domingo, 7 de junho de 2015

A VIDA COMO SAL E LUZ DO MUNDO Mt 5,13-16 - 09.06.2015


HOMILIA

Quando a bíblia fala de sermos sal, é para que tenhamos uma vida decidida, sim sim ou não não, quente ou frio, ter e viver uma vida decidida, escolher claramente o que deseja viver. Pois se o sal deixa de ser salgado ele não presta mais para nada. Se o sal for doce, ele deixa de ser sal. Então é viver somente a verdade, e não viver entre a verdade e a mentira. Não se pode andar ao mesmo tempo para a direita e para a esquerda.
Jesus compara os seus discípulos a sal e luz. Ambos são símbolos de coisas muito presentes na vida de todas as pessoas. Sem sal, não se sente o sabor dos alimentos. Sem luz não se vê nada, nem sombras, nem caminho, nem cores. A vida se torna quase impossível. O discípulo tem esta missão dar sabor e sentido ao mundo. Dar vida e sentido aos irmão
Ser sal é viver uma vida de decisão. E quando fala para sermos luz, isso é algo simples, pois quando se tem luz, nada está escondido, tudo está à vista de nossos olhos. Já na escuridão não se tem as coisas a vista. Então ser luz é viver uma vida de transparência, uma vida limpa e íntegra, onde todos possam ver tudo o que fazemos. Pois quem é santo não tem nada a esconder, sua vida é “um livro aberto”. Jesus é um exemplo, sua vida é transparente, está escrita em um livro universal. Ser luz é ter santidade, viver uma vida de transparência. E analisando nossa vida, será que ela pode ser lida por todos? Será que todos podem ver o que fazemos ou fizemos?
Quem vive a nova lei das Bem-aventuranças, proclamada por Jesus Cristo, o novo Moisés, torna-se sal e luz do mundo. Os dois provérbios parabólicos, do sal e da luz, definem a vida e missão dos discípulos, em contraste com a dos fariseus e pagãos: «Vós sois o sal da terra ... Vós sois a luz do mundo». O sal dá sabor aos alimentos, e ainda é usado para evitar a sua corrupção. O sal também era usado na confecção dos sacrifícios (Lv 2, 13) e, portanto, assumia um papel «consacratório» e, se perdesse a capacidade de salgar, era «pisado pelos homens», num gesto dessacralizante. O sal, finalmente, também lembra a sabedoria (Mc 9, 50): devemos condimentar com ele o nosso falar (Cl 4, 6).
Os discípulos são «luz do mundo», tal como Cristo, que é a fonte da luz (Jo 8, 12). Não se acende uma luz «para a colocar debaixo do alqueire» (cf. Mc 4, 21), caso contrário, apaga-se, como acontece quando se coloca o apagador sobre uma vela.
«Sal da terra… luz do mundo: a missão dos discípulos tem um horizonte cósmico, planetário.
Se você quer saber se o que você faz é pecado ou não, se é certou ou não, basta você pensar se pode contar para todos, como: colegas; amigos; pais; no trabalho; na escola; na igreja, se puder contar, pode ter certeza que não, mas se alguém não puder saber, então... Mas temos que ter bom senso. Santidade deve ser vista por todos. A vida cristã não deve ser escondida, tem que ser algo visível, como a vida de Cristo foi. Ser sal e luz é viver sempre decidido e transparente em todas as coisas. Vamos buscar uma vida de santidade, Deus nos chama para uma vida santa.
Pai, tenho diante de mim o mundo todo a ser evangelizado. Transforma cada circunstância e cada momento da minha vida em chance para dar testemunho do teu Reino e poder um dia alcançar a Santidade junto de Vós!
Fonte Padre BANTU SAYLA

sábado, 6 de junho de 2015

AS BEM-AVENTURANÇAS Mt 5,1-12 - 08.06.2015


HOMILIA

O Sermão da Montanha, introduzido pela proclamação das bem-aventuranças, é o programa do Reino dos Céus já presente entre nós. Elas constituem as virtudes de Jesus. São, segundo Santo Agostinho, uma regra perfeita de vida cristã. Nas bem-aventuranças encontramos valores universais, que podem ser entendidos e acolhidos por todos. As bem-aventuranças são o caminho concreto para a transformação deste mundo em um mundo de fraternidade, justiça e paz.

Bem Aventurados os pobres de espírito (…). Os bens, desde que sejam adquiridos com justiça, devem ser possuídos e administrados em justiça. A ganância é contrária à pobreza de espírito. Deixemos que o Espírito nos dê um coração de pobre. Somos mendigos do Espírito.

Bem Aventurados os que choram (…). Vivamos numa experiência da misericórdia divina no nosso coração. Deixemos que Deus enxugue as nossas lágrimas e recebamos a sua consolação. Acreditemos que por maiores que sejam os nossos sofrimentos e dores, a Misericórdia divina superabunda tudo isso.

Bem Aventurados os mansos (…). Conhecemos que a mansidão, a paciência e a humildade são caminhos para a glória eterna. Sejamos mansos, puros e humildes.

Bem Aventurados os que têm fome e sede de justiça (…). A nossa fome e sede do espírito são de amor a Deus, que é justiça e de amor ao próximo. Desenvolvamos essa fome espiritual, que só a fé sacia.

Bem Aventurados os misericordiosos (…). A misericórdia é a força do nosso coração. Como a anunciamos aos irmãos?

Bem Aventurados os puros de coração (…). O nosso coração cresce em sinceridade e retidão para com os outros? Cultivamos um coração simples? Deixemos vivificar em nós, a experiência de que somos templos do Espírito Santo.

Bem Aventurados os pacíficos (…). Os nossos valores éticos constituem uma afirmação evangélica contra as normas de uma sociedade desprovida do Deus de Amor. A Paz esteja convosco: disse-nos Jesus. Assim, ela é um dom de Deus. Somos construtores da paz. Nunca se esqueça que a Paz se opõe as atitudes de guerra, de agressividade, de conflito e de autoritarismo.

Bem Aventurados os que sofrem perseguição (…). As perseguições, mentiras e ataques perseguem os discípulos de Jesus. Como ontem, assim hoje são perseguidos, às vezes até pela própria família. Você é perseguido? A explicação está aí. Por isso, aguente firme. Aceitemos tudo isso, para nos deixarmos morrer interiormente, afim de que Cristo ressuscite em nós. Que a partilha das Bem-Aventuranças contribua para uma vivência de vida cristã e de uma comunidade de amor. Deus te abençoe meu irmão, minha irmã, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém!
Fonte Canção Nova

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O fechamento à graça de Deus - Mc 3,20-35 - 07.06.2015


HOMILIA

O evangelho nos fala hoje dos inícios da pregação de Jesus, passado já algum tempo. Jesus surpreende, encanta com as suas palavras, e deixa todo o mundo admirado com seus milagres.

A coisa vai em aumento e faz prever um movimento importante. Diante disso o evangelista São Marcos nos apresenta várias reações.

Primeira, a reação do povo, que simplesmente gosta e se entusiasma. Mas há também outras duas reações: os parentes se preocupam, acham que ele exagera, se expõe demais, “está fora de si”, e a coisa pode ficar fora de controle.

Eles saem à sua procura com  o propósito de convencê-lo para voltar a casa. Vão junto com a mãe dele.

Isto não é dito aqui, mas Maria está no fim, entre aqueles que chegam e pedem para falar com Jesus. Maria certamente não pensava que o seu filho estivesse fora de si, mas possivelmente queria lhe dar algum conselho de prudência, como tantas vezes fizera anteriormente.

No fim do evangelho de hoje Jesus toma posição: agora é a hora da Palavra de Deus. Quem a escuta e acredita entra a fazer parte da “minha” família, da nova família de Deus. Estes são agora meu irmão, minha irmã, minha mãe. Maria entende, e sabemos que fica com Jesus até o fim.

Mas há também outra reação: a dos escribas e fariseus. Eles também se preocupam. Não gostam que Jesus seja um mestre independente, não gostam que o povo vá atrás dele, e procuram desmoralizá-lo: se ele expulsa os demônios é porque está de acordo com o mesmo demônio.

Os dois estão combinados para enganar a gente, e o que fazem é uma pantomima. Jesus responde: se o demônio expulsa a si mesmo, está condenado ao fracasso.

Mas Jesus vai mais longe: qualquer pecado pode ser perdoado, menos o pecado e a blasfêmia contra o Espírito Santo. Este é um pecado eterno.

Essas palavras são inquietantes. Que pecado é esse, “contra o Espírito Santo”?

Jesus fala aos escribas e fariseus, que distorcem o sentido dos milagres que Jesus faz. Não querendo ver neles a mão de Deus, preferem dizer, por interesse próprio, que Jesus está possuído pelo demônio e age pelo poder do maligno.

Neste caso, quantos mais milagres e expulsões Jesus realizasse, mais eles iriam se convencer que Jesus era “do mal”. Deste modo eles próprios fechavam para si o caminho da conversão.

Deus perdoa todo aquele que se arrepende, mas aquele que persiste em fechar os olhos para não ver a luz, ele mesmo se condena a ficar nas trevas.

Contudo as palavras de Jesus não são ditas apenas para os fariseus: nós também deveríamos nos perguntar se muitas vezes não preferimos a mentira ou a meia verdade que nos interessa e agrada, à plena luz da verdade que nos incomoda.

Pecar contra o Espírito Santo é pecar contra a verdade de Deus. Amar a verdade mais que a nós mesmos é a condição para encontrar a verdade plena, para encontrar o Deus verdadeiro.

(Pe Jaime Sánchez Bosch)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A OFERTA DA VIÚVA POBRE Mc 12,38-44 - 06.06.2015


HOMILIA

O relato evangélico de hoje tem duas partes bem diferenciadas e, ligadas talvez, pela palavra chave “viúva” com a qual conclui a última seção da primeira parte, dando origem à segunda. A primeira diz respeito ao juízo de Jesus sobre os mestres da Lei e a segunda refere-se a oferta da viúva.
Na primeira parte, o Senhor instrui a multidão que o escuta com satisfação conforme Mc 12,37. O primeiro ensinamento desmascara a atitude dos escribas ou mestres da Lei que gostam de ser o centro em tudo, mas que não são coerentes com os ensinamentos desta mesma Lei e cometem injustiça contra as viúvas explorando ou roubando os seus bens.
Na segunda parte, Jesus aparece como um grande observador. Olha para a caixa das ofertas onde o povo põe o dinheiro. Percebe que muitos ricos põem grande quantidade de dinheiro. Porém, também vê que uma viúva pobre coloca duas moedinhas de pouquíssimo valor. Ali aparece o ensinamento para seus discípulos. Afirma sem rodeios que a viúva pobre deu mais que todos os ricos... E esclarece por que: enquanto os ricos deram do que lhes sobrava, a viúva pobre deu do que tinha para viver.
Saiba que: as moedinhas que a pobre viúva coloca são duas moedinhas. A Lepta era uma moeda grega de cobre chamada também calco ou óbolo. As duas Leptas equivaliam a um Quadrante (moeda romana) que é a 64º parte de um Denário (moeda romana) que era o salário médio por um dia de trabalho. Façamos o cálculo dividindo em 64 a diária oficial de um trabalhador de nosso país, ou seja, a quantidade é insignificante.
Jesus como sempre observava tudo a fim de ensinar aos Seus discípulos o que era verdadeiro. Ele exortava-os a não imitar os doutores da lei que gostavam de chamar atenção em todos os aspectos. Existem hoje também muitos “doutores da lei” que gostam de chamar a atenção por suas idéias “espirituais” ou “espiritualistas” que estão impressionando as multidões. Na verdade, eles fazem tudo visando proveito próprio desviando o foco da pessoa de Jesus Cristo e colocando-se no Seu lugar. Gostam de ser incensados, elogiados e reconhecidos pelos seus grandes feitos. Necessitamos vigiar as nossas ações de colaboradores do reino para que não estejamos no meio dos “doutores da lei”, porque Jesus mesmo nos adverte: “Tomai cuidado” “eles receberão a pior condenação”. Às vezes podemos pensar que estamos servindo ao Senhor, quando na verdade, procuramos um palco para nos pormos em evidência. Ao mesmo tempo, Jesus também nos aconselha a observar a oferta da pobre viúva. Ela só chamava a atenção pela sua miséria, mas teve o desprendimento de ofertar ao Senhor, também, toda a sua pobreza. O pouco que ela deu era tudo o que possuía para viver. Todos (as) aqueles (as), que como a viúva, oferecem tudo o que possuem para viver, receberão recompensa. Essa passagem nos faz refletir sobre as nossas ofertas!
Tenhamos presente que na época de Jesus, trabalhava “fora de casa” somente o homem. Quando uma mulher ficava viúva, não voltava para sua casa paterna; se não tivesse filhos homens que a pudessem sustentar, ficava a mercê da “caridade” do povo. Não havia instituições nem ONGs que se encarregassem delas. Muitas vezes no Antigo, e também no Novo Testamento, aparece a expressão “pobres, órfãos e viúvas” como aqueles que Deus privilegia e, portanto reivindica cuidado e proteção especial por ser realmente parte da categoria do que hoje chamaríamos os “irmãos mais necessitados” ou empobrecidos.
Qual a minha atitude perante Deus? Procuro honrarias, benefícios, primeiros lugares? Qual a minha atitude perante os bens e talentos que eu possuo? Cuido deles como algo que Deus colocou em minhas mãos para eu administrar? Ou cuido deles como algo exclusivamente meu, em benefício próprio? Creio que amar a Deus implica desapego e doação sem nada reter para mim? Temos oferecido ao Senhor tudo o que temos ou somente o que sobra? O que é que você possui? Qual será a oferta que Deus espera de você? Você tem oferecido ao Senhor, pobreza ou riqueza? Qual é o entendimento que você tem sobre generosidade?
Pai, instrui-me com tua sabedoria, para que eu saiba avaliar os gestos humanos com parâmetros divinos, e assim ser capaz de perceber o que é invisível aos nossos olhos.
Fonte Padre BANTU SAYLA

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A PERGUNTA SOBRE O MESSIAS Mc 12,35-37 - 05.06.2015


HOMILIA

No início da monarquia, Deus prometera suscitar para Davi um descendente que o sucedesse no trono, de maneira a consolidar a realeza. A relação entre Deus e o monarca seria como a de pai e filho: “Eu serei para ele um pai, e ele será meu filho”. O Senhor comprometia-se a garantir a estabilidade do trono real de Israel, a fim de que subsistisse para sempre.
O fim da monarquia deu lugar à crença de que, no final dos tempos, Deus haveria de suscitar um descendente de Davi, para restaurar Israel. Esta esperança messiânica era muito viva no tempo de Jesus. Aliás, ele mesmo foi identificado como filho de Davi.
Contudo, Jesus olhava com reservas para esta antiga tradição, e a questionou servindo-se da citação de um salmo. Considerado do rei Davi, este salmo refere-se a alguém superior a seu autor: “Disse o Senhor ao meu Senhor”. O Messias não seria um descendente de Davi, mas seu Senhor. Por conseguinte, deveria ser procurado fora da descendência davídica. Fixar-se na continuidade dinástica, ao longo dos tempos, poderia levar a identificações enganosas.
Todavia, “Jesus é o Messias e Senhor”! Humildemente Ele ensinava no templo procurando esclarecer para os judeus a Sua verdadeira identidade, no entanto, eles se confundiam e não O aceitavam como o Filho de Deus. Só seremos fieis à Lei e à Aliança com Deus se nos unimos a Ele através do conhecimento do Evangelho que o próprio Jesus veio anunciar esclarecendo todas as dúvidas que existiam e existem nos corações dos homens. Jesus veio ao mundo revelar os pensamentos do Pai e Ele mesmo se anunciou como o Messias, o enviado de Deus para salvar a humanidade. Por isso, Ele já anunciava que depois de ressuscitado, se assentaria à direita do Pai e esmagaria os Seus inimigos colocando-os “debaixo dos Seus pés”. Ainda hoje muitos esperam a vinda do Messias e perdem a oportunidade de conhecer Jesus e a Sua Palavra que nos motivam à adoração e o reconhecimento do Seu poderio. Jesus Cristo tem poder. Ele é o Messias, o Senhor, e é a este Jesus que nós devemos adorar como o Ungido pelo Pai para nos dar o Seu Espírito Santo cheio de força e de poder.
Você deseja levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus? Você já tem provado as conseqüências disso? O que você tem aprendido com a meditação da Palavra de Deus? Faça uma reflexão: houve crescimento seu na Meditação da Palavra nestes últimos meses? Você continua firme no que tem aprendido? Escreva algo no seu coração sobre Jesus, o Messias, o Salvador, o Ungido.
Pai, revela-me a identidade de teu filho Jesus, para que eu não me acerque dele movido por falsas esperanças.
Fonte Padre BANTU SAYLA

terça-feira, 2 de junho de 2015

TOMAI E COMEI, ISTO É O MEU CORPO Mc 14,12-16.22-26 - 04.06.2015


HOMILIA

Celebramos hoje a festa do Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, reafirmamos a nossa fé na presença real e substancial de Cristo no pão e no vinho consagrados como alimento da nossa salvação. Diante de tão grande mistério, somos chamados a elevar os nossos corações para o alto e fazer eco à profissão de fé eucarística no pão e vinho.

Esta festa de Corpus Christi foi instituída pelo papa Urbano IV em 11 de agosto de 1264, em vista de destacar a dimensão sacramental que a tradição romana associou à última ceia de Jesus, já celebrada na semana santa.

A ceia é um momento de alegria, partilha e comunhão. Descartando comer o cordeiro pascal, Jesus apresenta-se como o pão que dá a vida, e o vinho que alegra a todos, inaugurando a nova celebração do Reino de Deus. A Eucaristia é a celebração da comunidade viva, animada pelo Espírito, unida em torno de Jesus, empenhada em cumprir a vontade do Pai, que é vida para todos.

Por que o Senhor utilizou pão e vinho? Porque são os alimentos mais simples, mais comuns da mesa dos judeus. O pão e o vinho eram do dia-a-dia do pobre e do rico. Ainda hoje, nos países da bacia do Mediterrâneo, ao sentarmo-nos para o almoço ou jantar, encontramos logo na mesa uma garrafa d’água, uma garrafa de vinho e pão fatiado. Pois bem: Jesus não quis ser o Jesus dos grandes momentos, o Jesus de algumas poucas ocasiões; ele quis ser o Jesus de todos os dias, o Jesus de todos os momentos, o Jesus dos pobres e dos ricos, o Jesus de todos e de tudo. Por isso mesmo escolheu sinais tão ínfimos, tão humildes.  Mais uma vez, obrigado, Jesus, por tua humildade, por tua divina disponibilidade em se dar a nós de modo tão simples, tão desprovido de grandeza! Ensina-nos, pelo pão e vinho eucarístico, a virtude da humildade, da simplicidade, da arte de perceber o valor das coisas humildes e pequena, nas quais tu te escondes…

Por que Jesus disse “é meu corpo, é meu sangue”? Corpo ou carne, na Bíblia, não é somente a musculatura da pessoa, mas toda ela – sua inteligência, seus sentimentos, seu corpo, suas emoções, seus planos… É dito carne ou corpo para significar que o homem é frágil, murcha como a erva do campo. Pois bem, quando Jesus diz: “Isto é o meu corpo”, ele quer dizer: “Isto sou eu com minha vida, que tomei de vós no seio de Maria, a Virgem. Eu vos dou minha humanidade: meus cansaços, meus sonhos, minhas andanças… Dou-vos tudo quando vivo no meio de vós, feito homem, eu, o Verbo que se fez carne!” E o sangue? Não significa simplesmente o líquido vermelho que corre nas nossas artérias. Sangue, na Bíblia, significa a vida. O sangue derramado significa a vida tirada, a vida violentada. Pois, vede que coisa tão linda: ao dizer “Isto é o meu sangue”, o Senhor está dizendo: “Eu vos dou toda a minha vida que se foi derramando por vós, desde o primeiro momento da minha existência humana. Fui me derramando por vós em cada cansaço, em cada decepção; fui me derramando em cada noite em oração, em cada agonia… até aquela última, da cruz e da sepultura…” Então, meus caros, “isto é o meu corpo, isto é o meu sangue” significa “isto sou eu todo, com o que tenho, com o que sou, com o que vivi e com o que morri, com o que amei e com o que sonhei, que agora entrego a vós e por vós”.

Que podemos dizer? Senão simplesmente: Obrigado, Senhor, por esse amor tão grande, que te fez a nós te entregares assim, totalmente! Dá-nos a graça de, recebendo teu Corpo e Sangue, plenos do Espírito Santo, na força do mesmo Espírito, fazer de nossa vida uma entrega a Ti e, por Ti, a todos os irmãos e irmãs. Ensina-nos a ser para os outros pão repartido e dado por amor afim de que um dia possamos chegar ao Pai do Céu, onde convosco viveremos e reinaremos em comunhão com o Espírito Santo pelos séculos dos séculos! Amém.
Fonte Canção Nova

segunda-feira, 1 de junho de 2015

DEUS DOS VIVOS Mc 12,18-27 - 03.06.2015


HOMILIA

Como sempre, mais uma vez os inimigos e perseguidores de Jesus se aproximam de forma irônica, provavelmente para chacotear os fariseus e lhe armam uma cilada. Desta vez são alguns saduceus. Um dos pontos positivos deste grupo é a crença na ressurreição dos mortos. E então chegando à frente de Jesus lhe perguntam: no dia da ressurreição, quando todos os mortos tornarem a viver, de qual dos sete a mulher vai ser esposa? Pois todos eles casaram com ela!

Jesus, entretanto, leva a sério a pergunta. Jesus foi buscar a resposta no Pentateuco, aceito sem discussão por fariseus e saduceus. E a tira da boca de Deus em diálogo com o maior e mais considerado homem da história dos judeus, Moisés, no episódio da sarça ardente, exatamente o momento em que começa toda a história da libertação dos hebreus e o nascimento deles como povo, povo escolhido por Deus: “Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó” (Cf. Ex 3,6). Deus não diz “Eu fui o Deus de Abraão”, mas “eu sou”. O que significa que Abraão, Isaac e Jacó estão vivos e continuam a adorar a Deus.

O alcance do argumento de Jesus era bem mais amplo do que aquele contexto de ressurreição para os fariseus que acreditavam que a ressurreição fosse um prolongamento da vida presente, uma espécie de plenitude dos prazeres terrenos.

Para Jesus, quem morre entra na vida eterna, na contemplação da vida divina. O mundo futuro não consiste na continuação da vida atual do corpo, por isso não precisam de casamento. Jesus, porém, não esclarece que tipo de corpo teremos, mas apenas afirma que seremos iguais aos anjos, e faremos uma comunhão com Deus, ou seja, viveremos a vida do próprio Deus. O mistério da ressurreição foi explicitado por Jesus, sobretudo com sua própria Ressurreição. A partir da Páscoa, os Apóstolos passaram a chamarem-se testemunhas da Ressurreição e dela fizeram o centro de toda a pregação e o fundamento da fé cristã.

Assim, Jesus ressuscitou dos mortos. Jesus distingue entre os dois tempos: o presente, na carne, que é marcado pelo ter, pelo possuir e pelo poder. Neste tempo tudo é transitório, marcado por inúmeras separações, a mais sentida delas que é a morte. O outro tempo vem marcado pelo dar-se e dar a vida: Deus dá a vida, uma vida que não conhecerá mais a morte; Deus dá-se a si mesmo, fazendo com quem se revestiu da eternidade uma só comunhão, embora conservando nós nossa identidade de criaturas, que Jesus chama de filhos de Deus, iguais aos anjos. Iguais aos anjos, porque a vida que recebemos através da geração carnal, como pensavam os fariseus e ensinavam ao povo, mas mediante a graça da ressurreição na Ressurreição do Cristo. É participando da Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo que participaremos do mistério de sua filiação divina.

Se a ressurreição consiste em estar sempre com o Senhor, o viver neste mundo exclusivamente para o Senhor e com o Senhor já tem o gosto da eternidade. A certeza da Ressurreição não deve ser apenas, uma realidade que esperamos; mas deve ser uma realidade que influência, desde já, a nossa existência terrena. É o horizonte da Ressurreição que deve influenciar as nossas atitudes; é a certeza da ressurreição que nos dá a coragem de enfrentar as forças da morte que dominam o mundo, do ter, do ser, do poder indiscriminado, de forma que o novo céu e a nova terra que nos esperam comecem a desenhar-se desde já.

Viemos de Deus da Vida, e com a morte, voltamos para Ele. A morte é o encontro maravilhoso com os amigos e parentes, na visão beatífica do Pai. Para este encontro queremos nos preparar na companhia do nosso melhor amigo, Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida. Demos graças a Deus pelo dom da vida e a garantia da ressurreição em Cristo Jesus!

Pai, tu és o Senhor da vida e me conduzes para a vida eterna junto de ti. Aumenta a minha fé na vida que nunca mais terá fim, pois vós não me criastes para a morte, mas sim à comunhão contigo.
Fonte Canção Nova