sábado, 12 de dezembro de 2015

A MENSAGEM DE JOÃO BATISTA Lc 3,10-18 - 13.12.2015

HOMILIA

O terceiro domingo do Advento tem um sabor de alegria. É o “domingo da alegria”, pedagogicamente colocado pela Igreja nesta proximidade do Natal. É como quem está fazendo uma viagem e, depois de uma boa caminhada, avista além da última curva da estrada o lugar para onde está viajando. Que alegria! E esse lugar para onde vamos caminhando é o Natal. É o nosso encontro com Deus, com o Messias, o Deus-conosco, que veio morar em nossa terra: “Alegrai-vos, O Senhor está perto”.

A alegria é tão grande que, a Liturgia, para bem expressá-la, vai buscar uma página de Isaías, onde se fala da volta do exílio. É como se a Palestina, terra tradicionalmente árida como o deserto e a estepe, se cobrisse de uma exuberante vegetação, e por toda parte brotassem as flores, lembrando a majestosa beleza do Líbano e do Carmelo. Só mesmo Isaías, grande profeta e grande poeta, sabe dizer as coisas com tão cativante beleza.

Cristo vem transformar o mundo numa terra de paz e de verdadeira alegria. Isaías o diz com expressões vigorosas. Prevê os cegos recuperando a vista, os surdos recuperando a audição,  os paralíticos readquirindo os movimentos, e até os mortos ressuscitando. E, particularmente precioso no meio de tudo isso, a Boa-nova sendo anunciada aos pobres. Tudo isso está no Evangelho, no lugar onde Jesus mostra aos discípulos de João Batista o que estava acontecendo ao redor dele. Era a resposta concreta que dava a esses discípulos, que lhe vinham perguntar se ele era o Messias ou se deviam esperar outro. Notemos que as curas e as ressurreições anunciadas por Isaías são apenas sinais da ampla transformação moral que a doutrina de Jesus, vivificada pela sua morte e ressurreição, vinha realizar no mundo. A humanidade é como a terra árida do deserto, onde brotam os espinhos do pecado e de toda a maldade. Sobre ela cai a chuva do céu trazida por Jesus – gotejai, ó céus lá do alto, derramem as nuvens a justiça, e o mundo se transforma. Tudo são flores de vida e de virtude.

Essa transformação não acontece de repente. Ela pede de nós uma longa paciência. “Como a do agricultor que espera o precioso fruto da terra, aguardando pacientemente as chuvas do outono e as da primavera”.

Há um belo provérbio europeu que diz que os moinhos de Deus moem devagar. E é assim mesmo. Nós que vivemos num mundo caracterizado pelo ritmo da velocidade, da eletrônica, da informática, não sabemos mais descobrir como tudo o que se refere à vida, à saúde, à educação, ao cultivo do espírito tem que ser feito com respeitosa tranquilidade. Uma árvore não cresce de repente. Uma criança não se educa de repente. Não se faz um santo de repente. E, para sermos bem práticos, não se reforça de repente uma sociedade, sobretudo quando nela cresceram e se desenvolveram longamente a corrupção e a irresponsabilidade. É preciso um trabalho persistente e confiante, onde todos colaborem. Com seriedade, com perseverança, com iluminada esperança.

E temos que dizer que esse é o trabalho que o Cristianismo se empenha em realizar ao longo dos séculos. E temos que reconhecer, sem falso otimismo, que muita coisa melhorou no mundo. No relacionamento das pessoas, na superação do radicalismo, no reconhecimento dos valores de cada um, na capacidade de diálogo, inclusive diálogo entre as nações, deixando cada vez mais para trás o recurso à guerra como único caminho para se resolverem os conflitos, no respeito à própria natureza, crescendo sempre mais a consciência de que é preciso defender os bens que são de todos, como a água, o verde, e até o silêncio e a harmonia. E, se muita coisa continua errada – como atestam os assaltos e as violências de todo tipo – é porque os homens não estão aceitando a proclamação do Evangelho.

É porque nós, cristãos, não sabemos ser esse fermento na massa que modifica o mundo numa santificadora levedação espiritual. Não sabemos ser essa luz que ilumina pelo exemplo de sabedoria. Não sabemos ser o sal que tempera a sociedade com o sabor do bem e da virtude. Temos que aprender de São João Batista a não sermos caniços que o vento dobra, nem criaturas cheias de vaidade.

Espírito que converte para Deus, que eu permaneça atento aos apelos de conversão que me são dirigidos, para merecer ser acolhido no Reino proclamado pelo Messias Jesus.
Fonte Canção Nova

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

MARIA VISITA ISABEL Lc 1,39-47 - 12.12.2015


HOMILIA

Estamos celebrando, hoje, a festa da padroeira de toda a América Latina: Nossa Senhora de Guadalupe. Somos convidados a erguer nossas vozes e preces, não apenas às súplicas como estamos habituados a fazer – pedir, pedir e pedir. A prece que temos de erguer, neste dia, é a de louvor, de ação de graças ao Pai por todo o povo, sobretudo o sofredor deste continente. O melhor que a América tem é o seu povo; mas como eles têm sofrido, têm sido excluídos!

Quero citar o caso dos índios e alguns afro-descendentes em quilombos, condenados a comer “o pão que o diabo amassou”, a viver em reservas como se fossem animais nos jardins zoológicos. Ai meu Deus, como dói e que pena! Como a imagem e semelhança de Deus têm sido desfigurada nestes nossos irmãos e irmãs! Certo é que a mão de Deus toca a vida e o coração de nossa gente. Veja que a história de Guadalupe principia-se junto do índio pobre e explorado.

São João Diego é sinal de que Deus fez sua história de salvação junto de nosso povo. Por isso, louvemos Nossa Senhora de Guadalupe. Hoje é o dia de gritar e clamar bem alto: “Bendita, porque acreditou nos projeto de Deus; de trazer ao mundo, e entre nós, o seu Filho Jesus Cristo, nosso Salvador”.

As narrativas de infância que falam do anúncio e nascimento de Jesus são exclusivas de Mateus e de Lucas. Marcos inicia seu Evangelho a partir da proclamação e batismo de João Batista. Já o Evangelho de João apresenta o prólogo da encarnação do Verbo antes das narrativas de João Batista. Enquanto em Mateus as narrativas de infância colocam José em foco, em Lucas o destaque é dado a Maria. Lucas faz ainda uma íntima relação, em paralelo, entre João Batista e Jesus, desde os respectivos anúncios de concepção feitos pelo anjo Gabriel.

No texto de hoje, Lucas descreve a cena da visitação de Maria à sua prima Isabel. Nessa aproximação entre elas, ambas portadoras dos filhos em seus ventres, Lucas acentua a superioridade de Jesus sobre João. Assim, são destacadas a alegria da criança no ventre de Isabel e a proclamação desta a Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”.

Maria, logo que acolhe o projeto de Deus na sua vida, lança-se para a missão. Vai na direção das regiões montanhosas, à casa de sua prima Isabel. Não para fazer turismo: dormir, passear, comer e beber, mas para servir. Sua prima estava grávida, já no sexto mês. As duas se olharam, saudaram-se e se descobriram envolvidas em mistérios divinos. Cheia do Espírito Santo, Isabel exclama: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”.

Veja, uma simples mulher reconhece a divindade que Maria traz em seu ventre. Como nós, cheios de conhecimento, estudiosos, doutores e mestres nas coisas do mundo, não conseguimos enxergar a imagem e semelhança de Deus nas pessoas mais humildes, pobres, doentes, encarcerados e dementes com que cruzamos, convivemos, trabalhamos?

Somos chamados à prática da caridade no dia de hoje. Da mesma forma que Maria se encheu de zelo pelo serviço ao próximo, sejamos também nós assim; partamos ao encontro dos mais necessitados. Lembro-o de que quem ajuda um pobre, empresta a Deus. Maria recebe como retribuição de Isabel a exclamação: “Bendita entre as mulheres é aquela que acreditou e fez dela o plano de Deus”.

Maria e Isabel compreenderam o que Deus, nelas, realizava. Será que você e eu somos capazes de descobrir o que Deus quer de nós? Eu sei que somos. Mas como compreender isto? Sejamos também acolhedores do Reino de Deus em nossas vidas e seremos felizes.
Fonte Canção Nova

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A PESSOA DE JOÃO BATISTA Mt 11,11-15 - 10.12.2015


HOMILIA

Jesus começa o seu discurso exortando a grandeza de João Batista e diz: Em verdade eu vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. Amado, o Reino dos Céus já está entre nós, já podemos vivê-lo, já podemos experimentá-lo e o Natal é um sinal desse Reino de amor, de misericórdia e de alegria que nos traz esperança, mas é preciso se fazer pequeno para conquistá-lo, é preciso se fazer humilde e buscar em Deus forças para trazer a nós o amor entre familiares, como fez João Batista. Amado, o próprio Jesus nos diz que o menor no Reino dos Céus é maior do que João Batista, este mesmo homem anunciou Jesus, anunciou que viria o messias e traria a paz, a alegria, o perdão, então devemos ser menores ainda que João Batista e nos entregarmos à vontade de Deus, João Batista pregou para toda uma cidade anunciando a conversão.

Jesus hoje quer que você pregue na sua casa não somente com a boca, mas com a vida, com exemplos, com testemunho. Ele quer que você não exclua alguém por ser rotulado de briguento, viciado em droga, prostituição, alcoólatra ou coisa parecida em sua família. E pode ser que a maior parte dos teus familiares já o tenham deletado da lista dos parentes e por isso não pode ser convidado para ceia alguma. Neste Evangelho, Jesus está te dando a possibilidade de testemunhar o verdadeiro sentido do Natal. Natal é alegria, é perdão, é reconciliação, é justiça, é amor de Deus em nós.

Jesus exalta João Batista como o maior entre todos os homens, mas ressalta que maior ainda do que ele serão todos aqueles que possuem o Reino dos Céus. O Reino dos Céus sofre a violência da mentalidade do mundo que lhe é contraditória, mas é conquistado justamente por aqueles que são violentos, isto é, que se opõem ao modo de pensar e julgar que o mundo prega. Podemos, então, fazer uma avaliação se já conquistamos o Reino dos Céus, examinando os nossos pensamentos e ações quando estão em harmonia com os valores evangélicos. O mundo nos ensina a pensar e agir completamente diferente do que prega o Evangelho. Portanto, se seguimos a cartilha do mundo, estamos sendo covardes e ainda não conquistamos o Reino dos Céus. João Batista foi o último profeta do Novo Testamento. Ele veio com o mesmo espírito desbravador de Elias abrir para o povo um caminho de conversão e preparar este povo para ser batizado e aceitar a Salvação de Jesus. Nós somos os profetas deste novo tempo e, também como ele, fomos convocados a corajosamente bradar ao mundo que a Salvação vem do Senhor.

Você se considera um grande homem, uma grande mulher? Você é uma pessoa firme e corajosa no enfrentamento dos “favores” que o mundo lhe tem oferecido? Você tem dado exemplo, na sua casa e no mundo, de que o Reino dos Céus já está acontecendo em você?

Senhor Jesus, quero ser pequeno e começar a viver o teu Reino nas pequenas coisas, quero viver esse Natal diferente de todos os outros onde eu pude presenciar brigas, discussões, discórdias entre minha família. Neste Natal eu quero ser como João Batista e anunciar o teu amor, o teu perdão, anunciar que com o Senhor à minha frente tudo é possível. Por isso peço-Vos que me ensineis como dar o primeiro passo. Assim como ungistes os teus profetas, unge-me também e darei testemunho das vossas maravilhas. Amém.
Fonte Canção Nova

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

UM CONVITE DE JESUS Mt 11,28-30 - 09.12.2015


HOMILIA

Hoje o Senhor claramente nos convida a irmos a Ele: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos… E eu pergunto quantos de nós temos nos cansado durante o nosso dia a dia, pelas circunstâncias, seja uma insatisfação pessoal no trabalho, sejam as coisas que acontecem que não saem da forma como desejamos, ou seja, até mesmo o jeito como nós tratamos a quem amamos que, por muitas vezes, nem é o modo como queremos tratar, mas pela falta de paciência, pelo cansaço físico, mental ou espiritual nos deixamos levar pelas nossas fraquezas e não fazemos o bem que desejamos.

Hoje Jesus nos convida porque conhece o nosso coração e sabe que só n’Ele teremos descanso, pois Ele mesmo justifica isso quando diz: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendeis de mim, porque sou manso e humilde de coração. Pois o meu jugo é suave e meu fardo é leve.”

Jesus não nos convida até Ele para nos condenar, mas nos convida para tirar de nós tudo que não nos faz bem, inclusive nosso sentimento de culpa em relação aos nossos pecados e fraquezas. Ele anseia e deseja muito que O busquemos para nos dar o descanso necessário para uma boa caminhada.

Não importa se estás passando por esta crise, pensando que ninguém se importa, que ninguém se preocupa, o que eu quero dizer-te são Palavras do Mestre: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados de carregar as vossas pesadas cargas, e eu vos darei descanso.” Neste texto Jesus demonstra o seu amor para contigo. Ele se importa contigo e por isso te chama. Faz-te um convite. E este é para os que têm problemas, para os cansados e os oprimidos; os que estão com cargas tão pesadas e tão grandes que não dão conta de carregar sozinhos; os que perderam a esperança até mesmo para esperar; os que estão feridos e com traumas profundos; os que não têm mais caminho para caminhar; os que perderam o rumo da vida, para os que perderam a direção.

O convite é para ti que estás com o coração quebrado, arrebentado, porque há reabilitação, há cura; é para ti que desperdiçaste a tua vida no mal, pois ainda há possibilidade para fazer o bem; para ti que já não tens mais perspectiva na vida, expectativa de um novo começo; para ti que te sentes desesperado, desprezado; para ti que te sentes doente, perdido na vida; para ti que estás longe, e morto em delitos e pecados.

Talvez tu digas: “Minha vida não tem jeito, porque o pau que nasce torto, cresce torto e morre torto”. Mas te digo: Tem sim! Porque o pau que nasce torto, só é torto antes de chegar nas mãos do carpinteiro de Nazaré. Depois de passar pelas Suas mãos, sai um móvel precioso, raríssimo de encontrar! Ele te oferece uma nova oportunidade. Jesus é o Deus do impossível, é o Deus capaz de fazer: do vilão, um herói; do bandido, um santo; do perseguidor, um defensor do Evangelho.

Com as palavras “vinde a Mim”, Jesus nos chama a confiar n’Ele, a crer. Porque ninguém pode ir, e seguir, sem crer, sem confiar nele.

Ele te chama para que tu tomes sobre ti o jugo d’Ele: tomai sobre vós o meu jugo. Jesus não te engana. Ele não prometeu só mar de rosa, porque aqui o jugo quer dizer que tudo aquilo que Jesus passou tu terás de passar. Assim como Ele foi perseguido, sofreu, foi maltratado, caluniado, zombado, odiado, abandonado entre ladrões e morto na Cruz mas que três dias depois ressuscitou, assim também tu terás de passar pela mesma situação. Aliás, ao discípulo basta ser igual ao mestre. Se a Mim trataram assim, a vós também, disse o Senhor. Mas não tenhais medo. Eu venci o mundo!

Precisamos aprender d’Ele: e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. Chama-nos ao discipulado d’Ele, a sermos seus alunos. Ele quer que eu e você sejamos seus imitadores. Ele passará a ser o nosso modelo. Tu precisarás conhecer mais e mais o teu Senhor, as coisas d’Ele, até chegar ao pleno conhecimento. Mas isso só será possível se estiveres perto d’Ele. É por isso que também nos chama para estarmos perto d’Ele, junto d’Ele, para ter comunhão e intimidade com Ele. É urgente que tu contes tudo para Deus. Ele te dá este privilégio de abrir o peito, a alma, e o coração. E então: achareis descanso para as vossas almas.

Hoje Jesus quero Te louvar pelo meu trabalho, que tem me tirado muito dos nossos momentos de intimidade. Isso, na verdade, tem me feito valorizar cada minutinho que posso beber da graça que é ter Tua presença. Dá-me a graça de, durante todo o meu dia, conseguir parar, para escutar e discernir a Tua vontade para as minhas atitudes do dia. Dá-me a graça de ser manso e humilde assim como Tu és, Senhor.
Fonte Canção Nova

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

MARIA DO SIM Lc 1,26-38 - 08.12.2015


HOMILIA

“Que a paz esteja com você, Maria! Você é muito abençoada.”! Com essa expressão o anjo se dirigiu a Maria e anunciou advento do Filho do Altíssimo, o qual reinaria eternamente segundo o plano de Deus para a redenção da humanidade. Porque conhecia as Escrituras e confiava na promessa do Pai, Maria submeteu-se a ação do Espírito Santo e deu o seu sim para que a humanidade fosse redimida. O sim de Maria trouxe-nos Jesus. As mesmas palavras que o anjo dirigiu à Mãe de Jesus nos são dirigidas também, hoje, quando somos escolhidos a cooperar na edificação do reino de Deus aqui na terra: “Não tenhas medo,… porque encontraste graça diante de Deus!”
No Evangelho de hoje três aspectos me chamaram a atenção: a Fé de Maria que não questiona a vontade de Deus transmitida pelo anjo, o conteúdo da mensagem do anjo e a obediência expressa na resposta: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.”
            Maria recebeu o dom da divina maternidade porque teve fé e pela fé se torna felizarda. O nascimento de Jesus é obra da intervenção de Deus, pois Maria concebe sem conhecer homem algum. Aquele que vai iniciar nova história surge dentro da história de maneira totalmente inédita.
            0 título Filho de Deus, associado à ostentação de poder, foi atribuído aos faraós e a outros chefes de nações ou impérios, além de ao próprio rei Davi.  Muitos discípulos de Jesus se inclinaram a essa interpretação. Jesus, contudo, sempre se colocou em relação de filiação com o Deus Pai, misericordioso e todo amoroso. Filho de uma jovem pobre e de um carpinteiro, Jesus revela-se como o Filho de Deus humilde e solidário com os pobres e excluídos, aos quais deseja comunicar a vida divina.
            Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. Palavras muito simples mais que atraem responsabilidade. Pois doravante aquela pobre menina vai ser depositária dos desígnios de Deus. Deus entra no tempo por meio do sim de Maria que se coloca como escreva ao serviço do seu senhor 24 horas por dia.
Assim como precisou de Maria, Deus precisa de cada um de nós para introduzir o Seu reino nas famílias do mundo. Todos nós somos escolhidos para nos submeter à ação do Espírito Santo e assim conceber Jesus no nosso coração. Por isso, precisamos estar sempre disponíveis a fazer a vontade do Pai que quer realizar em nós coisas admiráveis a fim de que sejamos também cheios de graça. Maria é um exemplo de humildade e obediência ao Pai. Devemos aprender com Maria a darmos sempre o sim a Deus acolhendo com humildade a Sua vontade sobre nós e nossas comunidades.
Maria, Mãe de Jesus e minha mãe. Ensinai-me a dizer e viver o meu sim a Deus para que pelo meu sim eu possa continuar dando à luz a Jesus através das minhas palavras e obras aos meus irmãos.

Fonte PADRE BANTU MENDONÇA KATCHIPWI SAYLA

JESUS CURA UM PARALÍTICO Lc 5,17-26 - 07.12.2015


HOMILIA

Jesus, achava-se um dia numa reunião com os escribas e fariseus em uma casa e, de repente, algo incrível começa a acontecer: ali, várias pessoas trouxeram um paralítico em cima de uma maca, para que Jesus o curasse. Não havendo condições de entrarem no recinto por estar completamente lotado, não existindo outra maneira para cumprirem a sua missão, os quatro homens, decididamente, subiram a maca para cima do telhado e, tirando as telhas, abriram um vão e passaram a maca, amarrada em cordas, descendo o paralítico à frente de Jesus dentro da casa. Jesus sensibilizou-se e foi dizendo ao homem: “Meu amigo, os teus pecados estão perdoados”. Os fariseus e escribas começaram a pensar: “Quem é este homem que profere tais blasfêmias?”. E Jesus, lendo os seus pensamentos lhes disse: “O que é mais fácil dizer, os teus pecados estão perdoados ou… Levanta-te e anda? Para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, disse para o paralítico: ‘Levanta-te, pega a tua maca e vai para a tua casa’ “. Imaginemos o que aconteceu, quando o povo viu o paralítico, que vivia há 40 anos numa cama, passar carregando a sua maca nas costas e, gritando sem parar, bendizendo ao Senhor? Claro que aos olhos daquela gente foi um fato muito grandioso e até incompreensível.

Como nós, em nossos dias, se procurarmos seguir os ensinamentos de Jesus, teremos a capacidade através da graça que recebemos desde o nosso batismo, de perceber a atuação do Espírito Santo de Deus, agindo no meio de nós, em momentos sublimes de sua ação, revelando-se através de acontecimentos iguais ou até maiores do que aquele da cura do paralítico. Este fato, narrado por Lucas, quer nos mostrar que a perseverança, alicerçada na fé nas palavras de Jesus, nos tornam capazes de presenciar milagres como aquele que os amigos do paralítico conseguiram provocar, não se intimidando com a dificuldade de introduzir a maca dentro do recinto em que Jesus estava. É essa a missão do cristão que tem fé, que crê em Jesus como filho de Deus, que desceu dos céus para nos salvar. Por isso, Ele nos diz: “Se tiverdes a fé do tamanho de um grão de mostarda, conseguireis fazer coisas maiores das que Eu faço”.

Hoje, temos liberdade de expressão e de culto religioso; ninguém pode nos impedir ou perseguir, por proclamarmos a nossa fé. Lá, naquele tempo, os cristãos eram perseguidos, presos e assassinados, pelos meios mais absurdos e dolorosos, a fim de desestimular os outros. Mesmo assim, eles permaneceram na fé do Salvador e, a Igreja, fundada por  Jesus Cristo, está mais viva do que nunca no mundo inteiro, graças à coragem daqueles que continuaram inspirados na luz do Espírito Santo. E muitas vezes achamos difícil seguir as palavras de Jesus, mesmo nada havendo que nos proíba; simplesmente somos impedidos pela nossa própria vontade, quando nos prendemos à uma existência fundamentada em princípios materialistas, visando as coisas criadas pelos homens, o conforto, o dinheiro, a diversão, a vida “boa”; tudo no sentido de satisfação pessoal, diferente daquela que Jesus nos ensina.

Jesus nos dá esta satisfação verdadeira que tem que ser capaz de atingir uma família, uma vila, um bairro, uma cidade, um Estado, um país… o mundo inteiro até! Jesus morreu por todos, não foi só por aquele povo com o qual conviveu. Foi para a humanidade inteira o Seu sacrifício como homem, para que pudesse sentir as dores atrozes e sofrer, como Deus, para redimir todos os pecados que poriam a perder todas as criaturas do Criador. Não podemos acomodar a nossa vida só às coisas que gostamos e que queremos; é preciso sabermos aceitar, também, aquilo que não gostamos e não queremos, porque não conseguiremos fazer a vontade do Pai se só quisermos a nossa vontade e não a de Deus nosso Pai!

Espírito que cura interiormente, toca o mais íntimo de meu ser, para que eu consiga superar o meu egoísmo e seja capaz de levar os benefícios de Deus a quem precisa de mim.

Fonte Canção Nova

PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR Lc 3,1-6 - 06.12.2015


HOMILIA

Na caminhada para o Natal e para o jubiloso encontro com Jesus, nós somos ajudados por grandes personagens. A começar pela Virgem Maria, a aurora que anunciou a chegada do Sol. E vem depois o profeta Isaías, que lá das distâncias dos tempos bíblicos entreviu com admirável clareza os tempos do Messias. E ainda São Paulo, que é o sublime teólogo que “contempla a grandeza de Cristo”. E, de modo muito particular, São João Batista, o último dos profetas e o Precursor do Evangelho. Ele preparou o povo, lá nas margens do Jordão, para receber a Cristo no início de sua vida pública. E vem agora ajudar-nos na chegada do Natal.

João Batista é um profeta eminentemente austero. No seu modo de vestir – uma roupa de pêlos de camelo e um cinto de couro – e de se alimentar – gafanhotos e mel silvestre – na sua vida e na sua pregação. Dele falara Isaías, quando disse: Voz do que clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor. Essa voz ressoou rude e forte, conclamando os pecadores à conversão. E, apesar da dureza de suas palavras, os pecadores vinham até ele e ouviam suas terríveis ameaças, duras, sobretudo quando ele percebeu entre os seus ouvintes os fariseus e os saduceus. E recebiam o batismo que ele ministrava nas águas do Jordão, preludiando o futuro batismo do Cristianismo: Eu vos batizo com água, para vos mover à penitência, mas o que vem depois de mim é mais forte do que eu… Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. E eram inúmeras as conversões.

Nós também devemos ouvi-lo. Não nos assustemos com a veemência de sua pregação. Cada estilo tem sua época. E cada homem tem seu estilo. Hoje também temos pregadores que imitam de algum modo a rudeza da pregação do Batista. São missionários cheios de zelo, e causam grande impressão nos ouvintes, e dobram a dureza de muitos corações. Sobretudo pelo testemunho de vida que acompanha suas palavras. São instrumentos de Deus para fazer sentir a gravidade do pecado e o perigo da condenação. Sobretudo para aqueles que andam adormecidos numa vida pecaminosa, confiando – quem sabe? – nos seus privilégios de cristãos. João Batista dizia para os seus ouvintes: Não penseis que basta dizer dentro de vós mesmos: ‘Temos por pai Abraão’. Porque eu vos digo que Deus pode destas pedras suscitar filhos de Abraão. E se referia, sem dúvida, não simplesmente às pedras, tão abundantes ali no deserto, mas às pedras dos corações endurecidos pelo erro e pelo pecado.

João preparou o caminho para Jesus. Ele é o Precursor. Seria maravilhoso que na devoção popular a São João Batista – tão folclórica! – não faltasse esse elemento. Saber que ele nos leva a Cristo. Ele não é um ponto de chegada! Ele é o caminho. E nos leva a Cristo pela palavra, pelo exemplo, pelo desejo sincero de levar todos a fugir do pecado e a conseguir a salvação.

Esse mesmo Isaías que nos definiu com palavras tão felizes a pessoa de João Batista – a voz que clama no deserto -, fala-nos de Cristo com palavras ainda mais maravilhosas, que podemos encontrar a cada passo na liturgia. Neste domingo, por exemplo, encontramos um verdadeiro perfil de Cristo, enquanto cheio da presença do Espírito Santo: Ele é “um rebento da raiz de Jessé – isto é, um descendente de Davi -, sobre quem repousa o Espírito do Senhor! Espírito de Sabedoria e de discernimento, Espírito de conselho e de fortaleza, Espírito de ciência e de piedade, e o encherá do Espírito do temor do Senhor! Notemos que essa enumeração, adotada pelo texto da Vulgata, corresponde à nossa lista dos “sete dons do Espírito Santo, como aparecem no ritual do sacramento da Crisma.

Esse Cristo, cheio do Espírito do Senhor, transformará a terra numa terra de paz: o lobo habitando com o cordeiro, o cabrito com o leopardo, a vaca com o urso, a criancinha podendo pôr sem medo a mão na cova da serpente. Não haverá perigo, porque o conhecimento do Senhor encherá a terra como as águas enchem o mar (cfr Is 11,1-10). E o profeta conclui com esta proclamação de vitória: Naquele dia, a raiz de Jessé se erguerá como sinal dos povos” (v. 10). Como um grande estandarte levantado no coração da História. Como irá proclamar a carta aos hebreus: “Cristo ontem, hoje e para todos os séculos! (Hb 13,8).

Espírito que converte, toca o coração de todas as pessoas para que, abandonando seus erros e vícios, voltem-se para Jesus, por uma sincera conversão.


Fonte Canção Nova