sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Homilia Diária - 09.01.2021

 JESUS E JOÃO BATISTA Jo 3,22-30


HOMILIA


Tudo começou a partir do baptismo de Jesus. Entendemos assim que o Senhor só começou seu ministério após se batizar, mostrando assim a importância de sermos batizados e batizarmos, como fizeram João Baptista e, posteriormente, os discípulos de Jesus baptizando os adultos que se arrependiam de seus pecados. Mas você pode perguntar por que Jesus se batizou se Ele não tinha pecado? João também questionou isso e Jesus lhe respondeu “… deixa por agora, porque assim convem cumprir toda a justiça…” (Mt.e:15). Creio que Jesus ali não deixou margem para ninguém argumentar que não se baptizaria porque o Cristo também não havia se baptizado.


E, no dia seguinte após o batismo de Jesus, estavam João Batista e dois de seus discípulos e vendo o mestre passar, João disse à eles “…Eis aqui o cordeiro de Deus” (v.36).


O evangelho de João realça a íntima relação entre os ministérios de João Batista e de Jesus. Após ser baptizado por João, Jesus reúne seus primeiros discípulos, André, Pedro, Filipe, Natanael, dentre os discípulos de João Baptista. Com eles, segundo este evangelho, Jesus inicia seu ministério na região da Judéia e, aí, baptizava. Os discípulos do Baptista vêm a ele comunicar este fato. João Baptista reconhece a graça presente em Jesus e dá testemunho da sua autenticidade. Ele tem consciência de que veio para preparar o caminho do Senhor, e não para se constituir em um obstáculo neste caminho.


André, um dos dois que estavam com João Baptista chama agora Simão, seu irmão e diz-lhe ter encontrado o Messias.


Como fez João Baptista devemos sempre apresentar Jesus àqueles que ainda não o conhecem., pois os dois discípulos esperavam por aquele momento e logo seguiram ao Mestre. Quantos estão nesta situação, apenas esperando-nos apresentar-lhes Jesus? Eles queriam conhecer melhor a Jesus, saber onde morava. Temos que ter esta sede de conhecê-lo, pois a Palavra nos diz “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor…”(Os.6:3). E Jesus os aceitou e aceita-nos também, foi Ele que nos escolheu e não nós à Ele.


É o que devemos fazer com os nossos familiares e também com os vizinhos, amigos e até com os estranhos. E Jesus, chama Simão pelo nome testificando o poder que havia Nele. Jesus também te conhece pelo nome. Ele mudou o nome de Simão para Pedro, mas, ainda que Ele não mude o seu nome, Ele faz de você uma nova criatura.


Alias, o autêntico missionário é aquele que com humildade prepara o caminho e, depois, se alegra ao perceber a ação de Deus na comunidade pelos carismas ali manifestados pelas iniciativas de seus membros.


Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Homilia Diária - 08.01.2021

A CURA DO LEPROSO Lc 5,12-16


HOMILIA


Nós queremos tudo de Deus, mas não queremos oferecer nenhum sacrifício, não é igual ao de Jesus, carregar cruz, ou se martirizar, nem subir degraus de escadarias de joelhos. O que Deus quer de nós (ROMANOS 12.1-2) Rogo-vos, pois irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício santo e agradável a Deus que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa e agradável vontade de Deus.


No episódio de hoje, aparece bem claro duas atitudes:  a do leproso e a de Jesus.  Da parte do leproso a confiança e o desejo da cura:  “SE QUERES, TENS O PODER DE CURAR-ME”. Da parte de Jesus, a compaixão: “Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão e tocou nele”. Depois, a vontade de curar: “EU QUERO, FICA CURADO! No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. Então Jesus completa: “Vai mostrar-te ao sacerdote”! Para poder ser reintegrado na comunidade. Mas este gesto de Jesus não significa apenas a libertação de uma moléstia. Jesus faz mais: ELE TOCA NO LEPROSO. E tocar num impuro era contrair a impureza. Isto sim é que é AMAR! Contrair um mal para curar! Já havia sido profetizado por Isaias: “Era desprezado e abandonado pelos homens, um homem sujeito à dor, familiarizado com a enfermidade, como uma pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado não fazíamos caso nenhum dele. E no entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores ele carregava”( Is 53, 3-5 ). Ou seja: carregou a nossa LEPRA para nos curar na raiz do nosso ser!


 INFELIZMENTE AINDA EXISTE MUITA LEPRA EM NOSSOS DIAS APESAR DE TODO O PROGRESSO DA MEDICINA. HÁ OS LEPROSOS FÍSICOS E OS LEPROSOS MORAIS. OS LEPROSOS FÍSICOS são os BANIDOS da nossa sociedade moderna: os que moram nas ruas, cortiços, favelas, passando fome como aquelas famílias pedintes ao longo da BR 101, na Bahia, os desempregados, os jovens drogados, as crianças prostituídas, os idosos abandonados. OS LEPROSOS MORAIS são, não os banidos, mas… os bandidos de nossos dias os corrompidos e corruptores de todos os tipos, os egoístas de todos os matizes, os pecadores contumazes, os infiéis, os adúlteros que pregam a dissolução da família, os violentos, seqüestradores, assaltantes e assassinos. Já pensaram num marido ao chegar em casa depois de cometer adultério? Ele deveria gritar como os leprosos da “IMPURO! IMPURO!”..


DIANTE DOS LEPROSOS FÍSICOS age ATRAVÉS DE NÓS! Onde quer que falte o alimento, bebida, roupa, casa, medicamento, trabalho, instrução, saúde…aí deve a caridade cristã ir buscá-los, consolá-los, reerguê-los. ESTE É O GRANDE TESTEMUNHO QUE O MUNDO DE HOJE ESPERA DA IGREJA E DOS CRISTÃOS. É o que dizia o nosso Papa Bento XVI na recém publicada encíclica “DEUS É AMOR”: O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever antes de mais para cada um dos fiéis, mas é-o também para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus níveis: desde a comunidade local passando pela Igreja particular até à Igreja universal na sua globalidade. A Igreja também enquanto comunidade deve praticar o amor.”


 DIANTE DOS LEPROSOS MORAIS, Jesus quer curar PESSOALMENTE. O problema é irem até Jesus e pedirem a cura, pedirem para ficarem limpos! Diante das “lepras” físicas, não exitamos em pedir a Jesus:  SE QUERES PODES CURAR-ME. Mas diante das “lepras morais” , exitamos e, muitas vezes, não queremos que Ele nos cure…Jesus quer curar. Basta se arrepender, ajoelhar-se aos seus pés, e pedir:  SENHOR, SE QUISERES, PODES CURAR-ME. E Jesus vai dizer:  QUERO, FICA CURADO,  mas vai apresentar-te ao sacerdote, confessa o teu pecado,  para receberes o sinal do meu perdão no sacramento da Penitência.


O escritor do texto, Lucas, viu neste homem, não apenas a enfermidade física, mas espiritual. Jesus o purifica dizendo, fica limpo, vai ao sacerdote (verso 14). Uma decisão acertada. Aquele homem não se importou com o que haveriam de pensar acerca da sua presença ali, nem da sua condição física ou financeira, não estava preocupado se iriam repreendê-lo, e até expulsá-lo, o que ele queria era estar aos pés de Jesus. Que decisão acertada, buscou o Melhor para lhe dar o que ele precisava: além da cura física para a sua recuperação e restauração ao convívio, como também, a cura espiritual, por um ato de fé, de confiança. Mas em quem confiar? Aquele homem não buscou outros mediadores, caminhos, simpatias, nada que lhe fosse passado; buscou o Senhor dos Senhores, Aquele que disse Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Se aquele homem tivesse por um instante sequer, uma indecisão, perderia com certeza a única de sua vida. O poder de Deus está muito além da nossa fé, porque o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza, Jesus Cristo quebra as barreias e nos dá a libertação, principio primeiro, se humilhar diante do Senhor, clamar e suplicar, para que na vontade do Senhor as coisas aconteçam, e através dos olhos da fé possamos ver o agir de Deus, pois o restante não está em nós, mas no seu agir. Aquele homem não queria ser apenas curado, mas o seu desejo era ser purificado, “se quiseres podes me purificar”. Jesus o curou e determinou, para a tua purificação, procure o sacerdote, e oferece em sacrifício o que Moisés determinou (LEVÍTICO 14).


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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Homilia Diária - 07.01.2021

 INÍCIO DA MISSÃO DE JESUS Lc 4,14-22a


HOMILIA


Cada evangelista destaca uma cena especial para o início do ministério de Jesus. Em Marcos, temos a expulsão de um espírito impuro na sinagoga; em Mateus, a proclamação das bem-aventuranças; em João, as bodas de Caná; e, no texto de hoje, Lucas apresenta a inauguração do ministério de Jesus em uma sinagoga de Nazaré, com a leitura do texto de Isaías que fala da evangelização dos pobres e da libertação dos oprimidos. Assim, o Evangelho de hoje nos fala do início da vida pública de Jesus, quando Ele começou a pregar nas sinagogas da região da Galiléia, e particularmente em Nazaré, cidade onde Ele foi criado.


Observe que o Evangelho já começa dizendo que “Jesus voltou para a Galiléia”. O que significa dizer que Ele estava em outro lugar. Particularmente, eu não duvido que Jesus tenha viajado bastante, e conhecido vários lugares, culturas e pessoas diferentes. Acredito que em sua vida terrena, nos anos não-narrados pelos evangelistas, Ele tenha aprendido muito mais do que ensinou. Afinal, para falar tão bem como Ele falava, era necessário conhecer tudo sobre o Reino dos Céus, sobre o Deus Pai, e sobre o ser humano em si, seus sentimentos, suas limitações, suas imperfeições…


Outro ponto que torna Jesus tão especial como pregador é que Ele foi o primeiro profeta a trazer a imagem do Deus Pai, e não daquele Deus vingativo, que pune o pecador e a sua descendência com doenças e desventuras. Você já assistiu alguma pregação em que a pessoa só falava nos pecados, castigos, no inferno, no inimigo e de coisas ruins? Certamente deve ter saído desta palestra bem “pesado”… Com medo de fazer qualquer coisa que Deus desaprovasse…


Nestas primeiras pregações de Jesus, quando Ele ainda nem tinha discípulos, Ele deve ter falado muito sobre a verdadeira felicidade, que consiste em fazer a vontade do Pai, mas não por ser obrigado a fazê-la, e sim por se sentir bem em fazê-la. Por que as pessoas gostavam tanto de ouvi-lo falar? Provavelmente porque Ele ensinava as pessoas a serem felizes! Não ficava impondo vários “nãos”, mas falava de Amor, e quem ama, tudo pode.


Jesus identifica-se com esta missão. Tudo poder para que o homem viva e viva para sempre.


Um outro pormenor de Lucas é sua sensibilidade ao escândalo da divisão da sociedade em ricos e pobres. Ele realça como Jesus vem ao encontro dos pobres para resgatar-lhes a vida e a dignidade. A Boa-Nova é a chegada do Reino de Justiça, com a libertação dos pobres oprimidos.


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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Homilia Diária - 06.01.2021

 NÃO TENHAM MEDO! Mc 6,45-52


HOMILIA

 

Completando a narrativa da partilha dos pães, Marcos nos apresenta a narrativa da travessia do mar no estilo de uma teofania. É uma narrativa com cenas supranaturais e conteúdo simbólico.


Após a partilha, Jesus manda os discípulos de barco para Betsaida, despede a multidão e sobe a montanha para orar. Os discípulos no barco, no meio do mar, encontravam dificuldades devido ao vento contrário. O “mar” é o caos ameaçador, que gera pobreza, exclusão e fome, ameaçando a vida, e que deve ser enfrentado pelos discípulos em sua acção missionária. Jesus, andando sobre o mar, afirma-se como aquele que, pela partilha dos pães mostra o caminho da superação deste caos. Porém os discípulos não entendem. É uma característica de Marcos registrar a dificuldade dos discípulos em entenderem a missão de Jesus.


Portanto, Marcos nos quer dirigir uma palavra de conforto e confiança em Deus. Alías, dentro de nós existe uma força fantástica, capaz de nos dirigir para uma saúde perfeita, um bom trabalho e relacionamentos compensadores – ou seja, temos tudo o que precisamos para atingir a prosperidade e o amor. Pois, Deus nos deu a inteligência e a vontade. Não duvido que seja por isso que Santo Agostinho diz: não podemos procurar Deus fora de nós, é no interior que está a verdade.


O ser humano contribui muito para a sua atual condição de vida. O importante é não ter medo de nada e de ninguém. Jesus continua gritando para nós: Coragem sou eu! Não tenham medo! Experimente coisas novas. Se tu pensar no medo, nada de grandioso poderá ocorrer.


Quando tu  disseres constantemente a ti mesmo que és ótimo, ficará mais fácil fazer mudanças na tua vida. Tenha confiança de que Deus irá proteger-te, possibilitando que algo maravilhoso aconteça. Permita que as novas experiências ocorram e estejas aberto para as modificações. Claro que os obstáculos surgirão. Mas não os vejas como impedimentos, mas sim, como diferentes possibilidades para superar novos desafios.


Mentaliza-te sempre que Deus está a orientar a tua vida para o caminho do bem.


De modo geral, culpamos a sociedade pelas conseqüências positivas ou negativas que ocorrem na vida depois que amadurecemos. Mas é preciso reconhecer as influências benéficas de todos os acontecimentos, por piores que possam parecer no instante em que ocorreram. Caso contrário, o novo não acontece apenas o medo.


A frustração, o desamparo, a raiva ou o choro indicam que a pessoa ainda não cresceu. Tu achas que é possível realizar algo grandioso desta forma? Não. Isto só mostra um comportamento imaturo. Por isso, coragem! Não se limite. Goste de ti mesmo e não espere que alguém vá cuidar das tuas carências e problemas a não ser Deus. Exponha-te diante d’Ele, não temas os julgamentos que outros possam fazer de ti. Seu anjo da guarda o ajudará sempre!


Se usares toda sua potencialidade, conseguirás usufruir as graças que vem do alto. Expresse teus talentos e sejas o primeiro a acreditar que tua vida dará certo. Vença teus medos e sejas muito feliz.


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domingo, 3 de janeiro de 2021

Homilia Diária - 05.01.2021

 JESUS ALIMENTA UMA MULTIDÃO Mc 6,34-44


HOMILIA


Três pontos merecem destaque no Evangelho de hoje. Primeiro a caridade. Se eliminarmos a hipótese de uma multiplicação milagrosa dos pães, o que explicaria que todos comessem os pães, ficassem saciados e ainda sobrassem 12 cestos? A explicação que eu já escutei de muitos padres e estudiosos foi que as pessoas que estavam lá, escutando Jesus, tinham seus pãezinhos guardados nas suas bolsas. No momento em que viram que era hora da ceia, cada um repartiu o que trouxe com aqueles que não trouxeram nada. E assim, todos comeram. Então a caridade foi um fator primordial na multiplicação dos pães. Inclusive, mesmo que tenha ocorrido realmente a multiplicação milagrosa dos pães, certamente houve também a partilha daqueles que trouxeram sua própria comida.


O segundo ponto importante é que Jesus mandou que se formassem grupos e se sentassem. Por quê? Não poderia ter feito a oração e a distribuição dos pães com a multidão desorganizada? Qual seria a intenção de formarem grupos? Jesus sabia de algo básico do ser humano: a maioria das pessoas não consegue comer vendo outra pessoa passando fome na sua frente. Então se imagine na situação: você dentro de um daqueles grupos, com comida na sua bolsa, com fome. A maioria das pessoas, nessa situação, comeria e dividiria uma parte da sua comida com as pessoas mais próximas. Você é assim? Se não for, talvez seja hora de rever seus conceitos…


No Evangelho não diz, mas eu fico imaginando a reação dos discípulos quando Jesus mandou que trouxessem os 5 pães e 2 peixes até Ele, na intenção de alimentar aquela multidão de 5 mil homens (sem contar mulheres e crianças). Para quem não entende o que é fé, aqui vai um bom exemplo do que é fé: quando todos ao seu redor dizem que aquilo em que você acredita não existe, mas mesmo assim você vai até o fim. Se a fé de Jesus fosse fraca, Ele nem teria tentado repartir os pães e peixes. Mas Jesus como em todos os milagres, Jesus fez a parte dEle, e deixou que cada pessoa na multidão também fizesse a sua parte.


Cada um desses três pontos daria para falar muito mais, mas esse aprofundamento nós faremos em outras oportunidades… Por hoje, que saibamos repartir o nosso “pão” e nosso “peixe” com quem está do nosso lado…


Durante o ministério de Jesus, muitos dos seus discípulos imaginaram seus sonhos se realizando. Sua demonstração de poder divino tinha-os convencido de que ele seria um rei capaz de atingir os objetivos políticos e suprir as necessidades físicas deles.


Quando os discípulos vieram dizer a Jesus que despedisse a multidão por causa do horário avançado, podiam não estar realmente preocupados com o bem-estar do povo, tão somente. Talvez estivessem mais interessados neles próprios, uma vez que já vinham de uma outra jornada sem se alimentarem direito (Mc 6:31). De repente, eles ouvem a frase: “Dai-lhes vós de comer”. Podiam ter pensado assim: “Não temos comida, nem para nós mesmos, como vamos alimentar os outros?”


Será que você já passou pela experiência de ter de oferecer alguma coisa que ainda não tivesse nem para si? Em algumas situações nos sentimos impotentes, sem saber como ajudar.


Jesus queria ensinar aos discípulos que eles podiam fazer muito mais do que achavam que podiam. Estavam cansados, exaustos, e procuraram um meio de sair daquela situação.


Mas o Senhor os envolveu novamente e eles acabaram tendo uma experiência riquíssima com o Mestre, aprendendo que podiam alimentar multidões. Eles viram que era possível dar mais um passo.


Os discípulos estavam desesperados diante da incumbência recebida de alimentar aquele grande número de pessoas. Onde achariam tanto dinheiro para cumprir aquela tarefa?


Jesus, porém, não mantinha o foco da atenção voltado para o que eles não tinham, e sim para o que estava em suas mãos. Ele não perguntou: “de quanto vocês precisam”, mas sim “o quanto vocês têm”. Verificou-se que havia entre eles apenas cinco pães e dois peixes, e com essa quantidade, uma multidão foi alimentada.


Há uma outra passagem bíblica, onde uma viúva pedia ajuda ao profeta para saldar suas dívidas. Ele lhe perguntou: “O que você tem em casa?” Ela respondeu: “Uma botija de azeite”. E com essa botija de azeite, toda a sua dívida foi paga (2 Reis 4:1-7).


É possível que permaneçamos com um problema, porque insistimos em olhar para o que necessitamos ter, ao invés de percebermos o que já temos. Sempre achamos que não temos o suficiente.


Precisamos hoje mudar o foco da atenção, se queremos que o pouco venha a se multiplicar, para poder ajudar as pessoas.


Precisamos viver de forma planejada e organizada, mas nunca permitir que o nosso coração se torne insensível em face dos problemas dos outros. Devemos ajudar as pessoas a perceberem que elas podem fazer mais do que acham que podem. O foco da nossa atenção deve se voltar para o que já temos em mãos, com o qual Deus poderá fazer um tremendo milagre.


Faça um levantamento, brevemente, do que você percebe que já tem em mãos, e que poderia disponibilizar para o progresso do Evangelho. Talvez Deus lhe revele uma habilidade especial, um talento, uma idéia, um sonho, um bem material, etc. Ele pode falar ao seu coração de várias formas. Esteja aberto para a Sua ministração.


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sábado, 2 de janeiro de 2021

Homiia Diária - 04.01.2021

INÍCIO DA MISSÃO DE JESUS Mt 4,12-17.23-25


HOMILIA


Jesus inicia a sua missão fazendo um apelo e convite ao mesmo tempo à conversão passando pelas ruas dos nossos bairros, as nossas cidades, nos estados, províncias e países. Assim como nas regiões descritas deste evangelho suas palavras continuam a ressoar não só no mundo, mas em cada coração humano, pois sua Palavra é verdade eterna: “convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.


Este convite à conversão constitui a conclusão vital do anúncio feito pelos apóstolos depois de Pentecostes. Nele, o objeto do anúncio fica totalmente explícito: já não é genericamente o “reino”, mas sim a obra mesma de Jesus, integrada no plano divino predito pelos profetas. Ao anúncio do que teve lugar com o Jesus Cristo morto, ressuscitado e vivo na glória do Pai, segue-lhe o premente convite à “conversão”, a que está ligada o perdão dos pecados. Tudo isto aparece claramente no discurso que Pedro pronuncia no pórtico de Salomão: “Deus deu cumprimento deste modo ao que tinha anunciado por boca de todos os profetas: que seu Cristo padeceria. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam apagados” (At 3,18-19). Este perdão dos pecados, no Antigo Testamento, foi prometido por Deus no contexto da “nova aliança”, que Ele estabelecerá com seu povo (cf Jr 31,31-34). Deus escreverá a lei no coração. Nesta perspectiva, a conversão é um requisito da aliança definitiva com Deus e ao mesmo tempo uma atitude permanente daquele que, acolhendo as palavras do anúncio evangélico, passa a formar parte do reino de Deus em seu dinamismo histórico e escatológico.


Os destinatário da mensagem de Jesus são todos os que se abrem à Palavra, para escutá-la com sinceridade, alcançam a paz, a salvação, a vida. Ele continua a revelar-se para nossa humanidade, quando fazemos o esforço necessário para nossa conversão.


Após receber o baptismo de João, Jesus inicia uma nova fase em sua vida. Deixa a sua cidade de origem, Nazaré, onde morava sua família, e vai morar em Cafarnaum, às margens do mar da Galiléia.


Jesus percorre a Galiléia, onde se encontravam gentios e judeus. O grande número de doentes e enfermos era a expressão das precárias condições de vida do povo oprimido, com o qual Jesus se relacionava e comungava. A ele acorrem, também, as multidões provenientes das regiões exclusivamente gentílicas, vizinhas da Galiléia. Fica bem em evidência o caráter universalista do anúncio de Jesus, visando à libertação de toda opressão e ao favorecimento da vida.


A vinda de Cristo exige uma contínua conversão, um mudar de caminho.


Este tempo de Advento é o momento ideal para a conversão. É necessário preparar os caminhos do Senhor e acolher a sua chegada!


O Senhor já não quer nascer numa manjedoura, pois já nasceu historicamente falando. Ele quer é nascer dentro dos nossos corações.É a partir de cada um de nós que começa o mundo novo. É a partir do coração novo de cada um de nós que o mundo poderá ter um novo coração!


Deixemos, pois, que Ele aja em nossa vida para que tenhamos vida e vida em plenitude.


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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Homilia Diária - 03.01.2021

VIEMOS ADORÁ-LO Mt 2,1-12


HOMILIA


« Epifania » quer dizer « manifestação », « aparição ». A glória de Deus manifesta-se num menino que é o Verbo encarnado. É uma solenidade ! Entre os nossos irmãos do Oriente, essa festa é celebrada como o verdadeiro Natal. Na verdade, a figura dos Magos, no evangelho desta solenidade da Epifania, apesar de parecer de pouco significado, longe de ser uma mera presença sem qualquer importância, desempenha um papel importante na vida da Igreja, e na vida de cada um de nós.


Neste capítulo temos a história resumida da infância do Senhor Jesus. Era de se esperar que depois dos acontecimentos relatados por Lucas no cap. 2, sobre o nascimento do Senhor Jesus Cristo, toda a Judéia e Jerusalém correriam em busca do “recém nascido Rei dos Judeus”, mas pelo relato que temos aqui em Mateus, logo aqueles acontecimentos notáveis foram esquecidos. Como é comum ver pessoas que ouvem as boas novas de salvação e depois seguem suas vidas como se aquilo que ouviram não tem nenhuma importância, não influenciam em nada suas vidas.


Nos surpreendem alguns detalhes nestes versículos. “Uns magos vieram do oriente…” O oriente no Velho Testamento sempre fala do homem separado de Deus seguindo seu próprio caminho e se afastando cada vez mais do Senhor (Gn 3:24; 4:16; 11:2). Porém ao chegarmos no Novo Testamento encontramos homens vindo do oriente em busca do “Emanuel”, Deus conosco (Mt 1:23). Contudo esta busca não aconteceu pelo mero interesse humano, antes foi Deus quem os despertou usando uma linguagem que ele pudessem entender, uma estrela. Aos pastores de Belém Deus enviou um anjo, aos magos uma estrela … Deus tem Seus meios de despertar todos os homens em todos os lugares. Confiemos na Sua sabedoria e poder (“Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”, At 2:39).


Outro detalhe importante de observarmos é que “tendo nascido Jesus em Belém … vieram do oriente a Jerusalém…” O propósito pelo qual eles vieram foi para adorá-Lo (v. 2), contudo foram onde Ele não estava, Jerusalém.


Jerusalém era o centro de adoração e, pensando assim, os magos concluíram que ali deveria nascer e viver o Rei dos Judeus … Que engano! Assim sempre são os pensamentos humanos, raciocinam com sua lógica sem conhecerem o verdadeiro caminho do Senhor. Foi assim desde Caim, que pensava ser aceito por Deus chegando a Ele pelos seus próprios meios. Tem sido assim durante toda a história da humanidade e até hoje. Os homens querem encontrar Deus nos seus próprios caminhos, pelas suas religiões que eles mesmo inventam. Bem disse o Senhor por intermédio de Isaías: “Porque os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os Meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55:8-9).


Outro fato importante é que o centro religioso naqueles dias ainda era Jerusalém. Ali continuavam as cerimônias, as ofertas, as festas. Mas o Senhor não estava ali. Que lição há aqui para nós hoje! Quão facilmente uma igreja pode continuar com suas reuniões de oração, partir do pão e todo o formalismo, e, contudo o Senhor não está no meio. Não é exatamente este o mal da igreja de Laodicéia? Achavam que tinham tudo, mas eram miseráveis, e o pior: o Senhor estava fora, batendo à porta, esperando para alguém ouvir e abrir a porta (Ap 3:17-18, 20).


Voltando para Mateus cap. 2 notamos como este engano foi corrigido. As Escrituras foram abertas, e mostrado com certeza o rumo que esses adoradores deveriam seguir (vs. 4-5). Sempre será assim para os de coração sincero, uma vez que as Escrituras lhes são abertas e seus pensamentos e caminhos são apresentados como sendo contrários aos de Deus, logo abandonam seus próprios caminhos para seguirem o Caminho seguro apontado por Deus em Sua Palavra. Contudo nem todos estão dispostos a deixarem “Jerusalém” para adorar numa simples “casa”. Não vemos que os demais habitantes de Jerusalém se ajuntaram aos magos para irem com eles adorar. Eles foram perturbados, mas não atraídos ao Cristo, o Rei dos Judeus. Oh! Como a história se repete! Quantos estão satisfeitos em seu meio religioso idólatra, ou em meio a tantas cerimônias e atividades que não têm nenhuma base bíblica, e quando ouvem da simplicidade da “casa” — um grupo de cristãos que se reúnem atraídos ao nome do Senhor na simplicidade que a igreja se reunia no princípio — não tem desejo de sair de “Jerusalém” em busca de Cristo. Para os magos não importava o lugar, nem mesmo a aparência, mas a Pessoa. Eles não vieram à Jerusalém para adorar, como o eunuco em At 8:27, mas vieram para adorá-Lo, e se Ele não estivesse ali, então não podiam adorar.


Ainda há outro personagem para analisarmos, Herodes. Atrás de uma capa de piedade havia um único interesse … matar o Menino. Quantos usam a piedade com o único interesse de beneficiar-se a si mesmo. Estão na igreja porque querem tirar alguma vantagem. Bem nos avisa Paulo em I Tm 6:5 sobre “homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.“


E, prostrando-se, O adoraram…


Finalmente encontramos no v. 11 uma cena cuja grandeza é impossível descrever em palavras. Estes homens sábios, certamente instruídos em toda a ciência, estão em uma casa bem simples. Ali há um Menino de menos de dois anos de idade, e estes homens ilustres se prostram diante daquele Menino para adorá-Lo.


Adoração vai além de qualquer compreensão humana! Nem os discípulos puderam entender quando aquela mulher derramou o precioso ungüento sobre a cabeça de Jesus (Mt 26:7-8). Puderam avaliar o preço do ungüento, puderam sentir o seu olor, mas não puderam compreender um coração que adora. Contudo o problema daqueles discípulos, pelo menos nesta ocasião, era que eles não estavam contemplando Aquele que estava diante deles como deveriam. O tamanho da nossa adoração é relativo ao valor que damos ao Alvo da nossa adoração. Como um Judas poderia entender aquela mulher se o “Mestre” só lhe valia 30 moedas de prata? Quanto valia Cristo para os outros discípulos? Quanto vale o Senhor Jesus Cristo para nós? Quanto estamos dispostos a deixar por Ele?


Para os magos não era meramente um Menino que eles estavam adorando, mas Deus mesmo. Atrás daquela aparência frágil de um Menino se podia ver o Rei dos Judeus. Suas ofertas falam muito da contemplação e entendimento que eles tiveram: ouro, falando da Sua realeza; incenso, do Seu sacerdócio, e mirra da Sua missão de Profeta. Além disso essas dádivas falam de outros aspectos da Sua maravilhosa Pessoa, vida e obra. O ouro é o material que simboliza a divindade (no Tabernáculo, o lugar onde a presença de Deus estava, tudo era revestido de ouro) — aquele Menino era Deus manifesto em carne. O incenso nos fala da Sua vida humana, mas perfeita, que viveu sempre de modo que agradou o Pai. E a mirra nos fala de Seus sofrimentos vicários, pelos quais Ele cumpriria aquela grande obra da nossa salvação.


Não é de se admirar que corações ocupados assim com o Senhor venham para adorá-Lo, e não ficam satisfeitos com qualquer outra coisa, nem mesmo com toda a pompa religiosa. Eles buscam a Pessoa. Eles buscam a Cristo! Que nosso anseio seja: “Onde está o Rei que acaba de nascer”? VIEMOS ADORÁ-LO.


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