles vivem esta situação de dependência, de “sem-poder”. Quem quer entrar no Reino de Deus terá que abrogar-se de todo o poder dominador, tornando-se como criança.


Negando de aceitar a situação em que a mulher era simples objeto de posse do homem e assim passível de ser divorciada, e propondo o fraco e dependente como modelo, numa sociedade que valorizava o prepotente, Jesus mostra que os valores do Reino de Deus estão na contra-mão dos valores da sociedade do seu tempo – e de hoje. Propõe uma igualdade de dignidade entre homem e mulher, uma fidelidade e compromisso permanentes, e a busca duma vida de serviço e não de dominar! Realmente, uma proposta no contra-fluxo da sociedade pós-moderna que nega o permanente, perpetua o machismo e admira o poderoso e dominador!


Somos convidados hoje, para que, entremos “com Jesus, na contra-mão” e para que criemos uma sociedade baseada em outros valores do que os hoje em vigor, as vezes até no seio das próprias igrejas.


Senhor Jesus, que os casais cristãos compreendam a profundidade de sua união, obra do próprio Deus.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Homilia Diária - 02.10.2021

FAZER-SE CRIANÇA PARA O REINO DO CÉU Mt 18,1-5.10


HOMILIA


Para entender melhor a mensagem de Jesus, é interessante criar mentalmente o contexto no qual aconteceu esta cena. Certamente os discípulos estavam com Jesus na presença de uma pequena multidão. Imagino Jesus observando o movimento das pessoas, algumas crianças acompanhando os pais, algumas sentadas, outras inquietas, e todos esperando o momento em que Jesus começasse a falar. Jesus então deve ter percebido que alguns discípulos já vinham, há algum tempo, conversando entre si sobre como deveria ser o Reino dos Céus. Jesus já havia contado várias parábolas sobre o Reino dos Céus, e já havia incutido neles uma enorme vontade de entrar neste lugar maravilhoso, onde eles poderiam ficar face a face com Deus. Agora, o lado humano desses discípulos queria saber qual deles teria maior lugar de destaque no Reino, qual deles seria o maior de todos. E antes de fazer a pergunta a Jesus, eles mesmos devem ter discutido bastante sobre isso, e talvez chegassem até a brigar, antes de chegarem ao ponto de perguntar ao mestre. Devemos observar que a pergunta que eles fazem a Jesus é: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” O evangelista Mateus não chega nem a dizer qual deles fez a pergunta, e, além disso, tem o cuidado de “melhorar” a pergunta, pois em outras passagens da Bíblia, a pergunta é até mais direta: “Quem de nós sentará ao teu lado no Reino?” O que se pode deduzir disso é que Jesus falava tanto e tão bem do Reino dos Céus, que os discípulos fariam qualquer coisa para entrar nele, e com o maior destaque possível!!! A imagem de Reino que eles tinham é a de um reino da terra, então era nessa linguagem que Jesus poderia explicar. Com toda a hierarquia de um reino terreno.


Quando o discípulo fez essa pergunta, Jesus deve ter levado em consideração tudo isso, deve ter percebido os olhares ao seu redor, e visto que todos esperavam ansiosos por uma resposta que exaltasse o mais forte, ou o mais inteligente, ou o mais religioso, ou alguma virtude que eles pudessem discutir quem seria o mais “virtuoso” ou “qualificado” entre eles. O raciocínio rápido e inteligente de Jesus tinha que encontrar uma saída que fizesse com que eles parassem de brigar para ver quem era o maior entre eles, e foi uma saída de mestre a que Ele encontrou. Chamou uma criança e disse exatamente o oposto do que seus discípulos estavam preparados para ouvir: “Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus.” Com isso, Jesus acabou com a discussão dos discípulos para saber quem seria o maior entre eles, pois agora eles deveriam buscar serem pequeninos como uma criança. E Jesus ainda arrematou: “E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.” Jesus sabia que seus discípulos o tinham como Filho de Deus e, portanto, como presença garantida no Reino. Então agora eles teriam que buscar as qualidades de uma criança, e tratar as crianças como se fosse o próprio Jesus. Mas poderíamos interpretar “criança” com outra conotação: as pessoas simples e humildes, de pouca formação religiosa e acadêmica, os excluídos e marginalizados da sociedade.


Jesus deu mais uma ordem: “Não desprezeis nenhum desses pequeninos” E depois uma “ameaça”: “pois eu vos digo que os seus anjos nos céus vêem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus.” Em outras palavras, se eles desprezassem qualquer pequenino, Deus iria saber na mesma hora, e não iria gostar nada disso. Portanto, o lugar deles no Reino dos Céus estaria ameaçado!


Hoje estamos celebrando a memória de Santa Terezinha. Ela nos dá uma explicação muito simples e fácil de entender as palavras de Jesus: “Ser criança é reconhecer seu nada, esperar tudo de Deus, como uma criancinha espera tudo do pai; é não se perturbar com nada, não juntar fortuna” “Ser pequeno é também não atribuir a si mesma as virtudes que pratica, julgando-se capaz de alguma coisa, mas reconhecer que Deus coloca esse tesouro na mão de seu filhinho para que se sirva quando precisar; mas ele pertence sempre a Deus”. “o elevador que deve me alçar até ao céu são vossos braços, ó Jesus! Para isso, não preciso crescer; pelo contrário, devo continuar pequena, devo sê-lo cada vez mais”. Para Deus somos como filhos pequenos e amados, dependentes do Seu amor. Por isso, Ele coloca os anjos em nosso auxilio. Aquele que se compreende pequeno, pecador, ovelha fugida e necessitada, este é que é grande no reino de Deus. Não podemos nos apegar à idéia de que ser criança é ser tola, (o) é ser infantil. Existe uma diferença entre ser infantil e ser como as crianças. Ser infantil é ser imaturo e recusar-se a assumir a plena responsabilidade pelas próprias ações. Ser como a criança é assumir responsabilidade e ao mesmo tempo ser capaz de entregar-se, de abandonar-se e ser dependente de alguém, ser autêntica, ser transparente, viver as emoções. Ser infantil exige pouco esforço, mas é preciso força para nos abrir às emoções como fazem as crianças. “Os atos infantis afastam, enquanto que as ações próprias das crianças atraem”.


Como você se sente aos olhos de Deus: grande ou pequeno (a)? Você já experimentou ser como uma criança? Você acha que ser sábio nas coisas de Deus vai lhe ajudar na sua salvação? – Você se sente dependente de Deus, abandonado (a) em Suas mãos? Você é auto-suficiente? Em quem você confia?


A lição prática que podemos levar para a nossa vida hoje é: fazer-se pequenino; não desprezar nenhum pequenino; melhor do que se manter num lugar seguro, tomando cuidado para não se perder, seria sair em busca dos pequeninos que se perderam, e resgatá-los.


Pai poupa-me de cair na tentação de querer fazer-me grande aos olhos do mundo, pois a verdadeira grandeza consiste em fazer-me criança, pequeno, amigo e servidor do meu próximo.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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