terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Homilia Diária - 17.02.2023

Abracemos nossa cruz e sigamos Jesus


HOMILIA


A “cruz” são todas as nossas obrigações e responsabilidades, as quais, muitas vezes, causam até dores em nossa alma

“Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: ‘Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga’” (Marcos 8,34).


Aquilo que o Mestre Jesus está dizendo, após reconhecerem o significado do seu ser Messias, não é um ser triunfante nem glorioso, mas o Messias é o servo sofredor, é aquele que carrega a humanidade nas costas. Jesus não faz mágica para salvar a humanidade, mas abraça a sua humanidade com todas as consequências da vida humana.


Para seguirmos Jesus, precisamos, primeiro, abraçar a nossa humanidade, porque, muitas vezes, queremos ser anjos, achamos que somos seres meramente espirituais e que temos de viver a nossa espiritualidade conversando com os anjos o tempo inteiro. 


A nossa humanidade precisa ser divinizada, precisa de comunhão com a vida espiritual que Ele nos trouxe, mas a nossa humanidade precisa também ser assumida na sua plenitude como Cristo a assumiu. Por isso, Ele está dizendo que quem quiser segui-Lo não pode querer se transformar em anjo. Quem quer segui-Lo precisa renunciar a si mesmo, porque renunciar a si mesmo é a exigência mais difícil, pois somos muito apegados a nós, somos apegados as nossas coisas, somos cheios de vontades próprias e movidos pelo nosso egoísmo, pelo nosso individualismo. É muito difícil largarmos as nossas coisas, o nosso mundinho para penetrarmos no mundo de Deus.


O peso do discipulado não significa que seguir Jesus seja pesado. O que é pesado é o que nós carregamos e não queremos abrir mão, queremos viver com as costas cheias de coisas, queremos viver cheios de coisas, por isso está todo mundo reclamando: “Tenho coisas demais para fazer!”. Não conseguimos abrir mão nem das coisas que temos em nosso guarda-roupa, porque somos apegados às roupas que temos, às coisas que fazemos; e não encontramos tempo para estar com o Mestre nem para rezar, porque nos enchemos de obrigações demais.


Renunciamos coisas que são até importantes para abraçar o que é essencial, e o essencial o Mestre Jesus direciona para nossa vida. Só pode seguir Jesus quem tem capacidade de fazer renúncias. A vida é exigente, e para abraçar o essencial da vida é preciso renunciar ao superficial.


Abrace a sua cruz. A “cruz” são todas as nossas obrigações e responsabilidades, as quais, muitas vezes, causam até dores em nossa alma. Se temos uma enfermidade, precisamos “abraçá-la”. Se temos dificuldade de convivência, não adianta fugirmos para resolver. Se temos filhos que apresentam essa ou aquela dificuldade, este ou aquele desafio; se o casamento se torna algo doloroso, não é a fuga que resolve, mas o abraço à cruz, porque ela nos salva e dela teremos luz para as situações da nossa vida.


Deus abençoe você!


Fonte Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. 

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Homilia Diária - 16.02.2023

 TU ÉS O CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO! Mc 8,27-33


HOMILIA


Jesus encerra o seu ministério entre os gentios. E decide dirigir-se para o sul a caminho de Jerusalém, pela Judéia, em um ambiente exclusivamente judaico, para ali fazer seu anúncio libertador. Depois de tudo o que falou e fez entre os gentios, agora quer colher a consciência popular sobre o que as pessoas dizem da sua pessoa: Quem o povo diz que eu sou? O mestre sabia das diversas imagens a respeito de sua personalidade. Mas Ele quer ouvir dos seus, o que têm escutado entre os ‘bastidores’, e pergunta sobre isso aproveitando a ocasião da viagem em direção às aldeias de Cesaréia de Felipe. Como era do conhecimento do mestre, as respostas são divergentes e até mesmo absurdas: Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros que é Elias; e outros que é um dos profetas. Estas, cheiram à reencarnação de João Baptista, ao retorno de Elias e até citam Jeremias, em Mateus.


Falar sobre o que os outros dizem sobre Jesus era tão fácil que todos levantaram para se pronunciarem. Só que, o que Jesus queria mesmo era ouvir os discípulos, a resposta deles. Sobre o que eles pensavam do mestre. Até porque Ele não estava interessado em saber o que o povo dizia. Ele já o sabia. Ele quer sim saber se no coração de seus discípulos já se delineara a certeza de sua essência. E então redireciona a pergunta: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Ante esta terrível pergunta, Pedro cheio do Espírito Santo, logo se apresenta para afirmar: Tu és o Cristo. Em Mateus aparece a profissão de fé mais contundente: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.


A esta afirmação, Jesus adverte que ainda não era hora de tornar público toda a verdade, e que esperassem um pouco mais para começar a propagar que Deus se fizera carne e habitava entre nós. E então, percebeu que havia alcançado o seu objetivo entre os seus discípulos, e que este conhecimento os fortaleceria para pregarem a sua mensagem a todos os demais. Eis o segredo de um ministério vitorioso: Deixar bem claro na mente e no coração de todos a verdade, para que estes dêem continuidade à pregação com zelo, com certeza e com firmeza. Jesus começa a ensinar a seus discípulos o que o aguardava: O Filho do Homem terá de sofrer muito. Ele será rejeitado pelos líderes judeus, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da Lei. Será morto e, três dias depois, ressuscitará.


Esta parte era a mais dura de ouvir a ponto de constranger os discípulos, pois eles esperavam que seu líder fosse reconhecido e homenageado pelos príncipes e recebesse honrarias, e não o contrário. Isto pareceu fora de propósito. Foi por isso que Pedro chamou Jesus à parte e começou a reprová-lo. Mas Jesus chega a conclusão que até Pedro tinha dado ouvidos a satanás e então, virando-lhe as costas, volta-se em direção aos discípulos, e repreende com veemência ao espírito que falava pela boca de Pedro naquela hora: Saia da minha frente, Satanás! Você está pensando como um ser humano pensa e não como Deus pensa.


Este episódio nos demonstra que ainda não estavam suficientemente maduros e ainda permitiam que o inimigo se manifestasse no meio deles. Esta muitas vezes é a minha e a tua situação. Quando nós não vivemos a constante vigilância e oração: vigiai e orai para não cairdes em tentação. Ditraídos, o diabo pode  nos pegar de surpresa e nos derrubar em questão de segundos.


Graças a Deus o tempo do titubeio durou pouco, e logo os discípulos ficaram prontos para o Ministério da Salvação. Assim como eles, nós também precisamos pedir a Deus a graça do amadurecimento gradual da fé em nós e a revelação da verdadeira identidade de Jesus, servo fiel, cuja vida esteve totalmente entregue em tuas mãos.


Pai, revela-me a verdadeira identidade de Jesus, servo fiel, cuja vida esteve totalmente entregue em tuas mãos. E dá-me a graça de, como Ele, ser fiel a Ti.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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Homilia Diária - 15.02.2023

A LÍNGUA E A SALIVA QUE CURA Mc 8,22-26


HOMILIA


Na umidade interior da boca, a saliva é uma espécie de sêmen da palavra. Ela tem como a água, grande importância: une e dissolve os alimentos, pode curar ou corromper, suavizar ou insultar violentamente, como quando se transforma em cuspe. O órgão da saliva é a língua, como na relação entre a lágrima e os olhos. A língua, como um pequeno leme, governa nossa embarcação. A língua é fértil, seu semem é a saliva e seu fruto maduro e criativo é o Verbo, a palavra. Para despertar a palavra, para libertar o Verbo, Jesus empregará sua saliva sob a boca e os ouvidos do surdo-mudo. Para impedir a palavra e aniquilar o Verbo, cuspiram sobre o rosto de Jesus.


Língua e saliva. Como órgão do paladar e do gosto, a língua é símbolo do discernimento. Ela separa o bom do ruim; ela distingue, ela aparta e isola como um chicote, uma faca ou uma espada. Como órgão da palavra, a língua é criadora do Verbo e identifica-se com ele.


A língua é considerada como uma chama, cuja forma e mobilidade é como o fogo que destrói e purifica. Como instrumento da palavra, a língua edifica e arrasa. Comparada ao fiel de uma balança, a língua julga. Comparada a um pequeno leme, dirige o navio inteiro. A língua é como o fogo, o único animal que ninguém consegue dominar Tg 3,2-12. Na maioria das vezes o termo significa a própria palavra. Quando a palavra língua é empregada sem qualificativo, em geral designa a má língua. Como tens utilizada a tua língua?


Na Bíblia, a saliva evoca a vida, a cura e a salvação. Tocados pela saliva, os cegos vêem, surdos ouvem e mudos falam. Ao promover, com os dentes e a língua, uma intimização da pessoa com o alimento – por todos os critérios de reconhecimento derivados do paladar – a saliva fala do nosso desejo de alimentação espiritual, de alimentar-se do divino, de comer Deus. Na cavidade bucal, a saliva está associada às núpcias celestes, ao banquete celeste.


A saliva de Jesus é muito mais do que simplesmente um líquido transparente e insípido, segregado pelas glândulas salivares na base da língua que serve para fluidificar os alimentos, facilitar sua ingestão e digestão. A saliva de Jesus cura e liberta.


Associada aos alimentos, a saliva serve para uni-los e dissolvê-los, pode curar ou corromper, suavizar ou ofender. Ofender e insultar violentamente como quando cospe-se em alguém. Cuspir no rosto é um gesto grave em conseqüências, na tradição judaica. Quem cospe em alguém, não foi capaz de reter sua ira, seu ódio e transforma sua saliva luminosa em cuspe, em “não-luz”. Na Bíblia, cuspir no rosto de alguém é uma suprema vergonha, punida de lepra (Nm 12,14).


Falar de saliva é até certo ponto evocar a salivação que nos lembram sal e salvação. Elas falam do desejo de alimentação espiritual, de um saber que é sabor e sabedoria, de comer Deus, de alimentar-se do divino e saboreá-lo. A sabedoria leva a falar com sabor, com um sabor indestrutível como o do sal.


A saliva lembra a essência da purificação e da iluminação, o caminho terapêutico da intimidade com Deus, o banquete de núpcias, o encontro do Esposo com a esposa.


O tema da cegueira é bastante central na missão de Jesus. Não há dúvida que, entre as curas de Jesus, as mais relevantes devolveram a visão aos cegos. Na tradição judaica, abrir os olhos era a cura messiânica por excelência, o sinal para a identificação do verdadeiro messias, segundo a tradição profética. Ao apresentar-se na sinagoga de Nazaré, Jesus declara-se ungido – precisamente – para abrir os olhos aos cegos. Cristo vem abrir os olhos de todos para enxergarem o Invisível.


Como criaturas somos todos cegos de nascença. A matéria dela mesma não vê nada, não sabe nada. Nossa matéria só vê e sabe, se for tocada pela saliva e palavra de Jesus Cristo, pela fertilidade da água viva. Somos vitimados pelas mais diversas cegueiras. Não vemos sequer a maior das certezas, a realidade da morte fruto do pecado. E vivemos muitas vezes como se fossemos imortais. O mistério da vontade divina é o seu desejo de salvação para todos (Ef 1,9). Jesus vai em direção ao cego, sem distinção. E assim como na gênese do homem, Deus uniu sopro e saliva com o barro do terroso (Gn 2,7), assim Ele pega no barro e unta os olhos do cego. Os padres da Igreja já viam nesse barro feito por Jesus, um sinal da sua encarnação. Jesus usa e sacraliza a natureza, o pó da terra e a terapêutica saliva, para curar. E faz da cura física um sinal da cura espiritual.


Somos cegos e devemos aceitar nossa condição humana: não vemos a luz. Aceitar também, sem contestação, que o sopro e a palavra de Jesus que está por detrás da saliva habitem nosso pó, sinais da presença de Cristo, de nossa divinização e da fonte da nossa salvação. Jesus ao cuspir e passar a saliva nos olhos do homem, ao pôs a mão sobre ele e perguntar se ele via alguma coisa, nos convida a mergulharmos em nossa condição humana e suas racionalidades com uma nova consciência. Só n’Ele, por Ele e com Ele nós conseguimos enxergar o caminho que nos leva ao Pai.


Agora lavados com e pela salva de Jesus temos os nossos olhos abertos! Vemos, sabemos e conhecemos o que nos pode matar. E para tal já não podemos voltar para o povoado! Povoador quer dizer: voltar para a vida do pecado que gera a nossa morte e a dos nossos!

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Homilia Diária - 14.02.20

ABANDONO NA PROVIDÊNCIA DIVINA Mc 8,14-21



HOMILIA


Se perfurássemos o véu, e se estivéssemos vigilantes e atentos, Deus revelar-Se-nos-ia sem cessar e usufruiríamos da Sua ação em tudo quanto nos acontece, dizendo perante todas as coisas: « é o Senhor!» (Jo, 21, 7). E descobriríamos em todas as circunstâncias um dom de Deus.


Consideraríamos as criaturas frágeis instrumentos nas mãos de um obreiro onipotente; e reconheceríamos sem dificuldade que nada nos falta, e que a contínua atenção de Deus O leva a proporcionar-nos em cada instante aquilo que nos convém. Se tivéssemos fé, teríamos boa vontade para com todas as criaturas; haveríamos de acariciá-las, interiormente gratos pelo fato de elas servirem e se tornarem favoráveis à nossa perfeição, aplicada pela mão de Deus.


Se vivêssemos ininterruptamente uma vida de fé, estaríamos em permanente comércio com Deus, falando com Ele a todo o momento.


A fé é intérprete de Deus; sem os esclarecimentos que ela proporciona, não compreendemos a linguagem das criaturas. Esta é uma escrita em números, onde apenas vemos confusão; uma amálgama de espinhos, de onde não nos ocorre que Deus possa falar. Mas a fé permite-nos ver, como Moisés, o fogo da caridade divina que arde no seio destes espinhos (Ex 3, 2); a fé dá-nos a chave destes números, permitindo-nos descobrir, no meio da confusão, as maravilhas da sabedoria do alto. A fé confere um rosto celeste a toda a terra; é por meio dela que o coração é transportado, arrebatado, para conversar no céu. A fé é a chave dos tesouros, a chave do abismo, a chave da ciência de Deus.


Pai, Deus todo-poderoso, é a ti que devo consagrar a principal ocupação da minha vida. Que todas as minhas palavras e pensamentos se ocupem de ti. Porque sou pobre, peço aquilo que me falta; farei um esforço desmedido para entender as palavras dos teus profetas e dos teus apóstolos, baterei a todas as portas que me dão acesso a uma compreensão que me está vedada.


Mas é a ti que cabe atender o meu pedido, conceder o que procuro abrir a porta fechada.


Na verdade, vivo numa espécie de torpor por causa do meu adormecimento natural; estou impedido de compreender os teus mistérios por uma ignorância invencível devida à fraqueza do meu espírito.


Mas o zelo pelos teus ensinamentos fortalece a minha percepção da ciência divina e a obediência da fé me ergue acima da minha capacidade natural para conhecer. Espero, assim, que tu estimules os começos da minha vida e família, que a fortaleças com um sucesso crescente, que a chames a partilhar o espírito dos profetas e dos apóstolos. Quero compreender as suas palavras no sentido com que eles as pronunciaram , proclamaram e empregar os termos exatos para transmitir fielmente as realidades que eles exprimiram. Concede-me o sentido exato das palavras, a luz da inteligência, a elevação da linguagem, a ortodoxia da fé; aquilo em que acredito, concede-me que também o afirme e proclame. Eu me abandono nas Vossas Mãos Providentes e sei que não ficarei enganado.

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Homilia Diária - 13.02.2023

JESUS, O VERDADEIRO SINAL! Mc 8,11-13


HOMILIA


Irmãos vejam que amor o Pai nos consagrou! Enquanto os homens mergulham em suas audácias, Deus se nos apresenta com insondável bondade e em nós contempla toda a criação. Ele está em toda a parte, em tudo, e sem Ele não podemos existir. Em nenhum instante duvidei da Sua existência, mas sei que alguns vivem na dúvida. Dirigindo-me a ti gostaria que se não acreditas em Deus, ajudes o próximo com atos inspirados pelo amor. Pois os frutos dessas obras serão graças suplementares que descerão à tua alma. Começaras então a desabrochar lentamente e aspirarás à alegria de amar a Deus.


Há tantas religiões! Cada um segue Deus à sua maneira. Quanto a mim, sigo o caminho de Cristo: Jesus é o meu Deus, Jesus é o meu único Amor, Jesus é o meu Tudo em tudo! Que sinal devo pedir mais do céu se já tenho a Arvores da vida, o Sacerdote que entra no santuário não com o sangue alheio, mas com o Seu próprio Sangue? Ele tudo o que preciso? Que prova porei a Jesus se Ele é a Prova de que Deus me ama!


Eis a razão por que nunca tenho medo. Faço o meu trabalho com Jesus, faço-o por Ele, dedicando-lho; por isso, os resultados são Seus e não meus. Se precisares de um guia, só tens que voltar os olhos para Jesus. Deves entregar-te a Ele e contar inteiramente com Ele.


Quando fazes isso, a dúvida se dissipa e a segurança te invade. Não te esqueça que o mais belo ato de fé é o que sai dos teus lábios em plena obscuridade, no meio dos sacrifícios, dos sofrimentos, o esforço supremo de uma vontade firme em fazer o bem. Como um raio, este ato de fé dissipa as trevas da tua alma; no meio dos relâmpagos da tempestade, ela te eleva e te conduz a Deus.


A fé viva, a certeza inquebrantável e a adesão incondicional à vontade do Senhor, eis a luz que guiou os passos do povo de Deus no deserto. É esta mesma luz que resplandece a cada instante no espírito agradável ao Pai. Foi também esta luz que conduziu os magos e os fez adorar o Messias recém-nascido. É a estrela profetizada por Balaão (Nm 24,17), o archote que guia os passos de todo o homem que procura Deus.


Ora esta luz, esta estrela, este archote, são igualmente o que ilumina a tua alma, o que dirige os teus passos para te impedir de vacilar, o que fortifica o teu espírito no amor de Deus. Tu não a vês, tu não a compreendes, mas isso não é necessário. Tu só verás trevas, certamente não as dos filhos da perdição, mas sim as que rodeiam o Sol eterno. Tenhas por certo que Jesus é o Sol resplandece na tua alma; o profeta do Senhor cantou a seu respeito: “na tua luz é que vemos a luz” (SL 36,10).


O Espírito Santo diz-nos: Não deixeis o vosso espírito sucumbir à tentação e à tristeza porque a alegria do coração é a vida da alma. A tristeza não serve para nada e cria a morte espiritual. Acontece por vezes que as trevas da prova oprimem o céu da tua alma; mas elas se convertem em luz com Cristo e em Cristo!


Deves progredir na alegria do coração sincero e de grande abertura para Deus. E se te é impossível conservar esta alegria, pelo menos não podes perder a coragem e conserve toda a tua confiança em Deus.


No texto de hoje vemos duas coisas: de um lado, obras divinas; de outro lado, um homem. Se só Deus pode realizar obras divinas, então presta bem atenção e vê se Deus não estará escondido naquele homem. Sim, esteja bem atento ao que vês e creia no que não vês. Aquele que te chamou a acreditar, não te abandonou e jamais o fará. Mesmo quando te pede que creias no que não podes ver, não te deixou sem nada para ver. Pois vê-l’O, é ver o Pai. Ele não te deixou privado de alguma coisa que te possa levar a crer naquilo que não vês. Será que, para ti, a própria criação é um sinal pobre, uma manifestação frágil do seu Criador? Repara que ele vem e faz milagres. Não podias ver Deus, mas podias ver um homem; então Deus fez-se homem, para unificar em ti o que vês e o que crês. Não perca tempo exigindo mais um sinal do que já tens o Maior Sinal. Aquele que supera Jonas, Salomão e João Batista. Ele é Aquele que atraído da terra atrai tudo e todos para Deus Seu Pai. É Ele o verdadeiro sinal que devemos querer e trazer no nosso dia a dia e então veremos a salvação que vem de Deus.

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Homilia Diária - 12.02.2023

 JESUS DÁ SENTIDO À LEI Mt 5,17-19


HOMILIA


Para Jesus, a lei moral é obra da Sabedoria divina. Por isso, Podemos defini-la, em sentido bíblico, como uma instrução paterna, uma pedagogia de Deus. Ela prescreve ao homem os caminhos, as regras de procedimento que o levam à bem-aventurança prometida e lhe proíbe os caminhos do mal, que desviam de Deus e do seu amor. E, ao mesmo tempo, firme nos seus preceitos e amável nas suas promessas. Eis a razão do porque Jesus diz: o céu e a terra passarão; porém, nada será tirado da Lei – nem a menor letra, nem qualquer acento.


Portanto, a questão da obediência aos mandamentos divinos, ou tudo quanto Deus ordena, não visará à salvação, pois entra no campo da santificação, e não da justificação. Entender o papel da lei como meio de salvação seria um uso “ilegítimo” da mesma (1 Timóteo 1:8).


O fracasso espiritual de Israel, que motivou sua rejeição como propriedade de Deus, não estava na lei, que é “perfeita”, “santa, justa, boa, espiritual, prazerosa” (Salmo 19:7; Romanos 7:12, 14, 22). Mas sim na atitude de auto-confiança do povo quanto às suas possibilidades de obedecê-la plenamente.


Por isso é que Jesus dirigindo-se ao povo diz : Não pensem que eu vim para acabar com a Lei de Moisés ou com os ensinamentos dos Profetas. Não vim para acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo. Assim, Ele ressaltou os princípios básicos da lei divina como sendo “amor a Deus sobre todas as coisas” e “amor ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22:36-40). Paulo o confirma em Romanos 13:8-10 e ambos estes princípios sempre foram reconhecidos pelos cristãos como a síntese da lei divina tanto na linha “horizontal” ou seja, no amor ao próximo, quanto “vertical” o amor para com Deus, de relacionamento.


Com uma pouca margem de erro diria que há preceitos de caráter cerimonial, civil e moral na lei divina independentemente de ocorrer tal linguagem “técnica” nas páginas bíblicas, fato reconhecido por Confissões de Fé e autoridades cristãs de diferentes confissões do passado e do presente. Em toda a Lei está a defesa da vida que a final é um dom de Deus.


No sermão da montanha (Mateus 5 a 7), bem como no diálogo com o jovem rico (Mateus 19:16ss), ao Cristo tratar do verdadeiro espírito da lei Ele lembra que Deus leva em conta não só a mera obediência ao seu texto, mas as reais e íntimas intenções do indivíduo quanto a tal obediência.


Nenhum dos mandamentos da Lei de Deus tem aplicação limitada a Israel. O próprio princípio do sábado foi estendido aos “filhos dos estrangeiros” (Isaías 56:2-8), e todas as pessoas de todas as nacionalidades têm necessidade de um dia regular de repouso, daí porque “o sábado foi feito por causa do homem” (Marcos 2:27).


No novo concerto os princípios básicos da lei divina são escritos por Deus nos corações e mentes dos Seus filhos, judeus ou gentios, nos moldes do que havia sido prometido ao antigo Israel em Ezequiel 36:26, 27 e Jeremias 31:31-33.


Nos debates de Cristo com os escribas e fariseus sobre o sábado Ele está corrigindo a prática extremada e insensível deles do Decálogo, e não combatendo uma norma estabelecida por Ele próprio como Criador e Legislador (ver Mateus 12:1-12; Heb. 1:2).


João no Apocalipse (1:10) refere-se ao “dia do Senhor” que para nós católicos é o Domingo, como sendo um dia especial dedicado a Deus. Portanto, ele mantinha um dia especial de observância, como estabelecido no 3º mandamento da lei de Deus: Santificar os Domingos e Festas de Guarda.

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Homilia Diária - 11.02.2023

 JESUS,O PÃO REPARTIDO PARA NOSSA SALVAÇÃO Mc 8,1-10


HOMILIA


Deus Pai na Sua infinita bondade quis nos restituir a humanidade dando-nos o Seu Próprio Filho Jesus Cristo nosso Senhor, o Pão Vivo descido do céu, que à cada Eucaristia nos alimenta e nos dá novo alento e perdão.


Jesus partiu o pão. Se não tivesse rompido o pão, como é que as migalhas chegariam até nós?


Mas ele partiu-o e distribuiu-o: « Distribuiu-o e deu-o aos pobres». Partiu-o por amor, para quebrar a ira do Pai e a Sua. Deus tinha-o dito: ter-nos-ia aniquilado, se o seu Único, «o seu eleito, não se tivesse posto diante dele, erguido sobre a brecha para afastar a sua cólera». Ele colocou-se diante de Deus e apaziguou-o; pela sua força indefectível, manteve-se de pé, não quebrado.


Mas Ele próprio, voluntariamente, partiu e distribuiu a Sua carne, rasgada pelo sofrimento.


Foi então que Ele «quebrou o poder do arco», «quebrou a cabeça do dragão», todos os nossos inimigos, com o Seu poder. Então, partiu de algum modo as tábuas da primeira aliança, para que já não estejamos sob a Lei. Então quebrou o jugo da nossa prisão.


Quebrou tudo o que nos quebrava, para reparar em nós tudo o que estava quebrado, e para «enviar livres os que estavam oprimidos» (Is 58,6), Com efeito, nós estávamos cativos da miséria e das correntes.


No sacramento do altar, o Senhor vem ao encontro do homem, criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 27), fazendo-Se seu companheiro de viagem. Com efeito, neste sacramento, Jesus torna-Se alimento para o homem, faminto de verdade e de liberdade. Uma vez que só a verdade nos pode tornar verdadeiramente livres (Jo 8, 36), Cristo faz-Se alimento de Verdade para nós. Com agudo conhecimento da realidade humana, Santo Agostinho pôs em evidência como o homem se move espontaneamente, e não constrangido, quando encontra algo que o atrai e nele suscita desejo. Perguntando-se ele, uma vez, sobre o que poderia em última análise mover o homem no seu íntimo, o santo bispo exclama: « Que pode a alma desejar mais ardentemente do que a verdade?


De fato, todo o homem traz dentro de si o desejo insuprimível da verdade última e definitiva. Por isso, o Senhor Jesus, « caminho, verdade e vida » (Jo 14, 6), dirige-Se ao coração anelante do homem que se sente peregrino e sedento, ao coração que suspira pela fonte da vida, ao coração mendigo da Verdade. Com efeito, Jesus Cristo é a Verdade feita Pessoa, que atrai a Si o mundo. Jesus é a estrela polar da liberdade humana: esta, sem Ele, perde a sua orientação, porque, sem o conhecimento da verdade, a liberdade desvirtua-se, isola-se e reduz-se a estéril arbítrio. Com Ele, a liberdade volta a encontrar-se a si mesma. No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo particular a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele ( 2 Tm 4, 2), que Deus é amor. Exatamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para nós, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus.


Bom Jesus, ainda hoje, se bem que tenhas aniquilado a ira, partido o pão para nós, pobres pedintes, continuamos com fome. Parte, pois cada dia esse pão para aqueles que têm fome. É que hoje e todos os dias recolhemos algumas migalhas, e cada dia precisamos de novo do nosso pão quotidiano. «Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.» (Lc 11,3) Se Tu não o dás, quem o dará? Na nossa privação, na nossa carência não há ninguém para nos partir o pão, ninguém para nos alimentar, ninguém para nos refazer, ninguém senão Tu, ó nosso Deus. Em todo o consolo que nos mandas, recolhemos as migalhas desse pão que nos partes e saboreamos «como é doce a tua misericórdia».


Celebramos hoje a memória de São Cirílo e São Metódio, dois irmãos pelo sangue pela fé, pela vocação apostólica e até pela morte! O dois por fazerem da Eucaristia o seu alimento diário se converteram em autênticos evangelizadores dos povos eslavos. Como seria bom se todos os da minha casa, família tivessem como alimento primordial o Pão dos anjos, o pão dos fortes e como conseqüência se entregassem ao serviço do evangelho? Peçamos ao Senhor esta graça!


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