segunda-feira, 28 de março de 2016

EU VI O SENHOR Jo 20,11-18 - 29.03.2016

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HOMILIA

Segundo Bento XVI, «a história de Maria de Magdala recorda à todos uma verdade fundamental: discípulo de Cristo é quem, na experiência da debilidade humana, teve a humildade de pedir-lhe ajuda, foi curada por Ele, e lhe seguiu de perto, convertendo-se em testemunha do poder de seu amor misericordioso, que é mais forte que o pecado.

Maria, em lágrimas, inclina-se e olha para dentro do túmulo. Ela já tinha, todavia constatado que estava vazio, e tinha anunciado o desaparecimento do Senhor. Porque se inclina então ainda? Porque quer ver de novo? Porque o amor não se contenta com um único olhar; o amor é uma conquista sempre mais ardente. Ela já O procurou, mas em vão; obstina-se e acaba por descobrir.

No Cântico dos Cânticos, a Igreja dizia do mesmo Esposo: «No meu leito, de noite, procurei aquele que o meu coração ama. Procurei-o, mas não o encontrei. Vou levantar-me e percorrer a cidade; pelas ruas e pelas praças, vistes aquele que o meu coração ama?» (Ct 3, 1-2). Duas vezes ela exprime a sua decepção: «Procurei-o, mas não o encontrei!» Mas o sucesso vem, por fim, coroar o esforço: «Os guardas encontraram-me, aqueles que fazem ronda pela cidade. Vistes aquele que o meu coração ama? Mal os ultrapassei, encontrei aquele que o meu coração ama. » (Ct 3,3-4)

Durante os breves repousos desta vida, quando suspiramos na ausência do nosso Redentor. Nós procuramo-Lo na noite, pois apesar do nosso espírito já estar desperto para Ele, os nossos olhos só vêem a Sua sombra. Mas, como não encontramos nela o Amado, levantemo-nos; percorramos a cidade, ou seja a assembléia dos eleitos. Procuremos de todo o coração. Procuremos nas ruas e nas praças, ou seja, nas passagens escarpadas da vida ou nos caminhos espaçosos; abramos os olhos, procuremos aí os passos do nosso Bem-Amado…

Esse desejo fez dizer a David: «A minha alma tem sede do Deus de vida. Quando irei ver a face de Deus? Sem descanso, procurai a Sua face» (Sl 42,3).

Lembro-lhe que ver o Senhor é ver nosso próprio destino. Nós fomos criados para a eternidade, na vida em comunhão com Deus. Chore, grite, apresente a Jesus a sua tristeza e necessidade. Pois ele lhe responderá chamando o seu nome, como chamou a Maria. E dirá: Porque choras? Eu estava morto, mas agora vivo para sempre e tenho as chaves de tudo nas mãos. E nós, quando é que, nos nossos leitos, procuraremos o Amado? Por que choramos, e a quem procuramos? Como a Maria Madalena Jesus nos faz duas perguntas básicas: porque choramos e a quem procuramos! Não duvido que muitas vezes choremos por causa da nossa falta de fé e de confiança na Palavra do Senhor e procuramos Alguém que está muito perto de nós e ainda não o percebemos. Conhecemos as Escrituras, conhecemos as promessas de Deus, mas choramos sem esperança, olhando somente para as “aparências”. Sofremos muitas vezes pela nossa incapacidade de “enxergar” as coisas de Deus. O mundo espiritual está tão perto de nós, e nós somos incapazes de percebê-lo, absortos que estamos em prestar atenção às coisas e as pessoas que nos rodeiam.

Confundimos a presença de Jesus com a presença de “outras pessoas”. Se percebêssemos a Sua presença viva e ressuscitada e ouvíssemos realmente a sua voz que fala no nosso coração, saíamos em disparada como fez Maria Madalena a anunciar a todos: “Eu vi o Senhor!” E você: já viu o Senhor? – Relembre a sua experiência! – Você já correu para contá-la a alguém? Jesus envia hoje você para proclama-l’O à todos os homens e mulheres que Ele está Vivo e Ressuscitado. Sejas Seu testemunho e grite bem alto: EU VI O SENHOR.
Fonte Canção Nova

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domingo, 27 de março de 2016

JESUS ESTÁ VIVO! Mt 28,8-15 - 28.03.2016

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HOMILIA

O anúncio pascal, hoje ressoa vibrante: o Senhor ressuscitou, venceu a morte e vive para sempre! Nasce imortal, a humanidade nova! Dá-se a nova criação e o novo êxodo! Celebramos a energia amorosa de Deus que, pelo Espírito, faz novas todas as coisas. Com as santas mulheres, vamos ao túmulo vazio e nos tornemos testemunhas da ressurreição. Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se realiza em todas as pessoas e grupos que promovem a dignidade humana, a vida nova e a paz. Alegres, cantemos.

Esta é a notícia mais importante para a humanidade de todos os tempos que você e eu somos enviados a anunciar: Cristo ressuscitou. Ressuscitando, Cristo venceu o mal e a morte; derrotou o pecado e as suas conseqüências. Ressuscitando, Cristo garantiu vida plena, vida em abundância, vida eterna para nós.

O mal e a morte estão presentes no nosso mundo, mas não têm mais a última palavra; Cristo ressuscitado venceu-os para sempre. Com Cristo, nós também venceremos o mal que nos cerca; com Cristo passaremos da morte para a vida.

Mais uma vez, o anúncio da ressurreição do Senhor vem tornar mais firme a nossa esperança diante dos desafios e dificuldades que encontramos no nosso dia-a-dia, pois Cristo ressuscitou, Cristo está vivo no meio de nós! Ele caminha conosco e orienta a nossa história pessoal, familiar e comunitária.

Desejo que Jesus ressuscitado se faça presente na sua vida e na de todos os homens com a sua força de vida nova e de paz. Que você se deixe alcançar pelo Ressuscitado que sempre infunde coragem e paz. Desejo que você, como os discípulos de Emaús, se deixe envolver pessoalmente pelo Ressuscitado e, assim, se torne melhor discípulo e missionário d’Ele. Pois, a sua ordem como Ressuscitado é: Não tenhais medo! Ide dizer aos meus irmãos que partam para a Galiléia e lá Me verão! A Galiléia de hoje é a sua casa, são os seus familiares, vizinhos, colegas e amigos a quem você deve anunciar sem medo de nada e de ninguém que Ele ressuscitou verdadeiramente, como havia dito.

A certeza de que o Filho de Deus se fez um de nós em Jesus e completou em sua vida, morte e ressurreição o projeto de Salvação que brotou do amor apaixonado da Trindade Santíssima em favor da humanidade decaída, nos deve encher de uma alegria transbordante e tornar-nos apaixonados seguidores e anunciadores de seu Evangelho. Com São Paulo devemos todos dizer: “Com os fracos eu me fiz fraco para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele” (1Cor 9,22-23). Que a celebração da Ressurreição do Senhor, nos leve ao compromisso de construirmos juntos um reino que se mostre discípula e missionária de Jesus dos excluídos da sociedade. A ti e a toda a tua família continuou desejando uma Feliz e Santa Páscoa!
Fonte Canção Nova

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sexta-feira, 25 de março de 2016

A RESSURREIÇÃO DE JESUS Lc 24,1-12 - 26.03.2016

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HOMILIA

As guerra e morte aparentemente são uns sinais de derrota e fracasso do ser humano. Porém, o túmulo vazio de Cristo simboliza vitória, esperança e vida. Sexta-feira Santa havia sido um dia medonho, escuro, de incertezas e nebulosidades para os seguidores de Cristo. Não podiam compreender o que estava acontecendo com o seu Mestre. Cristo tinha sido a sua grande esperança. E agora, de repente, se vêm desiludidos: mataram o seu líder. Nada mais lhes restava senão enterrar o seu corpo e voltar para suas atividades. Aquela sepultura parecia o fim de sua esperança. Mas veio a manhã de Páscoa, e com ela o maior acontecimento da história: CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!
Saiu da sepultura, tornou a viver. Ali estava o túmulo vazio, a pedra removida e os lençóis em que ele estava embrulhado. Os discípulos mal conseguem acreditar no que aconteceu. Será verdade o que estamos vendo? Será que não estamos sonhando?
Não. Eles não estavam sonhando. CRISTO REALMENTE RESSUSCITOU. E para não deixar nenhuma dúvida na mente dos seus seguidores, ele aparece a todos eles, come com eles e fica junto com eles durante quarenta dias, falando do reino de Deus. E nesses quarenta dias ele aparece a centenas de pessoas, sendo que de uma só vez para mais de quinhentas pessoas.
Isso é importante, pois Deus quer que tenhamos certeza da ressurreição de Cristo. Diz o apóstolo Paulo: Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e ainda permaneceis em vossos pecados. Isto quer dizer que se é mentira que Cristo ressuscitou, estamos perdendo tempo na igreja. O melhor seria aproveitar a vida, já que tudo termina com a morte. É como conclui o mesmo apóstolo, usando a linguagem dos ímpios: Comamos e bebamos que amanhã morreremos.
Uma das coisas que mais incomoda o ser humano é a morte. O homem tem medo da morte. Por isso mesmo a evita, faz de tudo para prolongar a vida. Constrói hospitais, procura médico e gasta fortunas em remédio. Contudo, o homem continua a morrer. Apesar de todo o progresso da ciência, medicina e tecnologia, o homem ainda não conseguiu vencer a morte. Frequentemente vemos a luta dos médicos para salvar a vida de uma pessoa importante. Mesmo estando num dos melhores hospitais, cercado pelos melhores médicos, os médicos não conseguem dar jeito no doente. É que a morte é uma coisa inevitável.
Mas há uma solução para a morte. A solução é Cristo. Para todos os que quiserem continuar a viver eternamente, Cristo oferece a oportunidade de viver. Diz Ele na sua palavra: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo o que vive e crê e mim, não morrerá eternamente.
Cristo, através da sua morte na cruz, tirou o poder da morte. Assim como ele ressuscitou da morte, também nós, pela fé nele, tornaremos a viver. É Ele mesmo que nos garante esta verdade: Eu vivo e vós também vivereis.
Quando se fala em ressurreição, logo surge uma porção de perguntas: Como pode uma pessoa que já morreu há mais de cem anos, tornar a viver? O que será daqueles que morreram queimados no fogo, comido pelos animais ou destruídos pelo tempo? Será que eles também vão ressuscitar?
Jesus, quando esteve aqui na terra, deu provas desse poder ao ressuscitar Lázaro, a filha de Jairo e o filho da viúva de Naim. Também aquelas pessoas que ressuscitaram por ocasião da morte de Jesus e entraram em Jerusalém na manhã de Páscoa, é uma demonstração do poder de Deus em ressuscitar mortos.
Você que está lendo este texto já perdeu algum ente querido e hoje está triste, sentindo a sua falta. Pois eu quero dizer a você, firmado na palavra de Deus, que este seu ente querido vai ressuscitar. Não importa quanto tempo já tenha sido sepultado, qual o tamanho da catacumba que o encobre. A sua sepultura vai abrir, o seu corpo vai sair e você vai poder vê-lo novamente. É isso que dá sentido a nossa vida: saber que os mortos um dia vão ressuscitar. Se não fosse isso, a nossa vida seria uma tristeza, um desespero sem fim. Não teríamos condições de suportar a partida de um ente querido. É por isso que celebramos a Páscoa. É por isso que nós estamos tão alegremos hoje. É por isso que nós, ano após ano, nos reunimos na igreja todos os domingos.
Neste dia cantamos: O grande herói, Senhor Jesus, venceste a morte lá na cruz, venceste o próprio Satanás. E tal vitória a vida traz. Nesse dia ouvimos: Ele não está aqui, ressuscitou. Cristo está vivo, Ele saiu da sepultura. Se Ele vive, nós também viveremos.
Nesse dia exclamamos: foi destruída a morte pela vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a lei. Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.
Neste dia confessamos: "Creio na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna". Por causa da ressurreição de Jesus, nós também temos a esperança de vida eterna. É nossa alegria e responsabilidade então partilhar esta grande esperança em nossa comunidade de familiares e amigos. Que a lembrança da ressurreição de Cristo nos conforte em todos os momentos da nossa vida, especialmente nas horas de provação. Pai, abra o meu coração para acolher os testemunhos verdadeiros da ressurreição de teu filho, sem me deixar contaminar pelos preconceitos.
Fonte PADRE BANTU MENDONÇA KATCHIPWI SAYLA

quinta-feira, 24 de março de 2016

“TUDO ESTÁ CONSUMADO” Jo 18,1-19,42 - 25.03.2016

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HOMILIA

Sexta-feira Santa! Hoje é o dia em que se faz silêncio; um silêncio respeitoso, como acontece nos velórios, porque estamos recordando o falecimento, a morte mais importante que existiu neste mundo, a morte do homem-Deus, Jesus.

Tudo está consumado”. Quem for à igreja, hoje, para participar das funções litúrgicas, vai se ajoelhar quando ouvir essa frase. Vamos dobrar os joelhos como fez o centurião, logo após ouvir as palavras da boca do condenado: “Pronto, tudo está consumado. Tudo acabou”. Essas foram as últimas palavras de Jesus antes de morrer; palavras que têm a força de um selo, de um carimbo, de uma assinatura no final de um testamento. Mas, o que quer dizer “tudo está consumado”?

Por acaso essas palavras foram motivadas pelo fracasso de uma vida concluída com a condenação? Ou com a decepção de não ter sido entendido? A fé do centurião diz que não: “na verdade ele era o filho de Deus”. E a minha fé também diz que não. Para mim, Jesus estava dizendo: “Pronto, fiz o que tinha de fazer; concluí minha missão na terra; fiz a vontade de meu Pai no céu; tudo está consumado”. Não há dúvida de que se trata de um mistério; um mistério que provoca muitas perguntas.

Mas a fé é assim mesmo; a fé trata com mistérios. O silêncio que fazemos espontaneamente, hoje, é uma boa ocasião para refletir sobre o mistério da morte de Jesus e sobre o mistério da nossa morte. Podemos dizer que são dois mistérios bem diferentes, porque a minha morte, humanamente falando, é natural; vai acontecer um dia, quer queira quer não. O mistério da morte de Jesus está no fato de que, sendo ele Deus, como dizia, não poderia morrer; ou seu mistério está contido na vontade de Deus, ainda incompreensível para nós.

Enquanto o mistério de nossa morte fica reservado para o depois, para o que acontecerá conosco após a morte. Nesse caso, nossa morte em si não constitui mistério, e sim o que vem depois. Quanto a esse último mistério colocamos nas mãos de Deus, falando como falou Jesus: “Tudo está consumado. Pai, nas vossas mãos entrego o meu espírito”.

Junto com nossa tristeza piedosa vai o nosso agradecimento por esse mistério: Verbo feito carne. Morto para a Morte da nossa morte e Ressuscitado para a Vida da nossa vida.
Fonte Canção Nova

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“Vós sois os sacerdotes do Senhor, chamados ministros do nosso Deus” - Evangelho - Lc 4,16-21 - 24.03.2016

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“Vós sois os sacerdotes do Senhor, chamados ministros do nosso Deus” (Is 61,6ª).
HOMILIA

Caríssimos irmãos e irmãs:

No dia em que o mestre Jesus reúne os seus apóstolos no cenáculo, em Jerusalém, para realizar a última ceia pascal, celebramos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. Renovando, nessa ocasião, o compromisso sacerdotal, repercute em nossos corações a responsabilidade daquilo que escutamos do profeta Isaías na primeira leitura: “Vós sois os sacerdotes do Senhor, chamados ministros do nosso Deus”. Ser padre ou diácono permanente é uma graça muito especial em nossa vida. Ninguém é merecedor de tamanha graça, porém, a misericórdia de Deus se manifestou plenamente em nossa indignidade transformando-nos em portadores dos dons de Deus e anunciadores da boa nova da salvação.
Gostaria de recordar, com vocês, algumas ideias, a partir do Presbyterorum Ordinis, especialmente d os dois primeiros capítulos deste importante decreto conciliar: O presbítero na missão da Igreja e o ministério dos presbíteros.
No capítulo primeiro podemos ler: “O fim que visam os presbíteros, por seu ministério e vida, é ocupar-se da glória de Deus Pai em Cristo. Consiste esta glória em aceitarem os homens a obra de Deus, levada à perfeição por Cristo, de maneira consciente, livre e grata, levando-a a irradiar-se em toda a sua vida. Assim os presbíteros ao se dedicarem à oração e à adoração, ao pregarem a palavra, ao oferecerem o Sacrifício Eucarístico e administrarem os demais sacramentos, ao exercerem os diversos ministérios em favor dos homens, contribuem de um lado para aumentar a glória de Deus e por outro para levar os homens a se adiantarem na vida divina” (nº 1146).
Vários pensamentos nos sugerem esse texto, mas, fixemos o nosso olhar apenas nos dois pontos finais: “aumentar a glória de Deus e levar os homens a se adiantarem na vida divina”. Vinculados ao sacerdócio de Jesus Cristo, sumo e eterno sacerdote, somos chamados a proclamar a glória de Deus como Ele o fez em vários momentos de sua vida pública. Por ocasião da ressurreição de seu amigo Lázaro, Jesus afirma à sua irmã Marta: “Se creres, verás a glória de Deus” (Jo 11,40). Portanto, para ver a glória de Deus e, sobretudo, proclamá-la é necessário crer. Crendo é preciso testemunhar não só por palavras mas também por atos. Precisamos ter a humildade de reconhecer que, nem sempre convencemos pela maneira como exercemos o nosso ministério. Em muitas ocasiões falta vida, convicção e entusiasmo. No início do relato da ressurreição de Lázaro, quando Jesus toma conhecimento da sua enfermidade, assegura: “Esta enfermidade tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus” (Jo 11,4). Perguntamos: Será que, de fato, estamos glorificando o Filho de Deus pela maneira como exercemos o nosso ministério? É questionamento que deveríamos fazer sempre, para provocar as mudanças necessárias à nossa vida de consagrados e vocacionados para a santidade.
Por outro lado, “levar os homens a se adiantarem na vida divina” é motivá-los a permanecer em Deus. “Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muitos frutos; porque sem mim nada podeis fazer” (jo 15,5). Seguir Jesus é permanecer n’Ele e com Ele. Aos poucos vamos percebendo a ação da Graça em nós. “Deus se tornou homem para que pudéssemos nos tornar deuses” afirma Santo Atanásio. A encarnação de Deus é o fundamento da fé cristã. Cristo é o “Logos de Deus” que se faz homem. O seguimento de Jesus exige, de nossa parte, um contínuo arrependimento e reconciliação, consigo mesmo, com o outro e simultaneamente com o próprio Deus misericordioso.
No que diz respeito ao cap. II: “O ministério dos presbíteros”, entendo como diretrizes de ação pastoral e projeto pessoal de vida, o que está indicado no nº 1157: “Embora sejam devedores de todos, os presbíteros todavia aceitam como confiados a si de modo particular os pobres e mais humildes, aos quais o próprio Senhor se associou e cuja evangelização é dada como sinal da obra messiânica. Com desvelo igualmente peculiar hão de ocupar-se dos mais jovens e além disso dos esposos e pais”.
A Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano de Medellin, primeira após o encerramento do Vaticano II, proclamou, com clareza, a “opção preferencial pelos pobres” (nº 14). É certo que a ideia da “Igreja dos pobres” já tinha ressoado, de modo pertinente, na voz do papa que convocou o concílio. O famoso cardeal conciliar Lercaro gostaria de por todo o concílio sob esse pensamento profético do papa João XXIII, mas não foi ouvido, pelo menos de imediato. É o que fez o padre Gustavo Gutiérrez dizer: “Os pobres bateram à porta do Concílio, mas não foram atendidos”. Da ideia de uma Igreja de todos, mas especialmente dos pobres o que se destacou nos documentos conciliares é o que está escrito na Constituição Dogmática “Lumen Gentium” sobre a Igreja. “Assim como Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho, a fim de comunicar aos homens os frutos da salvação. Cristo Jesus “como subsistisse na condição de Deus, despojou-se a si mesmo, tomando a condição de servo” (Fil 2,6) e por nossa causa “fez-se pobre embora fosse rico” (2Cor 8,9): da mesma maneira a Igreja, embora necessite dos bens humanos para executar sua missão, não foi instituída para buscar a glória terrestre, mas para proclamar, também pelo seu próprio exemplo, a humildade e a abnegação. Cristo foi enviado pelo Pai para “evangelizar os pobres, sanar os contritos de coração” (Lc 4,18), “procurar e salvar o que estava perdido”. Semelhantemente, a Igreja cerca de amor todos os afligidos pela fraqueza humana, reconhece mesmo nos pobres e sofredores a imagem de seu Fundador pobre e sofredor. Faz o possível para mitigar-lhes a pobreza e neles procura servir o Cristo” (LG 8b). Estas sábias palavras foram suficientes para motivar a Igreja a assumir corajosamente o exemplo de Jesus, sobretudo, nas regiões mais empobrecidas do planeta, onde estes filhos e filhas, amados de Deus, são descriminados e injustiçados.
Nesta linha do compromisso com os pobres, no Presbiterorum Ordinis, encontramos a seguinte recomendação: “os presbíteros são convidados a abraçar a pobreza voluntária, que tornará mais evidente sua semelhança com Cristo e os fará mais disponíveis para o sagrado ministério. Pois Cristo, por nossa causa se fez pobre sendo rico, a fim de nos enriquecer por sua pobreza. Também os Apóstolos atestaram pelo seu exemplo que o dom gratuito de Deus deve ser dado de graça, sabendo viver na abundância e na penúria. Mesmo assim, algum uso comunitário das coisas, à imitação da comunhão de bens que mereceu destaque na história da Igreja primitiva, abriria do melhor modo o caminho para a caridade pastoral. Por tal forma de vida, os presbíteros poderiam levar honrosamente à prática o espírito de pobreza recomendado por Cristo” (nº 1201). O Cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, nosso primeiro papa jesuíta, ao assumir o ministério petrino, apresentou-se com o nome de Francisco, o pobre de Assis. Suas primeiras palavras e gestos vêm confirmando seu desejo de uma Igreja despojada, servidora e humilde. O mundo está encantado com a simplicidade do primeiro papa latino-americano que tem se apresentado como bispo de Roma.
O texto ainda lembra “os jovens e a família” (esposos e pais). Os jovens têm merecido especial atenção da Igreja nos últimos anos. No Brasil, de maneira especial, a partir de 2007 com a aprovação do documento 85 da CNBB “Evangelização da Juventude”, Neste ano de 2013 terá impulso ainda maior com a realização da Jornada Mundial da Juventude, sobretudo, com a presença carismática do papa Francisco. Igualmente a família, tem crescido a partir da criação da “Comissão Episcopal de Pastoral para a Vida e a Família”, no âmbito nacional e diocesano.
O texto do Apocalipse que escutamos na segunda leitura, recorda-nos que Deus fez de todos nós um novo e definitivo povo sacerdotal. O conceito de sacerdócio implica no de consagração, cujo sinal exterior é a unção com o óleo santo. Por isso a Igreja continua a consagrar o óleo que servirá para assinalar a fronte dos seus filhos e filhas. Conforme a tradição, nesta Missa iremos consagrar o Santo Crisma para significar o dom do Espírito Santo no Batismo, na Confirmação e na Ordem. Abençoaremos também o óleo para os Catecúmenos e Enfermos, sinais da força que liberta do mal e sustenta na provação da doença. Estes santos óleos, distribuídos para toda a arquidiocese será sinal de unidade e fonte de bênçãos, para todos os que com ele forem ungidos.
Acompanhemos com atenção e piedade esse rito, após a renovação das promessas sacerdotais que faremos agora.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife

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terça-feira, 22 de março de 2016

JUDAS TRAI JESUS Mt 26,14-25 - 23.03.2016

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HOMILIA

Na Quarta-Feira Santa, a Igreja nos propõe meditar o Evangelho de Jesus segundo Mt 26, 14-25. Essa leitura nos apresenta a traição de Judas. Ela nos descreve como Judas foi ter com os chefes dos sacerdotes e se oferece para trair Jesus. Aceita trinta moedas de prata como recompensa de sua traição. Por apenas trinta moedas de prata, um dos Doze entrega o Mestre! Por quantas moedas tens tu vendido Jesus? É chegada a hora das trevas!

Com um simples beijo Judas planeja vender o seu mestre. Por trinta moedas traça-se o poder financeiro, material e finito pela vida, dom de Deus. Uma verdadeira contradição, o dono de tudo é trocado pelo dinheiro. Ontem como hoje a opção pelo dinheiro e a rejeição da vida tem falado mais alto. Assim como Judas que passa a servir os poderosos que, para manterem seus privilégios e suas riquezas, desprezando a vida e promovendo a morte, nas nossas sociedades de hoje continua, Jesus, nos pobres, nos órfão e nas viúvas, nos andarilhos, tem teto e excluídos sendo vendido pelas riquezas passageiras. Digo isso porque a sociedade neoliberal globalizada tem esta característica, e o grande império deste mundo e seus aliados fazem à guerra e destroem a vida movidos pela ambição do dinheiro. Eles produzem uma ideologia e uma cultura de ambição e violência que passa a ser assimilada por muitos.

Voltemos para o nosso texto para meditar melhor o conteúdo da Semana Santa. Estamos hoje diante da agonia de Jesus no Monte das Oliveiras quando, diante do sofrimento que passaria nas próximas horas, Jesus, numa tristeza mortal, num gesto humano suplica ao Pai: “Meu Pai, se possível, que este cálice passe de mim” (Mt 26, 39). Mas imediatamente, como cordeiro que vai para o matadouro, diz: “Contudo, não seja feito como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26, 39). É a Vítima perfeita que se entrega, é o Cordeiro Pascal, é aquele que tira o pecado do mundo por amor! O Bom Pastor, aquele que dá a vida por suas ovelhas!

São Mateus nos revela hoje o modo como Jesus foi traído por um dos seus homens de confiança. O evangelho destaca que o gesto estava inserido num contexto maior do desígnio divino sobre o destino do Messias. Nem por isso sua responsabilidade foi menor. As palavras terríveis que recaíram sobre ele não deixam dúvida a este respeito: “Seria melhor que nunca tivesse nascido!” Só Judas age na contramão da vontade do Mestre, mesmo que sua decisão, já estivesse no contexto da vontade de Deus.

A atitude cristã, que devemos ter, é a de corresponder com a graça divina, e não desprezá-la, traindo o amor de Cristo, como fez Judas. Peçamos ao Senhor que nos conceda uma fé firme e permanente a ponto de fazermos à diferença neste mundo cheio de ganância e uma busca constante de privilégios e, sobretudo, onde parecendo que não ainda o grito de Maquiavel “o fim justifica os meios” continua ditando normas. Tira-se a vida em troca de Poder, Prazer e Posse.

Jesus faz do dom de sua vida entregue, doada livremente por nós, a Nova e eterna Aliança com o Pai celeste. Afim de que livres do pecado, vivemos agora na liberdade de filhos e filhas de Deus.
Fonte Canção Nova

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segunda-feira, 21 de março de 2016

A TRAIÇÃO Jo 13,21-33.36-38 - 22.03.2016

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HOMILIA

Estamos na terça feira da Semana Santa. Os textos do evangelho destes dias nos confrontam com os fatos terríveis que levaram à prisão e à condenação de Jesus. Os textos não trazem só as decisões das autoridades religiosas e civis contra Jesus, mas também relatam as traições e negações dos próprios discípulos que possibilitaram a prisão de Jesus pelas autoridades e contribuíram enormemente para aumentar o sofrimento de Jesus.
Nesta ceia estão com Jesus, os apóstolos. Destacam-se João, aquele "a quem Jesus amava", Simão Pedro, representando as pessoas em busca de identidade e Judas Iscariotes, o traidor. Nas refeições solenes, dar um pedaço de pão umedecido no molho era sinal de carinho especial. Jesus entrega este pedaço de pão a Judas Iscariotes. Com isto o Evangelho dá a entender que Jesus ama de maneira extraordinária aquele que o trairá. A traição não é obra de inimigos de Jesus. Acontece por meio de um dos seus. Pedro está distante de Jesus, não só fisicamente, mas precisa da mediação de João para se comunicar com o Mestre.
O anúncio da traição. Depois de ter lavado os pés dos discípulos e de ter falado da obrigação que temos de lavar os pés uns dos outros, Jesus se comoveu profundamente. E não era para menos. Enquanto ele estava fazendo aquele gesto de serviço e de total entrega de si mesmo, ao lado dele um discípulo estava tramando a maneira de como traí-lo naquela mesma noite. Jesus expressa a sua comoção e diz: Em verdade lhes digo: um de vocês vai me trair! Não diz: Judas vai me trair, mas um de vocês. É alguém do círculo da amizade dele que vai ser o traidor.
A reação dos discípulos. Os discípulos levam susto. Não esperavam por esta declaração tão séria de que um deles seria o traidor. Pedro faz um sinal a João para ele perguntar a Jesus qual dos doze iria cometer a traição. Sinal de que eles nem sequer desconfiavam quem pudesse ser o traidor. Ou seja, sinal de que a amizade entre eles ainda não tinha chegado à mesma transparência de Jesus para com eles. João se inclinou para perto de Jesus e perguntou: Quem é?
Jesus indica Judas. Jesus disse: é aquele a quem vou dar um pedaço de pão umedecido no molho. Ele pegou um pedaço de pão, molhou e deu a Judas. Era um gesto comum e normal que os participantes de uma ceia costumavam fazer entre si. E Jesus disse a Judas: O que você tem que fazer, faça logo! Judas tinha a bolsa comum. Era o encarregado de comprar as coisas e de dar esmolas para os pobres. Por isso, ninguém percebeu nada de especial no gesto e na palavra de Jesus. Nesta descrição do anúncio da traição está uma evocação do salmo em que o salmista se queixa do amigo que o traiu: Até o meu amigo, em quem eu confiava e que comia do meu pão, é o primeiro a me trair. Judas percebeu que Jesus estava sabendo de tudo. Mesmo assim, não voltou atrás, e manteve a decisão de trair Jesus. É neste momento que se opera a separação entre Judas e Jesus. João diz que o satanás entrou nele. Judas levantou e saiu. Ele entrou para o lado do adversário (satanás). João comenta: Era noite. Era a escuridão.
Começa a glorificação de Jesus. É como se a história tivesse esperado por este momento da separação entre a luz e as trevas. Satanás (o adversário) e as trevas entraram em Judas quando ele decidiu de executar o que estava tramando. Neste mesmo momento se fez luz em Jesus que declara: Agora o Filho do Homem foi glorificado, e também Deus foi glorificado nele. Deus o glorificará em si mesmo e o glorificará logo! O que vai acontecer daqui para frente é contagem regressiva. As grandes decisões foram tomadas, tanto da parte de Jesus e agora também da parte de Judas. Os fatos se precipitam. E Jesus já dá o aviso: Filhinhos, é só mais um pouco que vou ficar com vocês. Falta pouco para que se realize a passagem, a Páscoa.
O novo mandamento. O evangelho de hoje omite estes dois versículos sobre o novo mandamento do amor e passa a falar do anúncio da negação de Pedro.
Anúncio da negação de Pedro. Junto com a traição de Judas, o evangelho traz também a negação de Pedro. São os dos dois fatos que mais contribuíram para o sofrimento de Jesus. Pedro diz que está disposto a dar a vida por Jesus. Jesus o chama à realidade: “Você dar a vida por mim? O galo não cantará sem que me renegues três vezes”. Marcos tinha escrito: “O galo não cantará duas vezes e você já me terá negado três vezes” (Mc 14,30). Todo mundo sabe que o canto do galo é rápido. Quando de manhã cedo o primeiro galo começa a cantar, quase ao mesmo tempo todos os galos estão cantando. Pedro é mais rápido na negação do que o galo no canto.
O que o texto diz para mim, hoje? Também me coloco na mesa, junto a Jesus. Em que lugar? Identifico-me com Pedro, João, ou com qual apóstolo? Os bispos, na Conferência de Aparecida falaram da comunidade de amor que nasce da Eucaristia e constrói a unidade. A Igreja, como "comunidade de amor é chamada a refletir a glória do amor de Deus que, é comunhão, e assim atrair as pessoas e os povos para Cristo. No exercício da unidade desejada por Jesus, os homens e mulheres de nosso tempo se sentem convocados e recorrem à formosa aventura da fé. Que também eles vivam unidos a nós para que o mundo creia (Jo 17,21). A Igreja cresce, não por proselitismo mas por 'atração': como Cristo 'atrai tudo a si' com a força de seu amor. A Igreja atrai quando vive em comunhão, pois os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou!
Pai, faze-me viver em sintonia com Jesus, de modo que meus preconceitos não venham a influenciar minha adesão a ele.
Fonte PADRE BANTU MENDONÇA KATCHIPWI SAYLA

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