sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Homilia Diária -19.12.2018

O NASCIMENTO DE JOÃO BATISTA Lc 1,5-25
HOMILIA

Por exercer as funções sacerdotais, Deus olhou misericordiosamente pelas orações de Zacarias e cumpriu a promessa aos homens justos e tementes a Ele. Esse casal, Zacarias e Isabel, vivia uma vida que, para Deus, era correta, pois obedecia fielmente todas as leis e mandamentos do Senhor.

Por meio do anjo Gabriel, extraordinariamente, Deus anuncia o nascimento de João Batista, pois Isabel era já de idade avançada. Tocou-lhe exercer o seu ministério enquanto oferecia o sacrifício divino pelos pecados do povo e também dos seus.

Dentro desta dinâmica, Deus resolve atender, dentre outros, os pedidos do próprio Zacarias. Conceder-lhe um filho, que, por providência divina, nasce de uma mulher da estirpe de Aarão, cujo nome é Isabel. Pela razão aludida acima, Deus realiza o impossível na vida de homens de fé e, se aparece alguma dúvida apesar da fidelidade, Ele manifesta o seu poder sobrenatural.

O povo, rezando do lado de fora, esperava que ele saísse depois do incenso. Enquanto isso, o anjo de Deus se aproxima e conversa com Zacarias. E o conteúdo da conversa é: Não tenha medo, Zacarias, pois Deus ouviu a sua oração! A sua esposa vai ter um filho, e você porá nele o nome de João. Neste filho se vê, antecipadamente, o anúncio do nascimento do Messias, o Emanuel. Ele será mandado por Deus como mensageiro e será forte e poderoso como o profeta Elias. Ele fará com que pais e filhos façam as pazes e que os desobedientes voltem a andar no caminho direito. E conseguirá preparar o povo de Israel para a vinda do Senhor.

Para Lucas, as aparições de anjos são o sinal de que caíram as antigas barreiras entre o céu e a terra, ou, pelo menos, estão por cair, como neste caso. A iniciativa parte de Deus, porque tudo o que é grande vem d’Ele. Zacarias, ante a impossibilidade humana, expressa a pouca fé nas coisas altas e profundas. Ainda não sentiu que para Deus nada é impossível e que seu poder começa onde a fraqueza humana mostra os limites de suas possibilidades. Como resultado do seu comportamento, ele fica mudo até que a profecia se cumpra. Porque para Deus nada é impossível. Tanto tempo, muita demora e, como agravante, aprece mundo. O povo reage desesperadamente. Como se comunicar com ele? O que será isso? Que milagre terá acontecido? Por inspiração divina, chegam à conclusão de que teria tido uma visão. Deus lhe teria falado.

Caríssimos irmãos, assim como a primavera traz belas e perfumadas flores, o Advento nos traz vida. Somos chamados com todo o rigor à conversão, à mudança de nossa vida. É preciso que mudemos, de verdade, o nosso modo de agir e penetremos mais firmemente no caminho do Reino. Se João Batista nos chama à conversão, Jesus, por sua vez, chama-nos e convida a tomar parte no Reino. Se quisermos, verdadeiramente, encontrar Deus, temos de nos converter profundamente. Acolhamos a voz do anjo que nos anuncia a chegada do Deus menino. Tenhamos uma fé firme e forte, que supere a de Zacarias. Pois Ele foi norteado somente pela esperança profética. Nós sabemos e temos provas concretas da presença de Deus no mundo. “Aquele que há de vir, chegará sem demora: já não haverá mais temor entre nós, porque Ele é o nosso Salvador ” (Hb 10,37).

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Homilia Diária - 18.12.2018

JOSÉ, NÃO TENHAS MEDO...Mt 1,18-24
HOMILIA

Começamos nossa reflexão citando as palavras do anjo a José, no que toca a concepção e, conseqüentemente, o nascimento de Jesus.

José, timbrado e carimbado na Sagrada Escritura, depara-se com uma situação humanamente impossível: sua esposa está grávida sem a ter conhecido. Como será isso e que procedimento seguir? Se Ele a tivesse conhecido antes de viverem juntos, seria o pior vexame que teriam passado, além de correr o risco de serem apedrejados pela cultura do tempo; o que seria o de menos, pelo fato de terem violado a lei. O enigmático é que conscientemente isso aconteceu e ela aparece grávida.

Alguém lhe teria passado para trás? Ou a própria Maria o teria traído? Devido ao adjetivo a ele atribuído e sem querer difamá-la, porque era justo, José resolveu abandonar o amor da sua vida em segredo. Mas, enquanto pensava nisso, Deus veio ao seu encontro através de um anjo.

Na intervenção de Deus, neste momento de profunda angústia e confusão de José, manifesta-se o triunfo da justiça divina sobre os homens e mulheres fiéis a Ele, que andam observando e vivendo os seus mandamentos. “Aos homens retos, darei alegria plena”; diz Deus. Eu estou ao lado da justiça e julgo segundo o que vejo; não segundo as aparências.

A atitude de silêncio interior de José pode ser entendida como o tempo da meditação, de intimidade profunda com Deus, de deixar que Ele fale por nós. Quando nós levamos as nossas preocupações a Ele, o Senhor as faz suas; então, não somos nós que falamos, mas o Espírito do nosso Pai que fala por nós. Basta fazer a nossa parte, que consiste somente em confiar e saber esperar no Senhor que tudo pode. José não precisou falar alto nem muito com A ou B. Simplesmente, contemplando o sucedido e rezando, calou-se.

A resposta de Deus não se fez esperar. Imediatamente, agiu mandando o seu anjo que diz: “José, descendente de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois ela está grávida pelo Espírito Santo. Ela terá um menino, e você porá n’Ele o nome de Jesus, pois Ele salvará o seu povo dos pecados”. Era isso que José esperava ouvir. Esclarecida a dúvida, José recebe Maria como sua esposa e toca a vida.

Muitas são as simbologias que podemos encontrar neste texto. Veja por exemplo: com a escolha do homem da casa de Davi, o Evangelho de Mateus quer, teologicamente, inserir Jesus na genealogia davídica para harmonizar a concepção virginal de Maria com a acolhida de José. O estranho é que, só depois de José sofrer profundamente ao perceber, progressivamente, a gravidez da mulher amada, o anjo é enviado a ele, dissipando a terrível dúvida acumulada.

Teologicamente, José, apresentado como inserido na genealogia davídica, representa o antigo judaísmo. De Maria, que está fora desta genealogia, nascerá Jesus. Maria representa a novidade de Jesus nas comunidades cristãs. Alguém que não pertence à raça, à estirpe, à tribo. Porém, o novo que se manifesta em Maria escapa à compreensão de José. Era necessário que, do alto, viesse a luz e José fosse advertido pelo anjo. E então, ele acolhe Maria para dizer que os judeus devem aceitar as novas comunidades cristãs, vendo nelas a obra de Deus.

Este judeu pode ser eu, pode ser você, meu irmão, quando diante dos pecadores públicos, dos criminosos. Nós nos consideramos justos, sem pecados; por isso queremos nos manter distantes dos leprosos, dos pecadores.

José, o homem justo, fiel e humilde, compreendeu o desígnio do Pai para com a humanidade e colaborou para que ele fosse realizado. Em que ponto você está? Assim como aconteceu com José ontem, hoje continua a palavra de Deus sendo dirigida para nós. Não tenha medo de receber o estrangeiro, o pobre, a viúva, o órfão, o drogado, o doente. Ame-o, assim você transformará a sua vida e salvará sua alma da morte eterna. E assim, celebrarás o verdadeiro Natal. (Emanuel quer dizer “Deus está conosco”).

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Homilia Diária -17.12.2018

OS ANTEPASSADOS DE JESUS CRISTO Mt 1,1-17
HOMILIA

Por que davam tanto valor à genealogia? Era o meio infalível de preservar a identidade do povo israelita mesclado com outros povos. Os sacerdotes, bem como os que pretendiam um cargo público, deviam apresentar uma árvore genealógica sem mancha legal. Era uma honra descender de um tronco antigo, muito mais se ligado a Davi, cuja estirpe era portadora da mais elevada promessa: dela viria o Messias, Rei eterno (cf. SI 88,30). Prova que Jesus é verdadeiro homem e não um ser mitológico.

Na ascendência genealógica do Messias, só se considerava o primogênito. Aqui, Judá toma o lugar de Rubem, que era o primogênito (cf. Gn 29,32). Como assim? Rubem profanou o leito de seu pai; Jacó transferiu então para Judá a promessa da dignidade real messiânica (cf. Gn 49,10) e o primado sobre todos seus irmãos, cabeças das 12 tribos de Israel; deu ajuda a primogenitura (cf. Gn 35,22; 49,4; 1Cr 5,1).

Mateus escreve para os judeus, a quem só interessava provarem-se descendentes de Abraão. Lucas dirige-se aos pagãos convertidos, para mostrar a dimensão universal da missão de Jesus, que veio para salvar não só os judeus, mas todos os descendentes de Adão.

Basta considerar que entre Esrom e Naasson decorreram os 430 anos da estadia dos hebreus no Egito (cf. Ex 12,40), tempo que exige mais de 14 gerações, atribuindo-se mais ou menos 25 anos a cada geração. Mateus omite vários nomes intermediários. Também entre Salmon e Davi medeiam 350 anos, e nessa lista só constam 4 gerações. Entre Jorão e Ozias, foram omitidos os reis Ocozias, Joás e Amasias. Mateus, como fazem frequentemente os orientais, quis apresentar 14 gerações convencionais antes da escravidão na Babilônia por questão de simetria, para facilitar a memória, porque o objetivo não é dar a conhecer todos os ascendentes e sim mostrar os mais ilustres e famosos. Por exemplo, os três reis, Ocozias, Joás e Amasias foram maus e, por parte de mãe, vinham da família do também ímpio Acab, amaldiçoado por Deus (cf. 1Rs 21,21; Ex 20,5). Entre Josias e Jeconias, foi omitido Joaquim, por ter sido feito rei por Necao, faraó do Egito, e não pelo povo. Também para forçar o número artificial de 14 é preciso contar duas vezes Jeconias, antes e depois de Babilônia. De Abiud a José, os nomes não constam dos livros sagrados, mas de arquivos públicos. Catorze é múltiplo de 7, número sagrado para os hebreus, porque ligado à ordem dos planos divinos na história. Ou Mateus pode ter-se inspirado no valor simbólico da soma das consoantes do nome David no original, quando ainda não havia vogais: D = 4, V = 6, D = 4; total = 14.

Que dizer da presença de mulheres na ascendência de Jesus? Nas genealogias normalmente não se consideravam as mães. Na de Jesus, contrariando o uso judaico, foram inseridas algumas, não célebres matriarcas, como Sara de Abraão, Rebeca de Isaac, Lia e Raquel de Jacó, mas quatro, quase todas mal afamadas: Tamar, cananéia engravidada por seu sogro Judá (cf. Gn 38,13-19); Raab, prostituta cananéia em Jericó (cf.Js 2,1), Rute, moabita de sã conduta, mas pagã (cf. Rt 4,13-17) e Betsabé, a que adulterou com Davi (cf. 2Sm 11,3-5).

Mateus quer dar a entender que Jesus engloba toda a história de Israel, com suas glórias e seus erros, e que veio como Salvador de todos, judeus e pagãos (lição de universalismo), justos e pecadores (lição de graça), como “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29; cf. 2Cor 5,21). Ensina que nem mesmo a indignidade do homem consegue anular os planos de Deus em sua marcha por caminhos às vezes tortuosos e cheios de mistérios. Deus é fiel, mesmo quando o homem O nega.

José é um particípio presente que significa “aumentando”, “crescendo” (cf. Gn 30,24). Maria, Míriam ou Mariana é “senhora” ou “exaltada”. Jesus, lehoshua em hebraico, é “Deus salva” ou “salvador”. Cristo (grego) e Messias (hebraico) significam “ungido”, “consagrado” (cf. Ex 28,41; I Sm 10,1). Ungiam-se os reis e sacerdotes. Desde os tempos de Daniel, o nome de Messias foi atribuído ao Rei e Sacerdote por excelência, anunciado pelos profetas e esperado por todo o Israel. Ungir era consagrar para a mais importante missão.

Nas genealogias só se consideravam os homens. Ora, Maria, que era também descendente de Davi (cf. Rm 1,3; 2Tm 2,8), não tendo irmãos homens, devia casar-se com um parente para garantir a continuidade da estirpe davídica. José, por direito judaico, tornou-se o pai legal de Jesus, a quem deu o caráter legal da descendência davídica por ser legítimo esposo de Maria. Pai legal não era só quem gerava, mas também quem adotava ou quem recebia um filho em força da lei do levirato. Assim Lucas diz: José, filho de Heli, enquanto Mateus o dá como filho de Jacó. É que Heli morreu sem filhos e Jacó casou-se com a esposa de Heli, para dar a este descendência. José é filho natural de Jacó e filho legal de Heli.

A vida de Jesus começa com Sua inserção na história humana. Desde então Ele não estará longe, e sim junto de nós, solidário conosco, fazendo parte de uma raça, de uma família, de uma cultura com todas as suas implicações, um homem como nós apesar de ser totalmente diferente. Provém de Abraão, a quem fora prometida uma bênção (o próprio Jesus) que seria para todos os povos (cf. Gn 12,3), e provém de Davi, a cuja prole estava reservado um trono não político, mas eterno (cf. 2Sm 7,12-13; SI 88,29-30; 131,11-12).

No Messias, filho de Abraão, toda a humanidade é destinada a receber a realização da promessa de uma bênção eterna que, concretamente, é Jesus Cristo. A árvore genealógica de Jesus sintetiza toda a História da Salvação, inteiramente orientada para o seu luminoso termo: Jesus Cristo. A história antiga estava grávida de Cristo e trouxe Deus presente, mesmo nos caminhos tortuosos da humanidade. Tortuosos, mas incapazes de atravancar os planos pré-estabelecidos por Deus. Tortuosos, mas cheios de mistérios! O homem foi criado à semelhança de Deus. Adão gerou um filho à sua imagem e semelhança. Gerar, ser pai, é transmitir, pelo sangue, a imagem de Deus! (cf. Gn 5,1-3).

Obrigado pelos meus antepassados, Senhor. Sei que foram instrumentos de Deus para me transmitirem a vida com saúde e a força da fé que ilumina meu caminhar. Reconheço que tudo em mim é obra de um amor eterno. Perdão pelas atitudes que não refletiram minha imagem e semelhança divinas.

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Homilia Diária - 16.11.2018

A MENSAGEM DE JOÃO BATISTA Lc 3,10-18
HOMILIA

O terceiro domingo do Advento tem um sabor de alegria. É o “domingo da alegria”, pedagogicamente colocado pela Igreja nesta proximidade do Natal. É como quem está fazendo uma viagem e, depois de uma boa caminhada, avista além da última curva da estrada o lugar para onde está viajando. Que alegria! E esse lugar para onde vamos caminhando é o Natal. É o nosso encontro com Deus, com o Messias, o Deus-conosco, que veio morar em nossa terra: “Alegrai-vos, O Senhor está perto”.

A alegria é tão grande que, a Liturgia, para bem expressá-la, vai buscar uma página de Isaías, onde se fala da volta do exílio. É como se a Palestina, terra tradicionalmente árida como o deserto e a estepe, se cobrisse de uma exuberante vegetação, e por toda parte brotassem as flores, lembrando a majestosa beleza do Líbano e do Carmelo. Só mesmo Isaías, grande profeta e grande poeta, sabe dizer as coisas com tão cativante beleza.

Cristo vem transformar o mundo numa terra de paz e de verdadeira alegria. Isaías o diz com expressões vigorosas. Prevê os cegos recuperando a vista, os surdos recuperando a audição,  os paralíticos readquirindo os movimentos, e até os mortos ressuscitando. E, particularmente precioso no meio de tudo isso, a Boa-nova sendo anunciada aos pobres. Tudo isso está no Evangelho, no lugar onde Jesus mostra aos discípulos de João Batista o que estava acontecendo ao redor dele. Era a resposta concreta que dava a esses discípulos, que lhe vinham perguntar se ele era o Messias ou se deviam esperar outro. Notemos que as curas e as ressurreições anunciadas por Isaías são apenas sinais da ampla transformação moral que a doutrina de Jesus, vivificada pela sua morte e ressurreição, vinha realizar no mundo. A humanidade é como a terra árida do deserto, onde brotam os espinhos do pecado e de toda a maldade. Sobre ela cai a chuva do céu trazida por Jesus – gotejai, ó céus lá do alto, derramem as nuvens a justiça, e o mundo se transforma. Tudo são flores de vida e de virtude.

Essa transformação não acontece de repente. Ela pede de nós uma longa paciência. “Como a do agricultor que espera o precioso fruto da terra, aguardando pacientemente as chuvas do outono e as da primavera”.

Há um belo provérbio europeu que diz que os moinhos de Deus moem devagar. E é assim mesmo. Nós que vivemos num mundo caracterizado pelo ritmo da velocidade, da eletrônica, da informática, não sabemos mais descobrir como tudo o que se refere à vida, à saúde, à educação, ao cultivo do espírito tem que ser feito com respeitosa tranquilidade. Uma árvore não cresce de repente. Uma criança não se educa de repente. Não se faz um santo de repente. E, para sermos bem práticos, não se reforça de repente uma sociedade, sobretudo quando nela cresceram e se desenvolveram longamente a corrupção e a irresponsabilidade. É preciso um trabalho persistente e confiante, onde todos colaborem. Com seriedade, com perseverança, com iluminada esperança.

E temos que dizer que esse é o trabalho que o Cristianismo se empenha em realizar ao longo dos séculos. E temos que reconhecer, sem falso otimismo, que muita coisa melhorou no mundo. No relacionamento das pessoas, na superação do radicalismo, no reconhecimento dos valores de cada um, na capacidade de diálogo, inclusive diálogo entre as nações, deixando cada vez mais para trás o recurso à guerra como único caminho para se resolverem os conflitos, no respeito à própria natureza, crescendo sempre mais a consciência de que é preciso defender os bens que são de todos, como a água, o verde, e até o silêncio e a harmonia. E, se muita coisa continua errada – como atestam os assaltos e as violências de todo tipo – é porque os homens não estão aceitando a proclamação do Evangelho.

É porque nós, cristãos, não sabemos ser esse fermento na massa que modifica o mundo numa santificadora levedação espiritual. Não sabemos ser essa luz que ilumina pelo exemplo de sabedoria. Não sabemos ser o sal que tempera a sociedade com o sabor do bem e da virtude. Temos que aprender de São João Batista a não sermos caniços que o vento dobra, nem criaturas cheias de vaidade.

Espírito que converte para Deus, que eu permaneça atento aos apelos de conversão que me são dirigidos, para merecer ser acolhido no Reino proclamado pelo Messias Jesus.

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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Homilia Diária - 15.12.2018

ELIAS JÁ VEIO OU NÃO? Mt 17,10-13
HOMILIA

Elias já veio ou não?

Os discípulos, fracos e sedentos da verdade, querem ser bem informados de toda a doutrina obscura que diz respeito ao Mestre. Afinal, Elias já veio ou não? Apesar de tudo o que tinham visto, eles queriam tirar dúvidas e ter esclarecimento. A justificativa é simples: o diálogo entre os discípulos e Jesus se dá ao descerem a montanha, após a transfiguração dEste. Na transfiguração, Pedro, João e Tiago viram três homens: Moisés, Elias que falavam com Jesus sobre o Reino. Diante disso, ficam confusos quando se deparam com as passagens da Lei.

Agora, os discípulos querem ser esclarecidos sobre a vinda de Elias como precursor do Messias, conforme a doutrina que receberam dos escribas. Esta doutrina tradicional fundamenta-se no apêndice final do livro de Malaquias (Ml 3,23-24), segundo a qual Elias “fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais…”. Seria o estabelecimento da paz escatológica. Os escribas associavam Elias com o messias davídico glorioso que esperavam. Ante esta preocupação dos discípulos, Jesus retifica esta falsa expectativa.

E ao preparar seus seguidores para a missão que os espera, quer convencê-los de que Ele é, deveras, o Messias que esperavam. Os profetas falaram d’Ele e suas obras o atestam com extrema clareza “Não acreditais nas minhas palavras, acreditai apenas nas minhas obras, pois são elas que dão testemunho de mim”. Elias já veio na pessoa de João Batista, mas as elites religiosas do Templo, em parceria com Herodes, o ignoraram e o assassinaram. Este também será o futuro do Filho do Homem, como se autodenomina Jesus. Identificando-se com João em seus maus-tratos e sofrimentos, Jesus distingue-se do messias poderoso e glorioso. Essa previsão do sofrimento decorre do fato de que o poder opressor não admite nada que ameace sua estabilidade e reage com violência, empenhando-se na destruição daqueles que, colocando-se a serviço da vida, dedicam-se à libertação dos pobres e oprimidos. Por isso, não nos devemos escandalizar quando tais coisas acontecerem conosco.

O cristão é testemunha de Cristo, é aquele que O torna vivo no mundo de hoje, aquele que julga as coisas mundanas e os acontecimentos da vida, como Cristo os julga. Se o Filho do Homem se insere na linha dos profetas sofredores, o discípulo, por sua vez, põe-se em seguimento a Ele. Não é maior que o seu mestre e deve ser, portanto, a testemunha de uma glória que passa pelo sofrimento e transpõe a soleira da morte. Como poderia ser de outra forma, desde o momento em que aceita tomar parte em uma Eucaristia?

Quem comemora a Paixão e a ressurreição do Senhor? Jesus, convencendo os seus discípulos de que Elias já veio e os grandes não o reconheceram como o Messias esperado para salvar o mundo dos pecados, quer preparar-nos para a Missão. Esta deverá acarretar consigo sofrimentos, perseguições e até o próprio martírio. É urgente que, corajosos e firmes na fé, O tornemos conhecido e O levemos a todos os nossos irmãos e irmãos que ainda não O reconheceram como seu Salvador.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

Homilia Diária -14.12.2018

GERAÇÃO MÁ E INÍQUA Mt 11,16-19
HOMILIA

Depois de Jesus ter exaltado a pessoa de João Batista, agora Ele se volta para a multidão e lhes dirige uma pequena e rústica parábola das crianças nas praças. O Senhor reconhecia em João Batista um profeta que abria novos caminhos em face da rígida e opressora religião do Templo de Jerusalém e das sinagogas. Jesus se fez discípulo de João, recebendo seu batismo e, depois, Ele próprio, inicia seu ministério com o mesmo anúncio do Batista: “Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Na elementar parábola narrada por Jesus, um grupo de crianças tenta se comunicar com outro grupo, com brincadeiras de alegria ou tristeza, porém, o outro grupo os rejeita. Então, o próprio Jesus passa a explicá-la.

João Batista fez seu anúncio da conversão, de maneira austera, nas regiões desérticas do Jordão, e foi acusado de “ter um demônio”. Jesus, por sua vez, anunciando a chegada do Reino dos Céus de maneira simples e comum, no meio do povo, comendo com os pecadores e publicanos, é chamado de “comilão e beberrão”. Os chefes religiosos, que veem em João e em Jesus uma ameaça ao seu poder, procuram difamá-los diante do povo. Porém, o povo, excluído e oprimido, reconhece a sabedoria da mensagem de Jesus e a recebe com alegria e esperança.

Mas que gente difícil aquela, a quem Jesus fora enviado! Eles haviam recusado a sabedoria de Deus, que primeiro se apresentara no ascetismo de João e depois a condescendência de Jesus para com os pecadores e excluídos do seu tempo. Corremos o risco de dizer isto para os do tempo de Jesus. Não será que Jesus nos está dirigindo também a mesmíssima mensagem?

Vivemos tempos muito fortes em críticas, muitas vezes, infundadas; sem pés nem cabeça. E, como ontem, Jesus continua insistentemente dizendo: “Com quem vou comparar esta geração?” Ele se apresentou aos homens com uma nova mensagem: mensagem do amor, da paz, da justiça, da partilha, da solidariedade, da reconciliação e, sobretudo da misericórdia. Mas não foi compreendido e acolhido.

Só os simples, os humildes, os disponíveis, os amigos da verdade a Ele aderiram, reconhecendo n’Ele o ponto de chegada de toda a Lei e os Profetas. Os outros, principalmente os chefes do povo, puseram-se contra Ele e O rejeitaram. Todavia, por ser forte, soube compreender os fracos e os reerguer, dando-lhes uma nova dignidade de viver entre os irmãos. Se, enquanto fracos, condenavam os outros, agora, fortalecidos por Cristo e com Cristo, eles devem perdoar para que permaneçam sempre fortes. Já que os fracos condenam e os fortes perdoam.

Peçamos a Jesus que nos ensine a perdoar para sermos a geração dos fortes, a fim de suportarmos as fraquezas dos mais débeis como nos ensina São Paulo. E que São João da Cruz, cuja memória celebramos no dia de hoje, ajude-nos e interceda por nós para que saibamos suportar os sofrimentos e, neles, descubramos o mistério da cruz de Cristo, que é a fonte da nossa Salvação.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

domingo, 9 de dezembro de 2018

Homilia Diária - 13dez2018

A PESSOA DE JOÃO BATISTA Mt 11,11-15
HOMILIA

Jesus começa o seu discurso exortando a grandeza de João Batista e diz: Em verdade eu vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. Amado, o Reino dos Céus já está entre nós, já podemos vivê-lo, já podemos experimentá-lo e o Natal é um sinal desse Reino de amor, de misericórdia e de alegria que nos traz esperança, mas é preciso se fazer pequeno para conquistá-lo, é preciso se fazer humilde e buscar em Deus forças para trazer a nós o amor entre familiares, como fez João Batista. Amado, o próprio Jesus nos diz que o menor no Reino dos Céus é maior do que João Batista, este mesmo homem anunciou Jesus, anunciou que viria o messias e traria a paz, a alegria, o perdão, então devemos ser menores ainda que João Batista e nos entregarmos à vontade de Deus, João Batista pregou para toda uma cidade anunciando a conversão.

Jesus hoje quer que você pregue na sua casa não somente com a boca, mas com a vida, com exemplos, com testemunho. Ele quer que você não exclua alguém por ser rotulado de briguento, viciado em droga, prostituição, alcoólatra ou coisa parecida em sua família. E pode ser que a maior parte dos teus familiares já o tenham deletado da lista dos parentes e por isso não pode ser convidado para ceia alguma. Neste Evangelho, Jesus está te dando a possibilidade de testemunhar o verdadeiro sentido do Natal. Natal é alegria, é perdão, é reconciliação, é justiça, é amor de Deus em nós.

Jesus exalta João Batista como o maior entre todos os homens, mas ressalta que maior ainda do que ele serão todos aqueles que possuem o Reino dos Céus. O Reino dos Céus sofre a violência da mentalidade do mundo que lhe é contraditória, mas é conquistado justamente por aqueles que são violentos, isto é, que se opõem ao modo de pensar e julgar que o mundo prega. Podemos, então, fazer uma avaliação se já conquistamos o Reino dos Céus, examinando os nossos pensamentos e ações quando estão em harmonia com os valores evangélicos. O mundo nos ensina a pensar e agir completamente diferente do que prega o Evangelho. Portanto, se seguimos a cartilha do mundo, estamos sendo covardes e ainda não conquistamos o Reino dos Céus. João Batista foi o último profeta do Novo Testamento. Ele veio com o mesmo espírito desbravador de Elias abrir para o povo um caminho de conversão e preparar este povo para ser batizado e aceitar a Salvação de Jesus. Nós somos os profetas deste novo tempo e, também como ele, fomos convocados a corajosamente bradar ao mundo que a Salvação vem do Senhor.

Você se considera um grande homem, uma grande mulher? Você é uma pessoa firme e corajosa no enfrentamento dos “favores” que o mundo lhe tem oferecido? Você tem dado exemplo, na sua casa e no mundo, de que o Reino dos Céus já está acontecendo em você?

Senhor Jesus, quero ser pequeno e começar a viver o teu Reino nas pequenas coisas, quero viver esse Natal diferente de todos os outros onde eu pude presenciar brigas, discussões, discórdias entre minha família. Neste Natal eu quero ser como João Batista e anunciar o teu amor, o teu perdão, anunciar que com o Senhor à minha frente tudo é possível. Por isso peço-Vos que me ensineis como dar o primeiro passo. Assim como ungistes os teus profetas, unge-me também e darei testemunho das vossas maravilhas. Amém.

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